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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

04
Abr14

BPN, o banco do PSD

Sérgio Lavos

Seria de esperar que o PSD, por pudor ou vergonha, não se atrevesse a tocar no caso BPN, deixando-o repousar lá no limbo judicial para onde foi empurrado. Oliveira e Costa, Dias Loureiro e os outros delinquentes associados ao banco continuam a fazer a sua vidinha, e assim terá de ser, que isto é Portugal e não um país a sério, e se tudo correr bem chegaremos ao fim e estes empreendedores continuarão a não ser incomodados pela justiça. É a natureza das coisas: merece mais castigo o ladrão que por necessidade rouba um pacote de arroz num dos estabecimentos de Soares dos Santos do que esta gente séria, que se limitou a fazer um negócio. Como se diz agora, Oliveira e Costa e Dias Loureiro criaram empregos, é indecente que sejam importunados por pormenores sem importância.

Seria de esperar que o PSD (e o CDS, já agora) mantivesse o silêncio à volta de um banco que nasceu no seio do cavaquismo e dele se alimentou, um banco do PSD, para o PSD, que apenas funcionou como funcionou graças às vias rápidas que ligam negócios, política e justiça (estas últimas autênticas cortinas que encobrem a sujidade dos primeiros), numa teia de cumplicidades cuja aranha mais vivaça era Cavaco Silva, mentor espiritual do BPN e fiel depositário de uns milhares ganhos numa compra e venda de acções fora do mercado, um presente de agradecimento de Oliveira e Costa que beneficiou toda a cavacal família. 

Seria de esperar, então, recato. Mas vivemos tempos de excepção. Um Governo seguro por Cavaco nunca poderia ser sério. Um Governo liderado por Passos, mentiroso compulsivo, nunca poderia ser normal. E este Governo, e este Cavaco, e este PSD, são talvez o que sempre foram, o que nunca deixaram de ser. As declarações de Durão Barroso, que a propósito de nada forçou o tema BPN numa entrevista, não são, de todo, excepcionais. Esta entrevista, de resto, pareceu estranha, deslocada. Mas foi apenas táctica. Serviu para atacar o PS, desse modo impulsionando o PSD e o CDS para uma vitória nas Europeias. A entrevista não foi um acaso. As respostas de Durão, a referência (mentirosa) aos 300 milhões em caixa antes do resgate, o ataque a Vítor Constâncio, servem objectivos eleitorais. Que Durão revele falta de estatura política, ao prestar-se a este papel enquanto ainda é presidente da Comissão Europeia, não é também surpreendente. O Durão da "tanga", das provas da existência de armas de destruição maciça garantidamente vistas, o mordomo da cimeira dos Açores: é este o Durão que prefere servir os desígnios do Partido Popular Europeu (a família política a que pertencem o PSD, o CDS e a CDU alemã) do que os interesses de Portugal ou da instituição que lidera. Nada de novo. 

Não fosse suficiente o despudor de Durão, veio ainda o PSD, pela voz do inefável Duarte Marques (mais um produto da JSD, essa verdadeira fábrica de imundície política) persistir no tema. Vamos lá ver: o BPN é um caso de polícia que, tudo indica, não terá castigo; e nessa verdadeira fossa séptica chafurdavam quase exclusivamente militantes do PSD. Estes militantes nunca foram expulsos do partido. Dias Loureiro, mesmo depois de se saber do seu envolvimento no crime, continuou a ser conselheiro de Estado de Cavaco. E um dos ministros do actual Governo, o Governo apoiado por Duarte Marques (e por Nuno Melo, do CDS), Rui Machete, teve um cargo importante no BPN. Repito (e deve ser repetido tantas vezes quantas forem necessárias): o maior escândalo financeiro do Portugal moderno, que custou (até agora) cinco mil milhões de euros aos contribuintes portugueses, nasceu no seio do PSD e só foi possível devido à cumplicidade dos mais importantes dirigentes deste partido, Cavaco Silva à cabeça. Ouvir Durão Barroso afirmar que avisou Vítor Constâncio em 2002 para irregularidades no banco é de dar a volta ao estômago. Sobretudo porque dois anos depois Durão nomeou Dias Loureiro para presidente da mesa do congresso do PSD. Mas é com gente desta fibra que temos de lidar. As piores pessoas na pior altura possível. 

