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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

29
Set16

Paciência ao Metro

Frederico Francisco

Na passada quarta-feira, perto das 19h, cheguei ao Cais do Sodré num comboio da Linha de Cascais e, como habitualmente, desci até à estação de Metro para fazer o trajecto da linha Verde até Arroios. Ao atravessar as barreiras de controlo de bilhetes, deparo-me com a plataforma apinhada e com pessoas já paradas nas escadas de acesso, sem espaço para avançar mais (na realidade, apenas a primeira metade do comprimento da plataforma estava cheia, que corresponde ao comprimento dos comboios de 3 carruagens que circulam na linha Verde). Decidi que não valia a pena colocar-me ali, aceitei o facto de que não iria no primeiro comboio que chegasse à estação e fui dar a volta para entrar na outra extremidade da plataforma. No primeiro comboio que passou, entrou a maior parte das pessoas que estavam na plataforma, que se voltou a encher de imediato com as que já se tinham acumulado nas escadas e no átrio. Imaginei que o comboio seguinte demorava pouco tempo, uma vez que se tratava de hora-de-ponta num dia de semana de Setembro. Passados 6 minutos lá apareceu outro comboio que se volta a encher ao ponto do ficarem pessoas coladas aos vidros das portas. No trajecto que fiz não houve uma paragem em que não ficassem passageiros apeados sem espaço para entrar no comboio.

IMG_0537.JPG

A história desta viagem de Metro começa em 2011 com a redução das frequências, redução do comprimentos dos comboios na linha Verde de 4 para 3 carruagens, paragem das obras de aumento das plataformas na estação do Areeiro, adiamento de obras da mesma natureza na estação de Arroios.

Lembro-me, por essa altura, de ver o ministro Álvaro a declarar com ar de quem estava a revelar uma verdade incenveciente que o Metro de Lisboa tinha taxas de ocupação de apenas 40%, insinuando que isso justificava uma redução da oferta e revelando a sua profunda ignorância em matéria de transportes públicos.

Houve também a redução de velocidade de circulação para 40 km/h, na altura apelidada de "marcha económica", por coincidência, ocorrendo ao mesmo tempo que se soube que um dos sistemas de frenagem dos comboios se encontrava desactivado.

Com a tomada de posse do novo governo, criei a expectativa de que, a par com a inversão da política de austeridade houvesse também uma inversão da trajectória na política de transportes públicos. Veio o fim do processo de subconcessão, a nomeação de uma nova administração liderada por Tiago Farias, pessoa por quem tenho bastante respeito técnico e intelectual em matéria de transportes, e a ambição de retomar a expansão da rede dentro de um par de anos.

A esperança de que algures, nos gabinetes, a engrenagem já estava a mexer tranquilizou-me, apesar de não se notarem melhorias concretas, mas estas coisas demoram tempo, não é? Inaugurou-se a obra da Reboleira, mas o Areeiro continua parado. Deve ser a seguir. Depois veio o verão de 2016, a cidade encheu-se de turistas e, por falta de maquinistas, de comboios ou de ambos, passou a ser habitual esperar 10 minutos ou mais pelo comboio seguinte em pleno dia. Comboio esse que, quando chegava, vinha quase invariavelmente cheio.

Confesso que, ao fim de quase um ano, estou a ficar muito impaciente com a ausência de sinais de uma inversão do rumo de degradação do serviço que o Metro presta aos seus passageiros. Bem sei que os problemas não se resolvem todos de imediato, mas a ausência de uma assunção e enunciação clara dos problemas, que são certamente do conhecimento da administração e do governo, bem como de propostas e prazos para soluções só aumenta a minha impaciência. Na verdade, tem havido uma tendência para simplesmente atirar a responsabilidade para "os anos de desinvestimento do anterior governo". A tese da pesada herança, ainda que possa ser verdadeira, tem as suas limitações, que residem no momento em que passa a parecer desculpa para tudo.

A mais recente situação da falta de bilhetes é um remate caricatural das agruras que os utilizadores do Metro de Lisboa passam há já, pelo menos, 5 anos. Tudo isto me irrita ainda mais porque me obriga a concordar com João Miguel Tavares na substância, ainda que não no estilo.

08
Mai16

Sobre a requalificação do Eixo Central de Lisboa

Frederico Francisco

A requalificação do Eixo Central de Lisboa tem estado presente na imprensa nacional ao longo dos últimos meses, com a cobertura das inúmeras sessões de discussão promovidas pela Câmara Municipal de Lisboa e outras entidase.

Sobre o projecto em si, basta dizer que se trata da requalificação da Av. da República e Av. Fontes Pereira de Melo, parte do Eixo Central de Lisboa, orientadas para uma melhoria do espaço público e das condições de mobilidade para peões e ciclistas em detrimento do espaço de circulação e estacionamento automóvel. Importa, também, dizer que esta obra, além de explicitamente referida, se enquadra nos princípios de política de mobilidade presentes no programa eleitoral votado por uma maioria dos munícipes na últimas eleições autárquicas.

