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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

17
Out14

Portugal tem 10 000 novos milionários e 200 000 novos pobres

Frederico Francisco

Apenas dois factos:

1. Em 2013 portugal gerou mais de 10 000 novos milionários. Este dado vem num estudo feito pelo Credit Suisse e foi divulgados na imprensa nos últimos dias. Ficámos também a saber que o ritmo criação de novos milionários continua em 2014 e que os 10% de portugueses mais ricos controlam 60% da riqueza nacional.

2. Por hoje se comemorar o Dia Munidal da Erradicação da Pobreza, o INE divulgou números sobre a evolução da pobreza em Portugal. A percentagem da população em situação de pobreza consistente, isto é, que estão simultaneamente em risco de pobreza e em privação material, subiu de 8,2% em 2012 para 10,4% em 2013. Fazendo as contas, temos 200 000 novos pobres num ano.

Deixo as conclusões ao cuidado do leitor.

20
Fev14

Portugal é o país europeu com mais rendimento concentrado nos mais ricos

Sérgio Lavos

"Portugal é um dos países europeus com mais concentração de rendimentos nas famílias mais ricas.

A conclusão é visível nos números do Eurostat, o gabinete de estatísticas da União Europeia: somos o país onde mais riqueza está, proporcialmente, nas mãos dos 10% mais ricos.

Na prática, um décimo das famílias portuguesas concentra 27,3% do rendimento global amealhado por todas durante um ano. A percentagem tem vindo a aumentar e era, em 2011, últimos dados disponíveis, a mais elevada da União Europeia, ficando fica 3,4 pontos percentuais acima da média comunitária."

Uma economia que, até 2011 (último ano com dados para este estudo), se baseava nos baixos salários e que se caracterizava pelas reduzidas qualificações dos trabalhadores, mas que tinha vindo a sofrer uma variação no sentido de uma maior distribuição de rendimentos durante as duas décadas anteriores - as "década perdidas", que a direita tanto gosta de demonizar, foram também as décadas de maiores conquistas de direitos sociais e de crescimento da classe média. Com a crise, depois de 2011, a opção foi comprimir ainda mais os salários, criando-se um fosso mais profundo entre ricos e pobres. E o desinvestimento da educação (assim como o empobrecimento generalizado) vai levar a que a qualificação média dos trabalhadores baixe mais. Se juntarmos a tudo isto a flexibilização completa das leis laborais, vislumbramos os verdadeiros objectivos (concretizados) da direita que nos governa, apoiada pela direita europeia: uma maior desigualdade social, com os ricos a ficarem mais ricos, a classe média a perder poder e rendimento e os pobres caindo na dependência da caridadezinha, o outro pilar da destruição do Estado Social. E ainda não acabou - no seu último relatório, o FMI volta a insistir na redução dos salários dos portugueses. Com os impostos sobre os lucros das empresas a serem reduzidos e com tabelas do IRS que atenuam a natureza redistributiva deste imposto - os cidadãos com rendimentos mais elevados pagam, desde 2012, menos impostos - irá aprofundar-se o abismo que separa ricos e pobres. Não surpreende que a direita não se canse de repetir que está tudo a correr bem no ajustamento português. Pois não haveria de estar...

05
Dez13

Chegou a época da caridadezinha

Cláudio Carvalho

Está aí o mês do Natal, o mês da aletria e das farófias, do bolo-rei e das passas, o mês do discurso tradicional em que o nosso Presidente da República anuncia que, de facto, está vivo e, o menos suportável, o mês da coexistência, mais ou menos mediática, ad nauseam do consumismo desenfreado com o discurso laudatório e oportunista em torno da caridadezinha. Não há paciência para assistir a este oportunismo sazonal, marketizado e egoísta à volta da caridade, que está ao mesmo nível simplório que a Missa do Empreendedorismo para o setor empresarial. Não há paciência para a hipocrisia que se assiste das propaladas Madres Teresas muito solidárias e fraternas e que durante o resto do ano defendem políticas que conduzem ao facto de nos mantermos como um dos países mais desiguais dos demais países desenvolvidos (na União Europeia a 28, somos o terceiro país com maior desigualdade social, sendo só ultrapassados pela Espanha e pela Letónia). Se para o próximo ano, desejar ser altruisticamente um pouco mais solidário, é simples: ajude a fazer cair este governo e a sua indigência política.

18
Nov13

É a desigualdade, estúpido!

Nuno Oliveira

O Cláudio já aqui referiu como não está de todo estabelecida qualquer relação entre a actualização do salário mínimo e o desemprego. Quem acena esse fantasma tenta apoiar a sua tese num empirismo em que uma empresa luta com dificuldade para sobreviver e o aumento do salário mínimo levaria a empresa a fechar portas. É curioso como a direita tende a lidar tão bem com as insolvências como regeneração da economia excepto se se dever ao salário mínimo.

 

João César das Neves contesta a subida do salário mínimo. Diz ser favorável a uma subida gradual (e mais indicativa do que impostiva) e que esta foi bastante significativa nos anos recentes. Contudo, para quem gosta de avaliar os custos relativos do trabalho, poderia preocupar-se em fazer uma comparação de salários mínimos, por exemplo. Aí, porventura, poderíamos todos concordar que pode ainda subir mais porque em termos relativos continuamos com um salário mínimo muito baixo:

A razão pela qual é absolutamente imperiosa uma subida do salário mínimo é porque permite reduzir a pobreza entre os trabalhadores, permite reduzir as desigualdades. Um dos primeiros pontos na discussão com César das Neves seria desqualificá-lo como ele pretende fazer com todos os que defendem teses contrárias às deles.

 

Para César das Neves todos os que dele discordam são porta-vozes de interesses mais ou menos obscuros. Ora, sendo o aumento salário uma (re)distribuição de rendimentos de capital e de rendimentos de trabalhadores qualficados para os menos qualificados percebe-se que alguns dos que surgem a gritar na comunicação social se mostrem muito incomodados. Aparecem a bater com a mão no peito como se pretendessem defender os pobres quando estão essencialmente a defender de forma mesquinha a sua posição relativa. (O vocabulário foi propositadamente adaptado ao estilo troglodita.)

 

A desigualdade não merece da parte do César das Neves uma palavra séria. Porque razão? Porque não é um problema? Este relatório de 2012 da OCDE apresenta Portugal como um dos países com as desigualdades mais obscenas entre os países analisados.

 César das Neves aparece indignado com a subida enorme do salário mínimo. Com os efeitos que a sua dinâmica possa ter nos custos do "factor trabalho". É estranho, contudo, que outras subidas não o deixem igualmente indignado. Por exemplo no mesmo relatório podemos avaliar a progressão da fracção de rendimento que os mais bem pagos (1%) recebem:

Seria interessante perceber o que César das Neves tem a dizer sobre esta progressão. Seria muito interessante. Mas para que a conversa seja devidamente colocada nos termos em que César das Neves a coloca, deveria comentar apenas depois de dizer se confirma que pertence ao 1% da população mais bem pago.

 

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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