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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

24
Nov15

Habemus Governo

Sérgio Lavos

Custou, mas lá teve de engolir o sapo. Cavaco "indicou" Costa, bolsando uma curta e indigente nota onde atira a culpa do Governo Costa para os seus convidados, que o aconselharam a não deixar o executivo PàF em gestão. Mesquinho até ao fim, ainda lhe resta presidir um acto público que sinalizará a suprema humilhação, a derradeira derrota: dar posse a um Governo apoiado por comunistas e bloquistas. Descontando a pequenez da criatura (temporariamente) de Belém, hoje é um excelente dia para o país recomeçar. Faça-se o necessário reboot.

01
Out14

Quem com ferrinhos mata, com ferrinhos morre

mariana pessoa

 

Há para aí uns quantos que vêm nas declarações de António José Seguro, no rescaldo dos resultados das primárias, um sinal de decência na derrota. Até pode ser que sim. O problema foi a decência que lhe faltou desde o dia em que António Costa tomou uma decisão política no contexto político do pós eleições europeias. Fulanizar combates políticos é o primeiro passo para não se falar de ideias, e foi isso que aconteceu.

 

Não, Seguro não foi gracioso nem decente no momento da derrota. Foi apenas hipócrita e calculista. Quis armar uma mise en scène para as câmaras, um teatrinho de homem despojado do poder, mas de forma a tornar viável o seu futuro. Mais uma vez, uma falácia: ele não se despojou, teve de ser retirado à força.

 

O que Seguro nunca entendeu - ou não quis entender - é que não foi um ataque pessoal, foi uma atitude política para com um problema político por ele criado. Apesar de se deparar com o Governo mais selvagem de que há memória em democracia, o PS de Seguro revelou-se incapaz de se destacar nas sondagens e nas eleições como uma alternativa viável. Qualquer líder maduro teria entendido que a solução para o impasse político criado por Costa era uma ferramenta política: convocar um Congresso. Não o quis. Preferiu arrastar esta situação durante 4 meses, meses cronologicamente decisivos para a oposição ao Governo, porque em fase de preparação do OE 2015. Encetou uma descerebelada fuga para a frente chamada "eleições primárias", achando que com isso tirava um coelho da cartola e que convenciria o povo de aquém e além mar de que se trata de um Homem de Estado, um politico capaz da liderança que em momento algum demonstrou.

 

Depois das "cortes de Lisboa", depois da "separação da política e dos negócios", depois do "PS dos interesses" do qual ele diz nunca ter feito parte, depois de se ter "anulado" durante 3 anos, depois das "80 medidas" indigentes a pedir meças ao guião da reforma do Estado de Portas, depois do vídeo Calimero do corte de cravo, depois do "fica-te mal", depois da "janela do Município", só dá para concluir: quem com ferrinhos mata, com ferrinhos morre.

 

Um best of de António José Seguro aqui, aqui e aqui.

 

24
Set14

Parabéns, António José Seguro

João Martins

Seguro, deixa-me dar-te os parabéns. Nunca tinha sentido até hoje tanta vergonha alheia ao ouvir um político português. Superaste-te e por isso mereces um forte cumprimento por teres atingido um patamar ainda mais baixo na sarjeta cada vez mais entupida do teu discurso populista, pseudomoralista e mesquinho.

Não honraste nem honras o partido do qual és líder. Envergonhas-te e envergonhas os teus camaradas que ainda te tentam respeitar minimamente até deixares o cargo que nunca mereceste.

Tens razão quando dizes que não vale tudo em política. Não vale mesmo. O que assistimos hoje foi de uma baixeza abjeta e - isso sim - fica-te mal. Podes ter o sonho de ser líder do PS e Primeiro Ministro de Portugal desde criança, mas os valores da honra e da dignidade tinham de estar presentes nesse teu percurso. Não estiveram. Não tem havido qualquer tipo de dignidade da tua parte quando atacas os teus camaradas com uma violência que nunca aplicaste a Pedro Passos Coelho e ao seu Governo. 

Pediste a António Costa para não ajudar a direita quando na verdade quem a tem ajudado nestes últimos anos foste tu, o presumível líder da oposição que se andou a anular para "haver paz no partido". A paz que deste foi à direita e é essa paz que tem de terminar.