Antes e Depois.jpg

A Associação de Moradores das Avenidas Novas e o vereador João Gonçalves Pereira (CDS) mobilizaram-se na contestação ao plano, tendo como principal argumento a redução do número de lugares de estacionamento disponíveis na via pública. Mais do que nos argumentos em concreto, a contestação basei-se na ideia de que ter estacionamento gratuito no centro de Lisboa é um direito que se sobrepões ao direito à circulação conformtável a pé, à circulação de bicicleta, à fruição do espaço público, ou a um ar respirável. Estes princípios são precisamente os contrários daqueles que foram sufragados.

A verdade é que acabaram por conseguir o que reclemavam. O presidente da CML acabou por ceder e anunciar uma alteração ao projecto que aumenta o espaço de estacionamento à custa da eliminação de uma das ciclovias unidireccionais na Av. da República. Esta alteração foi de encontro directo à proposta do vereador João Gonçalves Pereira, como o próprio fez questão de assinalar após o anúncio. A CML compreteu-se, também, a fininciar avenças a preços reduzidos em parques de estacionamento privados para os moradores de uma das zonas mais valorizadas das cidade de Lisboa.

Ora, depois desta posição de compomisso de Fernando Medina que, a meu ver, foi longe demais nas cedências, esperar-se-ia que quaisquer motivos para constestação ficassem esvaziados. A realidade encarregou-se de mostrar que qualquer expectativa de razoabilidade do lado que que contesta este projecto se tratava de uma ilusão. Menos de uma semana após o início das obras, está já marcado um buzinão contra as obras, que contou com o apoio imediato do vereador do CDS na CML.

Fica claro para mim que fiz, ao longo deste debate, um juízo errado das motivações dos opositores a este projecto. Na minha inocência, sempre achei que fossem movidos pela vontade de manter os seus hábitos de mobilidade baseados na utilização do automóvel e no desejo de ter estacionamento gratuito à porta de casa.

Fica claro que o argumento da perda de estacionamento era apenas circunstancial e que a verdadeira motivo sempre foi e continua a ser de travar a obra a todo o custo.

Acusam Fernando Medina de ser eleitoralista por querer ter obras prontas antes das eleições. Quase sou levado a pensar que estas pessoas que contestam estas obras desta forma têm medo que as obras se façam e que os lisboetas descubram que as coisas ficaram melhores depois das obras e, eventualmente, recompensem eleitoralmente o executivo que as promoveu. Mas talvez isto seja a irritação e a minha mente conspiratória a falar...

12
Nov13

Da calçada portuguesa

Nuno Oliveira

Face à notícia da intenção de substituição de uma parte da calçada portuguesa em Lisboa custa um pouco entender esta reacção negativa, expressa com maior densidade neste artigo de opinião. Não cedo à tentação de transformar aquilo que é facialmente a intenção de preservação de uma determinada herança cultural numa manifestação de conservadorismo. Faço até um esforço para entender algumas das sugestões avançadas pela associação.

 

Mas não pode deixar de causar estranheza que a associação não tenha em consideração a dimensão do fenómeno. A calçada portuguesa é, combinada com o envelhecimento da população e a orografia de algumas zonas da cidade, um problema quotidiano para muitos dos que circulam em Lisboa. Não há pontos negros na calçada portuguesa no que diz respeito à mobilidade: há extensas áreas negras.

Falamos de casos não esporádicos de quedas como falamos de uma genérica perda de mobilidade. Transformada muita vezes numa limitação real de efectuar determinados percursos. Isto tudo numa calçada em perfeitas condições. Podia acrescentar-se um sem número de casos resultantes de uma por vezes rápida degradação do pavimento em calçada.

 

Sabemos que há soluções de revestimento ou soluções que alternem dois tipos de pedra, mas também sabemos que essas soluções têm de ser devidamente avaliadas na sua relação custo-benefício. Poderão ser soluções para alguns casos mas é duvidoso - muito duvidoso - que possam ser encaradas como soluções para áreas extensas. Como noutros casos poderá ser solução a preservação da calçada tal qual ela se encontra neste momento. Mas aquela que parece ser a solução mais sensata é uma progressiva substituição do pavimento em zonas críticas da cidade salvaguardando naturalmente as envolventes das zonas de maior interesse histórico e/ou turístico.

 

Não se pode, de forma nenhuma, ser insensível a uma limitação real e quotidiana da mobilidade de uma parte da população. Quando Paulo Ferrero diz que o tema não foi discutido na campanha percebo o que diz. Creio que pretenderá dizer que não foi alvo de um confronto mediatizado entre candidatos. Mas não se julgue que esteve ausente da campanha. Quem fez campanha diariamente nas ruas sabe que foi um tema recorrente nas interpelações dos cidadãos mas possivelmente em sentido oposto ao que Paulo Ferrero gostaria. Os cidadãos exigem soluções que garantam uma mobilidade segura. Como lho garantirá qualquer candidato nas últimas eleições.

 

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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