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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

08
Nov20

Chega de faustos

CRG

O percurso da ascensão da extrema direita em Portugal é como ver um filme depois de já se ter lido o livro. 

 

Após a celebração do infame acordo nos Açores, repetiram-se os mesmos argumentos e episódios que tinham ocorrido noutros países em situações semelhantes:

- Factos alternativos

O PSD repetiu por diversas vezes que não havia qualquer tipo de acordo com a extrema direita. 

- Projecção

O PSD não só negou a existência de qualquer acordo com a extrema direita (que finalmente admitiu existir), como acusou de mentiroso quem aludia à existência do referido acordo.

- Os media como inimigos

Na intervenção no fórum da TSF, o deputado do PSD repetidamente referiu-se aos media como "vocês" e acusou-os de empolarem a importância deste assunto (acordo com a extrema direita) em vez de falarem de assuntos mais importantes. 

- Falsas equivalências

O acordo com a extrema-direita que promove a castração química é equivalente ao acordo que o PS celebrou com a extrema-esquerda que promove as 35h semanais para a função pública.

- Demonizar os adversários políticos

Miguel Albuquerque justificou o acordo alegando que o principal inimigo do PSD é o PS. Nuno Morais Sarmento foi ainda mais longe e defendeu que o BE nega os princípios básicos da democracia. 

 

Como defendem Hugo Mercier e Dan Sperber, da Universidade Harvard: “A razão tem duas funções: produzir motivos para justificar a si mesmo e gerar argumentos para convencer os demais”. Ora, perante a ausência de argumentos válidos que permitem legitimar o acordo, apenas resta a utilização destas práticas, que, mais cedo ou mais tarde, destroem a democracia.

 

Assim, os partidos da direita dita democrática reconhecem que chegados a uma encruzilhada fazem acordos com a extrema-direita para alcançar o poder - objectivo que para eles se sobrepõe à própria democracia. É assim tão simples. 

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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