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365 forte

Sem antídoto conhecido.

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06
Nov15

O manifesto do 24 de Abril

Sérgio Lavos

Olhamos para o manifesto dos empresários contra um Governo de esquerda e parece que regressámos a 24 de Abril de 1974. Os apelidos dos dignos signatários dizem tudo. Em 115 nomes encontramos quatro Mellos, quatro Champalimauds, alguns mistos Mello/Champalimaud (estas famílias cruzam-se para apuramento da raça), um Francisco Van Zeller, um Amorim, um Teixeira Duarte e o inefável Alexandre Relvas, antigo animador do Compromisso Portugal e financiador do Observador. Tudo bons rapazes. A maioria descendente das grandes famílias que viviam à sombra de Salazar, e que foram criando nas últimas décadas o seu nicho dentro do regime democrático, parasitando directa e indirectamente o Estado. Agora que o regime democrático que os acolheu depois do regresso do Brasil e de outros exílios dourados parece dar uma guinada à esquerda, eles começam a guinchar. Claro que esta gente não gosta da democracia, é natural que se queixem de um Governo emanado de uma maioria de esquerda no parlamento. A democracia é uma chatice. Sobretudo porque ela poderá levar ao fim da sangria de rendimentos do factor trabalho para o factor capital. Um Governo de esquerda é mau porque passa a existir a possibilidade da desigualdade social diminuir e dos trabalhadores recuperarem parte dos direitos perdidos. E é mau porque a parasitagem do Estado, seja através da descida do IRC seja por via da existência de vários subsídios ao capital (benefícios fiscais, subsidiação do salário dos trabalhadores pelo IEFP, etc.), pode efectivamente ser diminuída. As sanguessugas estrebucham. Antigamente é que era bom: o patrãozinho votava em nome da criadagem e era toda a gente feliz, havia estabilidade e certeza. Maldito o dia em que a criadagem conquistou o direito ao voto.

 

Adenda: é claro que esta Associação das Empresas Familiares parece ter aparecido agora em cena apenas para se opôr a um Governo de esquerda. As associações mais representativas - a CIP e a CCP -, assim como o sector financeiro, têm mostrado mais prudência perante o que se avizinha. As reuniões que António Costa manteve com os banqueiros não serão alheias a esta prudência. A democracia só assusta quem convive mal com o seu regular funcionamento.

3 comentários

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    Carlos 06.11.2015

    Mais uma brilhante tirada humorística , você hoje está mesmo inspirado.!
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    Joe Strummer 08.11.2015

    Poupa-me o teu mau sentido de humor e responde à questão das pensões lá em baixo. A algaraviada que aqui fazes não é mais do que o substitutivo do vazio que tens nessa cabecinha. Mas coitado és uma réplica do que o António Guerreiro, através de Bordieu, apelidou de "doxosofos". Que existem à esquerda e à direita. A questão é a contracenação, ie, quem aceita ser contraparte nesta farsa. É necessário alguma baixeza muita estupidez e muito servilismo à grelha analítica vigente e à moral de bolso. Á esquerda os exemplos mais evidentes são o Daniel Oliveira e o clown-pop RAP.

    Na dimensão politica Antonio Costa percebeu isso muito bem, a canalha só sobrevive se for alimentada com a sua dose diária de carniça, sem isso começa o processo autofágico. Vimo-los atarantados a exigir ( é essa a linguagem desta canalha antidemocratica) nas pantalhas " Dêem-nos uma linha do acordo para podermos vomitar o nosso veneno". Infelizmente o BE que é um movimento ou partido formatado pelas 24Hnews e que não consegue desligar do frenesim populista, furou o muro. A contracenação está nas veias do BE.

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