Por isso votarei no António Costa.

06
Set14

Mobilizar a Dança

João Martins

Desde que António Costa anunciou a sua intenção de se candidatar à liderança do PS que foram inúmeros os apoios que lhe foram dados por personalidades ligadas à Cultura.

A começar no Teatro, passando pela Música, Cinema, Literatura, Pintura e Escultura, de todas as artes se tem visto diversos apoios à candidatura de Costa. Todas menos a Dança.

Não deixa de ser curioso que uma das áreas artísticas que mais clama por melhores políticas culturais e mais proteção laboral seja aquela em que se vê menos preocupação por influenciar diretamente os atores políticos para irem ao encontro de algumas das suas expectativas legítimas. A Dança em Portugal tem demonstrado pouca diligência no contacto com políticos no sentido de os fazerem comprometer com uma mudança de mentalidade - e dos orçamentos - para a Cultura.

Para além dos apoios financeiros, é necessário pensar uma política cultural a nível governamental que passe por criar condições de liberdade criativa. No meu entendimento, é António Costa que conseguirá aplicar essa nova política. É um dos poucos políticos capaz de falar para a cultura e sobre a cultura. O facto de ter nascido e crescido no meio certamente terá ajudado, já que o pai foi um reconhecido escritor, Orlando da Costa, e a mãe, uma jornalista de referência, Maria Antónia Palla. (Curiosidade: António Costa foi aluno na Escola de Dança do Conservatório Nacional. Não estavam à espera, pois não?)

Desde há sete anos, Costa tem sido um presidente de câmara que valoriza, investe e promove a cultura, ao contrário do que acontece em muitos municípios do país. E não tem feito isso sozinho. Aliás, António Costa tem como seus apoiantes e colaboradores pessoas que sabem e conhecem o meio cultural e artístico português, nomeadamente os seus artistas e as suas necessidades. 

O exemplo mais paradigmático disso é Inês de Medeiros. Foi no ano passado que a deputada do PS conseguiu fazer aprovar na Assembleia da República um projeto de lei que estabeleceu regime especial para bailarinos, direitos que eram e continuam a ser essenciais para a carreira de bailarino. Apesar de se dizer muito que os políticos não se importam com os artistas, há exemplos que contrariam esse dogma, e é nesses que devemos acreditar e apoiar. Se há uma pequena minoria de políticos que são afetos à criação e carreira artística, é necessário o envolvimento daqueles que se interessam e têm ideias para a valorização cultural de um país e de uma sociedade para que esta se torne uma maioria compromissiva.

António Costa tem sido um bom presidente da câmara de Lisboa. Agora, voos mais altos lhe estão a ser pedidos - exigidos, vá - e o trabalho de política cultural que sido feito em Lisboa pode alargar-se ao resto do país, com visão e discernimento, se todos nos conseguirmos mobilizar.

Dia 28 de setembro decidimos quem vai ser o próximo candidato a Primeiro-Ministro de Portugal pelo Partido Socialista. António Costa é o único candidato com legítimas preocupações culturais e artísticas. Usem o vosso voto, deem o vosso contributo e, acima de tudo, apostem num político com experiência e sensibilidade cultural.

 

Votem na Dança. Votem na Cultura. Votem na Mudança. Votem em António Costa.

 

09
Ago14

duas ou demasiadas coisas

David Crisóstomo

O blogue do Francisco Seixas da Costa é um dos espaços da blogosfera que há mais tempo frequento. Local de histórias curiosas, opinões ponderadas e análises sensatas com que tendo quase sempre a concordar. Dito isto, ontem deparei-me com um post de reflexão sobre a campanha interna do Partido Socialista infelizmente interessante. Interessante por utilizar um argumentário semelhante ao de muitos, mas profundamente equivocado. Em variados aspectos.

 

O ex-secretário de estado começa por relatar que no passado recente tomou conhecimento que havia um segmento populacional da população portuguesa, essencialmente alfacinha (que, numa terminologia que costumo ver mais para os lados da Soeiro Pereira Gomes, identifica como "direita burguesa") , elogioso do trabalho e do carácter do presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Seixas da Costa acrescenta ainda que nas redes sociais "reaças" António Costa era muito apreciado, por oposição a Seguro que era desprezado.

