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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

03
Out13

Olhe, desculpe lá

David Crisóstomo

 

Cavaco Silva disse hoje ter a ideia de que os parceiros dos portugueses preferem que, se o país "se comportar bem", o problema "seja resolvido no quadro do mecanismo europeu de estabilidade, porque os resgates têm sempre de ir aos parlamentos nacionais, discussões que não são fáceis".


Deixa ver se percebi: o Presidente da República Portuguesa diz que após falar com 'parceiros dos portugueses' (?) ficou com a ideia que para estes, bom bom, era uma nova intervenção externa não ter que passar pelos parlamentos, pelos representantes eleitos da população, pelo poder legislativo. Pela democracia, que é uma chata, complexa, trabalhosa, custosa, fastidiosa, afanosa e fatigante. Os "resgates" têm que ir aos parlamentos, os deputados discutem visões e opiniões, planos e estratégias, responsabilidades e alternativas e, no fim, (vejam só a maçante trabalheira) ainda se põem a votar. É um aborrecimento e uma complicação, dizem os nossos parceiros. Era melhor que dispensássemos isso, passássemos à frente, se está aprovado, está aprovado, ala que se faz tarde. Os parceiros têm pressa e não estão para perder tempo com mariquices democráticas. E o Presidente da República, outrora eleito para esse mesmo parlamento, ouviu-os. E, gostaria de supor eu, mandou-os bugiar após tal sugestão facilitadora. É que se não mandou, ele que nos desampare a loja, que aqui os portugueses, aqueles tipos a quem os parceiros querem facilitar a vida, mereciam ter alguém que defendesse o seu regime democrático perante parceiros tão bestiais como estes que nos calharam na rifa. Alguém que lhes explicasse que esse raciocínio do 'é melhor não ser discutido, causa muita confusão' já deu tubérculos por aqui. Que duraram quase 40 anos. E que estamos a ficar sem paciência para a ignorância. Era só isto, se não for muito incómodo.

 

22
Set13

Os portugueses sabem isso

David Crisóstomo

"Aqueles que pensavam que o CDS-PP e o PSD não seriam capazes de levar até ao fim este mandato de Governo, que é um mandato do interesse nacional, hoje sabem que não existe nenhuma maneira de estes dois partidos não cumprirem o seu mandato e não levarem o Governo até ao fim. Os portugueses sabem isso", afirmou Pedro Passos Coelho.


Faço parte duma geração que nasceu e confortavelmente cresceu sempre em democracia. Sempre usufruí da escola pública e do serviço nacional de saúde, sempre fui e me senti europeu, sempre olhei para a ausência de um Estado de Direito como algo para sempre ultrapassado. Sempre foi assim. E, talvez inocentemente, muitos de nós sempre assim pensámos. Que tudo isso era normal. O país e o seu regime politico tinham as suas falhas, mas estas, com o tempo, iam sendo corrigidas e colmatadas. Para sempre assim seria. Era o curso natural. 

 

Hoje li que o Primeiro-Ministro da República Portuguesa, o mesmo que já produziu inúmeras declarações dignas do mais básico populista, afirmou que era impossível que o seu governo caísse. Afirmou que não existiria nenhuma maneira de o seu governo, que classifica como sendo de 'interesse nacional', não cumprir o seu mandato, de não ir "até ao fim".  Li e espantei-me. Podemos achar que, dada a proveniência da alarvidade, tais palavras já não deviam surpreender ninguém, deviam ser encaradas como 'expectáveis'. Discordo. Ao contrário do que certas eruditas figuras têm vindo a declarar, os tempos que vivemos não são assim tão excepcionais. Não são tão excepcionais para que um Primeiro-Ministro eleito da República Portuguesa diga, do alto duma tribuna, que o seu governo é imparável e inabalável. Para que um Primeiro-Ministro eleito da República Portuguesa passe um atestado de impotência à Presidência da República e à Assembleia da República, declarando que estas não possuem a capacidade de demitir o seu governo. Para que um Primeiro-Ministro eleito da República Portuguesa faça proclamações totalitárias. Em democracia, um governo pode sempre ser demitido. Sempre. Passos Coelho acha que está acima disso, que por o seu governo ser de 'interesse nacional', o regime nacional pode ser atropelado. Eu conheço regimes nos quais não existe nenhuma maneira de um governo cair. Mas não são democracias. E assusta-me que o Primeiro-Ministro do meu país não saiba, aparentemente, como é que tais regimes foram criados e justificados. Ou pior, que saiba. 


