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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

07
Mai13

Não vale a pena estarmos a diabolizar o FMI

Nuno Pires

A frase que dá o título a este texto é da autoria de Pedro Passos Coelho e foi proferida no longínquo dia 25 de março de 2011, numa altura em que o PSD repetia até à exaustão que o FMI era um grande amigo nosso e que o deveríamos receber de braços abertos. Isto, é claro, dois meses depois de ter dito ao país que a entrada do FMI em Portugal deveria levar à queda do Governo de então. Meros detalhes.

 

Chegados a maio de 2013, cerca de dois anos volvidos sobre a entrada em Portugal do FMI e a ascensão ao pote de Pedro "ir-além-da-Troika" Passos Coelho, começa a ser claro o rotundo embuste em que alguns cidadãos alinharam em 2011.

 

E a Renascença aproveitou para fazer umas contas, focando-se nos três principais alvos do XIX Governo Constitucional, nas três grandes "gorduras do Estado" que era necessário mitigar: a Saúde, a Educação e a Segurança Social. O resultado não podia ser mais esclarecedor:

 

«A saúde, a educação e a segurança social pesaram ao Estado menos 2.745 milhões de euros quando se compara o último ano completo (2012) com 2008, que marca o início da crise financeira. Com base na análise das contas gerais do Estado, é possível identificar duas fases na evolução da despesa pública nestas áreas.


Na primeira, com a crise financeira a despontar, há um aumento das despesas. Depois, a partir de 2011, ano que coincide com a chegada da "troika", há uma descida substancial dos gastos gerais nestas áreas.»

 

Se dúvidas ainda houvesse, estes números dissipam-nas: a sanha deste Governo contra os mais desprotegidos, o ímpeto para destruir o nosso Estado Social, não surgiram agora com nenhum "relatório da Troika", nem vão principiar com o trágico corte de 4 mil milhões de euros ali defendido (cujo valor exato, ao que parece, já nem é esse). Fazem, isso sim, parte de uma agenda ideológica, mal escondida desde os tempos de campanha eleitoral, que começou a ser introduzida na nossa sociedade no momento em que alguém começou a falar na necessidade de se ir para além da Troika e que encontrou no resultado eleitoral de junho de 2011 a sua luz verde para avançar, mesmo que ninguém tenha sufragado esta transfiguração do Estado.

 

E termino recorrendo à citação de Passos Coelho: não, de facto não vale a pena estarmos a diabolizar o FMI. Não é o FMI que tem que ser diabolizado quando todo um Governo optou por ir além das medidas inicialmente definidas no memorando. Não é culpa do FMI, nem da Troika, que um Governo tenha achado que o frontloading de medidas de austeridade era solução para alguma coisa. O FMI não tem culpa que o Governo português não queira agora negociar as condições do seu memorando ou que, quando o fez, tenha sido para as tornar mais "ambiciosas", mais baseadas numa austeridade destrutiva de um Estado Social que é de e para todos nós.

18
Mar13

Nauseabundos

David Crisóstomo

 

Santa Paciência. Mas é que já começam a meter nojo. Miguel Frasquilho, após aquela aterradora conferência de imprensa/declaração de vontades de Vitor Gaspar, foi instruído para tirar uma nova ideia daquela cartola desgastada e mal cheirosa donde vêem todos os brilhantes pensamentos do PSD: "o programa [o memorando] original tinha sido mal desenhado, mal concebido e com projecções e efeitos que não tinham aderência nenhuma à realidade". E dizem isto depois de já terem revisto e alterado o raio do documento 6 vezes. 


E mandam o Miguel Frasquilho para revelar ao povo a nova e reluzente razão que justifica o grande trambolhão orçamental, económico, social, politico e moral. Miguel Frasquilho foi uma escolha muito acertada, claro. Numa rápida pesquisa por intervenções suas no parlamento deparamos-nos com o seguinte historial, claramente demonstrador da rectidão e seriedade do doutor:

 

11.03.2010 - Queixa-se da perda do nível de vida, da quebra da produtividade, do desemprego, do endividamento público, para depois concluir que "o caminho do PSD não seria este". Sublinha que "fosse o PSD responsável pela governação do pais e o Orçamento de Estado teria espaço para medidas de estimulo às PME".

 

25.03.2010 - Denuncia "o ataque fiscal violento contra todos os portugueses". Questiona se o governo achava que 900€ já são rendimentos elevados. Grita que estávamos perante uma "injustiça fiscal".


06.05.2010 - Opina que o momento escolhido para as privatizações era "surpreendente". Especula se governo não estaria a "privatizar as empresas apenas por razões financeiras".


24.11.2010 - Vocifera sobre o "injusto agravamento fiscal", pois era "injusto sobre as famílias portuguesas na proposta do Orçamento de Estado" e declara que o PSD tinha conseguido evitado um "agravamento fortíssimo" do IRS para as famílias.