 

Vamos por partes: o embaixador assegura-nos de que "sabe do que fala", como atestado de credibilidade do seu ponto de vista. Não contesto, mas não me chega, até porque a interpretação me parece tortuosa. Não me faz impressão nenhuma que haja cidadãos que se identifiquem como sendo de direita ou "conservadores" e que encontrem méritos e qualidades em António Costa. Ou em António José Seguro. Ou no Jerónimo de Sousa. Pessoas de direita a elogiar candidatos de esquerda e vice-versa não é nenhuma anormalidade deste reino. Que sejam "burgueses", utilizadores de redes sociais e/ou da "boa gente do interior", utilizando uma expressão do atual Secretário Geral do PS, também me é completamente irrelevante. Numa discussão democrática madura, devemos dispensar (ou mesmo rejeitar) a "catalogação" dos cidadãos por estereótipos, alguns deles bem bolorentos. O apoio de um eleitor de Lisboa e de um de, sei lá, Penamacor, deve ser visto e entendido pelo mesmo conjunto de critérios, sob pena de cairmos na arrogância discriminatória de que acusamos o outro lado: um cidadão do interior é necessariamente menos "burguês" que um de Lisboa? Porquê? E que direito tenho eu de julgar um habitante do litoral como sendo obrigatoriamente mais "espertalhão" que aquele que reside em Viseu ou Évora? Este tratamento classicista dos cidadãos pelo seu local de origem não será tão ou mais insultuoso ou primitivo como o outro que queríamos denunciar? Creio que o embaixador concordará comigo neste ponto.

Confesso que no que às "redes sociais reaças" diz respeito, não creio que neste ponto Seixas da Costa saiba do que fala. Não me lembro de alguma vez ter lido textos de blogueres mais à direita que se desfizessem em elogios a António Costa. A titulo de exemplo, é espreitar o segmento de opinião do Observador, que mais à frente no post é dado como "barómetro". Deduzo que o autor tenha feito alguma confusão.

 

Segue-se uma caracterização da caracterização feita frequentemente a António José Seguro, referindo que esta última descrevia o Secretário-Geral do PS como sendo "insuspeito de carisma" e que "dificilmente levaria o PS a parte a alguma, muito menos ao lugar de Passos Coelho". Seixas da Costa refere que este é um olhar "sobranceiro", apesar de não justificar nem refutar a adjectivação. Eu, que não vejo em Seguro nenhuma relevante habilidade carismática nem a capacidade para levar o PS a vencer as próximas eleições legislativas e ter capacidade para formar governo, não entendo porque sou caracterizado como "sobranceiro". Acredito aliás que os últimos dias, as últimas intervenções e entrevistas vieram dar razão a este perfil traçado.

Há ainda uma queixa de que de cada vez que Seguro apresentava uma medida, "a imprensa "desfazia-a" no dia seguinte". Bom, vamos lá ver, a não ser que entremos aqui num complexo santanista de "incubadora", se a imprensa é capaz de desacreditar uma proposta em apenas 24h, então a proposta não devia ser grande coisa, não é? E, bom, sobre a parte de que "quando, um dia, se decidiu a apresentar uma "batelada" delas, então foram medidas a mais", estando a falar do pack das 80 medidas, que entre elas tinham "Defender as funções estruturantes da soberania do Estado" (?), "Estabelecer a necessária articulação entre departamentos do Estado no sentido de assumir posições céleres e comuns em todos os processos em que estão em causa direitos, liberdades e garantias ou a sustentabilidade de empresas e postos de trabalho" (?) "Estabelecer regras claras para a definição, execução, avaliação e controlo das políticas públicas" (?) "Aplicar de forma generalizada práticas preventivas de conflitos de interesse e de corrupção a todos os organismos da função pública" (?) , "Adoção de uma estratégia industrial 4.0” (?) e a "Estação Oceânica Internacional" (???), o problema não era estas serem muito numerosas, é de que, muito fracamente, muitas delas são completamente vagas. Quer dizer, como não criticar um conjunto de 80 "propostas concretas" em que as últimas 5 são Portugal permanecer membro da UE, da CPLP, da ONU, da NATO e ter boas relações com o resto do mundo? 

