Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

07
Out15

O truque

Sérgio Lavos

magichands-1024x683.jpg

Não haverá muitas dúvidas neste momento de que o encontro de António Costa com o PCP e com BE é, antes de mais, uma questão de cortesia, dado que os dois partidos mostraram disponibilidade para conversar com o PS sobre soluções governativas; mas é também um truque, pura prestidigitação: o PS quer mostrar aos seus votantes mais à esquerda que o seu voto não foi em vão (e que o perigo de pasokização não é uma ameaça próxima); por outro lado, o BE e sobretudo o PCP querem forçar o PS a posicionar-se para que possam decidir por onde seguirão: se pelo caminho da oposição ao PS ou pelo alinhamento estratégico (parlamentar) até que aconteçam novas eleições. 

A negociação com a esquerda vai permitir tanto ao PS como ao BE e PCP saídas airosas da encruzilhada em que estão metidos. Será muito surpreendente se o resultado destas "negociações" não for um desacordo proveitoso para todas as partes: o PS poderá dizer que tentou falar com a sua esquerda e o PCP e o BE poderão dizer que tentaram solução governativa com PS, mas que este preferiu viabilizar Governo de direita. Fingem os três partidos o acordo momentâneo porque sabem que uma larga fatia do seu eleitorado gostaria de ter um Governo de esquerda. Mas sabem os três que uma solução deste tipo comporta riscos imprevisíveis que poderiam pôr em causa conquistas eleitorais no futuro.
A política nunca é o que está à superfície, é sempre o que está para lá do que é dito e mostrado. Por baixo da mesa é onde se decide o futuro dos partidos. Pena é que o nosso futuro também dependa do que se esconde, muito mais do que daquilo que é visível: a verdade é obscurecida pelo gesto da mão, o que distrai a atenção do espectador e oculta o truque.

 

Adenda: O que escrevi aqui à tarde entretanto foi ultrapassado pela realidade. O PCP deixou de parte qualquer calculismo e abriu todas as portas e janelas a um entendimento à esquerda. Costa parece também convencido do mesmo. Falta o BE, mas pelo que foram dizendo em campanha e já depois das eleições, tudo indica que é possível também haver acordo. Pela primeira vez em 41 anos de democracia, poderemos vir a ter um Governo de convergência à esquerda. Excelente.

19
Mai14

Cartilhas

João Martins

Depois de PSD e CDS, eis que PCP integra a narrativa oficial da Aliança Portugal para estas eleições.

João Ferreira, por momentos, cansou-se da cartilha propalada pelo seu partido e/ou coligação e decidiu adotar a de Melo e Rangel: Eleições europeias? Muito giro, mas não esquecer o Sócrates!

Apesar da direita agradecer, faltou originalidade a João Ferreira. É melhor tentar outra vez.

11
Fev14

Será o LIVRE que irá cumprir a esperança do Bloco de Esquerda?

Diogo Moreira

O sistema partidário português, quando comparado com o de outros países, denota um bloqueio estrutural: a incapacidade do centro-esquerda conseguir fazer acordos de governo à sua esquerda. Muito se tem escrito e dito sobre as razões desse bloqueio, desde o confronto entre o PS e a extrema-esquerda no PREC, passando pelo facto do PCP permanecer um bastião do marxismo-leninismo, incapaz de considerar alianças que possam pôr em causa a pureza dos seus objectivos ideológicos. Isso teve como resultado previsível um PS que, em monentos cruciais, tem sido obrigado a procurar entendimentos à sua direita, para desgosto crescente da sua ala esquerda. Aquando do surgimento do Bloco de Esquerda criou-se a esperança que finalmente poderia surgir um partido que possibilitasse ao PS fazer entendimentos de governo à sua esquerda.

 

Embora o Bloco tenha tido um papel fundamental para a vitória da agenda de valores sociais progressistas dentro do próprio PS, algo que é ignorado por muitos, esvaziada essa agenda, a liderança de Francisco Louçã depressa demonstrou a mesma ausência de pragmatismo que o PCP. E o processo de fragmentação em curso, que empurra o Bloco para uma luta mortal pela sua própria relevância e sobrevivência, impede que a actual liderança possa aceitar qualquer entendimento real com o PS.

 

E assim abre-se espaço ao LIVRE.

 

Mas para que o LIVRE possa assumir esse lugar de relevo no sistema partidário nacional, precisa de demonstrar a sua força, e que existe de facto uma base social de apoio à sua agenda. E isso só conseguirá demonstrar indo sozinho a eleições.