26
Set13

Incorrecção Factual (II)

David Crisóstomo
No edição de ontem do jornal Público é mencionada uma nova potencial mentira incorrecção factual: na carta enviada a 5 de Novembro de 2008 ao então presidente do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, o actual Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros explicita que além de nunca ter sido accionista da Sociedade Lusa de Negócios também nunca foi "depositante" do Banco Português de Negócios. Ora, como é referido no artigo acima citado, no inicio de Agosto, em declarações ao Público, o Dr. Rui Machete afirmou possuir uma conta na instituição bancária em questão. Ou seja, ou senhor ministro tem amabilidade de nos esclarecer sobre um eventual mal-entendido, ou poderemos concluir que o senhor ministro voltou a cometer uma nova aldrabice incorrecção factual. Caso se verifique esta hipótese, alerto-o para uma outra patranha incorrecção factual: no comunicado enviado à agência Lusa no passado dia 21 de Setembro de 2013, o senhor ministro esclarece que a questão das acções da SNL "é o único ponto da minha carta em que existe uma incorrecção factual” - afirmação que será assim eventualmente falsa incorrecta na sua factualidade. Vinha deste modo pedir a sua excelência que nos esclarecesse sobre correcção factual destas informações, se não for muito incómodo. A gerência agradece o tempo e a atenção disponibilizada pelo senhor ministro e espera vê-lo demissionário nas próximas semanas.
22
Set13

Incorrecção Factual

David Crisóstomo

Ministro responde em comunicado ao BE:

'Ah escrevi SNL? Foi? Não me diga! Ora bolas, que chatice, eu queria ter escrito BPN, 'tá a ver? Epa, desculpe, mea culpa, troquei uma troika de consoantes por outra, acontece, a idade não perdoa, 'tava distraído, estávamos em 2008 e havia um abalozinho da crise internacional que nos abanou a todos e eu, abanado, abandalhei na carta que enviei a pedir que não me aborrecessem muito. Que aborrecimento. Mil perdões. Agora, pelo amor da santa, não é preciso exagerar, sim? Pedir a minha demissão?! Oh por favor, que dramáticos, tanta e tamanha podridão vai nessas mentes. Sois tão desproporcionaidos e despropositados. Foi só uma incorrecção factual, até parece que menti, enganei ou ludibriei a Assembleia da República. Tudo não passou dum simples lapso de memória, nada de mais, acontece muito no Ministério das Finanças. Estão chateados, eu percebo, também estaria, mas não dramatizemos. Em todo aquele papelito só cometi uma incorrecção factual, só uma, vejam lá. Isto de ser factualmente incorrecto acontece aos melhores, ok? E não sejam caluniosos. Aliás, já pedi ao Luís Montenegro para elaborar umas queixas para todos aqueles que me apelidarem de mentiroso, que eu não admito isso pá. Bom, concluindo, era do BPN que eu me estava a referir, nunca tive acções daquilo, nada, niente, zero, nunca toquei nessas, jamais, que nodja, eram tóxicas, tipo os swaps, aqueles que a Maria Luís também nunca tocou e/ou deu pareceres. Nunca fui accionista do BPN, era isso que eu queria dizer aos senhores mui prezados deputados da comissão parlamentar. Aliás, nem poderia, que o BPN tinha um só accionista. Uma tal de SNL. Bom, moving on, do BPN não tive acções, apenas tive umas da SNL, no biggie. Vá, não me chateiem mais que se faz tarde. Zacatraz!' 

 

15
Jun13

Operação Furacão?

mariana pessoa

Procuradoria acusa 30 arguidos num dos processos da 'Operação Furacão':

"Os factos em causa reportam-se aos anos de 2001 a 2007, estando em causa um prejuízo total sofrido pelo Estado, em sede da não arrecadação de impostos, que foi calculado atingir o montante de cerca de 37 milhões de euros, dos quais cerca de 8,5 milhões de euros havia já sido voluntariamente reparado por aderentes, contra os quais não foi deduzida acusação", refere o Ministério Público.


Crimes de colarinho branco têm um tratamento diferente dos outros. Porque não se matam literalmente pessoas, presumo. Na época em que vivemos, talvez seja de reflectir sobre esta diferença. Depois do terramoto Lehman Brothers e do subprime, cujos bailouts (e é tão enternecedor vermos liberais a achar que o Estado deva safar a banca, esta coisa do mercado é só quando convém) empurraram repúblicas para a crise da dívida soberana, é caso para perguntar: o que aconteceu a estes criminosos? Em alguns casos, dá-se uma gorjeta ao garoto e está resolvido o assunto. Apostas aceitam-se: o que vai aparecer na coluna "Outcome" dos processos Operação Furacão e BPN?


09
Fev13

Uma novela portuguesa, com certeza

Pedro Figueiredo

A série sobre a fraude do BPN teve quatro episódios, mas logo ao fim do primeiro percebeu-se que desfecho terá. Poderão até haver culpados, mas ninguém cumprirá pensa de prisão, apesar de se ter tratado de um roubo puro e duro. Pago pelo contribuinte. Se não fosse tão grave pelas verbas já adiantadas, até dava uma novela ou uma série igual à que fizeram com o Ballet Rose. O BPN faz da D. Branca uma merceeira de bairro e a corar de vergonha. Foi precisamente nos dois primeiros episódios que retive dois momentos que considerei fulcrais. Um novo, outro relembrado.


