Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

24
Jan14

As futuras gerações, a ciência e a Europa

Cláudio Carvalho

Numa altura em que os agentes governamentais falam da necessidade de haver uma particular preocupação com as futuras gerações, como se explica a falta de sensatez das recentes afetações na ciência nacional e as futuras implicações que estas terão no crescimento do produto potencial e, inerentemente, na vida das tais futuras gerações que os agentes governamentais dizem querer proteger? Numa altura em que os agentes políticos - nacionais e europeus - vivem obcecados com o constitucionalismo financeiro, porque é que não existem mecanismos com vista a proteger a ciência e a tecnologia (nacional)? Porque não se implementam procedimentos preventivos e corretivos a nível europeu para países que subfinanciem a I&D, como já ocorre noutros domínios, nomeadamente ao nível das finanças públicas e dos desequilíbrios macroeconómicos?

05
Jul13

Uma lição que a Europa não vai aprender

Pedro Figueiredo



O embaraçoso episódio diplomático que teve Evo Morales como protagonista, no seu regresso de Moscovo a La Paz, deveria constituir uma lição para a Europa, que infelizmente não se vai verificar. O presidente da Bolívia estava obrigado a fazer escala num país europeu, cujas permissões de aterragem foram-lhe sendo recusadas em catadupa.


Os argumentos apresentados pelos diversos Estados falavam de impossibilidades técnicas, com Portugal a não fugir à regra. A verdade é que a suspeita que o presidente da Bolívia podia levar Edward Snowden a bordo fez com que os Estados Unidos movessem as suas influências para que tal fosse verificado.


Para não ficarem com o ónus de uma revista a um avião presidencial, o que certamente violará as leis internacionais válidas para a imunidade diplomática, ainda para mais quando se tratava de um chefe de Estado, a batata quente acabou por cair em Viena, curiosamente onde as Nações Unidas têm um edifício majestoso e onde se assinou a convenção das nações unidas que codificou o direito internacional referente a tratados.


Mais curioso ainda é que a Europa estava a ceder ao pedido dos Estados Unidos precisamente ao mesmo tempo em que as denúncias de Snowden faziam os aliados norte-amercianos na Europa perceberem que estavam a ser escutados na sua própria casa pelo parceiro do outro lado do Atlântico.


A reacção que a quase totalidade dos chefe de Estado sul-americanos tiveram é que constitui a lição que a Europa devia aprender e não aprende. Kirchner, da Argentina, desabafou nessa mesma noite que tinha falado com Morales e que o presidente da Bolívia estava calmo e tranquilo. Numa sala do aeroporto de Viena, enquanto esperava que o seu avião fosse revistado.


Kirchner tinha falado com Correa, do Equador, e começaram logo por perguntar aos ministro da justiça e dos Negócios Estrangeiros, se aquele tipo de acções eram legais. Maduro não perdeu tempo e, com discurso chavista, tratou logo de falar em agressão imperialista. Laura Chinchilla, mais diplomática, disse que a Costa Rica sempre defendeu o direito internacional. Até as FARC(!) chamaram infâmia ao que se passou com Morales. Sem haver uma união com tratado, os chefes de Estado sul-americanos mostraram como se comportar quando realmente há união.


Tendo Portugal sido um dos países que negou a Morales aterrar em Lisboa, tenho a certeza absoluta que se o presidente boliviano soubesse o que vai aqui dentro, perdoaria no mesmo minuto a decisão ao nosso país.

30
Jun13

Sê bem-vinda

David Crisóstomo

 

"Croatia faces important challenges in terms of reviving growth, strengthening public finances and promoting competitiveness," the Commission wrote.

Estás em casa. Desculpa aí pelo Barroso, sim? A partir de amanhã já te habituas.

