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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

15
Mar15

O melhor António Costa que se tem visto

MCF

 

O Público noticia que António Costa apresentou ontem uma promessa eleitoral: O PS promete programa para a erradicação da pobreza infantil e juvenil. Isto merece quatro notas rápidas: 

 

1) A medida é proposta pelas razões certas. É impossível discordar com a frase: “a pobreza infantil e juvenil é a mais dramática de todas as pobrezas, porque nos promete para amanhã não uma sociedade mais justa e mais igualitária, mas a reprodução de uma nova geração de pobreza e um retrocesso duradouro no país"

 

2) Os dados suportam a prioridade dada a este grupo em particular. Até aos 17 anos o risco de pobreza é elevadíssimo (dados INE, todos)

grupo etario.jpg

3) Tem de se cruzar esta prioridade com os dados relativos à composição do agregado familiar. Os monoparentais, com uma taxa de risco de pobreza assustadora de 38,4% que, nas famílias que não são monoparentais só aparece nos casos de 3 ou mais crianças (dois grupos a observar com atenção)

monoparentais.jpg

 4) Se considerarmos os dados com a linha de pobreza ancorada em 2009 - que é a opção correcta, por razões que não vale a pena estar aqui a discutir - o aumento do risco de pobreza nos menores de idade é ainda mais assustador e cifra-se, em finais de 2013, nos 31,1% (o número que António Costa cita). 

ancorada.jpg

Em suma, e como balanço, uma medida oportuna, fundada num diagnóstico bem suportado, bem alinhada com a herança do melhor que o PS tem feito (a referência ao Complemento Solidário para Idosos é tudo menos casual) e que separa claramente as águas do ponto de vista ideológico.

 

A direita virá dizer que falta explicar como se paga o preço de o fazer, mas a verdadeira questão é: como nos podemos permitir não o fazer? Não podemos, é incomportável económica, politica e socialmente.

 

Dito isto, e porque nem tudo são rosas, no Programa Eleitoral, espera-se que surja a respectiva estimativa de custos (mas também de benefícios). Como deve ser. 

12
Mar15

Prova de vida

Nuno Pires

Paulo Spranger / Global Imagens

 

Há muito que não se ouvia nada do Secretário de Estado Pedro Lomba.
Depois da genial ideia dos briefings diários (que do que me recordo não duraram mais do que 2 ou 3 dias), Pedro Lomba mergulhou num certo esquecimento: ninguém sabe muito bem o que tem feito, por onde tem andado, qual o seu papel ou relevância neste nosso XIX Governo Constitucional.

Mas hoje pudemos, finalmente, respirar de alívio, ao constatar que Pedro Lomba está bem e que até lhe atribuíram a tarefa de apresentar um programa destinado a fazer regressar a Portugal aqueles que seguiram o bizarro conselho deste Governo de sair da sua zona de conforto, deixar para trás pátria, família e amigos, e partir para o estrangeiro. Trata-se do programa "Valorização do Empreendedorismo Emigrante" - "VEM", abreviadamente, presumindo-se que o recurso ao imperativo contribuirá para convencer o emigrante a voltar.

 

No entanto, quando questionado sobre os detalhes do VEM, como fez a TSF ao raiar do dia, Pedro Lomba começa a hesitar. A primeira pergunta, óbvia, é a dotação financeira desta iniciativa, ponto de partida para qualquer programa de apoio e que permite, de certo modo, perceber quanto é que isto irá custar. Lomba não sabe, Lomba não consegue sequer dar uma ideia do valor.

E o regulamento, qual é? Quais são as regras de acesso, quais são as condições de elegibilidade? Lomba não sabe, Lomba não tem ideia.

 

Não se percebendo bem, então, o que andou Pedro Lomba a fazer nos últimos tempos, conclui-se que este Governo (o da gente séria e das contas certas e outros disparates parecidos) prepara-se para lançar uma medida cujo custo é desconhecido. Sem orçamento, nem regulamento. É assim uma espécie de "logo se vê", mas estou certo que, alertado pelo jornalista da TSF, até à publicação do comunicado do Conselho de Ministros Pedro Lomba conseguirá atribuir ao VEM um valor e um enquadramento regulamentar quaisquer. E depois logo se vê.

