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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

04
Dez15

Alguns arquivamentos são como o caso dos submarinos. Não se percebe o porquê de serem arquivados.

Diogo Moreira
03
Dez15

Política pós-verdade

CRG

To most voters out in the vast middle, consensus across parties is a very strong indicator of acceptability. Conversely, if there is no support on the other side — if the proposal is controversial — there is something suspect about it.

David Roberts

 

O PSD, através do seu porta-voz, afirmou que o Governo não contará com o seu apoio político e Passos Coelho na entrevista à RTP disse que Costa devia apresentar a demissão caso ficasse dependente dos votos dos sociais-democratas. Acresce que a direita não perde uma ocasião de lançar acusações de ilegitimidade democrática, chegando mesmo a apelidar o governo de "socialista e comunista".

 

Esta radicalização da oposição parece supor uma estratégia concertada de transformar o Governo do PS em extremista, esvaziar o centro, e gerar tal controvérsia em torno das propostas do governo que estas passem a parecer irrazoáveis à opinião pública. Presumo que ao mesmo tempo a coligação de direita irá tentar apresentar projectos de lei que tenham apoio do PS e assim criar uma imagem de moderação, reclamando como seu um novo centro político.

 

Poderemos, então, estar a assistir ao nascimento - do qual o episódio do PEC 4 foi o primeiro sintoma - de uma nova realidade: a política pós-verdade. Um termo cunhado por David Roberts em que a política-politics (as tácticas partidárias, a narrativa construída pelos órgãos de informação e o conjunto de opinião pública) se encontra desconectada da politica-policy (no sentido de substância).

 

Será interessante perceber como vão reagir os eleitores a esta realidade? Será que  irão reagir com um maior afastamento, maior abstenção e aumento de radicalização? E não será essa o efeito pretendido desta estratégia? 

02
Dez15

Carta aberta aos meus amigos do PSD

João Gaspar

 

Carta aberta aos meus amigos do PSD

 

Queridos amigos e queridas amigas,

espero sinceramente que a presente missiva vos encontre de boa saúde e em grande forma. Temo, no entanto, que não seja esse o caso. Os sinais são alarmantes e têm aqui um amigo genuinamente preocupado convosco. Caso não tenham reparado, têm um grupo de loucos a dirigir o vosso partido. Não quero que leiam nestas palavras nenhuma forma de ingerência na vida interna da vossa agremiação política. Muito menos qualquer tipo de condescendência para com a vossa capacidade de gerir livre e sabiamente os vossos destinos políticos. Vocês conhecem-me e sabem que sou um idiota condescendente. Mas, neste caso, trata-se mesmo de preocupação genuína.


O grupo de loucos com sede de poder que tomou de assalto primeiro a liderança do vosso partido e depois o governo do país, viveu durante quatro anos embriagado pelo poder (executivo, legislativo, financeiro). Foi festa rija, à boleia de um grupo de bêbedos que julgou estar a viver o sonho húmido do Sá Carneiro. Uma maioria, um governo, um presidente. Uma bela merda. Um pesadelo. Enterraram a social-democracia que, sem razão aparente, resiste na sigla do vosso partido, à laia de fachada, qual neon luminoso à porta de um enclave tenebroso.

 

Agora que perdeu o governo do país, o PSD parece ter perdido a cabeça. E é esta a principal razão por que vos escrevo. Sem a bóia do poder governativo, o vosso partido parece nadar fora de pé, à deriva. Para não me alongar em demasia (sei que vocês são pessoas ocupadas), elenco apenas alguns dos principais sintomas.


(1) Depois de quatro anos a empobrecer o país, o vosso partido fez uma campanha baseada em mentiras e manipulações das estatísticas oficiais do Estado, dos quais o embuste da sobretaxa de IRS é só o mais visível.

