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365 forte

Sem antídoto conhecido.

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22
Out15

Declaração de guerra

Sérgio Lavos

Seria de esperar (e até desejável) que Cavaco Silva indigitasse Passos Coelho como primeiro-ministro. A coligação PàF obteve 38% dos votos, foi o projecto político mais votado, e à luz da Constituição e da tradição faria todo o sentido que Cavaco procedesse como o fez. O que não é normal é o discurso que acompanhou a indigitação. Esse discurso foi uma verdadeira declaração de guerra à esquerda, à democracia e à Constituição. Ao insinuar que, mesmo que o Governo de direita seja recusado no parlamento pela maioria dos deputados, o manterá em funções, Cavaco Silva marcou uma posição de bloqueio ao normal funcionamento das instituições e da democracia. Reforçou esta oposição ao falar de partidos que recusam tratados da União Europeia (sem referir, cobardemente, que partidos são esses), deste modo na prática vedando o acesso ao Governo do BE e do PCP. Desvaloriza o voto de um milhão de eleitores. O discurso de Cavaco não foi apenas de facção, defendendo os partidos que o elegeram como presidente; foi na prática um discurso anti-democrático que extravasou as suas funções. No nosso regime semi-presidencial, não cabe ao presidente escolher Governos, muito menos decidir que partidos podem fazer parte dos mesmos. Esse papel cabe à Assembleia da República; ao presidente cabe apenas ratificar a decisão da maioria parlamentar, emanada do voto dos portugueses. A declaração de guerra de Cavaco Silva terá de ter resposta à altura da esquerda - a esquerda que teve 51% dos eleitores do seu lado. Mais do que nunca, é preciso um acordo forte entre PS, BE e PCP, para quatro anos. Quando o Governo de Passos cair, a opção de Cavaco manter em funções um Governo recusado pela maioria dos portugueses não pode estar em cima de mesa. Se Cavaco Silva insistir na sua vontade anti-democrática, cá estaremos para lutar, por todos os meios necessários, contra esta subversão da democracia e do voto popular. A esquerda deve isso à maioria de eleitores que nela votou.   

3 comentários

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    Jaime Santos 23.10.2015

    Se a sua esperança é essa (os deputados do PS teriam que violar o compromisso ético com que se comprometeram), o discurso de Cavaco, como bem disse agora Jorge Coelho na Quadratura do Círculo, não ajudou em nada, serviu foi para tocar a reunir. Ao que parece, foi isso mesmo que Francisco Assis disse depois da mensagem do Presidente, ele que discorda do acordo à Esquerda. Sabe, encostar uma arma à cabeça das pessoas não conduz normalmente a atitudes particularmente colaborantes. Mas a Direita está habituada a ter o que quer, não é? Já agora, que mudança de regime é essa de que fala? A chegada ao Poder de Partidos Constitucionais, o BE e o PCP? Eu pensava que Portugal era uma Democracia em que o que interessa é a força do Voto, mas pelos vistos há Votos que contam menos que outros. Estranha conceção de Democracia a sua...
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    Carlos 23.10.2015

    Meu caro Jaime ;

    Não tenho , nem deixo de ter esperança em nada , o parlamento votará as moções de rejeição e se o governo for rejeitado será demitido.O que o PR acrescentou ao discurso é a opinião dele e não disse nenhuma inverdade , as passagens que o PR referiu no discurso foram retiradas do programa eleitoral do PCP e do BE , que como sabemos são contra o sistema político onde Portugal se insere actualmente.
    Não é por serem de esquerda , é por defenderem para o país um modelo económico e social que representa menos de 20% dos votos expressos e que nunca foi escrutinado favoravelmente para ser governo em Portugal , tal como discordaria de um governo suportado em partidos extremistas de direita , é isso que classifico como mudança de regime.
    Portugal ainda é uma democracia e esperemos que assim continue , se o governo for derrubado, que venha o seguinte e boa sorte.

    Só um aparte , essa da arma à cabeça , sendo em sentido figurado, é um bocado excessiva.
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