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365 forte

Sem antídoto conhecido.

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23
Out15

Não me falem no "Arco da Governação", estou mais interessado no "Arco Anti-Austeridade"

Frederico Francisco

Aqueles que se opõem a uma coligação de esquerda têm usado com muita frequência o chavão do "Arco da Governação", com Paulo Portas a introduzir hoje de manhã o equivalente "Arco Europeu". O conceito é simples e bem conhecido: apenas PS, PSD e CDS podem aceder à governação por não questionarem a presença de Portugal na UE, no Euro, na NATO. São, pelo menos, estes os termos em que tem sido colocado nestes dias.

Este discurso falha em perceber que existe, neste momento, uma clivagem política mais importante em Portugal: ser favorável ou contrário à austeridade. Era isso que estava fundamentalmente em jogo nas eleições, pelo que proponho a introdução de dois novos arcos na discussão política portuguesa: o "Arco da Austeridade" e o "Arco Anti-Austeridade".

Por muitas que sejam as diferenças entre PS, PCP e BE, todos são favoráveis à reversão o mais rápida possível da austeridade, todos denunciam os efeitos nefastos que teve em Portugal e nos portugueses e todos estão contra o actual consenso europeu que dita a prossecução continuada destas políticas. Este é o programa mínimo que está na base da convergência à esquerda.

Por outro lado, o "Arco da Austeridade", do qual fazem parte PSD e CDS, ainda que nos tente convencer agora que também querem a reversão da austeridade e que esta foi um mal necessário que na realidade não desejavam aplicar, não podem apagar as dezenas ou centenas de discursos desde, pelo menos, 2011 onde a austeriidade era uma espécie de redenção tranformadora que não só era necessária como positiva. Todos nos lembramos do "ir além da Troika". É pena que a amnésia ajude a esbater estas clivagens tão rapidamente.

Contudo, Cavaco Silva pode ter ontem dado um enorme contributo para que a separação entre o "Arco da Austeridade" e o "Arco Anti-Austeridade" se torne mais clara. Ao atacar de forma tão dura os partidos mais à esquerda e ao apelar às divisões no PS conseguiu em simultâneo grantir a unidade do PS e deste com o resto da esquerda. Cavaco Silva pode ter dado o contributo que faltava para um novo tipo de bipolarização.

6 comentários

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    Jaime Santos 23.10.2015

    Pois, façam-se eleições até o resultado ser o que nós queremos. Estranha conceção de democracia, a sua... Está a começar a tornar-se habitual...
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    Carlos 24.10.2015

    Bom dia ;

    Estranha concepção de democracia achar que se deve sufragar o verdadeiro programa dos partidos ? A PaF foi sufragada como coligação , e ganhou as eleições .O que o PS aplicará caso venha a ser governo , não será o seu programa , derrotado nas eleições , mas sim um misto com o programa do BE e do PCP que ainda mais derrotados foram.
    Havendo novas eleições , se o PS as ganhar , formará governo com quem quiser. Não entendo porque pensa que a minha concepção de democracia é estranha , ou no fundo , você acha que se for a eleições o que está a ser "cozinhado" , será rotundamente recusado pelos eleitores daí não deverem haver eleições antecipadas , isso sim é estranho.
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    Bomber Harris 24.10.2015

    Ainda bem que fala em sufragar o verdadeiro programa dos partidos. Que, por sinal, foi o que sucedeu em 2011 ao programa do PSD, cujo governo, em coligação com o CDS, pôs todo o empenho em respeitar o seu conteúdo.

    Um pouco mais de honestidade moral - ou inteligência - seriam bem vindas.
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    Carlos 24.10.2015

    Boa noite Bombardeiro ,

    Infelizmente nem todos nascemos inteligentes , essa benesse é só para alguns.
    Quando se acaba o dinheiro não é fácil cumprir programas , deve estar-se a referir a Passos ter dito que não cortaria no subsídio de natal e nos salários.É verdade que não foi isso que aconteceu , mas também é verdade , que parte substancial do programa eleitoral foi realizado.
    Parece que os camaradas estão todos muito receosos que haja eleições antecipadas, Cavaco pode se quiser , colocar um fim nesta encenação institucional , basta-lhe para tal nomear Jerónimo de Sousa como primeiro ministro ou Catarina Martins e a consagrada maioria de esquerda terminaria nesse dia.
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    jpferra 26.10.2015

    pois essa da inteligência cola-se a ti como cuspo. Não o cavaco não pode fazer isso, sem ser por iniciativa do 2º partido mais votado, tudo o que for para além disso até te pode dar tusa mas é inconstitucional.
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