 

Esta absoluta falta de rigor já não é, ao fim de 3 anos de Governo, novidade para ninguém. Mas o programa VEM acaba por corroborar uma outra coisa, que parece ter-se assumido como característica definidora do nosso XIX Governo: a total incapacidade para identificar a origem de um problema e encontrar a solução adequada.

É que, salvo um golpe de sorte, a um diagnóstico errado corresponderá sempre uma terapêutica inadequada. E as condições que levaram ao disparar da emigração de portugueses nos últimos anos não desapareceram, não se atenuaram, nem são minimamente beliscadas por esta nova e indefinida ideia que é o VEM. Isto é óbvio para todos, e é óbvio em particular para qualquer cidadão português que se tenha visto forçado a deixar tudo para trás e a procurar no exterior as oportunidades que o Governo se empenhou em lhe negar.

 

O fluxo de portugueses para o exterior continua a verificar-se a um ritmo assustador, ao contrário da ilusão que o nosso XIX Governo nos tenta vender. E relativamente às causas que estão na origem deste fluxo, à raiz do verdadeiro problema, o VEM não faz nada - à semelhança aliás do nosso XIX Governo.

Fica a prova de vida: Lomba está bem e... vai estando por lá.

 

(fotografia: Paulo Spranger / Global Imagens)

 

12
Mar15

Novas do milagre das exportações

MCF

O INE informa (leiam, leiam) que o milagre das exportações não só nunca existiu nos termos anunciados euforicamente por aí, como é hoje um mito em que só acredita quem fechar os olhos com muita força, por exemplo para não ver isto:

 

ci.jpg

 O resto do documento vale a pena ler, com especial atenção aos dados relativos a importações/exportações de combustiveis que, pelo peso e variação de preço (real e por via cambial) merecem alguma atenção.

12
Mar15

Inconscientes

CRG

"Não é um cidadão perfeito mas é o português mais bem preparado para ser primeiro-ministro nos próximos cinco anos."

Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD

 

Vamos deixar de lado a inverosimilhança que é um ex-deputado, ex-líder da JSD, licenciado em economia em 2001, não ter consciência de que todos os cidadãos têm de pagar segurança social, e que durante pelo menos cinco anos manteve essa ilusão.

 

Mas será aceitável que um líder do PSD, eleito em Março de 2010, e candidato a Primeiro-Ministro desconheça o regime contributivo do país, desconheça as dificuldades de mais de 140 mil portugueses que em 2011 trabalhavam a recibos verdes.

 

E é este o português mais bem preparado para ser Primeiro-Ministro? Pois.

11
Mar15

Suspenda, sem constrangimentos

David Crisóstomo

Volti-meia, isto é um tema que volta. Qual Prós e Contras genérico, volti-meia certos deputados de certos partidos acham que está na altura de se remexer no Estatuto dos Deputados à Assembleia da República, de forma a actualiza-lo, a inserir mais uns "requisitos exigentes", nas palavras dos deputados PCP, para responder à "exigência democrática", nas palavras dos deputados do Bloco de Esquerda. Desta vez tivemos direito a três projectos de lei, um de deputados do PS, outro de deputados do PCP e outros de deputados do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda. Há propostas interessantes e boas medidas em todos. Há também propostas e medidas que se calhar nunca deviam ter saído da mente do proponente. 

 

Debruço-me agora aqui sobre a ideia dos deputados do Bloco de Esquerda de retomar a "rotatividade dos parlamentares". Isto soa bem, não é? Quem é que não quer "rotatividade dos parlamentares"? Ninguém deseja ver as mesmas caras nos mesmos sítios por séries infindáveis de mandatos de 4 anos, ainda por cima quando o trabalho que produziram nessa imensidão temporal é deveras questionável (sim Miranda Calha, estou a olhar para ti). Todavia, ao lermos o emaranhado legal do projecto de lei do Bloco de Esquerda entendemos mais concretamente como se realiza, na prática, essa "rotatividade": o BE não deseja impor um limite de mandatos para os deputados à Assembleia da República, de modo a poder haver uma "rotatividade de lugares"; não senhor, o Bloco quer poder "rodar" os "seus deputados" (este uso de pronomes possessivos para mandatos eleitorais é giro) ao longo da própria legislatura, como aparentemente fazia até 2008, através duma faculdade que era permitida aos deputados e que desde então se tornou mais "exigente" - a suspensão de mandato.

