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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

13
Mai14

Ensaio sobre outra cegueira

Pedro Figueiredo

O Presidente da República vai conseguir a inacreditável proeza de deixar o cargo sem, provavelmente, nunca ter chegado a perceber a essência do que as suas funções lhe exigiam. Isto dito assim para que possa gozar de uma certa simpatia na análise, apesar de não merecer um pingo que fosse. A instituição que representa e para a qual foi eleito (ainda que com a menor percentagem de votos de sempre da história), não merecia um tamanho descrédito, sobretudo por defraudar as expectativas - alguém as teria, certamente, por muito ou poucos que fossem - de quem lhe conferiu confiança. A mim não me des​iludiu porque, como diz um amigo, para isso teria de ter andado i​ludido​.

 

As suas últimas declarações, sobre uma nova esperança a nascer em Portugal, chegam um ano depois de ter dito, precisamente, que só falar de esperança não chega. As actuais palavras podiam até ser entendidas como um alento aos portugueses, no sentido de lhes fazer que o que aí vem é um país melhor, agora que o resgate está a chegar ao fim e teremos uma "saída limpa". Podia ser entendida se o actual Presidente da República tivesse o carisma para fazer quem o ouve acreditar no que diz. Assim, soa a voz da desgraça, como o antigo coro do teatro grego, só que a usar uma espécie de ironia, ainda que involuntária, o que é ainda mais revoltante.

 

As declarações foram proferidas em Xangai, na sua visita oficial àquele país, e não podiam ter outro conteúdo. Está fora. Em acção promocional, ainda por cima. No entanto, não correspondem à realidade e isso torna-o grave por sair da boca do mais alto representante do país. Não que minta, mas simplesmente porque a sua avaliação do actual cenário parece-me completamente desenquadrada da realidade. Para ser, mais uma vez, simpático na análise.

 

Isto no dia seguinte ao Público ter feito manchete com as negociatas ainda por fazer com o beneplácito do Ministério das Finanças. Envolvendo monumentos nacionais. Classificação adiada porque impedia negócios futuros.

 

Esperança. A nascer, diz o Presidente da República.

12
Abr13

Manifesto por um Futuro Europeu

David Crisóstomo

 

O seguinte manifesto foi redigido e editado nas últimas duas semanas através dum método de democracia online algo surreal e inovador, com base numa série de ficheiros do GoogleDocs e num grupo no Facebook com cerca de 70 membros, com idades que variam entre os 18 e os 35, cujo único factor de união era o de terem participado num concurso promovido pelo eurodeputado Rui Tavares. Os 15 vencedores desse mesmo concurso apresentaram este manifesto na quarta-feira no Parlamento Europeu, em Bruxelas.

 

 

Manifesto por um Futuro Europeu

 

Nascida da ideia de cooperação, desenvolvimento e progresso, a Europa parece conformada no seu actual papel e sem futuro. A Europa esqueceu-se da comunidade dos europeus e parece caminhar de olhos fechados sobre um presente negro.
O projecto de uma União Europeia parece desvanecer-se perante as transformações globais, e a recuperação europeia encontra-se bloqueada por um processo burocrático que encobre o medo de não assumir compromissos com alcance histórico.
Esta Europa esqueceu a riqueza do seu passado, a vantagem do seu presente e o impulso democrático, ambiental e cívico do seu processo de construção, e apagou os benefícios de uma integração política e económica entre os seus estados-membros. Este é o momento para travar a soma de egoísmo e cepticismo que ameaça os países e os cidadãos europeus. É o tempo de recuperar as palavras de Shelley: “somos todos gregos”, e de Kennedy: “Ich bin ein Berliner.” Nascemos europeus. Nascemos em nações democráticas numa Europa sem fronteiras e queremos derrubar os muros entre os povos europeus.
Somos um grupo de jovens europeus de Portugal e mais do que identificar problemas, queremos ver a Europa levantar-se de novo e confiar nas mãos dos seus cidadãos, a responsabilidade histórica que lhes compete. Vimos comunicar que queremos e somos capazes de escolher o nosso futuro.

Identificámos três áreas em concreto nas quais focaremos os nossos esforços:

 

 

 

 

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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