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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

15
Jan16

Presidenciais

CRG

"It looked artificial, but it was full of real birds"

V S Naipaul - "A Bend in the River"

 

As presidenciais sofrem de um dilema insolúvel: como fazer campanha para um cargo que é essencialmente reactivo? Esta característica não lhe retira importância, como se verificou nos últimos anos com o mandato desastrado de Cavaco Silva, mas condena os candidatos a um exercício ingrato de se verem obrigados pela opinião pública a apresentar uma "visão para o país", que sabem que não tem qualquer possibilidade de  pôr em prática.

 

Alguns candidatos optam por ignorar as limitações do Presidente da República e apresentam promessas de medidas concretas sem explicar como iriam concretizá-las no presente quadro constitucional. 

 

Vive-se então uma campanha imaginária que se mantém apesar do uso reiterado da figura de árbitro como metáfora para o cargo. Ora, o árbitro (assim espero) não pode ter a priori qualquer plano de como deverá decorrer a partida, pese embora um mau árbitro possa desvirtuar a normalidade do jogo.

 

Nem a utilização de dilemas concretos resolve a questão das presidenciais: por um lado, a resposta de como teriam agido perante uma situação passada sofre sempre de viés de retrospectiva; por outro, perante uma situação hipotética os candidatos tendem a defender-se, alegando não querer fazer futurologia ou comprometer-se em demasia.

 

Assim, as presidenciais acabam por ser definidas pelas características pessoais dos candidatos: a sua gravitas (que lhe garanta o respeito não só dos cidadãos mas também dos seus interlocutores políticos), o poder da palavra (que lhe possa permitir enquanto Presidente da República marcar a agenda política através da utilização do púlpito presidencial) e o engenho político (que lhe confere a capacidade de usar em seu proveito as duas primeiras). 

 

Haverá algum candidato que reúna estas caracteristicas?

 

11
Jan16

David Bowie (1947-2016)

Sérgio Lavos

David Bowie, nos dois últimos álbuns, regressou às sonoridades da trilogia de Berlim (Low, Heroes e Lodger) - álbuns experimentais e ambientais temperados pela produção de Brian Eno. Uma intuição sobre a sua melhor fase e um regresso aos seus anos mais selvagens de boémia e de vitalidade criativa (as duas andam a par). Terá sentido que era ali que tinha sido mais vivo. O penúltimo, "The Next Day" é uma revisitação da sua vida e o último, "Blackstar", uma preparação para a morte e legado final. Há letras destes últimos dois álbuns que são lamentos de fantasma passeando pelas ruínas do que foi. Lembrei-me de Herberto Helder, ao perceber o modo como David Bowie se despediu do mundo, encenando a sua saída de palco, criando uma derradeira personagem, uma última máscara para usar. Esta, mais real do que todas as anteriores. Ou não. Todas as máscaras usadas são verdadeiras, sucessivas peles de que se foi despindo até nada restar. A não ser a música, claro. O suficiente?

08
Jan16

o problema Marcelo

João Gaspar

«Yeah, but no, but yeah, but no.» [Vicky Pollard]

 

 O recente debate entre Marcelo Rebelo de Sousa e Sampaio da Nóvoa, entre outras virtudes, terá tido o mérito de fazer cair dois mitos: Marcelo é uma espécie de Cavaco versão 2.0 e Marcelo é uma pessoa inteligente.


Marcelo não é um Cavaco que ri nem um Cavaco a cores. Percebe-se que para os adversários políticos essa colagem ao Presidente da República menos querido da democracia seja fundamental no discurso de campanha. E, claro, a relação de proximidade política, ideológica e, menos relevante, pessoal, existe e deve ser sempre tida em conta. Mas Marcelo não é nenhum Cavaco. Isso queria ele. Cavaco é um dos políticos mais habilidosos (na dupla acepção da palavra), mesquinhos e reaccionários da história recente de Portugal. Marcelo, por muito que comungue de posições retrógradas nomeadamente nos costumes, é só um pateta políticamente pouco acima de zero. Para passar de beato intriguista a sacana mesquinho ainda tem que comer muita vichysoise.

 

Cavaco passou décadas a fingir que não era político. Marcelo tenta agora fingir que não é mau político. Mas é este o grande problema: Marcelo é um político. Mas dos maus.


No debate com Sampaio da Nóvoa, Rebelo de Sousa cometeu um erro de principiante: desvalorizou o adversário. Tentou reduzir-lhe a sua dimensão política com dois argumentos principais:
1. Sampaio da Nóvoa não tem experiência política;
2. Sampaio da Nóvoa não tem participação cívica mediática.