Começam-se a ouvir rumores que a actual liderança do PS planeia ir coligada com o LIVRE às eleições europeias, sem dúvida um estratagema habilidoso para ofuscar o facto que Seguro é incapaz de estabelecer pontes com a ala esquerda do seu próprio partido, sendo obrigado a utilizar Francisco "Acordo com a Direita" Assis como cabeça de lista, porventura conjuntamente com uma "limpeza" disfarçada   a limitação de mandatos dos elementos mais esquerdistas do PS no Parlamento Europeu.

 

Embora possa parecer uma boa ideia, de forma a injectar sangue novo, e proeminente, de esquerda — num PS que assustadoramente se parece cada vez mais com o PSD de Passos — este poderá ser o beijo da morte do LIVRE. Afinal, a CDU é também uma coligação, entre o PCP e o PEV, embora ninguém duvide de quanto (não) vale o último sem o primeiro.

 

No actual estado do país, urge que a esquerda se afirme como uma alternativa à direita. E essa alternativa só é possível com o PS. Mas não com um PS virado à direita, baseado na "austeridade de rosto humano". É fundamental puxar o PS para a sua esquerda. Esperemos que um excelente resultado do LIVRE nas europeias, seja o primeiro passo nessa direcção tão necessária.

19
Out13

Pergunta singela

mariana pessoa

Se não é preciso ser-se adivinho para antecipar o porquê de o Grupo Parlamentar do PSD ter votado contra a proposta do PS para a antecipação da discussão do Orçamento de Estado 2014 (dando margem ao PR para que este solicite a fiscalização preventiva do OE, caso assim o entenda), juro que gostava de saber o porquê do voto contra do PCP e do BE. Quanto pior, melhor, é isso? O DNA de partido de protesto - inútil - é isto. Se vindo do PCP não surpreende, talvez fosse expectável que o Bloco quisesse fazer uma prova de vida. Continua ligado à máquina - os meus sentimentos a quem chegou a ter expectativas em relação à Plataforma XXI. 

22
Jul13

PCP e Bloco - a "grande convergência"

mariana pessoa

Pergunta:

 

A grande convergência sublinhada por PCP e Bloco de Esquerda a semana passada veio antes ou depois de chegarem à conclusão que aos patrões a inscrição no Bloco não mete medo? É que para o Secretário Geral do PCP os bloquistas são uns imberbes dos quais o patronato tem tanto medo como de ovos moles. Nas palavras de Jerónimo de Sousa: isso (militantes do Bloco) "papam eles ao pequeno-almoço, não se preocupam nada”.

 

Deve ter sido uma convergência e peras.


07
Jun13

Governo de Esquerdas - o primeiro obstáculo é Seguro

mariana pessoa

Diz Pedro Nuno Santos, do Partido Socialista, numa entrevista ao jornal i:

 

"A questão do Memorando tem sido usada para distinguir o PCP e o Bloco de Esquerda do PS. Mas o Memorando tem um prazo - e o prazo é Junho de 2014. Se tudo correr como está previsto, a troika vai-se embora em final de Junho de 2014. O Memorando passa a ser um não-problema."

 

"Vão ter todos de ceder e o PCP não pode, com 12 por cento dos votos, impor um programa a 100 por cento. É óbvio que se estiver genuinamente interessado em retirar o país do desastre em que caiu tem de, como se costuma dizer na minha terra, "sujar as mãos" com a responsabilidade de governar."

 

A visão em relação ao Bloco de Esquerda tem diferentes tonalidades: "Vejo com muita esperança as declarações de António José Seguro à saída da reunião com o Bloco de Esquerda. É uma esperança para os portugueses, que precisam de uma mudança política sem a direita. O PS está a dar mostras de que quer construir uma alternativa política."

 

As questões que Pedro Nuno Santos levanta, de desenho concreto (haja alguém que dentro do PS fale de modo concreto), são realmente sensíveis. Porém, passa ao lado do óbvio. Sim, qualquer esperança de ética de responsabilidade por parte do PCP é para cair em saco roto. É um partido cristalizado, centrado matricialmente na perspectiva de ser oposição, nunca governo. Não tem configuração genética para tomar decisões. E talvez (diria que é uma aposta ovo kinder) a relação com o Bloco de Esquerda possa ser diferente.

 

Mas, como dizia, passa ao lado do óbvio: a liderança do Partido Socialista.

 

António José Seguro (por muito que seja notória a preocupação de Pedro Nuno Santos em poupá-lo), é, efectivamente um líder fraco, sem chama, sem conteúdo, sem capacidade mobilizadora. Nem o próprio partido Seguro consegue mobilizar (a blindagem dos estatutos fala por si sobre a sua receosa forma de estar). Depois da gestão ruinosa destes 2 anos, com a insatisfação dos portugueses a níveis históricos, o PS não capitaliza nas sondagens. Nem sequer dá mostras de que isso possa acontecer no futuro. Facil: Seguro é em 2013 o Pedro Passos Coelho de 2011. Forjado nas jotas, com ar benigno e de copinho de leite em riste. A dizer "isto não fazemos", mas sem dizer como faria nem porquê. Titubeando. Titubeante.