 

O texto continua com uma análise dos últimos meses. "Vieram as europeias. Em face do seu próprio descalabro, a direita percebeu, num instante, que a potencial alternativa partidária não tinha sequer aproveitado a sua queda.". Interessante é que quando fala do não aproveitamento da derrota da direita parlamentar, o autor está-se a referir ao que aconteceu no pós-25 de Maio e não aos resultados eleitorais que conhecemos nesse dia, onde, com pouco mais de 30% de votação no principal partido da oposição, a direita governamental confirmou um pressentimento partilhado com grande parte da população: apesar da massiva contestação e insatisfação popular, apenas 30% dos eleitores reconheciam no Partido Socialista capacidade para os representar. E ninguém governa com 30%. Aliás, nesse mesmo dia foi dada a conhecer uma sondagem para as legislativas com um resultado que veio mais tarde a ser confirmada por outras subsequentes: o PS empataria ou perderia face ao PSD e CDS-PP.  Face a isto, aconteceu o óbvio (ou que pelo menos assim deveria ser considerado, face aos factos): um "setor do PS que não se conformava com a escassez da vitória" apoiou a disponibilidade revelada por António Costa para alterar uma trajetória politica que poderia (e poderá) ser desastrosa para o Partido Socialista e para o país.

 

Seixas da Costa nota ainda uma alegada e aparente alteração de opinião que aconteceu em certos setores da sociedade sobre António Costa e António José Seguro. E conclui com uma opinião, creio eu ficcionada mas baseada em percepções do autor: "O Costa, se for montada uma boa campanha a acusá-lo de estar ligado ao Sócrates, pode ser que venha a suscitar rejeição no eleitorado. Mas vai ser difícil, porque ele é bastante popular. Já o Seguro, com aquele ar agora um pouco mais determinado, será que vai conseguir dar a volta? Se arranjar coragem para se distanciar abertamente do "Sócras", com o balanço de uma vitória nas primárias e se a economia descarrilar um pouco, pode final ser bem mais perigoso do que pareceu nas europeias.". Este trecho opinativo está bem apanhado e é muito comum.  Revela uma opinião banal, mas deprimente. Uma que acha que "estar ligado" ao anterior primeiro-ministro é uma falha, um defeito, e que o caminho de Seguro deverá ser o distanciamento do passado recente do PS. Isto é, Seguro só "será mais perigoso" para a direita (dado o quão foi até agora, também não seria difícil) se demonstrasse publicamente uma certa vergonha, um desconforto com o legado dos últimos governos socialistas. Ao que parece, Seguro partilha da opinião desta senhora das pulseiras de Seixas da Costa, pois ao longo das últimas semanas, no novo registo do não-anulado, não hesitou em copiar o argumentário utilizado pela direita parlamentar, ou até mesmo a suplantá-la e a ir directamente à fonte que lhes levou ao poder e que trampolinou Marinho Pinto para Estrasburgo: o populismo básico e reles, inspirado em manchetes do Correio da Manhã, que tenta ligar a crise económica e social ao fenómeno da corrupção e da mistura de "política e negócios". Ignorando-se a complexidade dos problemas do país e da Europa, aposta-se no primário, no simples e simplório, no estulto. É fácil utilizar e abusar da carta da corrupção. É fácil dar a entender que se concorda com a visão anti-política, que houve muita trafulhice nos últimos governos e que Seguro, separador da politica e dos negócios, é "diferente" de Sócrates e dos anteriores. É fácil e com certeza dará votos. Seixas da Costa queixa-se do "registo de lota" da campanha. Eu queixo-me e amedronto-me com o registo populista do atual Secretário-Geral do PS. Aceitar e aderir à narrativa da direita sobre a crise, a de que gastámos bué e tínhamos bué direitos e que agora temos que nos disciplinar e austerizar até à medula, já era mau o suficiente. Juntar a isto uma visão baixa do debate politico, uma "nova forma de fazer política" que parece consistir em advogar menos deputados e difamar o adversário até à exaustão para poder vir a colher simpatias junto dos que duma forma salazarenta olham com desprezo e nojo para a politica, assuta-me enquanto democrata e socialista. E a ausência de denúncias e distanciamentos de muitos democratas socialistas assusta-me ainda mais.