 

Dito isto, sê bem aparecida cara amiga. Na segunda-feira teremos aqui uma pequena, tímida cerimónia para celebrar a tua entrada no clube. Todavia, tudo indica que não lá estará nenhum representante do governo português. Nenhum evento ou voto especial de saudação se deverá realizar na parlamento cá do burgo. O mesmo que, em 2012, aprovou a tua adesão, ratificada na véspera do dia de Todos-os-Santos. Fomos discretos. E seremos ainda mais discretos amanhã. Mas não leves a mal a falta de sentido de estado daqueles que actualmente representam este nosso estado. Um estado onde, ao contrário de ti, nunca se referendou esta integração plurinacional. No ano passado, 66% dos teus aprovaram a europeísta ideia, num consenso que nos anima por revelar que ainda existe esperança neste pensamento em tempos tão pardacentos. Amanhã celebrarás esta nova fase da tua existência nacional. Amanhã, na celebração que se realizará na Praça Ban Jelačić, no centro de Zagreb, haverá uma bandeira estranha num edifico desse rossio. É sede da representação diplomática duma pátria velha. Nessa pátria velha há um desejo de felicidade para ti neste novo projecto, europeu por excelência. Esperemos que possas no futuro vê-lo com os olhos que nós outrora o vimos: um projecto de desenvolvimento, de solidariedade e de fraternidade entre nações. E és um bom exemplo disso. Tu que participaste na reconstrução da bósnia Stari Most [Ponte Velha] de Mostar destruída em 1993, vitima da guerra na tua vizinha Bósnia-Herzegovina. Reconstrução essa que foi talvez dos melhores exemplos do sentimento europeu, um "símbolo da reconciliação, da cooperação internacional e da coexistência de diferentes comunidades culturais, étnicas e religiosas" nas palavras da UNESCO. Na reabertura da ponte em 2004, o poeta Ivan Lovrenović declarou: “Enquanto voam as andorinhas que brincam com o vento sob os arcos da ponte, brindo dizendo: cá estamos nós”. Agarremos-nos a esse lirismo.

Sê bem-vinda.

 

 

02
Mai13

O New Deal europeu de Stuart Holland

Pedro Figueiredo

O mais recente texto de Stuart Holland editado no Jornal de Negócios (que aqui é publicado na íntegra), é algo que o professor visitante de Economia da Universidade de Coimbra já defende há dois anos.


Aliás, a proposta saiu em forma de documento, na altura assinado não só por Mário Soares e Jorge Sampaio, como por Michel Rocard, Giuliano Amato e Guy Verhofstadt. O fim do mito da inevitabilidade...


Um "New Deal" para a crise da Zona Euro 

 

por Stuart Holland


Sem surpresas, Wolfgang Schäuble recusou a sugestão de George Soros para a Alemanha abandonar a Zona Euro. Ainda assim, Soros está certo quando afirma que, apesar da Alemanha não querer os Eurobonds – uma palavra assustadora no país –, não há nada que impeça outros Estados-membros de os adoptar em conjunto.

 

 

 

12
Abr13

Manifesto por um Futuro Europeu

David Crisóstomo

 

O seguinte manifesto foi redigido e editado nas últimas duas semanas através dum método de democracia online algo surreal e inovador, com base numa série de ficheiros do GoogleDocs e num grupo no Facebook com cerca de 70 membros, com idades que variam entre os 18 e os 35, cujo único factor de união era o de terem participado num concurso promovido pelo eurodeputado Rui Tavares. Os 15 vencedores desse mesmo concurso apresentaram este manifesto na quarta-feira no Parlamento Europeu, em Bruxelas.

 

 

Manifesto por um Futuro Europeu

 

Nascida da ideia de cooperação, desenvolvimento e progresso, a Europa parece conformada no seu actual papel e sem futuro. A Europa esqueceu-se da comunidade dos europeus e parece caminhar de olhos fechados sobre um presente negro.
O projecto de uma União Europeia parece desvanecer-se perante as transformações globais, e a recuperação europeia encontra-se bloqueada por um processo burocrático que encobre o medo de não assumir compromissos com alcance histórico.
Esta Europa esqueceu a riqueza do seu passado, a vantagem do seu presente e o impulso democrático, ambiental e cívico do seu processo de construção, e apagou os benefícios de uma integração política e económica entre os seus estados-membros. Este é o momento para travar a soma de egoísmo e cepticismo que ameaça os países e os cidadãos europeus. É o tempo de recuperar as palavras de Shelley: “somos todos gregos”, e de Kennedy: “Ich bin ein Berliner.” Nascemos europeus. Nascemos em nações democráticas numa Europa sem fronteiras e queremos derrubar os muros entre os povos europeus.
Somos um grupo de jovens europeus de Portugal e mais do que identificar problemas, queremos ver a Europa levantar-se de novo e confiar nas mãos dos seus cidadãos, a responsabilidade histórica que lhes compete. Vimos comunicar que queremos e somos capazes de escolher o nosso futuro.