Ora, mais do que saber se Sampaio da Nóvoa é atacável por este flanco ou não, esta é uma estratégia destinada à derrota. Se Marcelo não conseguir provar estes dois pontos, perde o debate. Se Marcelo conseguir provar estes dois pontos, eles tornam-se irrelevantes porque no debate de ideias e na discussão acesa, uma pessoa sem experiência política e sem intervenção mediática conseguiu entalar o auto e heteroproclamado distinto professor de Direito.
Ir a jogo com dois argumentos tão fracos e sem plano B (ainda tentou desesperadamente esbracejar, recorrendo ao populismo mais reles ao pôr em causa os custos da campanha de Sampaio da Nóvoa), independentemente do resultado, revelam a falta de preparação política e de inteligência. Não ter defesa possível para os constantes e óbvios ataques às suas contradições, revelam que Marcelo não esperava um confronto, que não vai para além da conversa simpática e perguntas mais ou menos cómodas de jornalistas. Ironicamente, foi Marcelo que se viu atraiçoado pela sua escassa e insuficiente dimensão política.

 

O problema não é Marcelo ter tido posições contraditórias ao longo dos anos.  O problema nem é sequer Marcelo ser capaz de defender tudo e o seu contrário com a mesma convicção. O problema é Marcelo ser capaz de defender tudo e o seu contrário com a mesma falta de convicção. Arriscamo-nos a ter como Presidente da República o professor Marcelo e o professor olecraM.

 

É fácil parecermos muito inteligentes se formos os únicos na sala. Marcelo foi construindo uma imagem de comentador perspicaz, abrilhantado por sorrisos e olhares cúmplices com os pivots, em homilia semanal, sem contraditório. Em debate com quem não se limita a sorrir e acenar simpaticamente e discute política sem rodeios, Marcelo perdeu ontem (e já antes tinha perdido com Marisa Matias) e perderá sempre. A mitomania tem um problema muito grande quando é confrontada com a realidade. E o mito Marcelo Rebelo de Sousa é um enorme castelo de areia. Não será fácil, porque o mar não está muito agitado, mas é fundamental que esta campanha presidencial crie uma vaga que o destrua. Se ficar de pé, o próximo Presidente da República é a Vicky Pollard.

06
Jan16

Tudo menos economia, de facto

David Crisóstomo

(uma oferta que nos chegou por e-mail)

 

Ricardo Cabral escreveu recentemente dois posts (1) (2) sobre o processo de resolução do Banif no Tudo Menos Economia, blogue do Público que partilha com Francisco Louçã e Bagão Félix. Não consigo esconder algum espanto por este tipo de exercícios em que, pondo completamente de lado a realidade em que o objeto analisado se insere, se investe imenso em cálculos – o que confere sempre a ilusão de credibilidade – para chegar a resultados próximos de teorias da conspiração.

O autor afirma, em ambos os posts, que “o Banif cumpria os rácios de capital mínimo legalmente exigíveis” quando foi intervencionado. Aparentemente,crê que existe algum interesse em aplicar medidas de resolução com enormes custos sociais, económicos e políticos a bancos que não necessitam destas. Conviria, no entanto, lembrar alguns detalhes da tal instituição financeira que respirava saúde. Por exemplo:

- existia um processo de averiguação da legalidade do auxílio estatal concedido ao Banif em janeiro de 2013;

- este processo de averiguação arrastou-se durante praticamente três anos, sem que o Banif conseguisse demonstrar que era, pós ajuda pública inicial, uma instituição bancária viável;

- a consequência imediata de o auxílio estatal ser considerado ilegal era a devolução da ajuda pública;

- estamos, portanto, a falar de um montante de 825 milhões de euros. Dado que o capital do Banif a 30 de setembro era de 675 milhões de euros… enfim, é fazer as contas sobre o Banif cumprir ou não cumprir os rácios de capital mínimo.

Ricardo Cabral toma ainda como hipótese razoável, para chegar à extraordinária conclusão que a operação do Banif terá sido vendida com um rácio de solvabilidade quase a chegar aos 40% e que tal apenas foi feito para beneficiar os malandros dos espanhóis, “que as contas do Banif estavam “limpinhas e direitinhas” como afirma o seu antigo presidente”. Poderá ser interessante considerar, no entanto, que Jorge Tomé está em excelente companhia neste tipo de afirmações. Creio, aliás, ser impossível de encontrar, por mais que nos esforcemos, um antigo presidente de um banco que tenha ido à falência ou tenha enfrentado sérias dificuldades e que não tenha dito exatamente o mesmo tipo de frase. De facto, Ricardo Salgado, Oliveira e Costa, João Rendeiro ou até mesmo Jardim Gonçalves continuam a ser pródigos na defesa das respetivas damas. Caramba, tanto banco que escusava de ter ido à falência, não é?