 

21
Jul14

Você escolhe em quem vota

David Crisóstomo

 

07/06 - "Leio, indignado, as sondagens do Expresso e do jornal i que dão uma queda brutal ao PS. Este é o resultado da irresponsabilidade do António Costa. Os danos provocados ao PS devido à sua ambição pessoal! Um PS em queda, depois de termos ganho as eleições europeias e do Governo ter chumbado pela terceira vez no Tribunal Constitucional. Lamentável. O PS não merece isto!"

 

28/06 - "Uma coisa é viver no interior outra é olhar para ele a partir das alcatifas vermelhas de Lisboa."

 

06/07 - "Eu sempre assumi o passado do PS, mas não trouxe o passado de volta."

 

07/07 - "(...) precisamos de um Primeiro-Ministro que conheça o país real e não apenas através dos dossiers que chegam aos gabinetes."

 

07/07 - "Há que separar a política dos negócios. E isto não vale só para os outros partidos. Tem também de se aplicar ao PS. A política não pode ser uma porta giratória para o mundo dos negócios."

 

17/07 - "Não estamos aqui por minha responsabilidade. Mas a nossa responsabilidade é encontrar soluções para os problemas que os outros criam, seja no interior do Partido Socialista, seja pelo Governo. Estamos aqui, à altura dos acontecimentos."

 

19/07 - "Não estamos aqui por minha causa. Estamos aqui por Portugal. Precisamos de vós para combater aquilo que certas cortes de Lisboa acham melhor para o País."

 

19/07 - "Esta campanha tem a ver connosco e com o nosso projecto: derrotar a velha política e afirmar a nova política que defendemos."

 

19/07 - "Algo me diz que esta crise interna não é por termos ganho as eleições europeias, mas sim porque poderemos ganhar as legislativas e o poder tornou-se apetecível."

 

20/07 - "Nós não devíamos estar aqui. Nós devíamos estar concentrados a fazer apenas duas coisas: oposição a este governo e prepararmo-nos para governar o país. O PS não merecia isto."

 

ou

 

20/07 - "Eu não direi nada sobre o actual secretário-geral do PS que o diminua se ele no futuro vier a ganhar. Como tenho a esperança que ele tenha sentido de partido para perceber que não deve prosseguir a campanha de ataque pessoal que tem vindo a fazer. Estou aqui para afirmar uma alternativa ao Governo do PSD e CDS. E afirmar qual é a alternativa política que acho mais relevante, que melhor serve os interesses do país e melhor serve o futuro dos portugueses. Quanto à diferenciação entre os dois, confio suficientemente nos eleitores militantes do PS e simpatizantes do PS para destrinçarem as propostas, as pessoas, as opções."

 

 

09
Jun14

Indignação corrigida

João Martins

Leio, indignado, as sondagens do Jornal de Negócios e do jornal i que dão uma popularidade brutal ao António Costa.

Este é o resultado da capacidade do António Costa.
Os danos provocados a mim devido à ambição e mobilização coletiva que lidera!
Um Seguro em queda, depois de termos ganho as eleições europeias por 3% e do Governo querer demitir-se já, só para me poder ganhar em eleições antecipadas.
Lamentável.
O PS não merece isto!

 

António José Seguro

02
Jun14

Medo

Sérgio Lavos

Estive fora o dia todo, fazendo pela vida, chego ao serão aqui às coisas sociais e é uma animação. Não só já começou uma campanha contra António Costa (mais uma afinidade entre Seguro e Passos Coelho) como a direita animadamente desanca o putativo candidato à liderança do PS (ou a primeiro-ministro, não sei bem), embarcando no mesmo tipo de manobras que levaram à queda de Sócrates. A minha passagem pelo Twitter valeu-me um block (e uma espécie de ameaça velada) do administrador da CGD nomeado pelo Governo (aquele que ameaçou emigrar por causa da carga fiscal) e uma admoestação da virgem José Manuel Fernandes (a propósito da palavra "escutas", imagine-se se eu tivesse escrito "inventona de Belém") que se indignava com um blogue de apoio ao ainda presidente da Câmara de Lisboa. Concluindo: a direita está mesmo transtornada com a mera possibilidade do PS vir a tornar-se verdadeira oposição ao Governo. Se no PS não vêem isto, não vêem que apenas com Costa a direita sentirá medo, enfim, que dizer? Que os socialistas façam bom proveito dos anos de pousio que se avizinham.