Identificámos três áreas em concreto nas quais focaremos os nossos esforços:

 

 

 

 

02
Abr13

Síndrome de Estocolmo

Pedro Figueiredo

Podia ser piada de 1 de Abril, mas não é.


A habilidade (não confundir com capacidade) de Christine Lagarde salvar a Europa é a mesma da Coreia do Norte destruir os Estados Unidos. Mesmo que ainda haja quem dê o benefício da dúvida à directora geral do FMI, se será ou não capaz de contribuir para a saída do pântano económico e financeiro em que está atolado o velho Continente, há países, nos quais se incluem Portugal, que têm desde já uma certeza: ajudar a destruir é capaz.

31
Mar13

Os mediterrânicos afinal são ricos (e sornas)!

Pedro Figueiredo

Na fase inicial dos empréstimos generosamente concedidos aos países mais endividados da União Europeia, e no auge do período “PIIGS must learn”, surgiu uma série de notícias que apontavam uma suposta diferença nas horas de trabalho entre os países do Norte e do Sul da Europa. No fundo, levava a crer que a malta do Club Med era sorna e pouco amiga de trabalhar.

As condições meteorológicas assim o demonstravam. Quem tem praia à porta de casa, não faz outra coisa na vida se não passar o tempo entre o surf e o bronze e a fazer corridas de motas de água. Todas de categoria F1, já que jetsky é para remediados.

Se foi com essa ideia (ou não) que os grandes obreiros do sucesso da actual Europa ficaram dos povos mediterrânicos, não sei. Na verdade, seria até interessante saber o que pensam os alemães dos seus companheiros europeus de caminhada e se acham que o projecto comum está a seguir na melhor direcção.

No entanto, surgiu um novo estudo, desta vez do próprio Bundesbank, que deve ter deixado o povo germânico a pensar que há contas que não devem estar a bater certo. Como é possível as famílias alemãs ainda serem mais pobres que as italianas e espanholas? O estudo, segundo o Spiegel Online, tem falhas e isso deve-se aos cálculos feitos que incluem o imobiliário. Apenas 44,2% dos alemães são donos das suas próprias casas, contra 82,7% dos espanhóis.

É a segunda vez que tentam plantar uma ideia na opinião pública alemã. O mais curioso é que o estudo sai três dias depois do ministro das finanças alemão ter acusado os críticos países europeus de inveja da Alemanha. Sim, senhor Schauble: os mais ricos têm sempre inveja dos mais pobres. São até os primeiros a dizer que o dinheiro não traz felicidade.

22
Mar13

Não queria ser chato, mas...

David Crisóstomo

... alguém, neste último ano e meio de governação, viu, leu ou ouviu algo do senhor Secretário de Estado dos Assuntos Europeus? Nestes tempos de celeuma europeia, onde se questiona o rumo e a própria existência do projecto europeu, é conhecida alguma opinião ou reflexão do Dr. Miguel Morais Leitão sobre a temática? Sei bem que esteve ocupado a exercer a arte de dar graxa bem receber as doutas criaturas do memorando (e estas agradecem a gentileza na página 5 do já muito gozado relatório) e foi a um dos debates sobre a refundação organizado por esse Clube dos Pensadores Potenciais que é a JSD. Mas, pronto, numa altura em que a Europa é o tópico mais relevante para o nosso futuro enquanto nação, eu esperava que o membro do governo português responsável pela pasta dissesse umas coisitas sobre a mesma, assim de tempos a tempos, se não for muito incómodo. Compreendo que não se possa questionar as decisões europeias, pois são providas dum iluminismo radiante e duma sabedoria desmedida, temos que obedecer, ceder, aceitar, dar a patinha, ser uns fofos. Mas não me conformo, gostava de escutar assim uns raciocínios, se fosse possível. Estou aqui a maçar, eu sei.

Enfim, se o senhor Secretário de Estado pudesse dar prova de vida (ou de actividade cerebral, também serve), a gerência agradecia. 