 

E é este o líder da oposição que temos por responsabilidade dos próprios militantes do PS, que perante a ameaça de avanço de António Costa, tremeram com a possibilidade de haver alterações às listas para as eleições autárquicas. Os militantes do PS escolheram primeiro as autárquicas, depois o país. O que também diz muito dos seus objectivos e da mundividência do sustentáculo do Partido Socialista. E, convenientemente, Seguro deixou a proposta que preconizava a eleição do líder do PS aberta a simpatizantes a marinar. António Costa, por seu lado, ficou electus interrompidus, num inenarrável, primário e imaturo movimento para quem está há tanto tempo na política.

 

É, uma coligação à esquerda é terreno minado. Mas talvez não fosse mau de todo a liderança do PS começar a achar que é, ela próprio, neste momento, também um obstáculo ao desejável governo de esquerdas. Esperemos que o momento "pá de porco" das Autárquicas passe rápido para que os socialistas, sentados confortavelmente nos seus pavilhões gimnodesportivos e nas suas rotundas, possam agora concentrar a sua atenção no governo deste país na desgraça plantada.

24
Mar13

A minha verdade é mais verdade do que a tua – eu sei, porque eu sou comuna

mariana pessoa

O PCP, numa tentativa histriónica de reescrever a história, sentiu a necessidade de elaborar um documento denominado "PEC IV Toda a Verdade". É adorável esta mania que o PCP tem de eleger o PS como inimigo. Eu sei que é nisto que jogam a sua sobrevivência, afinal de contas na arena da esquerda a competitividade é grande.

 

É especialmente hilariante, em particular, porque foi o PCP que votou ao lado dos partidos da direita (PSD e CDS), sabendo que culminaria na demissão do Governo de José Sócrates. Se hoje temos PSD e CDS no poder, é justamente porque o PCP, junto com os Verdes e o Bloco, o desejaram. E é tão curioso ser o PCP a querer impor uma narrativa tão conveniente ao governo de coligação.

 

E assim voltamos à casa de partida: o PCP na cama com o PSD e o CDS. Dizem os comunistas que assim é por que são eles a esquerda patriótica, a verdadeira esquerda, nesse raciocínio tão dicotómico como primário. Mas que seria de esperar de um partido que votou favoravelmente a inversão do ónus da prova para políticos (diz que lhe chamaram criminalização do enriquecimento ilícito), chumbado pelo Tribunal Constitucional, com base na amada Constituição da República Portuguesa)?

 

Diz portanto o PCP que o PS não é de esquerda porque, durante dois anos, houve um PSD a viabilizar os Orçamentos de Estado do governo PS e os PEC I, II e III. Esta teoria da companhia nos votos é muito curiosa, porque há vários exemplos em que o Partido Comunista se deitou, vamos assim dizer, nos lençóis da direita:

 

• Referendo sobre despenalização do aborto – O PCP votou contra, apesar do resultado de 1998;

• Paridade – O PCP votou ao lado da direita contra uma lei que assegura uma representação mínima de cada um dos sexos;

• Nomeações dos altos cargos dirigentes – O PCP votou ao lado da direita contra uma lei que limita o número de cargos de confiança política e que reintroduziu a obrigatoriedade de concursos nas nomeações de dirigentes intermédios;

 

Por outro lado, voltando à questão de ‘a minha verdade é mais verdadeira do que a tua’ e ainda a propósito do chumbo do PEC IV, talvez seja de recordar um cavalheiro que já foi Secretário-Geral do PCP, Carlos Carvalhas, numa entrevista à Antena 1:


“A história tinha sido outra se nós tivessemos pedido a renegociação. Porque no sócrates, no fundo, já depois de ter aceite o PEC IV, porque ele estava no fundo a tomar a atitude que tomou a espanha, que tem resgate sem ter pedido resgate, que aquele lapso de tempo mostrou, que da parte da união europeia eles estavam sem recuo, porque tinham de ceder, não podiam deixar o país ir à falência.”

 

Ah, já sei. Carlos Carvalhas não passa na máquina de etiquetagem de esquerda que há na Soeiro Pereira Gomes, é isso? Este direitolas do Carvalhas, pá.

 

Mas talvez seja por estas e por outras que podemos sintetizar num gráfico, no período pós 25 de Novembro [onde – espera, já sabemos de cor – o socialismo foi metido numa gaveta], os votos dos portugueses nesta mundividência da auto-proclamada esquerda patriótica, nesta linha descendente:

 

 Fonte: wikipedia, resultados das eleições legislativas de 1976 a 2011.

 

 

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

No twitter

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D