02
Jun14

Da defesa

David Crisóstomo

António José Seguro, na entrevista que deu à Judite ali na TVI, revelou-se manifestamente incomodado por as perguntas da jornalista serem sobre o Partido Socialista e não, entre outros tópicos, sobre "a defesa que o Partido Socialista fez junto do Tribunal Constitucional dos funcionários públicos e dos pensionistas".

 

Ora bem, como nem todos somos o Álvaro Beleza e temos uma cena chamada memória, recordo que dos 12 acórdãos com declarações de inconstitucionalidade emitidos pelo Tribunal Constitucional para diplomas aprovados pela maioria parlamentar PSD/CDS-PP, houve 3 em que a maioria da bancada parlamentar do PS, devido à imposição da disciplina de voto, nada fez para travar a sua aprovação no plenário da Assembleia da República: o primeiro diploma que criava o Tribunal Arbitral do Desporto, as alterações ao Código do Trabalho e o Orçamento de Estado para 2012. Recordemos mais pormenorizadamente como reagiu a direcção à possibilidade de deputados do PS virem a requerer a fiscalização sucessiva da constitucionalidade do Orçamento de Estado para 2012:


"Confrontado com a posição deste grupo de deputados socialistas, José Junqueiro, vice-presidente da bancada do PS, afirmou que "discorda" dessa iniciativa.

"Temos a dizer uma coisa clara [a esses deputados]: A nossa prioridade é a fiscalização política permanente deste Orçamento do Estado. Este Orçamento do Estado é do PSD e do CDS, da maioria de direita", começou por referir o dirigente da bancada socialista.

Segundo José Junqueiro, o "serviço do PS ao país é a fiscalização política permanente, porque essa é a chave da questão, a questão que é útil a todos os portugueses".

"Essa intenção [de recorrer à fiscalização da constitucionalidade do Orçamento] é uma intenção de que discordamos de forma muito clara, porque a prioridade do PS e da bancada do PS será a fiscalização política permanente deste Orçamento", reiterou o vice-presidente do Grupo Parlamentar socialista."


E para que não restem dúvidas:

 

"Carlos Zorrinho foi claro: “O PS demarca-se totalmente desta iniciativa”."

 

Já em 2012, a direcção da bancada parlamentar chegou mesmo a ameaçar com sanções Isabel Moreira, a deputada independente eleita pelo PS, pelos seus votos contra a proposta de Orçamento de Estado de 2012 e contra as propostas de alteração ao Código do Trabalho.


António José Seguro reagiu à última decisão dos juízes do Tribunal Constitucional afirmando que a mesma era "uma boa noticia para todos os democratas que respeitam uma Constituição da República Portuguesa e um Estado de Direito", que é “indesculpável que o país tenha um Governo que viola a lei fundamental do país" e que "o PS cumpriu o seu dever na defesa dos portugueses". Com certeza, concordo, muito bem. O que não invalida o seguinte: no final de 2011 e em princípios de 2012, a direcção do Partido Socialista estava aparentemente pronta a marimbar-se na defesa da Constituição da República Portuguesa. Felizmente, mudou radicalmente de atitude. Mas nunca explicou o discurso que teve outrora nem a razão da sua alteração, o que nos leva a concluir que caso não tivessem existido pressões por parte de deputados na Assembleia da República, o PS poderia hoje continuar indiferente às sucessivas ilegalidades aprovadas pela actual maioria parlamentar.

Prefiro pensar que não seria assim, que o que se passou nos primeiros meses do mandato do atual Secretário-Geral do PS foi uma falha ocasional e que os dirigentes teriam eventualmente chegado sozinhos à conclusão de que cabe, coube e sempre caberá ao Partido Socialista a defesa do nosso Estado Social e de Direito Democrático.

 

Todavia, e ainda no campo da memória, é de relembrar que houve quem fosse sempre coerente nesta defesa.

 

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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