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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

04
Fev15

Incroyable

David Crisóstomo

Lembra-se daquela triste figura do José Rodrigues dos Santos na Grécia? Lembra-se desta série de "reportagens" em que um jornalista da televisão pública portuguesa foi para Atenas dizer umas cenas que ouviu por aí dizer? Lembra-se de como teve de ser o José Manuel Pureza a denunciar em directo o baixo nível daquelas peças noticiosas para muitos de nós reparem naquele triste espectáculo? Enfim, lembra-se disto?

 

 

Pois bem, a incredulidade com este estilo de jornalismo não ficou contida nas fronteiras cá da nação."Le journaliste vedette de la chaine publique RTP s'est lâché l'autre jour a l'antenne" foi a descrição do enviado em Lisboa da RTS, a Rádio e Televisão Suíça, a empresa pública de rádio e televisão da Confederação Helvética.

 

 

Traduzindo: "Vou fazer uma confissão: quando eu vi o directo dele no outro dia, não quis acreditar. Então, revi aquilo há pouco e fiquei "Sim, ele disse mesmo aquilo". Ele era o enviado especial em Atenas, mostrou imagens da casa do ex-ministro grego da Defesa preso por corrupção e depois acrescentou "mas na Grécia, há também a pequena corrupção, há muitos gregos que passam em frente à casa do ex-ministro e que se fazem passar por paralíticos. Eles pediram um certificado de invalidade somente para obterem um subsidio". E depois o jornalista concluiu: "De facto, fazem-me lembrar um pouco os pinguins, que têm medo de se atirarem à água com medo dos predadores." Os pinguins finalmente empurram um deles no mar e este salto no vazio representa, aos olhos do jornalista, a vitória do Syriza. De grosso modo, a Grécia é um pouco, aos olhos dele, o pinguim da Europa. Incrível."

 

Ou, nas palavras do director de informação da RTP, "um trabalho profissional e de qualidade".

 

04
Fev15

A Alegoria da Caverna

CRG

Segundo o El País, o PSD mostrou-se como o mais beligerante contra as intenções do Syriza de renegociar ou aliviar parte da dívida grega.

 

Tendo em conta que Portugal será um dos principais beneficiados se existir uma alteração nas políticas europeias, obtendo finalmente uma "margem de manobra para implementar políticas de crescimento e criação de emprego", por que razão existe esta agressividade por parte do PSD? Numa palavra: eleições.

 

A actuação do governo de forma a suavizar os efeitos eleitorais da sua escolha política que consistia em "ir além da troika" pautou-se pelo mantra "não há alternativa", pelo que o maior inimigo deste governo é a prova que existe uma outra via, que não existe nenhum motivo, a não ser falta de vontade política, para continuar a estar agrilhoado pela austeridade.

 

Esta estratégia, aliada à incapacidade da oposição, comprovou-se acertada: nas sondagens a maioria continua com possibilidade de alcançar uma vitória nas próximas eleições legislativas.

 

Deste modo, a eleição do actual governo grego tornou-se o principal obstáculo a uma reeleição de Passos Coelho e como consequência o discurso oficial inicialmente foi de desprezo (conto de crianças); e agora que parece que o sucesso pode ser possível defendem uma imaginária mudança fundamental no governo do Tsipras.

 

A culpa já não é do Sócrates, agora é de Platão. 

 

03
Fev15

Da lealdade partidária

David Crisóstomo

 

"Para o PS, o Estado de Bem-Estar, também chamado Estado Social ou Estado-Providência, representa uma conquista histórica das forças democráticas e um pilar indispensável da democracia e do desenvolvimento. A sua forma não é estática nem imune à crítica, antes carece de profunda reorganização, à luz dos novos desafios colocados pelas economias e sociedades do nosso tempo. Mas só é possível reorganizar o Estado de Bem-Estar se o defendermos e renovarmos, com determinação. As políticas para a promoção do trabalho, do emprego e do bem-estar, a protecção social, a redução de desigualdades e a justa repartição de rendimentos, constituem orientações essenciais para o Estado democrático, tal como o PS o concebe. Neste termos, o PS defende que as políticas e os serviços públicos são essenciais ao desenvolvimento e à promoção da coesão social, em diferentes áreas, com particular destaque na provisão de serviços básicos e nos sectores sociais, educativos e culturais. A acessibilidade e a qualidade dos serviços públicos constituem uma responsabilidade indeclinável do Estado."

