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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

27
Out13

A oposição como fator de (auto)preservação do statu quo

Cláudio Carvalho

«Quando uma coisa está em movimento, ficará eternamente em movimento, a menos que outra coisa a detenha»

(Thomas Hobbes, in «Levitã»)

 

Se há alguma coisa que a política nacional nos tenha ensinado recentemente é que, para além de termos assistido à maior burla política de sempre nas eleições legislativas transatas, o confronto do debate político que Sócrates e Louçã proporcionavam era um garante da salubridade de um dos pilares do Estado democrático, que é o parlamento. Goste-se ou não, haja identificação político-ideológica ou não, a história está a mostrar que a «saída da cena principal» de ambos, nomeadamente neste período difícil do país carente de bens materiais e imateriais, está a causar danos dolorosos à democracia parlamentar. Por muito verosímil que seja o pressuposto de que "não existem insubstituíveis, muito menos na política" e por muito que existam personalidades nas bancadas parlamentares que se destaquem positivamente, como este senhor ou este, a verdade «nua e crua» é que as lideranças partidárias atuais não promovem a accountability, o (saudável) confronto político, a construção de alternativas percetíveis aos olhos dos cidadãos, a convergência em determinadas matérias de cariz moral ou até económico e um discurso suficientemente agregador e mobilizador. Tal, sobretudo quando aplicado às atuais lideranças dos diferentes partidos que constituem a oposição, só possibilita a (auto)preservação deste governo e da imposição da sua cartilha. Pior: mesmo que o panorama governativo mude em 2015, com mais ou menos estabilidade política, dificilmente esta oposição será capaz de personificar uma mudança de rumo económico-financeiro nacional e dificilmente se mostrará como um atrito ao atual modelo de governança e à atual política orçamental e monetária que guia esta União Europeia e a Zona Euro. Esta oposição está-se a mostrar como um fator de (auto)preservação do statu quo. Assim não.

18
Out13

A audácia da coragem e da razão

Rui Cerdeira Branco

Quem tem dívidas, não tem luxos como os tribunais e as leis. Estes devem submeter-se inteiramente ao constrangimento financeiro.
É isto hoje o ideal europeu da Comissão Europeia expresso em voz cada vez mais sonora e frequente interferindo sem pudor e de forma impreparada e desinformada no regular funcionamento das instituição democráticas de um Estado Membro.
Demasiadas vezes, dentro e fora de portas, a discussão oscila entre a defesa persistente de uma solução falhada e a caricatura de uma opção politicamente inaceitavel (perdão total, união de transferências pura, etc).  Pergunto, não há caminho mais eficaz, credível e democraticamente sustentável no seio de toda a zona euro para gerir esta crise?
Se não há, mais vale arrepiar caminho. Estamos a perder tempo, dinheiro e recursos vitais para uma recuperação, todos os dias. E não estamos a valorizar devidamente tudo isso.
É tempo de perceber que papel estamos em condições de ter dentro da Zona Euro e abordar com frontalidade, humildade e inteligência o nosso futuro. Batalhar até ao fim pelo ideal Europeu mas prepararmo-nos responsavelmente para o seu fracasso. Só assim assumiremos claramente, entre nós e entre os nossos parceiros, tudo o que está em jogo.

 

É tempo de alguém assumir o protagonismo desta mensagem, politicamente, antes que seja tarde de mais.

06
Jul13

Obama no caminho de Nixon

mariana pessoa
03
Jul13

Este governo é um dominó (II)

Cláudio Carvalho

Juros da dívida a subir estrondosamente no mercado secundário: crescimento de 23% (1,5 p.p.) nas últimas horas e a subir para lá dos 8%. A bolsa afunda-se, naquela que é a terceira maior queda de sempre e a maior dos últimos 15 anos. A União Europeia e a União Monetária a serem alvo de chacota em órgãos de comunicação social dos EUA, por causa da crise política criada pelo executivo nacional. Um país em conflito diplomático com a América do Sul. Julho ainda só vai no terceiro dia, mas já percebemos o que vai ser escrito sobre este Governo nos livros de História: é o pior da democracia portuguesa.