13
Set13

Pelo fim das campanhas pró-voto...

Cláudio Carvalho

«Political correctness is tyranny with manners.»
Charlton Heston

 

Entranhou-se no âmago nacional que os elevados - note-se a natureza relativa do conceito - níveis de abstenção são motivados por uma marcada preguicite lusitana que está bem marcada no nosso código genético. [O conceito ainda mais relativo se torna, se atentarmos, por exemplo, à elevada abstenção técnica em Portugal, comparativamente às democracias ocidentais, mas esqueçamos este pormenor.]

Só assim, se pode compreender as inúmeras campanhas (e opiniões) que pululam em períodos que antecedem as eleições, particularmente nas autárquicas, legislativas e presidenciais. Estas campanhas, ao invés de procurarem promover a discussão plural em torno das causas que levam a elevados níveis de abstenção, apresentando possíveis soluções advindas dessas tais discussões, cingem-se em promover uma certa infantilização do eleitorado e em lançar um bafiento pretensiosismo, imputando-se maniqueistamente ao eleitor um qualquer dever moral de exercer o voto. O conceito não é original e já foi partilhado por Cavaco Silva da forma mais néscia possível. A título de exemplo: (i) "votar é um dever" e (ii) "quem não votar perde legitimidade para depois criticar as políticas do Governo". Em suma, uma espécie de campanha dos cidadãos impolutos contra os cidadãos sem escrúpulos, os sociopatas ou, na melhor das hipóteses, contra uns randianos da Ocidental Praia Lusitana.

O (in)sucesso [das campanhas] está à vista, mas ainda se continua a insistir na mesma (infrutífera e banal) receita, ao invés de se optar pela discussão - que tem que passar das portas de certas Universidades - sobre as causas concretas da insatisfação do eleitorado para com o sistema eleitoral e para com o sistema político-institucional nacional e europeu, sobre o papel dos órgãos de comunicação social enquanto "lubrificadores" da democracia e sobre a dissonância entre o Estado que se tem – se vai tendo?! - e o Estado que a maioria dos cidadãos eleitores pretende e como confrontar essas vontades da maioria com determinados constrangimentos externos, como cedências de soberania a outras instituições.

Daqui decorre a necessidade de lançar um apelo pelo fim das campanhas pró-voto. Tal não se justifica somente pela sua ineficácia histórica, pelo esporádico âmbito temporal, pelo maniqueísmo implícito da sua mensagem e pela sua tentativa de modelação social, mas sobretudo pelo seu caráter contraproducente.

19
Abr13

Uma carta, a pretexto dos parabéns ao PS

Rui Cerdeira Branco

 

Vote

 

Querido leitor,

 

Tenho 37 anos, sou filho de migrantes, nascido em Lisboa, criado entre o subúrbio sintrense e a raia de Espanha, lisboeta em permanência vai para 10 anos. A pretexto dos 40 anos do PS ocorreu-me discorrer sobre a minha memória da política que se confunde com o tempo de vida. E tu, caro leitor, onde estiveste nos últimos 40 anos?

 

25
Mar13

A Real Mesa Censória dos Comentadores

David Crisóstomo

 

Sócrates provocou tamanho ódio. Resmas de rancor e de cólera. É de facto impressionante. Como escreveu o Sérgio Sousa Pinto, "A política de Sócrates deve ter tido forte impacto negativo no sector da pedra lascada, atendendo à impressionante mobilização de trogloditas contra o homem."

 

Mas o que aqui me traz não é o ex-primeiro-ministro. Na sequência da patética guerra de petições e de todo o movimento de espanto e assombro houve certos comentadores que aproveitaram a maré para exprimir um novo manifesto libertador: fora com os políticos comentadores!