 

Assim começa o 9º parágrafo da Declaração de Princípios do Partido Socialista. E aqui o cito com o propósito de relembrar a muitos aquilo a que o PS deve ser de facto leal. Deve ser leal a estes valores, a estas causas, a estas lutas e conquistas. Deve apoiar quem por elas batalha, seja em Portugal seja noutra parte do globo. Deve ser solidário com aqueles que, por via do combate político, foram derrotados nas urnas, no sufrágio eleitoral popular. 

 

Deve também assim distanciar-se daqueles que claramente demonstraram publicamente que abandonaram as causas que outrora defenderam. O PS não deve, assim, qualquer lealdade ao PASOK, que, coligado com um partido de direita, implementou e defendeu uma politica que arrastava e arrastaria o povo grego para anos de subserviência, de indignidade, de desespero, de destruição do tecido socioeconómico. O PASOK não perdeu eleições defendendo o reforço e a modernização do Estado Social, defendendo políticas que reduzissem as desigualdade de rendimentos, defendendo o reforço dos apoios sociais e do investimento público - o PASOK perdeu eleições defendendo o injusto programa de "ajustamento", defendendo a privatização e delapidação do sector público grego, defendendo o retrocesso nos programas de apoio social. O PASOK já não representava os ideais que o Partido Socialista português sempre defendeu no exercício do poder executivo e legislativo. E faz-me confusão como possam haver militantes do PS que achem o contrário ou que acreditem que a lealdade das famílias politicas é incondicional, onde as politicas aplicadas e defendidas são um factor acessório.

 

"A verdadeira e única lição que temos a retirar das eleições gregas é que o PS em Portugal não é nem será o PASOK, porque não estamos cá para servir as políticas que têm sido seguidas mas, pelo contrário, criar alternativa às políticas que têm sido seguidas" disse, e muito bem, António Costa. Na mesma linha das declarações do deputado João Galamba no final da reunião da Comissão Nacional do PS: a atual expressão eleitoral do PASOK é a consequência de "quem se alia a direita e pratica politicas de direita". Tão simples quanto isto.

 

Quem então melhor se aproximava dos ideias do Partido Socialista português nas últimas eleições gregas? Remeto-vos para o 13º parágrafo da Declaração de Princípios do PS:

 

"O PS acredita que é preciso ser-se radical na defesa da democracia, como sistema político fundado nos direitos humanos, na soberania popular, no primado da lei e na livre competição entre ideias e programas, e como sistema social que se baseia na iniciativa das pessoas e valoriza a diversidade e a diferença, o encontro e o respeito mútuo entre gentes e culturas, a expressão criativa e a participação e inovação social."

 

Tirem as vossas conclusões.

 

02
Fev15

Não somos gregos? Ai não que não somos

MCF

 

Este Governo, não sei porquê nem porque não, mas bem, deu em publicar, pelo segundo ano, o chamado orçamento cidadão (o de 2015 está aqui). Nele se ilustram os indicadores presentes nos longos e áridos mapas orçamentais de forma um bocadinho menos hermética, o que só se pode saudar.

 

E, o que já não se saúda, a forma como se explicam as coisas nem sempre é, como dizê-lo, isenta de spin governamental. Dito isto, lá pelo meio, num gráfico todo confuso, com colunas que respeitam umas a um ano, outras a quatro, outras a seis, e que são, portanto, incomparáveis, salta uma verdade.

 

Na segunda coluna a contar da esquerda. Vejam. A nova dívida entre 2010 e 2015 foi esmagadoramente para pagar o quê? Pensões? Ordenados? PPP's? Não, foi para juros. Para os credores. E sim, inclui o dinheiro da troika. Não somos gregos? Ai não que não somos:

variação divida.jpg

 

02
Fev15

Obras que entram pelos olhos dentro

Nuno Pires

Uma pessoa lê a notícia e fica confusa. E li-a duas vezes.

Então ao que parece estamos perante uma "via de acesso às zonas industriais de Famalicão, Trofa e Maia, onde estão instaladas empresas com forte vocação exportadora". Segundo escreve a Lusa, é "atravessada diariamente por cerca de 30 mil veículos, nomeadamente pesados, com constantes estrangulamentos".

E, ainda de acordo com a mesma notícia, a solução "económica mas eficiente" (??) passa por duplicar e requalificar a estrada nacional, fazer umas rotundas e uma ponte.

Os "30 mil veículos, nomeadamente pesados", que diariamente ali têm que passar para escoar produção industrial veem assim os seus problemas resolvidos. Meia dúzia de rotundas, uns alargamentos e ficamos todos muito felizes.