A suspensão de mandato e a consequente "substituição temporária do deputado" é uma possibilidade que o Estatuto dos Deputados da Assembleia da República dá actualmente aos parlamentares daquela câmara caso:

  • o deputado seja alvo de um procedimento criminal e a Assembleia da República delibere a suspensão da sua função parlamentar (no caso do procedimento criminal ser por um crime doloso a que corresponda pena de prisão cujo limite máximo seja superior a três anos e em flagrante delito a suspensão de mandato é obrigatória, tal como está previsto na Constituição);
  • o deputado tome posse como membro do Governo, Representante da República nas Regiões Autónomas, membro de um Governo Regional (não se percebe bem porque motivo é dada esta possibilidade a um Representante da República quando ela é explicitamente vedada ao Presidente da República), embaixador externo à carreira diplomática (como Ferro Rodrigues na OCDE ou Manuel Maria Carrilho na UNESCO), governador ou vice-governador civil (bem, isto já não existe, mas enfim; ironicamente, em nenhum dos três projectos de lei se propõe suprimir esta alinha), funcionário do Estado ou de outra pessoa colectiva pública (o caso de Miguel Frasquilho, por exemplo, que suspendeu o mandato para ir para administrador da AICEP [ver adenda no fim do post]) ou caso seja nomeado para um alto cargo ou função internacional (se for impeditivo do exercício do mandato parlamentar), bem como funcionário de organização internacional ou de Estado estrangeiro (como Durão Barroso, entre 2004 e 2005, quando já era Presidente da Comissão Europeia [sim, ele renunciou ao cargo de primeiro-ministro mas nunca renunciou ao mandato de deputado]);
  • o deputado veja diferido o seu pedido de suspensão por "motivo relevante", que o presente estatuto delimita como podendo ser uma de três razões: doença grave que envolva impedimento do exercício das funções por período não inferior a 30 dias nem superior a 180; exercício da licença por maternidade ou paternidade; necessidade de garantir seguimento de um processo criminal de que o deputado tenha sido alvo;

Ora, é precisamente nesta última razão para a suspensão de mandato, no "motivo relevante", o artigo 5º do Estatuto dos Deputados, que o Bloco de Esquerda quer mexer, de modo a acrescentar-lhe três novas alinhas:

especificas.png

 

Dando de barato a nova alínea d), que se compreende dada a exclusividade de funções que os deputados do BE pretendem impor aos membros do parlamento nacional (um outro debate, para um outro post), não posso deixar de destacar as alíneas e) e f), principalmente a das "Razões importantes relacionadas com a vida e interesses do Deputado" - ou seja, o que o senhor deputado achar importante para a vida lá dele e para os interesses que ele lá tenha. O Bloco de Esquerda propõe assim que retrocedamos na exigência que damos aos nossos representantes eleitos para que lhes concedamos a possibilidade de, quando entenderem e por qualquer justificação (aquela alínea dá para tudo), poderem simplesmente baldarem-se durante uns tempos ao compromisso eleitoral que fizeram; poderem decidir abandonar as suas funções de deputado no parlamento da República Portuguesa temporariamente para irem fazer o que quiserem, sem nunca abandonar o posto parlamentar que detêm. Tudo porque aparentemente a direcção do Bloco acha que os lugares na Assembleia da República, que serão cada vez menos, devem estar disponíveis para o maior número possível de camaradas em lista, para que todos tenham a sua "oportunidade", como se o posto de deputado servisse exclusivamente como uma espécie de estrado, como um palco onde todos os candidatos do Bloco pudessem demonstrar a sua genialidade, viessem eles em 1º ou em 38º lugar na lista.