30
Jun13

Sê bem-vinda

David Crisóstomo

 

"Croatia faces important challenges in terms of reviving growth, strengthening public finances and promoting competitiveness," the Commission wrote.

Estás em casa. Desculpa aí pelo Barroso, sim? A partir de amanhã já te habituas.

 

Dito isto, sê bem aparecida cara amiga. Na segunda-feira teremos aqui uma pequena, tímida cerimónia para celebrar a tua entrada no clube. Todavia, tudo indica que não lá estará nenhum representante do governo português. Nenhum evento ou voto especial de saudação se deverá realizar na parlamento cá do burgo. O mesmo que, em 2012, aprovou a tua adesão, ratificada na véspera do dia de Todos-os-Santos. Fomos discretos. E seremos ainda mais discretos amanhã. Mas não leves a mal a falta de sentido de estado daqueles que actualmente representam este nosso estado. Um estado onde, ao contrário de ti, nunca se referendou esta integração plurinacional. No ano passado, 66% dos teus aprovaram a europeísta ideia, num consenso que nos anima por revelar que ainda existe esperança neste pensamento em tempos tão pardacentos. Amanhã celebrarás esta nova fase da tua existência nacional. Amanhã, na celebração que se realizará na Praça Ban Jelačić, no centro de Zagreb, haverá uma bandeira estranha num edifico desse rossio. É sede da representação diplomática duma pátria velha. Nessa pátria velha há um desejo de felicidade para ti neste novo projecto, europeu por excelência. Esperemos que possas no futuro vê-lo com os olhos que nós outrora o vimos: um projecto de desenvolvimento, de solidariedade e de fraternidade entre nações. E és um bom exemplo disso. Tu que participaste na reconstrução da bósnia Stari Most [Ponte Velha] de Mostar destruída em 1993, vitima da guerra na tua vizinha Bósnia-Herzegovina. Reconstrução essa que foi talvez dos melhores exemplos do sentimento europeu, um "símbolo da reconciliação, da cooperação internacional e da coexistência de diferentes comunidades culturais, étnicas e religiosas" nas palavras da UNESCO. Na reabertura da ponte em 2004, o poeta Ivan Lovrenović declarou: “Enquanto voam as andorinhas que brincam com o vento sob os arcos da ponte, brindo dizendo: cá estamos nós”. Agarremos-nos a esse lirismo.

Sê bem-vinda.

 

 

15
Mar13

Santa KIaus Was In Town. He Said Stuff.

David Crisóstomo

Há gente que teima em insultar a nossa inteligência.

 

Klaus Regling, o director executivo do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) e do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), esteve na terça-feira passada numa conferência em Lisboa a dar um ar de sua graça. Regling é um economista que foi funcionário do FMI entre 1975 a 1980 e entre 1985 a 1991, tendo também trabalhado no Ministério das Finanças alemão e na associação de bancos alemães, entre outros postos. Era até 2008 o director geral dos assuntos económicos e financeiros da Comissão Europeia. O funcionário-modelo. Na véspera do seu passeiozinho ao mais obediente dos PIGS, concedeu uma entrevista ao jornal Público onde faz umas quantas reflexões interessantes. Resumo-as em 3 temas:

  1. 'Está tudo a correr lindamente' 
  2. 'A Ciência Económica para mim não tem limites'
  3. 'Podem protestar mas não sejam pobres e mal agradecidos, estamos a ser muito solidários'

  

 

04
Dez12

O risco de pobreza em Portugal

Nuno Pires

O Eurostat publicou ontem alguns indicadores sobre o risco de pobreza e exclusão social na União Europeia, resultantes do instrumento European Union Statistics on Income and Living Conditions (“EU-SILC”), revelando que 24% da população da UE27 (cerca de 120 milhões de pessoas) se encontrava em situação de risco, de acordo com dados referentes a 2011.

 

Estas notícias são péssimas, mas, atendendo especificamente aos valores nacionais, é possível retirar conclusões adicionais dos dados divulgados pelo Eurostat, nomeadamente através da análise da evolução destes indicadores em Portugal nos anos de 2008, 2010 e 2011, e da sua comparação com a média da UE27.