Felizmente, fomos abençoados com este génio que dá pelo nome de Pedro Passos Coelho e que nos brinda com estas suas soluções "económicas mas eficientes". Um visionário!

Eu confesso que não fui abençoado com o brilhantismo e a inteligência de Pedro Passos Coelho.

Confesso que não consigo perceber como é que uma via com um fluxo diário de 30 mil veículos, para escoamento de produção industrial, não deve ser convertida em autoestrada. Não percebo, lamento.

Pior: li a notícia duas vezes (como referi acima) e não consegui perceber como é que na altura em que os fundos comunitários "privilegiavam as infraestruturas rodoviárias" (foi Pedro quem o disse), a melhor solução (económica e eficiente, para recorrer ao jargão técnico de PPC) não era, precisamente, aquela que foi gizada: a da criação de uma variante com perfil de autoestrada.

Fiquei também sem perceber do que é que Passos Coelho falava quando referiu o "tanto dinheiro" que terá sido gasto nos tempos de "vacas gordas". Ele lá saberá, e eu acho que já temos aqui confusão a mais para tentar abordar apenas num post.

Apesar de não perceber o que raio anda Passos Coelho a dizer, acho que a minha memória está boa. É que eu ainda me lembro de outras soluções assim poupadinhas, em termos de infraestruturas rodoviárias. Para poupar uns trocos, em vez de uma autoestrada fazia-se um itinerário principal, frequentemente com traçados sinuosos para evitar a construção de túneis ou pontes.

Esta "poupança" de uns trocos materializou-se num enorme custo em vidas. E na inevitável decisão (que apenas pecou por tardia) de corrigir o erro e converter alguns dos nossos "IP" em "AE", investindo mais do que aquilo que se teria investido se a decisão inicial tivesse sido, desde logo, a mais... económica? ...eficiente?

Uma outra palavra descreve-o melhor: inteligente.

 

 

01
Fev15

Swap away

MCF

Em 2013, ao que foi então noticiado: "No total, da informação conhecida até ao momento, as empresas públicas pagaram 1.008 milhões de euros para anular 69 contratos com nove bancos com perdas potenciais de 1.500 milhões de euros. Sobram ainda 1.500 milhões de euros em perdas potenciais".

 

Ou seja, o Estado Português decidiu, no ano do brutal aumento de IRS, que ia pagar mil milhões por contratos cuja validade era, quanto a alguns, discutível. Maria Luís Albuquerque decidiu ainda ficar com 1.500 milhões em carteira, cujo valor tem estado a deteriorar, e já vai em 1830 milhões de euros.*

 

Hoje soube-se que o "Supremo anula contratos swap do Santander por “ofensa à ordem pública” naquela que é a segunda decisão nesse sentido, com estes fundamentos:

 

"No primeiro acórdão, o tribunal anulou um contrato do BBVA, fundamentando a decisão na “alteração relevante de circunstâncias” gerada pela crise financeira internacional e pela queda abrupta das taxas de juro.

Agora, nesta nova decisão, o Supremo sustenta a sentença da primeira instância, que tinha decidido pela nulidade dos contratos, por os considerar equiparáveis a “jogo e azar”, ou seja, de natureza especulativa. Acrescenta ainda o argumento de “ofensa importante à ordem pública”. Este princípio está salvaguardado no Código Cível, nos artigos 280º e 281º, que referem que “é nulo o negócio jurídico cujo objecto seja física ou legalmente impossível, contrário à lei ou indeterminável” e ainda que “é nulo o negócio contrário à ordem pública ou ofensivo dos bons costumes”."

 

Talvez, só talvez, esteja na altura de fazer três perguntas:

 

1) Porque foi decididido não litigar 1.500 milhões de swaps, que foram liquidados por 1.000 milhões?

2) O que tem sido feito face à deterioração da carteira adicional de 1.500 milhões, cuja validade também poderia ser questionada em Portugal, e cujo custo agravou já 330 milhões, ou seja, mais de 20% em dois anos?

3) O Estado tem uma estratégia para este dossier que não se limite a "isto envolve a Ministra de Estado e das Finanças e portanto, temos de a proteger custe isso o que custar?"

 

* Este valor corresponde, na sua maioria, a contratos com o Santander. E em vez de tentar fazer valer a lei portuguesa nos tribunais portugueses o Estado optou por aceitar o julgamento por jurisdição estrangeira. Essa opção, que o é, beneficia claramente as hipóteses de o Santander ver a sua posição acolhida.

Pág. 6/6

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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