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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

07
Jun16

Assim é difícil - versão CGD

Diogo Moreira

A Caixa Geral de Depósitos precisa de uma injecção de capital de mais de 4 mil milhões de euros, que será feito através de dinheiro dos contribuintes.



Ao mesmo tempo, o Conselho de Administração da CGD vai aumentar de 14 para 19 elementos, e há planos para que o tecto salarial desses administradores pura e simplesmente desapareça.



Duas destas coisas não jogam com a outra. E assim se começa a destruir a credibilidade e a confiança.



Esperemos que sejam notícias falsas.

05
Jun16

Este não é o partido de Mário Soares. De certeza?

João Martins

"Não é a cultura do partido de Mário Soares". Foi esta uma das frases que marcou o dia de ontem no Congresso do PS. Uma das frases que foram utilizadas para criticar mais uma vez o acordo que o partido e António Costa conseguiram com os partidos à sua esquerda.

Contudo, a asserção não é recente. Foi já até bastante utilizada quando as negociações entre os partidos se iniciaram e enquanto decorriam, inclusivamente por figuras da direita portuguesa que, ironia das ironias, vieram em defesa daquela que achavam ser o propósito que Soares tinha para o seu partido. Ora, apesar da repetição ao longos destes meses, não quer dizer que o soundbyte se tenha tornado verdadeiro e, por isso, merece ter resposta.

Não tendo eu arcabouço, nem militância, nem antiguidade suficientes para dar lições de História seja a quem for, nem sobre o partido nem sobre o pensamento dos seus fundadores, gostaria apenas de recordar algumas ideias que talvez demonstrem, a meu ver, que os acordos à esquerda que resultaram na famosa Geringonça fazem parte da cultura que Mário Soares tem querido para o seu partido.

Recuemos então até 2009, altura em que o próprio aconselhou o PS a “ouvir mais os partidos de esquerda - o Bloco de Esquerda e a CDU […] para compreender como veem o futuro próximo, que é bem possível, se houvesse uma nova derrota do PS, ficasse bem mais negro do que está”. É verdade que Soares dizia que ainda “não era tempo” de “fazer acordos, antes ou pós-eleitorais”, mas já defendia que se fossem estabelecendo “os entendimentos possíveis”. Seria o "começo de qualquer coisa", como acabaria por dizer mais tarde.

Avancemos agora mais um pouco. Há muito tempo que venho pensando que é necessário que os partidos da esquerda se entendam, para triunfarem. Se não se entendem, nenhum triunfa. Cheguei a conclusão que podia tentar, com limitações, promover um ato público”, disse Mário Soares em 2013. Nesse ano, não promoveu um, mas sim duas conferências públicas nas quais juntou, na Aula Magna, independentes, militantes, simpatizantes e apoiantes dos vários partidos da esquerda portuguesa.

"Libertar Portugal da austeridade" e "Em defesa da Constituição, da Democracia e do Estado Social" foram os eventos por si promovidos. Foram mesmo essas as plataformas que serviram, como se confirmou mais tarde, para a criação da pluraridade dos consensos – e não a unanimidade do seguidismo que no anterior governo se defendia – que originaram o atual executivo, apoiado pela maioria parlamentar.

E sobre a direita, não terá o histórico fundador deixado alguma palavra num passado recente? A resposta poderá ser óbvia. Também em 2013, aquando da famosa crise irrevogável, Soares foi perentório quando defendeu que o PS não podia “fazer acordo nenhum” com a coligação que estava no governo – iniciativa apadrinhada por Cavaco Silva e que a direção do partido da altura demorou a recusar –, e que isso só fragilizaria o PS como partido de esquerda e criaria cisões.

Demonstrado acima pelas suas próprias palavras, a cultura do partido de Mário Soares está a respeitar a cultura que Mário Soares quer para o seu partido. Como bem respondeu o militante nº1 do PS quando lhe perguntaram se as feridas do PREC, à esquerda, já estavam saradas: "por mim, estão". Talvez todos devêssemos seguir-lhe o exemplo.

 

03
Jun16

A vida na lixeira: o dilema

CRG

But when television is bad, nothing is worse. I invite each of you to sit down in front of your own television set when your station goes on the air and stay there, for a day, without a book, without a magazine, without a newspaper, without a profit and loss sheet or a rating book to distract you. Keep your eyes glued to that set until the station signs off. I can assure you that what you will observe is a vast wasteland.

Newton N. Minow

 

Ao longo da sua história a SIC - a estação do "Big Show Sic", dos "Malucos do Riso", dos comentários do Marques Mendes, entre outros - sempre fez por transmitir uma imagem de qualidade: uma espécie de canal com pretensões gourmet que vende comida congelada. Nada contra. A Televisão é um negócio. Se a empresa considera que assim consegue ter audiências está livre de o fazer, assim como cada um é livre de desligar a televisão ou mudar de canal.

 

No entanto, os limites mínimos da dignidade foram ultrapassados nesta semana: num programa de tarot da SIC a apresentadora sugere a uma telespectadora que se apresenta como uma vítima de violência doméstica para ter paciência, para não discutir nem procurar conflitos, para nutrir o marido. Este é um programa que por si nunca deveria existir: vive do desespero alheio, da incerteza e da ansiedade para recolher milhares de euros em chamadas de valor acrescentado. Este episódio foi ainda mais grave, culpabilizou uma possível vítima de violência doméstica - vitimização terciária. Nem quero imaginar o nível de desespero que alguém sofre para se expor desta forma: telefonar para um programa de televisão em directo que é visto por milhares de pessoas para contar algo tão pessoal e grave. E em vez de obter ajuda, é recriminada. 

 

Perante isto a SIC, pelo menos para preservar a imagem que criou, devia cancelar de imediato este programa. Caso contrário, a ERC devia tomar medidas urgentes antes que a lixeira se torne ainda mais vasta.

Pág. 3/3

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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