Eu fiquei perplexo com esta ideia, ainda por cima dada a excessiva permissividade que, a meu ver, já existe no actual regime da suspensão de mandato. Acho surreal que todos achemos normal haver esta figura do "deputado substituto", que entra quando um dos seus camaradas de lista decide assumir outras funções mas que não quer abdicar da segurança de poder confortavelmente voltar ao Palácio de São Bento. Causa-me particular impressão ver a quantidade de deputados que estão em regime "efectivo temporário", a maioria a "guardar o lugar" dos detentores que a eles não renunciaram quando assumiram funções no Governo (yup, o Hugo Soares é um desses, de momento a "ocupar" o lugar do actual Secretário de Estado do Desporto):

 

madeiiiira.png

E se muitos deputados "temporários" acabam por sê-lo a legislatura inteira, existem casos de outros que, subitamente, vêem-se obrigados a interromper todo o trabalho parlamentar que estariam a desenvolver para poder dar lugar aos "legítimos detentores" do lugar que ocupam, que decidiram voltar a ocupar os assentos na Assembleia da República. Exemplos mais recentes disso foram os deputados Isidro Araújo (PSD) e Vera Rodrigues (CDS-PP), que tiveram que abdicar dos seus postos como representantes populares para dar lugar, respectivamente, a Miguel Macedo e Cecília Meireles que, fartos do XIX Governo Constitucional, optaram por tomar posse dos lugares a que nunca tinham renunciado (a Vera Rodrigues retornou entretanto ao parlamento por via da ascensão do deputado João Almeida a Secretário de Estado da Administração Interna).

Se admito que possam haver situações onde um deputado não possa simplesmente continuar com o seu trabalho parlamentar devido a um impedimento temporário mas de longa duração (doença prolongada, licença de maternidade/paternidade e procedimento criminal), já tenho muita dificuldade em admitir que aceitemos que um deputado em funções deixe pendente indefinidamente a função para a qual foi eleito para assumir uma outra função pública mais do seu agrado - nada contra que o façam, mas sou particularmente intolerante aos que, em vez de renunciar, limitam-se a suspender o mandato, como quem trata a Assembleia da República como uma "rede de segurança" para um possível declínio futuro. Caraças, se até para a "doença prolongada" o estatuto impõe um limite de 180 dias para o mandato suspenso, como é possível admitir-se esta suspensão sem termo aparente?

Dito isto, ainda mais intolerante sou à figura do "deputado de substituição", qual representante eleito suplente, que entra e sai conforme as necessidades dos seus colegas de facto eleitos. Como resolver o problema dos motivos para suspensão de mandato que não o "vou ali tomar posse noutro sítio"? Não se resolve, deixa-se o lugar vago, tal como acontece quando o deputado falta, justificadamente ou não. Tal como acontece no Parlamento Europeu, onde não existe esta figura legislativa. 

É assim para mim lamentável ver o Bloco de Esquerda, que enche a boca com a "credibilização da vida democrática", vir propor um aumento do laxismo com que certos eleitos tratam a Assembleia da República, vir propor que os deputados tenham a possibilidade de se marimbarem na sua posição durante largos períodos sem nenhuma razão justificável, vir propor que haja parlamentares que possam deste modo destratar o mandato que lhes foi democraticamente confiado por "razões importantes relacionadas com a vida e interesses". Razões importantes é infelizmente o que começa a não faltar para explicar o decadente estado onde grande parte do Bloco de Esquerda se encontra.

 

Adenda: Ao contrário dos deputados do Bloco de Esquerda, o projeto de lei do PS propõe, através de um acréscimo nas incompatibilidades, uma restrição das possibilidades de "suspensão de mandato" - que impediria, por exemplo, Miguel Frasquilho de ser dirigente da AICEP sem renunciar ao seu mandato de deputado. Uma alteração insuficiente, a meu ver, mas é um começo:

adenda.png

 

10
Mar15

Spin a 500%

Nuno Pires

Núncio.jpg

 

Paulo Núncio foi empurrado... perdão, deu um passo em frente e veio, de forma um pouco trapalhona, tentar desmentir as manchetes de anteontem do DN e do JN, sobre os escandalosos aumentos em sede de IMI que poderão advir do fim da cláusula de salvaguarda, que vigorou durante 3 anos para atenuar o aumento deste imposto.

Inevitavelmente, correu-lhe mal. Essencialmente por dois motivos.