 

 

01
Mar13

Cravos na rua

David Crisóstomo

 

 

Estive na manifestação do 15 de Setembro. Fui desde a Praça José Fontana até à Praça de Espanha. Tirei a foto acima na rua que liga a José Fontana ao Saldanha. Estava apinhada de gente. Apanhei o cravo e guardei-o. Ainda o tenho, numa caixa algures, cheia de pó, para exibir a filhos e netos. Depois de ter salvo o cravo abandonado, uma senhora, creio eu ligada ao movimento organizador daquela massa humana, perguntou-me se eu não me importava de levar um passador de metal e uma colher de pau e ir manifestação fora fazendo barulho com o atrito de ambos. Também me perguntou se eu era 'activista'. Não sabia o que lhe responder. Sorri-lhe e disse-lhe que não o era mas que aceitava os utensílios culinários travestidos de utensílios democráticos. Fui batendo o passador e a colher ao ritmo das palavras d'ordem e músicas de protesto. Já na entrada da Avenida da República quando se começou a verificar a dimensão colossal do protesto, notei que tinha uns miúdos ao meu lado que me estavam a seguir fascinados com a sonoridade dos meus instrumentos de cozinha/contestação. Perguntei-lhes se queriam bater no passador protestador. Ficaram com um ar de felicidade pura. E foram andando ao meu lado, acompanhados pelos avós, fazendo barulho, alegres e despreocupados. Entrámos na Avenida de Berna e a manifestação já era histórica. Ao passarmos a Gulbenkian, os funcionários da fundação com a classificação inferior à da Fundação Social Democrata da Madeira, saíram para ver a manifestação passar. Alguns aplaudiram a nossa chegada à Praça de Espanha. Praça essa que estava inimaginável, com pessoas por todo o metro quadrado onde uma pessoa podia estar. Não sobrava espaço na rotunda do arco.

 

Estive na manifestação do 15 de Setembro. Infelizmente as razões para ir à manifestação do 2 de Março são as mesmas. Continuamos a ter um governo que não compreende o pais que governa, que acredita em mitos económicos à muito desmacarados, que assume uma ideologia radical de destruição do maior activo trazido pela democracia a Portugal: o aumento do nível de vida. Foi aumentado acima das nossas possibilidades dizem eles. Vivemos demasiado bem, agora há que cortar cega e desalmadamente, afirmam eles. Tem que ser. Não há alternativa. Quem clama por uma alternativa é irresponsável. Sendo que os mais irresponsáveis são aqueles que se manifestam, protestam, reclamam por uma vida melhor, pelos seus direitos, por justiça social. São irresponsáveis esses. Não representam a população, diz o senhor primeiro-ministro, conhecedor máximo da populaça. Ele conhece a rua. Ele defende a honra e a moralidade. 'Salvador da Pátria'. Os outros querem regabofe. 

 

Nasci depois do 25 de Abril. Não sei o que é Portugal sem Serviço Nacional de Saúde. É-me absolutamente estranha uma realidade nacional onde a escola pública não exista. É-me difícil imaginar uma Segurança Social que se dedique exclusivamente aos mais pobres dos pobres. Somente há ano meio percebi que a existência do Ministério da Cultura não era algo inquestionável numa sociedade moderna e esclarecida. 

  

Estarei na manifestação do 2 de Março. Porque não me revejo na sádica ausência de inteligência que reina nas mentes decisoras dos nossos destinos. Porque me recuso a aceitar o desespero a que nos querem condenar. Porque enquanto cidadão da República Portuguesa, da democracia portuguesa, é meu direito e dever ir gritar contra a cegueira, o logro e a intrujice de quem diz ser o nosso legitimo representante. Não o é.

Até sábado.

 

11
Jan13

Querida política, meu amor

Rui Cerdeira Branco
Política - Voto

A propósito de uma presidente da câmara perto do final do 3º mandato que hoje se soube ter, aos 48 anos de idade (e 26 de trabalho), pedido a reforma, fiquei a matutar num dos menos populares temas que me poderia ocorrer por estes dias...

