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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

02
Out15

Depois da ocultação e das sombras, teremos a dura realidade

Sérgio Lavos

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Estamos a dois dias das eleições e a coligação de direita aparece à frente em todas as sondagens. Por muita vontade que tenhamos de enfiar a cabeça na areia, este é um facto indesmentível. Claro que as sondagens podem estar erradas, e no domingo à noite o PSD e o CDS podem ser varridos da governação - mas as probabilidades de isto acontecer são cada vez mais baixas. É possível que o pós-eleições seja um período de negociação confusa, com Cavaco a tentar influenciar PS no sentido do Bloco Central - o que seria talvez uma solução ainda pior do que uma maioria absoluta de direita.

Imaginemos os meses a seguir às eleições, no caso da direita governar com maioria absoluta. Ainda em 2015, e de acordo com os dados mais recentes da execução orçamental, teremos um buraco nas contas públicas e a meta do défice em risco. É bem provável que sejam necessárias mais medidas de austeridade para tapar o buraco. Talvez venha aí o tal novo aumento de impostos sugerido esta semana pela Comissão Europeia. Ou então novo corte do subsídio de Natal, tal como aconteceu em 2011 (e depois de Passos ter garantido a uma criança que tal não iria acontecer). Para além deste buraco (da exclusiva responsabilidade do Governo) há a necessidade de recapitalização do Novo Banco, admitida por quase toda a gente. Esse dinheiro virá, claro, do Fundo de Resolução. Mas o Fundo terá de ser alimentado pelo Orçamento de Estado. De onde virá o dinheiro? Dos contribuintes, claro, os tais que, de acordo com a garantia de Passos, Maria Luís Albuquerque e Cavaco, não seriam chamados a pagar o BES. Talvez o resto do subsídio de Natal chegue para a recapitalização.

A seguir vem o Orçamento de 2016. Nesse já sabemos que irá aparecer o corte de 600 milhões nas pensões. A maioria dos pensionistas verá, uma vez mais, o seu rendimento decepado. Esta medida, por muito que PSD e CDS digam o contrário, está prometida à UE. Vai acontecer, se eles ganharem eleições. Depois, se em 2015 não for atingida a meta do défice, o ponto de partida será mais alto, e portanto será necessário um reforço da austeridade para garantir a meta de 2016. E podemos esquecer a devolução da sobretaxa do IRS - neste momento a receita de impostos está acima do objectivo, mas a devolução do IVA ainda não foi feita, o que irá acontecer apenas depois das eleições.

Mas há mais: o programa de que a coligação PSD/CDS se recusa a falar. E esse programa é o mais ideologicamente à direita desde o 25 de Abril. O PSD e o CDS, se ganharem as eleições, vão mesmo cortar a eito no Estado Social. O dinheiro que neste momento está a permitir que a Escola Pública se mantenha irá ser escoado para o ensino privado, criando uma Educação privada de elite para ricos, financiada pelo dinheiro dos nossos impostos, e outra Educação pública sem condições para pobres. Na Saúde, acontecerá o mesmo. A "liberdade de escolha" (novilíngua) de que fala o programa do PSD/CDS significa que apenas quem tem um seguro de saúde privado terá saúde de qualidade, dado que o desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde irá acentuar-se. Cada vez haverá menos profissionais de Saúde a trabalhar no SNS e aumentará o número de pessoas sem acesso a médico de familia, a exames pagos pelo SNS e a operações realizadas em hospitais públicos. Finalmente, na Segurança Social, o plafonamento. Quando uma parte dos contribuintes optar por descontar para sistemas privados, é quase certa a descapitalização do sistema público. E quando isso acontecer, iremos ver o Governo a cortar pensões e subsídios a pagamento, a bem da sustentabilidade da Segurança Social. O plafonamento levará sempre a corte nas pensões a pagamento ou a um aumento de impostos, isso é certo. Tudo para que o sistema financeiro privado possa lucrar um pouco mais.

As escolhas que temos a fazer nas eleições de Domingo são claras. O problema é que a coligação de direita tem feito mais uma campanha de ocultação e mentira. O seu programa de destruição do Estado Social tem sido astuciosamente escondido dos eleitores - se estes soubessem realmente o que significa "liberdade de escolha" pensariam duas vezes antes de votar no PSD e no CDS. Mas a aposta da coligação que não põe as caras dos seus líderes e os símbolos dos partidos que a compõem nos cartazes é clara: contam com a falta de memória e a ingenuidade do eleitor no momento em que decide o seu voto. É um jogo de sombras e de espelhos que, tudo indica, poderá compensar. A curto prazo, se a estratégia resultar, o país (e sobretudo as pessoas) vai sofrer amargamente com isto.

