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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

21
Fev13

O nosso filme não devia ser este

Nuno Pires

As contradições de elementos do atual Governo são já frequentes, mas ontem de manhã as piruetas de Gaspar foram verdadeiramente acrobáticas. 

 

Num ápice, Vítor Gaspar duplicou a previsão de recessão económica constante do Orçamento do Estado para 2013, passou a encarar o investimento e o crédito como prioridades  e assumiu que o país necessitaria de mais tempo para cumprir as metas definidas com a Troika.

 

Tudo isto sem se rir, corar de vergonha ou esboçar qualquer outra reação particular, não apenas por estar a contrariar praticamente tudo o que tem vindo a defender desde que chegou ao Governo e nos começou a brindar com a sua peculiar capacidade para falhar metas, mas, essencialmente, por estar a negar os pressupostos que estão na base de um Orçamento do Estado que entrou em vigor há menos de 2 meses.

 

Fica a clara sensação de que Vítor Gaspar, face ao descalabro da execução orçamental que se adivinha, está totalmente desorientado e de cabeça perdida, o que, na situação que as famílias e as empresas estão a atravessar, é o pior que poderia acontecer.

 

Numa peça com menos de 2 minutos a RTP sintetizou parte das contradições de Passos e Gaspar. Ver este pequeno vídeo é um exercício que tem tanto de patético como de aterrador, por nos confrontar com a total falta de coerência de quem está à frente do executivo, na altura em que o país mais necessita de um rumo claro e bem definido.

 

A confirmar-se a tendência de Passos e Gaspar para se contradizerem, vamos mesmo viver um triste filme, em que o Governo continuará a tentar encontrar desculpas exógenas para a sua própria incompetência.

 

14
Fev13

De um Primeiro-Ministro que não está em linha

Nuno Pires

 

31 de maio de 2011:

 

Passos diz que governo tem criado um "exército de desempregados"
Referindo-se a um crescimento residual (especialmente se comparado com a evolução atual) da taxa de desemprego.

 

13 de fevereiro de 2013:

 

Desemprego está em linha com as previsões do Governo
Referindo-se ao maior aumento do desemprego de que há registo em Portugal, no qual se registam 120.000 mais desempregados do que as previsões do Governo.

 

(Imagem: recorte da capa do Público de hoje)

12
Jan13

A luz ao fundo do túnel é vermelha

Nuno Pires

Pedro Passos Coelho aludiu, há uns dias, a uma "luz ao fundo do túnel" que, segundo disse, espera que os portugueses consigam vislumbrar durante este ano.

 

Mas a verdade é que cada vez mais parece que a luz ao fundo do túnel é uma luz vermelha, avisadora de perigo, daquelas que nos obrigam a agir rapidamente para evitar um acidente grave.

 

Desta vez, foi o INE quem lançou mais umas luzes para o túnel em que Passos e Gaspar nos colocaram: em novembro, o índice de volume de negócios nos serviços registou uma variação homóloga nominal de -8,3% e o índice de produção na construção viu a sua quebra homóloga agravada para -19,3%.

 

Fonte: INE

 

Já estamos todos a começar a ver a luz, Pedro.

 

01
Jan13

3 desejos para 2013

Nuno Pires

1) Que finalmente este Governo perceba a tragédia que foi o frontloading de medidas de austeridade (bem como a catástrofe anunciada pela ideia de que o reforço da dose irá resolver o que quer que seja), tal como inúmeras personalidades e entidades têm vindo a repetir.

 

2) Que, de uma vez por todas, este Governo e a maioria que o sustenta ganhem um pingo de vergonha e nos livrem do conjunto de personagens sinistras que o preenchem e rodeiam (de que Miguel Relvas é, apenas, o mais visível dos exemplos).

 

3) Que todos, sem exceção, possam ser felizes, em todas as boas interpretações que o conceito de felicidade possa assumir. Aproveitemos 2013 da melhor maneira que nos for possível.

29
Dez12

As exportações, o turismo e os bodes expiatórios

Nuno Pires

Até há uns meses, as exportações e o turismo tinham em comum o facto de serem os dois principais fatores dinamizadores da nossa economia.

Agora, têm também em comum o facto de ambos registarem preocupantes trajetórias descendentes nas suas atividades.

