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365 forte

Sem antídoto conhecido.

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08
Abr16

Aos papéis

CRG

 

"And what we've always been is. . .?"

"Is living on borrowed time. Getting away cheap. Never caring about who's paying for it, who's starving somewhere else all jammed together so we can have cheap food, a house, a yard in the burbs. . .planetwide, more every day, the payback keeps gathering."

Thomas Pynchon, "Bleeding Edge"

 

A coisa mais surpreendente no escândalo dos papéis do Panamá foi encontrar orgulhosos defensores dos paraísos fiscais. Durante anos, a defesa escudava-se cinicamente na impotência: um mal menor num mundo globalizado com livre movimento de capitais.

 

Afinal os paraísos fiscais são os refúgios dos oprimidos pelo esbulho do Estado; as últimas cidades-livre num mundo estalinista. O facto de quem defende isto ter sido deputado da maioria que apoiou o "enorme aumento de impostos" e criou a factura da sorte é no mínimo cómico - um Thoreau de pacotilha.

 

Um político pugnar pela redução de impostos ou considerar que a carga fiscal é demasiado elevada é normal. Mas já não é aceitável defender que quem pode deve colocar os seus rendimentos em paraísos fiscais, que funcionam através de empresas fictícias constituídas por apenas uma caixa de correio postal. Este expediente permite que uma pequena minoria - e estes são sempre os mais poderosos e com mais meios - fuja às regras definidas democraticamente da comunidade onde vive e que afectam a maioria dos concidadãos. Ninguém é obrigado a viver em Portugal - não há nenhum muro que o obrigue. Quem quiser pode emigrar para o Panamá ou para qualquer outro local com uma carga fiscal mais baixa. No entanto, não pode querer ao mesmo tempo usufruir dos serviços públicos de um local e pagar os impostos de outro. O sentido mais  básico de justiça social assim impõe, sobretudo nesta altura de graves e profundas desigualdades. Infelizmente vivemos tempos interessantes em que se defendem os novos robins dos bosques: os que roubam aos estados para dar aos ricos.

4 comentários

  • Sem imagem de perfil

    Joe Strummer 14.04.2016

    Qual o negócio com melhor rentabilidade? Vender computadores, o petróleo, hitech, a distribuição? Nada disso:

    The top 50 US firms spent $2.6bn between 2008 and 2014 on lobbying the US government, Oxfam said.

    “For every $1 spent on lobbying, these 50 companies collectively received $130 in tax breaks and more than $4,000 in federal loans, loan guarantees and bailouts,” said Oxfam

  • Sem imagem de perfil

    Carlos 14.04.2016

    Isso de comparar o funcionamento da economia americana , em todas as suas vertentes , com a europeia , é o mesmo que comparar o humor dos monty python com o fernando rocha.
  • Sem imagem de perfil

    Joe Strummer 15.04.2016

    Se achas que isto é economia, é errado mas vá lá, passa, agora o mais grave é não teres sentido de humor. E digo-te, infelizmente a Europa é o Fernando Rocha americano. Um mau imitador. A CEuropeia tem como Presidente um tipo que geriu um paraíso fiscal para empresas e hoje sabe-se que os burocratas europeus foram cúmplices do esquema das emissões montado pela VW, etc...

    Basicamente, o lobbying é corrupção, como os paraísos fiscais são lavadores de dinheiro legais. Por outro lado o sistema legal americano não condena o denunciador de situações ilegais ou éticamentes reprovaveis, o "whistleblower", podendo mesmo beneficiá-lo, enquanto na Europa pode ser julgado e sujeito a penas pesadas de prisão.

    O panamá é mau mas fica a jusante disto tudo, no fim da linha.
    O anjinho é o cidadão, paga para tudo, acredita na ilusão de um mundo rápido na ponta dos dedos e escrutinável e que tudo muda pelo voto.
    As pessoas serão sempre enganadas, a questão é saber como e quanto.
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