  

 

13
Nov12

E que tal criar uma Universidade Federal da União Europeia em Granada, Atenas ou Lisboa? Projeto Ulysses

Rui Cerdeira Branco

Projeto Ulysses: eis o pretexto interessante que me levou ao Parlamento Europeu a convite do Rui Tavares. É bom ver que há quem com uma dose bastante de realismo não se abandona à desesperança e ao "não caminho" para onde empurram a Europa e propõe pequenos grandes passos que podem ser acolhidos por muitas pessoas de boa vontade que acreditam que vale a pena defender e lutar pelo projeto Europeu fundado há mais de meio século:

12
Nov12

Sacudir a melancolia, depressa

Nuno Pires
Greek Reporter - No Job, No Health Care, Left to Die

 

O corte no fornecimento de fármacos à Grécia pela alemã Merck e os suicídios, em Espanha, de cidadãos confrontados com o despejo das suas casas representam a última triste novidade na trágica novela da crise europeia.

 

Num tristemente magnífico artigo de opinião no El País, Soledad Gallego-Díaz considera este cenário como intolerável, recorrendo à acepção de Sigmund Freud sobre o luto e a melancolia, bem como à história de Victor Klemperer, um jornalista que presenciou o processo de desumanização na Alemanha da 2.ª Guerra Mundial. Reproduzo apenas os primeiros parágrafos:

 

Sigmund Freud distinguió una vez entre el duelo y la melancolía. Duelo, explicó, es el dolor, la reacción natural ante la pérdida de un ser amado o de algo más abstracto pero equivalente, como la libertad, la patria, quizá un sistema social que nos pareció razonablemente justo y en el que nos sentíamos cómodos o, incluso, un periódico o una revista al que nos encontrábamos unidos.

 

La melancolía es cuando ese dolor va acompañado por un sentimiento de culpa, cuando se traduce en reproches y acusaciones propias. Entonces, el estado natural de duelo se convierte en una enfermedad morbosa.


Cuando nos destierran de un mundo que amábamos, es importante pasar el duelo, el dolor y la tristeza, pero también saber que llegará el momento en el que encontremos dónde depositar de nuevo nuestros afectos, nuestro empeño y nuestra esperanza. Que es importante huir de la melancolía que pretende hundirnos en la sensación de que somos “indignos de estimación, incapaces de rendimiento valioso alguno”. Uno de los caracteres más singulares de la melancolía, explicaba el gran Freud, es el miedo a la ruina y al empobrecimiento.

 

O artigo integral está disponível aqui.

 

(Imagem)

07
Nov12

Epifania à vista?

Nuno Pires

 

O Jornal de Negócios noticiou que as novas encomendas às fábricas alemãs tiveram em setembro a maior queda deste ano.

 

Como a notícia descreve, entre outros motivos para esta redução, verificou-se uma diminuição nas exportações da Alemanha. Sabendo-se que boa parte destas exportações têm como destino países europeus, rapidamente se estabelece uma ligação que para muito boa gente já não é novidade.

 

A verdade é que a Alemanha começa a ser atingida pelas consequências diretas das políticas de austeridade que orgulhosamente defende e que, infelizmente, continuam a infligir danos em várias economias europeias e a ferir a coesão e a solidez da União. Mesmo a maior economia europeia começa a revelar sinais de fadiga, como consequência da teimosia de pessoas como Angela Merkel ou Wolfgang Schäuble em impor aos seus parceiros europeus (parceiros – não súbditos ou subordinados), políticas de austeridade que se revelam contraproducentes.

 

Pode ser que a constatação desta queda nas encomendas à indústria alemã funcione como uma espécie de epifania para alguns dos que ainda conseguem conjeturar sobre a existência de benefícios resultantes de políticas de austeridade cega e aplaudir quando alguém diz algo tão patético como ser necessária austeridade para “convencer o mundo de que vale a pena investir na Europa”.

 

É que, por este caminho, um dia poderá não haver “Europa” para investir.

 

(Imagem)

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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