Primeiro, porque a sua argumentação para tentar negar a possibilidade de haver aumentos de 500% do IMI nunca a nega. Parece bizarro, mas é verdade: em nenhum momento Paulo Núncio demonstra que não pode haver aumentos de 500℅ - alternativamente, fala em valores médios, refere regimes de exceção, distrai-nos com o número de famílias isentas (e, neste caso, é particularmente bizarra a alusão a algumas das isenções, uma vez que uma das mais comuns - compra de 1.ª habitação - não tem absolutamente nada a ver com o valor apurado de IMI).
Em síntese, em nenhum momento se demonstra que a possibilidade de haver subidas de 500℅ não existe ou é, sequer, improvável - mas as piruetas à volta da questão são apreciáveis.

Mas Paulo Núncio não ficou satisfeito - estava lançado e achou que seria boa ideia tentar vender-nos também a ideia de que a culpa disto tudo é de quem se predispôs a tentar resolver o problema. Não faz qualquer sentido. E apesar de, de facto, a reavaliação de imóveis de que Paulo Núncio fala constar da 1.ª versão do Memorando de Entendimento (e, como não me canso de recordar, a única assinada por PS, PSD e PP e que vigorou pouco mais de 3 meses), isso é, como o próprio nome indica, a reavaliação de imóveis - não é, de forma inevitável, o aumento livre e brutal dos montantes de IMI sem qualquer tipo de regulação, potenciando situações extremas como as que foram noticiadas.

Já que falamos nisso, nada melhor do que recuperar o documento e vermos o que estava escrito no tal memorando. Transcrição exata da tradução oficial:
«6.4. O Governo modificará a tributação de bens imóveis com vista a nivelar os incentivos ao arrendamento com os de aquisição de habitação própria. [T4‐2011] Em particular, o Governo irá: i) limitar a dedução em matéria de imposto sobre o rendimento dos encargos com rendas e com juros dos empréstimos à habitação a partir de 1 de Janeiro de 2012, excepto para famílias de baixos rendimentos. Os encargos com as amortizações de capital relativas a empréstimos à habitação não serão dedutíveis a partir de 1 de Janeiro de 2012; ii) reequilibrar gradualmente os impostos sobre imóveis existentes, dando primazia aos recursos a obter através do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) em detrimento do Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT), tendo em conta os grupos mais vulneráveis. As isenções temporárias do IMI para habitação própria e permanente serão reduzidas consideravelmente e o custo fiscal inerente à propriedade de imóveis devolutos ou não arrendados será aumentado significativamente.»

Aumento de IMI? Sim. A troco de quê? Da redução do IMT. E, registe-se, salvaguardando os "grupos mais vulneráveis".

A propósito, alguém me pode dizer quanto é que o IMT desceu nos últimos anos, para compensar esta brutal subida do IMI? E qual é que é mesmo o regime de salvaguarda para os tais "grupos mais vulneráveis" que tenham uma modesta habitação numa cidade portuguesa?

Valeu pelo esforço, mas é sempre complicado distorcer a realidade.

 

(Fotografia: Nuno Ferreira Santos / Público)

 

10
Mar15

Apelos que registamos

David Crisóstomo

Do Esquerda.net: 

(os grupos parlamentares, nacionalidades/círculos eleitorais e partidos nacionais foi um acrescento meu, assim como os bolds):

 

Exmo. Sr. Donald Tusk

Presidente do Conselho Europeu

(CC. Sr. Jean-Claude Juncker, Presidente da Comissão Europeia)

A recente decisão da Comissão Europeia de colocar vários países da zona euro sob vigilância por graves desequilíbrios macroeconómicos, nomeadamente por défice excessivo e aumento das dívidas públicas e do desemprego, ao mesmo tempo que a Alemanha tem um elevado excedente comercial, é apenas mais um sinal das assimetrias do euro e da falência das políticas de austeridade.

Na União Europeia, a crise não tem fim à vista e novos riscos, como a deflação, ameaçam ainda mais as economias mais fragilizadas. Os níveis de desemprego estrutural, o desemprego jovem e o aumento da pobreza e exclusão social não podem ser ignorados.

As recentes negociações entre a União Europeia e o governo grego demonstraram contudo uma incapacidade da Comissão Europeia e do Conselho Europeu para debateram políticas para lá do quadro da austeridade, o que não só atenta contra a democracia como recusa retirar consequências do rumo destrutivo seguido até hoje.