 

Hoje, no Expresso, é noticiado que praticamente metade dos hotéis no Algarve estão encerrados este Inverno, algo que começa a verificar-se também no Alentejo e na região Centro, antecipando-se um cenário negro para 2013 - de acordo com Cristina Siza Vieira (presidente da direção executiva da AHP), "muitos hotéis já cortaram a gordura e estão no osso".

 

Se, no caso das exportações, a greve dos estivadores serviu bem, junto dos mais distraídos, o propósito de bode expiatório (registou-se uma quebra consistente nas novas encomendas à indústria nos meses que a anteciparam, mas presumo que isso seja irrelevante), julgo que, no caso do turismo, é capaz de ser mais complicado para o Governo encontrar uma qualquer desculpa esfarrapada para as suas próprias trapalhadas (talvez o corte abrupto no rendimento disponível das famílias seja também um pormenor sem qualquer importância).

 

Estou certo que a rapaziada da São Caetano há de arranjar qualquer coisa.

23
Dez12

Coisas importantes a não esquecer

Nuno Pires

Não se esqueçam que há que reduzir a proteção social no desemprego.

Não se esqueçam que temos que reduzir os escalões de IRS e pôr a classe média a pagar mais.

Não se esqueçam que é necessário reduzir o número de camas nos hospitais.

Não se esqueçam que os pensionistas, esses milionários, têm que contribuir com um obsceno "contributo extraordinário de solidariedade".

Não se esqueçam que andámos todos a viver acima das nossas possibilidades.

Não se esqueçam que é preciso cortar 4 mil milhões de euros ao Estado Social.

Agora, vejam esta reportagem:

 

 

20
Dez12

Um erro colossal

Nuno Pires

Tenho pena de não conseguir acompanhar a comissão parlamentar de inquérito às Parcerias Público-Privadas rodoviárias e ferroviárias com a devida atenção. No entanto, do pouco que tenho visto, têm existido alguns bons momentos de lucidez, que deitam por terra os desesperados e já gastos argumentos da atual maioria, numa derradeira (?) tentativa de culpabilizar o anterior governo por tudo o que de mal existe.

 

Depois de Ana Paula Vitorino (antiga Secretária de Estado dos Transportes) referir que a suspensão do TGV foi um “profundo retrocesso para nossa economia”, António Mendonça (antigo Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações) referiu o óbvio: “a desistência do projeto de alta velocidade terá sido um erro colossal”.

 

Não querendo fazer deste texto um exercício de defesa do TGV (que, pessoalmente, defendo, subscrevendo o que os acima citados disseram), gostaria apenas de sublinhar alguns aspetos que não sei se terão sido devidamente realçados na tentativa de contabilização dos prejuízos que resultaram da birra que as lideranças do PSD e do PP resolveram lançar em relação ao TGV.

 

 

11
Dez12

O orgulho

Nuno Pires

 

Eu imagino que seja um enorme orgulho e um grande alívio de consciência ser-se deputado de um dos partidos que apoia o governo, aprovar sem pestanejar (esqueçamos as inócuas declarações de voto) Orçamentos do Estado com malabarices como esta e, depois, conviver serenamente com notícias como esta (ou esta) que revelam que as famílias portuguesas já não estão a conseguir suportar serviços essenciais, como o fornecimento de eletricidade, gás ou água, como se não fosse nada comigo.

 

Eu teria vergonha. Eventualmente, demitir-me-ia na hora. Mas isso sou eu, que devo ter um problema qualquer.

 

(Imagem: recorte da capa do Jornal de Notícias de 10 de dezembro de 2012)

01
Dez12

"Este é um mandato que o Governo não tem"

Nuno Pires

Nuno Saraiva, Da legitimidade democrática e eleitoral:

Pedro Passos Coelho confessou, esta semana, em entrevista televisiva, que o fracasso das previsões macroeconómicas do Governo ficou a dever-se, entre outras coisas, a uma "surpresa orçamental". Assim uma espécie de "ovo Kinder" das contas públicas.
Longe vão os tempos em que o então candidato a primeiro-ministro afirmava: "Espero nunca dizer ao País, ingenuamente, que não conhecíamos a situação. Nós temos uma noção de como as coisas estão."
Trata-se, apenas, de mais uma demonstração de como o contrato de confiança estabelecido com os eleitores nas últimas legislativas foi quebrado. Em junho de 2011, Passos Coelho conquistou, através do voto, a legitimidade para governar.