 

13.01.2011 - Regista em nome do PSD o cumprimento do défice em 2010 devido ao "aumento de impostos" e às "receitas extraordinárias". Vivamos "tempos muito perigosos" onde não poderíamos "andar a brincar com o fogo" e acusa o primeiro-ministro da altura "de não ter tido a melhor postura que melhor serviria os interesses nacionais"


 

Mas ignorando o íntegro mensageiro, concentremos-nos na mensagem. 

Será que não haverá vergonha nestas caras? Mas acham que somos todos atrasados mentais? Mas não há limites para a mentira, o descaramento, a insolência e a estupidez? Mas acham que nos esquecemos de que não haveria memorando sem "o acordo do PSD"? De que estiveram a negociar a "verdadeira austeridade para o Estado, mas não mais para os cidadãos"? De que a negociação foi "essencialmente influenciada" pelo PSD? De que tinham lá posto umas "medidas melhores" e que iam "mais fundo" do que o PEC IV? De que a alegada revisão da trajectória do défice foi uma "grande vitória" dos sociais-democratas? De que o PSD tinha um "grau de identificação importante" com o memorando? De que suas excelências acreditavam que "no essencial, o que ele prescreve é necessário fazer em Portugal para vencermos a crise"?

Mas acham que somos todos otários?

 

 

06
Mar13

Não menos que um milagre (sobre a prosa de Ricardo Reis - não pessoano)

Rui Cerdeira Branco

É raro escrever uma página de prosa no Facebook. Hoje calhou, mas fica muito melhor aqui:

 

Miguel Poiares Maduro recuperou um dos mais significativos texto de Ricardo Reis sobre as escolhas do país (ver "O FMI e a Austeridade"). A peça vai conquistando o aplauso de alguns amigos estimáveis, mas não sei se mais pelas alfinetadas que oferece a algumas vozes pouco coerentes que criticam o "remédio" em curso em Portugal, se pela convicção de que o que o Ricardo Reis defende é em si mesmo algo coerente. parece-me que não é de todo. Em comentário à prosa e aos elogios à dita deixei o que se segue na caixa de comentários da entrada do Miguel sobre o tema que aqui agora destaco:

Ainda bem que faço parte dos "keynesianos" que em tempo de vacas gordas defende que se "acumule um excedente orçamental para usar nos maus tempos". Talvez também por isso não consiga encontrar as razões que descobrem para elogiar de forma tão vincada este artigo que me parece carregado de silogismos. Neste momento, Portugal não é financeiramente solúvel para os investidores internacionais a menos que tenha o respaldo dos nossos parceiros. Se aceitarmos isto como um facto, de pouco lhes importa se aumentamos ou diminuímos a austeridade/défice/dívida, interessa-lhes saber essencialmente se os nossos parceiros alinham num plano de viabilização credível ou não ou se (mais apetecível) bancam a dívida. Neste último aspeto os mercados são muito reativos como o têm provado várias situações desde o início da crise. Quanto ao plano de viabilização credível é cada vez mais difícil encontrar alguém de fora da troika e do nosso governo que defenda que o atual rumo é sustentável. E nisto a persistência de uma política de austeridade coordenada no espaço europeu com a recusa da Alemanha em cumprir com a sua parte da receita no sentido de reduzir a disparidade nos custos de produção internos na ZE, devolvendo aos seus trabalhadores, de forma mais expedita, uma parte dos ganhos de produtividade que acumulou na última década vai tendo um papel decisivo na ruina do “remédio” português que, creio, tinha mesmo como única hipótese de viabilização desenrolar-se num contexto externo expansionista e não recessivo. Uma previsão para a qual muitos “keynesianos” alertaram e da qual agora reclamam a prova dos factos. 



20
Nov12

Isto está a correr exatamente conforme previsto.

Rui Cerdeira Branco

Isto está a correr exatamente conforme previsto. Não se esqueçam que vivemos acima das nossas possibilidades que a Europa está-nos a ajudar que a austeridade é expansionista (expande a dívida, estúpido!) que a culpa é toda do Sócrates que o Gaspar é o ministro das finanças mais competente desde Salazar que o Euro tal como está é o santo gral que não há alternativa e que quem diz o contrário só quer gastar aquilo que não tem. Pronto, já amocharam? Siga.

Retirado de um faceamigo no Facebook:
Austeridade expansionista - 2014
03
Nov12

Devolver a credibilidade

Nuno Pires

Até quando é que os membros deste Governo (e seus apoiantes) vão continuar a encher-nos os ouvidos com teorias fantasiosas sobre uma suposta “devolução da credibilidade externa”, a “melhoria da reputação junto dos credores” e outras falsidades idênticas?

 

Uma mentira não se torna verdade por ser repetida até à exaustão. Os verdadeiros resultados da governação “além da Troika” estão (cada vez mais) à vista.

 

(Imagem: recorte da edição de hoje do Diário de Notícias)

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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