Consideramos por isso ser urgente um debate europeu que ultrapasse as atuais políticas de austeridade, permitindo construir políticas baseadas no desenvolvimento económico, emprego e progresso social na União Europeia. Esse debate exige a convocação de uma Conferência Internacional para a Reestruturação das Dívidas Soberanas dos Países Periféricos da Zona Euro e para o Relançamento do Investimento na União Europeia.

Com os melhores cumprimentos,

 

Marina Albiol, MEP - GUE/NGL (Espanha -  Izquierda Unida)

Martina Anderson, MEP - GUE/NGL (Reino Unido [Irlanda do Norte] - Sinn Féin) 

Nessa Childers, MEP - S&D (Irlanda - Independente)

Dennis De Jong, MEP - GUE/NGL (Países Baixos - Socialistische Partij)

Stefan Eck, MEP - GUE/NGL (Alemanha - Independente)

Cornelia Ernst, MEP - GUE/NGL (Alemanha - Die Linke)

João Ferreira, MEP - GUE/NGL (Portugal - Partido Comunista Português)

Luke Flanagan, MEP GUE/NGL (Reino Unido [Midlands–North-West] - Independete) 

Eleonora Forenza, MEP GUE/NGL (Itália [Itália Meridional] - Partito della Rifondazione Comunista)

Pablo Iglesias, MEP - GUE/NGL (Espanha -  Podemos)

Josu Juaristi, MEP - GUE/NGL (Espanha - Euskal Herria Bildu)

Rina Ronja Kari, MEP - GUE/NGL (Dinamarca - Folkebevægelsen mod EU)

Katerina Konečná, MEP - GUE/NGL (República Checa - Komunistická strana Čech a Moravy)

Merja Kyllönen, MEP - GUE/NGL (Finlândia - Vänsterförbundet)

Patrick Le Hyaric, MEP - GUE/NGL (França [Île-de-France] - Front de gauche)

Marisa Matias, MEP - GUE/NGL (Portugal - Bloco de Esquerda)

Jean-Luc Mélenchon, MEP - GUE/NGL (França [Sud-Ouest] - Front de gauche)

Dimitrios Papadimoulis, MEP - GUE/NGL (Grécia - ΣΥΡΙΖΑ)

Liliana Rodrigues, MEP - S&D (Portugal - Partido Socialista)

Neoklis Sylikiotis, MEP - GUE/NGL (Chipre - Α.Κ.Ε.Λ.)

 

 

08
Mar15

Bom senso precisa-se

Nuno Pires

Cavaco Silva

 

“Um Presidente da República de bom senso deve deixar aos partidos as suas controvérsias político-partidárias que já cheiram a campanha eleitoral”, disse ontem Cavaco Silva, sobre os incumprimentos fiscais e contributivos do ainda Primeiro-Ministro, por este praticados e publicamente assumidos.

Considerar que a fuga de Pedro Passos Coelho ao pagamento de contribuições para a Segurança Social, regularizada apenas após o aviso de um jornal, é matéria que decorre de qualquer questão político-partidária, é um completo disparate, que nem o facto de ter sido proferido numa cervejeira desculpabiliza.

Mas isso é apenas parte da questão. É que quem disse isto foi o mesmo Cavaco Silva que em 2009, a escassas semanas de eleições legislativas, resolveu fazer uso do seu estatuto de Presidente da República para lançar uma das mais lamentáveis "controvérsias político-partidárias" (para usar as palavras de Cavaco) que a nossa democracia já conheceu: a inventona das escutas a Belém, por parte do Governo.

"Um Presidente da República de bom senso não deve entrar em lutas político-partidárias e o Presidente da República está acima dos partidos, das polémicas que eles desenvolvem", disse Cavaco, na mesma intervenção. E a conclusão óbvia destas declarações é que a noção de bom senso desapareceu, há muito, do cidadão que atualmente ocupa o cargo de Presidente da República.

Para além de se revelar, por vontade própria, impotente na tarefa de assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas, Cavaco Silva empenhou-se em envergonhar uma delas: a Presidência da República. Parecendo ter já perdido a dignidade, devem agora, os seus assessores e apoiantes, ajudá-lo a terminar o seu mandato sem que denigra, ainda mais, o importante cargo que ocupa.

 

 

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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