 

19
Mar13

Ideal pardacento

David Crisóstomo

 


Sendo membro da sociedade privilegiada tive acesso a um computador ainda em criança. Um daqueles pesados, antigos. E eram lentos a ligarem-se. Na secretária onde estava o aparelho pré-histórico havia um mapa da Europa, verde e azul, com grandes cidades e grandes países. Na ausência de algo mais colorido na sala, uma criança aborrecida olhava para a coisa cartógrafa enquanto a maquineta não se acendia. E via os rios, os nomes engraçados (qual era o latino que não se ria a pronunciar a capital da Islândia pela 1ª vez?), as fronteiras e os burgos que elas encerravam. E comecei a decorar aquele mapa. À medida que me iam explicando o significado, a história e cultura, a importância , mais aquele mapa ia adquirindo um valor magno e reverente. Na escola ensinavam-nos o processo europeu, as bandeiras, a moeda nova que íamos ter. Eram todas aquelas pátrias e o alegado espírito de união que as ligava. Era solidariedade, fraternidade, futurismo. Era a Europa. E, desde aí, sempre esse termo teve um significado positivo.


A Grécia tem mais de 55% de desemprego jovem. Os jovens espanhóis (sobre)vivem com uma taxa de 53,4%. Na Eslovénia e na Polónia quase 60% dos assalariados com menos de 25 anos trabalham com contratos a prazo. A percentagem de jovens que estão desempregados há mais de um ano ultrapassa os 51% na Irlanda e na Eslováquia. Em Portugal, num espaço de 10 anos, a taxa de desemprego entre os 15 e os 25 anos aumentou em 23%. Observar os dados do Eurostat ou da OCDE é uma experiência lancinante.
A minha geração, aquela que nasceu no final do século sangrento, ainda acredita na Europa. Dito isto, ela é a mais desiludida com o ideal europeu, que prometia desenvolvimento e humanismo, e revelou-se mesquinho e cinzento. E a geração posterior à minha já começa a notar isso. Começa a notar a contradição entre o mundo europeu, culto e aliciante nos manuais escolares, e o mundo europeu da realidade dos progenitores, que nada concretiza, tudo impede. Quando alguém sugere ou reflete sobre planos para resolver este marasmo psicológico e limitador das mentes, é de imediato ignorado e etiquetado de 'irresponsável', 'gastador', 'demagógico' - enfim, utópico. Consta que é utopia querer outra coisa nesta Europa. Consta que tem que ser assim, que não há alternativa, que há que esquecer a racionalidade nestes tempos onde jovens adultos abandonam as suas nacionalidades em busca dum outro futuro. Um futuro que aqui, na Europa da estagnação permanente, é obscuro e limitado, restringido ao curto prazo. É esta a mentalidade atual, o pensamento baseia-se nesta premissa. Porque no curto prazo ainda se pode especular sobre uma (pequena) realização, tudo é visível, a névoa é diminuta. Mas não há longo prazo, pois para tal existir seria necessário o cultivo da esperança. E essa vai-se esfumando.


Há que esquecer o desenvolvimento, ignorar a economia, a educação é cara, não dá, fica para próxima geração, sim?
A União desagrega-se ao mesmo tempo que despreza a sua população jovem. Esquecem que será ela que no futuro irá gerir os destinos e o passado do idoso continente. Não pensam, não gastam tempo com isso, estamos em tempos de poupança e os cérebros bruxelenses são os mais parcimoniosos.


O espírito nacionalista renasceu na Europa que pretendia impedi-lo. Como uma fénix amargurada, surge nos cafés dos subúrbios ou nas pequenas aldeias das raias, no mundo que já não acredita. Grupos xenófobos, racistas e tenebrosos, travestidos de agentes da democracia, propagandeiam causas e consequências do projeto europeu, soluções fáceis e bodes expiatórios E os jovens, os do curto prazo, precários e desesperados, acreditam, pensam pouco (quem tem fome, tem pensamento?) e acabam apoiando tais teses.


Se nada for feito o futuro será mais arcaico do que o passado. A Europa da Solidariedade está em perigo de se transfigurar na Europa do Ódio e do Ressentimento.

 

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

No twitter

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D