O que fará um político honesto, que vê interrompida a sua (única) carreira numa idade em que é habitual ser extremamente complicado arranjar um novo emprego? Em particular, um político que não navegue pelas sedes nacionais onde, mesmo honesto, poderia antecipar com mais facilidade alguma colocação.

O tema não é original, foi-me alias aventado há vários meses por alguém que se sentia responsável por ter patrocinado há largos anos as carreiras políticas de inúmeros jovens quadros de um distrito do interior que, agora, não cobrando favores que não fizeram e sendo apanhados por esta conjuntura que a todos toca podem saltar do mais alto cargo do município para a inatividade. 

Quem está na política serve o país, não se serve do país. Assim deve ser. Pergunto-me, sem oposição ao que acabei de dizer, se os incentivos que existem para quem exerça funções de representação pública são os adequados para que floresçam na virtude do serviço público esses mesmo atores políticos que vamos elegendo.


03
Nov12

O tamanho de um rastilho

Pedro Figueiredo
Não se andará muito longe da verdade se se considerar Portugal um país à beira de uma manifestação pública com consequências bem mais gravosas do que aquelas a que se tem assistido. Os níveis de desemprego e os cortes nas prestações sociais anunciadas e já confirmadas (na generalidade) pelo Orçamento de Estado para 2013 - e outras situações que não vale a pena aqui elencar -, transformam a sociedade num autêntico barril de pólvora.
Pode até haver quem considere que o país aguenta (ai se aguenta!) mais austeridade, mas ao dizê-lo não sabe verdadeiramente que consequências isso trará na forma como pode, inclusive, imaginar o seu próprio dia a dia. Diz pela simples razão de que se é preciso, é preciso. Not so fast.
Como em qualquer barril de pólvora pronto a explodir, há sempre um rastilho. Mais ou menos curto. Ninguém sabe precisar o tamanho. Há índices de contabilização para a paciência e limite de austeridade de um país? O FMI também também tem um multiplicador para isso?

Quem garante que, por sugestão, os números de levantamentos de poupanças não aumentam ainda mais? Ou até uma corrida aos balcões para levantamentos em massa (último cenário, mais catastrófico)... Apesar dos depoimentos das pessoas apontarem para necessidades financeiras imediatas, parece (números não confirmados) que a grande maioria foi para reinvestir em produtos mais rendíveis. Mesmo assim, as razões podem bem ser as piores: receio e incerteza no futuro.
Nem é preciso recuar muito no tempo, salvaguardando as devidas diferenças de regime. Mubarak caiu com o espancamento até à morte de um jovem de Alexandria por um polícia num mercado. E não foi só o Egipto que mudou.
O estado a que chegou o país (manifestações e intolerância de variadíssimos sectores da economia às soluções apresentadas pelo governo), não promete um desfecho propriamente saudável à democracia. Seja para que lado cair "a razão". Ser flexível também é perceber o momento certo em que a corda não tem mais elasticidade e perceber que vai partir.
01
Nov12

A Democracia... essa coisa difícil de perceber...

sara marques

Constantemente me surpreendo com declarações de políticos, e não só, sobre o que "cabe" ou não no direitos dos cidadãos num sistema democrático e sobre o constitui um ataque a esse mesmo sistema. Muitos dizem que a democracia está em risco, mas as agressões que são cometidas contra a democracia, são, em meu entender, características do próprio sistema.

Senão vejamos:

Definição do dicionário:

Democracia: (nome feminino) Sistema político em que a autoridade emana do conjunto dos cidadãos, baseando-se nos princípios de igualdade e liberdade.

Democracia representativa: Situação político-administrativa em que o povo governa através de representantes seus, periodicamente eleitos


O que se tem dito...

D. José Policarpo sobre as manifestações... sim, de novo... (ouvir minuto 37)

Rui Rio sobre a liberdade de expressão

Aguiar-Branco sobre os comentadores políticos

Pedro Passos Coelho sobre o PCP


Em termos de citações, fico-me por Winston Churchill:

“A democracia é o pior regime, exceptuando todos os outros.”

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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