O primeiro foram as declarações proferidas pelo novo presidente da SLN Valor. «Alberto Figueiredo é um homem do PSD. Ex-presidente da Câmara Municipal de Esposende e desde essa altura amigo de Cavaco Silva. Empresário de sucesso e líder de mercado europeu na moda interior masculina" - assim foi descrito por Pedro Coelho, autor da reportagem - diz textualmente isto: «Acho que o dr. Oliveira e Costa sabe muito. E há muita gente que tem muito medo do dr. Oliveira e Costa. Era esse poder que existia que permitia que as coisas não se descobrissem.»


O segundo momento foi uma espécie de memória refrescada. Pequenos excertos das cerca de seis de horas de depoimentos de Oliveira e Costa na Comissão Parlamentar de Inquérito, da qual fizeram parte apenas três deputados: Honório Novo (PCP), João Semedo (BE) e Nuno Melo (CDS). Nesses excertos escolhidos por Pedro Coelho, vê-se sempre o fundador da SLN e antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do X Governo Constitucional, liderado por Cavaco Silva, a sorrir, polvilhando até as suas declarações com piadas, terminando com um convite a Nuno Melo para tomar um café para mais esclarecimentos, que o deputado rematou com um "porque não um almoço?" Um autêntico número de circo em plena casa da democracia, mostrando desrespeito pelas instituições que se queriam credíveis mas, acima de tudo, uma falta de respeito pelos portugueses.


O caso é muito mais complexo do que aquilo que tão simplificado foi descrito. Pode até, provavelmente, nem sequer chegar-se a perceber as reais ramificações e o que se perdeu pelo caminho. O dinheiro continua a ser injectado, aumentando ainda mais um buraco que ninguém sabe ao certo o seu valor. O que custa é ouvir falar em incapacidade de suportar o Estado Social, levando as pessoas a acreditar que não são sequer meritórias de ajudas para as quais, muitas delas, contribuíram durante toda a vida para as ter. Eu digo: jamé.

04
Fev13

Empreendedor e inovador

Pedro Figueiredo

O BPN é uma autêntica assombração para o PSD. E parece que é o próprio partido que não se consegue livrar do encosto do maior escândalo financeiro que este país conheceu. Para onde quer que se vire, há sempre um fantasma a (re)lembrar a extensa lista de protagonistas, que até chamusca a imagem do Presidente da República com um rentável negócio das mais-valias das acções que detinha.


Desta vez, foi a nomeação de Franquelim Alves para secretário de Estado que fez regressar o nome da Sociedade Lusa de Negócios à São Cateano à Lapa, embora Passos Coelho tenha ingenuamente referido que a escolha nada tenha tido a ver com o PSD. Foi da exclusiva responsabilidade do Primeiro-ministro e do ministro da Economia, voltando a revelar uma forte propensão para a divisão estanque das suas múltiplas personalidades, como se o Primeiro-ministro nada tivesse a ver com o presidente do PSD.


Passos Coelho mostrou-se confiante na escolha feita para o cargo, não colocando em causa a idoneidade e experiência do personagem, como se lhe referiu Jerónimo Sousa, em questão. O facto de ter detectado irregularidades na SLN e não as ter participado ao Banco de Portugal, por não serem fundamentadas (?) - dito pelo próprio em Comissão de Inquérito em 2009 -, em nada interfere na sua nomeação. Para o líder do executivo, entenda-se.


A situação torna-se mais ridícula quando Passos Coelho recusa a ideia do CDS se ter demarcado da escolha de Franquelim Alves quando, publicamente, a mensagem que saiu do Largo do Caldas quase classifica o novo SE como um leproso político.


Idoneidade significa aptidão adquirida pela prática. Franquelim Alves poderá ter ficado honrado com as palavras de Passos Coelho, mas a sua prática poder-lhe-á ter dado aptidões para algo em que o Estado não se queira rever. Até por uma razão simples: o que faz mesmo um secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e da Inovação?

23
Dez12

Coisas importantes a não esquecer

Nuno Pires

Não se esqueçam que há que reduzir a proteção social no desemprego.

Não se esqueçam que temos que reduzir os escalões de IRS e pôr a classe média a pagar mais.

Não se esqueçam que é necessário reduzir o número de camas nos hospitais.

Não se esqueçam que os pensionistas, esses milionários, têm que contribuir com um obsceno "contributo extraordinário de solidariedade".

Não se esqueçam que andámos todos a viver acima das nossas possibilidades.

Não se esqueçam que é preciso cortar 4 mil milhões de euros ao Estado Social.

Agora, vejam esta reportagem:

 

 

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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