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365 forte

Sem antídoto conhecido.

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20
Out15

Acordo sinistra

CRG

"After all, what is travel — or life, for that matter — but a continuing negotiation between expectation and reality?"

Rachel Donadio

 

Sempre fui céptico em relação a um acordo governativo de esquerda. Pensava eu que  do lado do PS as negociações serviriam para ter uma posição de força perante a PAF, enquanto do lado do BE e da CDU haveria necessidade de colocar junto do eleitorado o ónus no PS pela quebra do eventual acordo.

 

Agora que o acordo está próximo, socorrendo-me das práticas milenares dos cronistas, vou analisar a posteriori as razões pelas quais este acordo era afinal inevitável:

 

Apesar do seu segundo pior resultado de sempre, se um eventual governo minoritário PSD/CDS fosse empossado e posteriormente derrubado, nas próximas eleições existiria um forte apelo ao voto útil, legitimado pela experiência recente. Assim, a única forma de o BE e a CDU não perderem os ganhos das últimas eleições é darem apoio a um governo do PS.

 

Do lado do PS, um apoio a um governo de direita reforçaria a posição que se tenta vender de que não há nada de substancial a distingui-lo dos partidos à sua direita. Resultado: perderia votos quer para a sua esquerda quer para a sua direita.

 

A sobrevivência política da esquerda joga-se, portanto, na obtenção de um acordo de governo e eis que a necessidade concretiza o impossível: a TINA da esquerda derruba a PAF.

3 comentários

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    CRG 21.10.2015

    Peço desculpa se fui demasiado cínico na análise. Não foi essa a minha intenção. Mas os resultados desta eleição demonstraram que a direita pode governar mesmo com o seu segundo pior resultado de sempre. O PCP e o BE corria o risco de permitir que a direita governasse eternamente com todas as consequências para os seus ideias de sociedade que defendem e o caminho ideológico que preconizam.
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    Joe Strummer 21.10.2015


    Nada disso, o teu ângulo de analise é excelente, como sempre. Não concordo é com a valorização e/ou sobreposição de eventuais motivos defensivos em detrimento da verdadeira historicidade do momento. O passo dado pelo PCP, que foi o impulsionador desta possibilidade, é imenso. Claro que como instituições de poder, os partidos fazem contas e cálculos, por vezes tantos que se esquecem precisamente dos seus fins ideológicos. Desta vez não aconteceu. A esquerda não podia falhar pela segunda ou terceira vez consecutiva.

    A outro nível, mais genérico, e como desabafo, é arrepiante ver que Marcello, mesmo que não ganhe as presidenciais,já ganhou. O seu olhar mecanicista e videirinho sobre a politica é hoje replicado até à nausea, pelas redes sociais, jornalismo e até academia. Houve uma "desalfabetização" politica assinalável que medrou por falta da esquerda, ou melhor, pela sua divisão.

    Proxima paragem Espanha.Para que a politica europeia e os constrangimentos financeiros possam mudar é essencial que a Espanha consiga eleger um governo à esquerda, ou com tendência à esquerda. Alias a possibilidade do entendimento à esquerda em Portugal ir para a frente já mereceu ataques vindos da cimeira do PPE, precisamente do lado espanhol. Sabem que a situação em Portugal pode encadear uma mudança em Espanha e, consequentemente, na geometria europeia. Muito está em jogo.

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