(2) Uma vez perdido o apoio parlamentar maioritário, e percebendo que havia reais possibilidades de um governo de esquerda, a estratégia do PSD foi a seguinte:
a) o PS, cujo programa nos conduzirá à bancarrota, pode incluir medidas do seu programa no programa de governo desde que o PSD forme governo;
b) o PS, ao não querer viabilizar o nosso governo, conduzirá o país ao caos e à bancarrota;
c) pode ser que alguns deputados do PS votem pela viabilização de um governo do PSD;
d) um governo do PS com o apoio da maioria de deputados na Assembleia da República é um golpe de Estado, inconstitucional, ilegítimo. Este ponto é especialmente importante para o diagnóstico, uma vez que, quem bradou que um governo do PS era um golpe de Estado inconstitucional sabe - perfeitamente - que isso é mentira. E, se não sabe, ainda é mais grave.
e) cuidado, vêm aí os comunistas.

(3) Quando a estratégia exposta em (2) falhou, após a queda previsível do governo-iogurte, o PSD avisa, garante, promete, que não votará a favor de nenhuma medida do governo PS. Com a maior das leviandades, os loucos que dirigem o vosso partido garantem-nos que, enquanto deputados eleitos pelo povo, votarão, se necessário for, contra as próprias convicções. Só para «não dar a mão ao PS», estão dispostos a votar contra tudo aquilo em que, deduzo, vocês acreditam e lhes confiaram no voto.

(4) Após o debate do programa do XXI Governo Constitucional na Assembleia da República o PSD e o CDS farão votar uma moção de rejeição, mais inútil do que sauna no deserto. Não por ser uma moção derrotada à partida (há amiúde honra nos derrotados à partida), mas porque porá em evidência a fragilidade, quando não o ridículo, do discurso sobre a suposta ilegitimidade do governo. E, acima de tudo, porque é uma moção de se chumba a si própria. Mais do que os argumentos dos partidos da esquerda, a resposta à moção de rejeição será dada pelo resultado da própria votação. 123-107. Está explicada a (i)legitimidade do XXI Governo Constitucional.

 

(Ex)posto isto, e porque sei que vocês são melhores do que este grupo de loucos que dirige o vosso partido, porque conheço as vossas convicções e intenções, porque um partido verdadeiramente social democrata é essencial à vida política ao Portugal contemporâneo, porque este PSD dos últimos anos é uma deriva neoliberalóide que parece dar-se melhor com os mercados do que com o regular funcionamento das instituições democrática e porque uma boa oposição é fundamental para que um bom governo governe melhor e para que o sistema de democracia representativa seja devidamente valorizado, é com enorme estima e amizade, apesar das nossas inalienáveis diferenças políticas e ideológicas, que vos peço: façam qualquer coisa. Marquem um congresso, elejam uma nova direcção, telefonem ao Rui Rio, sei lá, façam qualquer coisa. Está um louco ao volante e não vos queria ver num acidente. Livrem-se dele enquanto é tempo. A última vez que vocês deixaram alguém deste calibre pegar no volante, a fingir não ter ideologia, sempre mais preocupado com a estatística e os mercados do que com a vida das pessoas, o carro era um Citröen, ia só fazer a rodagem à Figueira e ainda hoje estamos a sofrer com o sinistro. Vejam lá isso.

 

2 de Dezembro de 2015.

Sempre vosso,

João.

 

 

 

02
Dez15

declaração de desinteresses

João Gaspar
«those are my principles, and if you don't like them, well, i have others.»
groucho marx

 

joão. trinta e tal anos, por enquanto. a maioria deles desperdiçados. português por acaso. biólogo pouco praticante. ateu, republicano, feminista. não necessariamente por esta ordem. poeta frustrado em busca do verso perfeito. se alguma vez pequei nunca foi por defeito; terá sido sempre por feitio. adepto de tinto e das causas perdidas. membro do livre porque é preciso mudar o mundo. prometo escrever sempre que me apetecer e me lembrar da password. gosto de sopa de cação e de cavalas alimadas. tirando uma filha, nunca fiz nada de jeito.

 

 

Pág. 3/3

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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