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365 forte

Sem antídoto conhecido.

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23
Mai14

Abdicar da democracia

Sérgio Lavos

Sobre a abstenção e a pureza dos abstencionistas, só me apetece dizer isto: os partidos do poder têm gente que se infiltra nos movimentos e nos grupos que apelam à abstenção. 
Basta parar para pensar um pouco para percebermos quem é mais beneficiado pelo não-voto. A abstenção, os votos brancos e os votos nulos, são excluídos da votação final; não ocupam lugares no parlamento; não legislam, não decidem sobre as nossas vidas; são igual a zero, soma de nada. Quanto mais alta é a abstenção, mas alta a votação nos partidos do poder parece, sobretudo porque quem continua a votar nesses partidos fá-lo fielmente. O verdadeiro voto de protesto não é o de soma nula, é o que é oferecido aos partidos que propõem soluções diferentes para os nossos problemas. A abstenção serve apenas para perpetuar as políticas que nos trouxeram aqui e que estão a destruir o país. Serve a estagnação e a manutenção dos privilégios dos mais ricos. Serve os partidos que ocupam o poder, apenas isso. Abdicar do voto é abdicar da democracia. E apenas com mais democracia, maior participação, podemos combater este estado de coisas. Simples, não é?

3 comentários

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    Sérgio Lavos 23.05.2014

    Bem vindo ao clube Joe! :) e sim, não é normal o dono de um império mediático intervir desta maneira na campanha de um partido. Mas neste país passou a ser tudo aceitável desde há algum tempo. Inacreditável.
  • Sem imagem de perfil

    Joe Strummer 24.05.2014


    Não sei se será só "one night stand", mas sempre gostei da abordagem do Rui Tavares à esquerda. A esquerda não tem q ser colectivista, nem defender ditaduras. A apropriação do pensamento de esquerda pelas experiências/tendencias asiaticas, ou euro asiaticas, deformou em grande parte o verdadeiro patrimonio e concepção de esquerda. Que não tem dono e é muito mais "velho" que Marx ou Rousseau ou Cristo ou qualquer outro profeta. A esquerda começa quando num longinquo passado alguem se lembrou de questionar a pirâmide primata.
    É endireitar os desequilibrios naturais do mundo modelados pelo arquetipo mental que nos rege. É um desasssossego, não um esquema ou uma permanência. Mas não é deitar tudo a perder. É perder e aprender, e sobretudo, não repetir.

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