 

De facto, tomando como boas as premissas do post de Ricardo Cabral qualquer pessoa se vê forçada a concordar com este, até porque as contas das tabelas que apresenta são irrelevantes face às hipóteses assumidas. Afinal, qualquer aluno de economia aprende muito rapidamente que todos os resultados são alcançáveis num modelo, dependendo apenas das hipóteses que nos forem úteis para a história que queremos contar. Agora vou só ali partir do princípio que tenho asas e saltar da janela. Desejem-me sorte.

 

 

António Marques

 

 

06
Jan16

A grande fraude eleitoral de Passos

Nuno Oliveira

Paulo Núncio, Paulo Portas, Maria Luís Albuquerque e Passos Coelho enchiam a boca com o interesse nacional, com a preocupação com a economia nacional, com as empresas exportadoras.

 

A confirmar-se a notícia de hoje do Diário Económico, fica revelado todo o cinismo político dos irresponsáveis que nos (des)governaram de 2011 a 2015. Martelar as contas públicas de 2015 e martelar a devolução da sobretaxa para iludir o eleitorado colocou em causa a tesouraria de tantas e tantas empresas e deve ser merecedor da maior censura política. Coloca o interesse partidário mesquinho da direita à frente da execução orçamental de 2015 e da economia nacional.

 

Tivessem comunicação social e comentadores a exigência de que  tantas vezes se arrogam e estes (ir)responsáveis políticos não teriam o descaramento de voltar a pedir o voto dos portugueses.

 

Adenda: Recorde-se que ainda no passado dia 25 de novembro, Núncio esteve na COFMA. 

«(… )Questionado sobre o aumento das receitas de IRS e do IVA cobradas em agosto, Paulo Núncio disse que "o que mudou foi apenas a cobrança, porque os pagamentos de reembolsos em agosto de 2015 foram sensivelmente os mesmos que em agosto de 2014", reiterando que "a questão tem a ver com cobrança de impostos e não tem rigorosamente nada a ver com a questão dos reembolsos".(…)»

 

 

2015.01.06 Diário Económico - Fisco reteve mais

 

05
Jan16

Ano novo, vida nova

MCF

 

O meu artido no Diário Económico de hoje: 

 

A proposta de proibir que qualquer cidadão venha a perder a sua casa por dívidas fiscais é uma medida, a um tempo, e apenas como exemplo, socialmente justa e economicamente sensata.

Pela frente, temos eleições presidenciais e um interessante imbróglio para resolver. Aquele que parece ser um melhor Presidente, pelas suas qualidades pessoais, visão da política e do exercício da função presidencial, e tendo em conta o momento que o País atravessa - Sampaio da Nóvoa -, está a revelar -se um candidato menos convincente do que se esperaria.

Por outro lado, Marcelo Rebelo de Sousa é um candidato imbatível nessa função. Um político experiente, comentador há mais de dez anos na televisão, com um grau de notoriedade único e irrepetível, emana energia e dinamismo numa campanha em que aposta tudo em não se comprometer com nada. Por muito que, nas ruas, simpatizem com ele (e, pessoalmente, sou um deles) não acredito que seja o Presidente que o País precisa.

Veremos quem ganha: se o melhor candidato, se o melhor Presidente. As urnas decidirão. Em qualquer caso, o novo Presidente terá de começar por mostrar que sabe lidar com o quadro político que os portugueses desenharam. Essa não é uma escolha do novo Presidente, é um dado com que terá de contar.

O ano de 2016 promete, ao menos, uma oportunidade. A oportunidade de ter um ciclo político sem Cavaco Silva (foram muitos e longos anos), sem uma política austeritária que deixou um legado pesado ao País e sem – até agora – um discurso entre o miserabilista e o passa-culpas que pautou demasiadas vezes sucessivos Governos.

À economia será dado algum espaço para respirar e é preciso que ele seja aproveitado. Temos, é verdade, uma dívida pública maior do que nunca. Temos, é verdade, um défice que continua por controlar, pese embora o enorme aumento de impostos de Vitor Gaspar, que ainda estamos a pagar. Temos, ainda, um Estado menos capaz do que no passado de assegurar políticas sociais mínimas em áreas críticas como a Saúde, a Educação ou a Segurança Social.

Mas temos, por outro lado, a força de trabalho mais qualificada de sempre, mesmo descontando os que emigraram. Temos, também, uma dura aprendizagem feita a expensas próprias sobre a importância de exportar mais. Esse será, talvez, o único legado duradouro dos últimos anos e aquele que importa reter. Temos, por fim, uma Europa um tudo nada menos ortodoxa e intransigente porque, por um lado, a Alemanha está a braços com outras prioridades e porque, por outro, já percebeu que se mata a periferia do seu mercado interno, mais dia menos dia, isso lhe custará também qualquer coisa.