29
Set15

Sondagens e manipulação do voto

Sérgio Lavos

Esta campanha para as legislativas está a ser um paradigma no que diz respeito à influência que a comunicação social tem na opinião pública e, consequentemente, no voto. Desde a habitual falta de espaço mediático concedido aos partidos mais pequenos (sobretudo os que ainda não têm representação parlamentar) ao extraordinário acaso que é vermos dois antigos presidentes do PSD a comentar a campanha na SIC e na TVI, ocupando o prime-time nos telejornais dos dois canais (Marques Mendes chega ao ponto de escarnecer da nossa inteligência, ao gabar-se da "independência que me é reconhecida"), tem acontecido de tudo um pouco, sem que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) se pronuncie. Aliás, a avaliar pelo silêncio do organismo que deveria fiscalizar o acto eleitoral, estes acontecimentos devem ser absolutamente normais, e estarão a guardar-se para vigiar as redes sociais no dia de reflexão, acredito.

E depois há o caso das sondagens. Temos de tudo, à escolha do freguês: amostras que rondam as 300 entrevistas válidas; sondagens nas quais apenas são sondados residentes do continente com telefone fixo; contagens de voto que não têm em conta a densidade populacional de cada região e a distribuição de mandatos por círculo eleitoral (ou se têm, partem de inexplicáveis distorções); e até uma sondagem que, partindo de uma amostra com distribuição por regiões do país, extrapola os mandatos por círculo eleitoral (que não coincidem, como é evidente, com as regiões), construindo um potencial parlamento para usufruto dos comentadores, que depois discorrem longamente sobre cenários hipotéticos e pouco verosímeis. É um festim.

Mas se tudo isto já é muito mau, pior é o relato feito por Glória Franco, candidata do Livre/Tempo de Avançar pelo distrito de Évora, de uma inusitada entrevista telefónica realizada pelo centro de sondagens da Universidade Católica (por sinal a empresa que está a fazer a tracking poll que mais avanço dá à coligação de direita). Aqui fica:

 

"- (...) Estamos a realizar uma Sondagem para a Universidade Católica e a Sra. foi seleccionada. Quer responder? (...) Em que força política votaria hoje em eleições legislativas?
- Voto no Livre/Tempo de Avançar.
- Desculpe, que partido é esse?
- Está a entrevistar-me telefonicamente e não sabe (...)?
- É o da Ana Drago, não é? Diga-me por favor: há mais alguém aí em casa, disposto a participar na sondagem?
- Há sim. Vou chamá-la. [Não havia, de facto, mas a nossa companheira quis ver até onde iria a coisa... tendo disfarçado a voz].
- Boa noite.
- Boa noite. Quer participar na sondagem da UC? (...) Em quem votaria se as eleições legislativas se realizassem hoje?
- Voto no Livre.
- Mas aí em casa votam todos no mesmo?! Obrigado pela participação e boa noite."

 

Será caso para chatear a CNE, ou poderá esta continuar a dormir o sono dos justos, no pasa nada

27
Set15

Do voto e do pouco que vale o voto

Sérgio Lavos

Um texto de Rui Zink sobre o poder do voto. Abster-se é abdicar desse poder.

"O meu voto vale pouco? Valerá. Mas é o único momento em que vale exactamente o mesmo - o mesmo pouco - que o voto de Assunção Esteves ou O diácono-superior dos ex-CTT.
Essa a beleza do voto: cada um vale pouco e todos valem EXACTAMENTE o mesmo pouco.
Ao contrário de um reunião de accionistas ou de um clube, onde há votos de qualidade, e uma pessoa pode ter um zilião de votos, aqui naquele dia TODOS valem exactamente o mesmo: pouco.
A fórmula é simples: 1 adulto = 1 voto.
Claro, há pessoas que são fotografadas a votar e outras não. Mas a cruzinha vale exactamente o mesmo: pouco.
1 = 1.
Ronaldo é mais influente? Medina Carreira mais careca? O prof. Cavaco mais... Enfim, mais qualquer coisa? Sim. O prof. Marcelo é mais omnipotente? O sr. Pingo Doce mais rico? O dr. Catroga mais administrador da EDP? Claro. Como duvidar?
E não, nem de longe, não temos todos o mesmo poder de influenciar os outros. Falar na tasca, na televisão, no FB, ao telefone ou no jornal não é a mesma coisa. Nem tem de ser.
Há filmes vistos por milhões, poemas lidos por nem meia-dúzia de amigos.
Segundos antes e, lamento dizê-lo, segundos depois de votar deixaremos de ter o mesmo poder, a mesma fortuna, o mesmo destino.
Contudo, naquele instante, na cabine, com a caneta e o boletim, temos todos o mesmo poder.
Pouco. Maravilhosamente pouco."

10
Set15

Como temos a certeza que o debate correu bem a Costa

Frederico Francisco

As análises dos comentadores da direita mais próximos do actual governo sobre o debate de ontem são todas muito parecidas entre si: desvalorizar o debate, dizer que não foi interessante e foi aborrecido, dizer que Costa esteve mais "agressivo", dizer onde Passos Coelho podia ter dito isto ou aquilo para ganhar vantagem, dizer que não serviu para nada e não influencia nada...

Neste caso, as análises dizem mais sobre os analistas do que sobre o objecto da análise.

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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