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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

15
Nov13

Obama, do you care?

Pedro Figueiredo

Há um artigo do Wall Street Journal de há três semanas (talvez) que, para além de dar a notícia que a China tinha pela primeira vez ultrapassado os Estados Unidos da América como líderes mundiais na importação de petróleo - o que a própria OPEP adivinhava, mas só para 2014 -, lembrando que já tinham conseguido antes ser os maiores importadores do Médio Oriente - ultrapassando também os EUA -, faz uma análise mais cuidada à questão geopolítica.

 

O artigo trazia uma infografia interessante com o mapa da região do Golfo Pérsico e os corredores marítimos de segurança que os petroleiros chineses (e alugados aos chineses) fazem para percorrer livremente uma zona tão afectada por ataques terroristas. É que são os EUA que estão a patrulhar militarmente a zona para que nada aconteça. A todos os que circulam e beneficiam do protectorado norte-americano,  incluindo os chineses. Ou os que transportam para chineses.

 

O que levantou uma questão interna sobre as responsabilidades da China num patrulhamento que consome uma boa parte do dinheiro dos contribuintes norte-americanos. A crise atingiu toda a gente (aliás, nasceu nos EUA) e desempenhar o papel de polícia tem os seus custos. Do Mundo, então...

 

O historiador britânico Mark Mazower disse em entrevista à SIC Notícias que a prioridade de Obama na política externa não foi uma opção no primeiro mandato. Wall Street tinha rebentado e o desemprego ainda hoje é uma realidade dura que está aos poucos a desaparecer. O interesse era outro. Como se compreende. No segundo mandato também não seria opção, mas o cenário está a mudar. Depois da Guerra no Iraque, no Afeganistão e com o problema da Síria para resolver (quanto mais não seja por Israel), a política externa terá de ser vista com outra atenção.

 

Entre os problemas domésticos para resolver e as atenções que o Foreign Affairs exige (as escutas só pioraram o trabalho e sabe-se lá mais o que Snowden pode ainda revelar), Obama não terá um segundo mandato como provavelmente imaginou ter. Até porque também não deve dormir descansado com o que a Alemanha anda a fazer na Europa.

28
Ago13

Martin Luther King meets Syria 2013

mariana pessoa

Hoje tudo o que mexa em teclado vai falar no discurso de Martin Luther King, "I have a dream".

Para mim, esse nunca foi o discurso mais inspirador. Foi outro, um outro que me fez olhar para a América de forma diferente. Foi proferido em 1967, na Riverside Church em Nova Iorque, quando após anos de silêncio, King se afirma contra a guerra no Vietname:

 

 

O discurso tem cerca de 23 minutos, mas vale cada segundo. Retiro alguns excertos:

 

"And who are we supporting in Vietnam today? It's a man by the name of General Ky [Nguyen Cao Ky], who fought with the french against his own people. And who said on one occasion that the greatest heroe of his life is Hitler."

 

 

"The world now demands a maturity of America that we may not be able to achieve. It demands that we admit that we have been wrong from the beginning of our adventure in Vietnam, that we have been detrimental to the life of the Vietnamese people."

 

"A nation that continues year after year to spend more money on military defense than on programs of social uplift is approaching spiritual death."

 

"Increasingly, by choice or by accident, this is the role our nation has taken, the role of those who make peaceful revolution impossible by refusing to give up the privileges and the pleasures that come from the immense profits of overseas investments."

 

Na altura, King falava sobre a guerra do Vietname e sobre como aquela não era a forma de combater o comunismo, a grande ameaça da época e desculpa 'one size fits all' para intervenção dos Estados Unidos da América desde o Sudoeste Asiático, passando pela América do Sul.

 

Substitua-se Vietname pela Síria (ou Egipto, ou Iarque, ou Afeganistão, ou Paquistão, ou-ou-ou) e Comunismo (travestidos por terroristas na época) por Islamismo. You do the math. Especulando, claro. Nunca saberemos se Martin Luther King, o que tinha um sonho, não virararia, com o tempo, alma gémea de Kissinger e a sua real politik.