29
Nov12

Mudar de política para resgatar a esperança

Nuno Pires

Uma governação que é contrária ao que foi prometido aos eleitores (em campanha, em programa eleitoral, em programa de Governo...) não é uma governação - é um embuste. E se este embuste originar o colapso da economia, com a angustiante escalada do desemprego, originando um evidente descontrolo das contas públicas, importa colocar um travão, antes que seja tarde demais.

 

Impelidos pela vontade de ajudar o país a acabar com este embuste e devolver esperança a Portugal, 78 cidadãos subscreveram uma carta aberta ao Primeiro-Ministro, apelando a uma urgente mudança de política ou, alternativamente, à demissão de Passos Coelho.

 

Reproduzo-a abaixo, subscrevendo-a integralmente.

 

"Exmo. Senhor Primeiro-Ministro,

Os signatários estão muito preocupados com as consequências da política seguida pelo Governo.

À data das últimas eleições legislativas já estava em vigor o Memorando de Entendimento com a Troika, de que foram também outorgantes os líderes dos dois Partidos que hoje fazem parte da Coligação governamental.

O País foi então inventariado à exaustão. Nenhum candidato à liderança do Governo podia invocar desconhecimento sobre a situação existente. O Programa eleitoral sufragado pelos Portugueses e o Programa de Governo aprovado na Assembleia da República, foram em muito excedidos com a política que se passou a aplicar. As consequências das medidas não anunciadas têm um impacto gravíssimo sobre os Portugueses e há uma contradição, nunca antes vista, entre o que foi prometido e o que está a ser levado à prática.

Os eleitores foram intencionalmente defraudados. Nenhuma circunstância conjuntural pode justificar o embuste.

Daí também a rejeição que de norte a sul do País existe contra o Governo. O caso não é para menos. Este clamor é fundamentado no interesse nacional e na necessidade imperiosa de se recriar a esperança no futuro. O Governo não hesita porém em afirmar, contra ventos e marés, que prosseguirá esta política - custe o que custar - e até recusa qualquer ideia da renegociação do Memorando.

Ao embuste, sustentado no cumprimento cego da austeridade que empobrece o País e é levado a efeito a qualquer preço, soma-se o desmantelamento de funções essenciais do Estado e a alienação imponderada de empresas estratégicas, os cortes impiedosos nas pensões e nas reformas dos que descontaram para a Segurança Social uma vida inteira, confiando no Estado, as reduções dos salários que não poupam sequer os mais baixos, o incentivo à emigração, o crescimento do desemprego com níveis incomportáveis e a postura de seguidismo e capitulação à lógica neoliberal dos mercados.

Perdeu-se toda e qualquer esperança.

No meio deste vendaval, as previsões que o Governo tem apresentado quanto ao PIB, ao emprego, ao consumo, ao investimento, ao défice, à dívida pública e ao mais que se sabe, têm sido, porque erróneas, reiteradamente revistas em baixa.

O Governo, num fanatismo cego que recusa a evidência, está a fazer caminhar o País para o abismo.

A recente aprovação de um Orçamento de Estado iníquo, injusto, socialmente condenável, que não será cumprido e que aprofundará em 2013 a recessão, é de uma enorme gravidade, para além de conter disposições de duvidosa constitucionalidade. O agravamento incomportável da situação social, económica, financeira e política, será uma realidade se não se puser termo à política seguida.

Perante estes factos, os signatários interpretam - e justamente - o crescente clamor que contra o Governo se ergue, como uma exigência, para que o Senhor Primeiro-Ministro altere, urgentemente, as opções políticas que vem seguindo, sob pena de, pelo interesse nacional, ser seu dever retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ao Senhor Presidente da República, poupando assim o País e os Portugueses ainda a mais graves e imprevisíveis consequências.

É indispensável mudar de política para que os Portugueses retomem confiança e esperança no futuro.

PS: da presente os signatários darão conhecimento ao Senhor Presidente da República.

Lisboa, 29 de Novembro de 2012"

 

A lista de subscritores está disponível aqui.

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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