Não é um cenário inteiramente brilhante, decerto, mas é o menos mau desde, pelo menos, 2011. Mas se o País onde nasceu a actual crise mundial em 2008 conseguiu sair dela com relativo sucesso, não podemos exigir a nós próprios menos do que isso. Precisamos de recuperar salários, a par do aumento da produtividade dos factores de produção (e não só do trabalho, como tanto se gosta de insistir), e de voltar a crescer. Pouco, dirão, mas alguma coisa sempre é melhor que sucessivos trimestres de recessão como vivemos recentemente.

Os políticos parecem dispostos a fazer a sua parte. Resta aos empresários, gestores e trabalhadores fazer a sua. Este pode ser um bom ano. 

 

04
Jan16

Declaração preventiva

MCF

 

Escrevi um texto para o Diário Económico de amanhã. A dada altura falo de Presidenciais. Falo de Sampaio da Nóvoa como o melhor presidente, de Marcelo como o melhor candidato. Não, não me esqueci de Maria de Belém. Só me recuso a considerar que seja sequer uma hipótese. Era só isto e não vos maço mais. 

03
Jan16

O candidato das novas "conversas em família"

Sérgio Lavos

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A esquerda portuguesa parece ter relaxado desde que chegou ao poder. Mas tanto "tempo novo" e tanta "recuperação de rendimento" não podem fazer perder de vista o próximo combate: as presidenciais. Há quem julgue que o candidato da direita, Marcelo Rebelo de Sousa, até irá facilitar a governação. Pura ilusão, daquele tipo em que apenas ingénuos ou políticos inexperientes podem cair. Estas presidenciais são tão ou mais importantes do que as duas eleições anteriores, as que deram a vitória a Cavaco e à sua magistratura de ingerência e de facção. 

Os ingénuos dizem, então: Marcelo não é nenhum Cavaco. Podemos acrescentar: pois não, será pior. Pior porque é muito mais imprevisível do que Cavaco. Pior porque ainda tem um ego mais inflado do que Cavaco. E pior porque sabe guardar humores para a melhor ocasião e servir vinganças geladas. A popularidade alimentada pela TV é o combustível certo para uma magistratura de interferência e de confusão.

O homem que há mais de dez anos está ligado ao tubo de alimentação da máquina que "tanto pode vender sabonetes como presidentes" é o que mais próximo temos de um Silvio Berlusconi. É certo que o seu domínio emana de qualidades telegénicas e não empresariais, mas a verdade é que Marcelo teve as suas "conversas em família" com Judite durante tanto tempo que já ninguém se lembra das suas aventuras enquanto candidato à câmara municipal de Lisboa ou do seu breve romance com o irrevogável Portas. Marcelo lidera destacado as sondagens porque aos olhos do povo ele não é político, é o tio Marcelo da televisão. 

E todos os media vão atrás, seguem a onda lançada pela TVI. O espaço mediático que Marcelo ocupa corresponderá certamente a mais de cinquenta por cento do tempo total dedicado aos candidatos. As estações televisivas dirão que a predominância de Marcelo se deve ao seu élan e ao seu potencial em termos de audiências. Pode até ser, mas a verdade é que isso leva a uma distorção completa, uma ameaça à democracia e à igualdade de oportunidades que esta pressupõe. Marcelo Rebelo de Sousa parte com uma vantagem mediática de dez anos, e mesmo assim ocupa muito mais tempo do que qualquer um dos outros candidatos. A desfaçatez com que ele ufanamente anuncia uma "campanha frugal" é apenas o toque final no ramalhete composto em sua honra. Ele sabe muito bem que não precisa de gastar muito, o foco das TV's irá sempre segui-lo, como as mariposas seguem a luz que as mata. 

Ah, por falar em "conversas em família", o célebre programa que Marcello Caetano decidiu criar para limpar a imagem de um fascismo de décadas. Marcello Caetano, o padrinho de Marcelo Rebelo de Sousa, uma afiliação que misteriosamente não é mencionada nos panegíricos que diariamente a imprensa lhe dedica. Será que a parte do eleitorado comunista que pretende votar em Marcelo está a par deste pormenor biográfico? Não terá interesse, imagina-se. Como certamente a capa que o Públicou dedicou hoje ao tio Marcelo é desinteressada, até porque nos próximos dias todos os outros candidatos presidenciais irão também ser capa do diário. Eu acredito. 

É portanto necessário que a esquerda acorde e deite mãos à obra para enfrentar Marcelo. Não ajuda a dispersão de candidatos; ajuda ainda menos o aríete segurista para minar o poder de António Costa, Maria de Belém. Mas ainda assim é preciso concentrar o fogo no essencial: a derrota de Marcelo. Para depois ninguém dizer que Marcelo saiu muito pior do que a encomenda.

Pág. 3/3

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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