 

PS: Para quem quiser, a timeline da guerra do Vietname aqui.

06
Jul13

Obama no caminho de Nixon

mariana pessoa
05
Jul13

Uma lição que a Europa não vai aprender

Pedro Figueiredo



O embaraçoso episódio diplomático que teve Evo Morales como protagonista, no seu regresso de Moscovo a La Paz, deveria constituir uma lição para a Europa, que infelizmente não se vai verificar. O presidente da Bolívia estava obrigado a fazer escala num país europeu, cujas permissões de aterragem foram-lhe sendo recusadas em catadupa.


Os argumentos apresentados pelos diversos Estados falavam de impossibilidades técnicas, com Portugal a não fugir à regra. A verdade é que a suspeita que o presidente da Bolívia podia levar Edward Snowden a bordo fez com que os Estados Unidos movessem as suas influências para que tal fosse verificado.


Para não ficarem com o ónus de uma revista a um avião presidencial, o que certamente violará as leis internacionais válidas para a imunidade diplomática, ainda para mais quando se tratava de um chefe de Estado, a batata quente acabou por cair em Viena, curiosamente onde as Nações Unidas têm um edifício majestoso e onde se assinou a convenção das nações unidas que codificou o direito internacional referente a tratados.


Mais curioso ainda é que a Europa estava a ceder ao pedido dos Estados Unidos precisamente ao mesmo tempo em que as denúncias de Snowden faziam os aliados norte-amercianos na Europa perceberem que estavam a ser escutados na sua própria casa pelo parceiro do outro lado do Atlântico.


A reacção que a quase totalidade dos chefe de Estado sul-americanos tiveram é que constitui a lição que a Europa devia aprender e não aprende. Kirchner, da Argentina, desabafou nessa mesma noite que tinha falado com Morales e que o presidente da Bolívia estava calmo e tranquilo. Numa sala do aeroporto de Viena, enquanto esperava que o seu avião fosse revistado.


Kirchner tinha falado com Correa, do Equador, e começaram logo por perguntar aos ministro da justiça e dos Negócios Estrangeiros, se aquele tipo de acções eram legais. Maduro não perdeu tempo e, com discurso chavista, tratou logo de falar em agressão imperialista. Laura Chinchilla, mais diplomática, disse que a Costa Rica sempre defendeu o direito internacional. Até as FARC(!) chamaram infâmia ao que se passou com Morales. Sem haver uma união com tratado, os chefes de Estado sul-americanos mostraram como se comportar quando realmente há união.


Tendo Portugal sido um dos países que negou a Morales aterrar em Lisboa, tenho a certeza absoluta que se o presidente boliviano soubesse o que vai aqui dentro, perdoaria no mesmo minuto a decisão ao nosso país.

07
Nov12

A Europa acorda com um sentimento generalizado de alívio

Nuno Pires

 

A frase, adaptada, é da autoria de Chris Morris, da BBC, e resume bem aquilo que penso neste momento.

 

Nos últimos tempos fomos acompanhando a campanha norte-americana e as propostas de cada um dos candidatos e a verdade é que, a partir de dada altura, comecei a ficar surpreendido (e um pouco assustado, confesso) com as sondagens que indicavam alguma proximidade entre os dois candidatos.

 

De facto, quando se tem que escolher entre um Mitt Romney cujas convicções flutuaram, frequentemente, em função das marés (gerando um sem fim de contradições e declarações dificilmente aceitáveis para um candidato a Presidente) e que escondeu mal um conjunto de poderosos interesses que em nada beneficiariam o povo norte-americano, e um Barack Obama com uma enorme capacidade de liderança, um carisma único e com provas dadas na criação de importantes consensos (que possibilitou, por exemplo, a aprovação da reforma da Segurança Social, em 2010, ou, mais recentemente, o “Obamacare”), sempre julguei que não restariam quaisquer dúvidas, mesmo entre boa parte dos simpatizantes do Partido Republicano, sobre qual a pessoa a eleger para o cargo mais importante do mundo.

 

Felizmente, esta noite, a inteligência prevaleceu. Celebremos, portanto – e suspiremos de alívio.

 

(Imagem)

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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