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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

25
Fev15

Crucificação da UE numa cruz de euro

CRG

"There were the problems of how to maintain the continuity of sensible policies, as seen by the elites of the country - above all in economic affairs. Would not democracy inevitably inferfere with the operations of capitalism, and - as businessmen considered - for the worse? Would it not threaten free trade in Britain to which all parties were religiously attached? Would it not threaten sound finance and the gold standard, keystone of all respectable economic policy? This last threat seem urgent in the USA, as the mass mobilization of Populism in the 1890s, which directed its most passionate rhetorical thunderbolts against - to quote its great orator William Jennings Bryan - the crucifixion of mankind on a cross of gold?"

 

"The Age of Empire: 1875–1914" - Eric Hobsbawm

23
Fev15

A origem da tragédia

CRG

"Things bad begun make strong themselves by ill"

W. Shakespeare

 

No infame relatório interno de 2013, os técnicos do FMI admitiram que foram cometidos erros graves no programa de assistência à Grécia: "a recessão foi mais profunda com níveis de desemprego elevado; o programa não conduziu ao crescimento económico nem permitiu o acesso aos mercados como havia sido planeado".

 

É inegável que a austeridade não resulta. E só o desespero consegue explicar o recurso a Portugal como um exemplo de sucesso.  

 

Tal como o Bardo explicou tudo aquilo que começa defeituoso resiste e torna-se mais forte com maldade. Neste momento, razões de aproveitamento político e eleitorais, interesses económicos de curto prazo ou um exemplo claro da falácia de custos afundados* impedem as alterações necessárias das políticas europeias que permitam regressar a um projecto de paz e prosperidade comum.

 

No entanto, como um sou optimista ainda espero que sejam esquecidos os alegados apelos da Maria Luís Albuquerque, a Lady Macbeth da austeridade, para que o Eurogrupo seja ainda mais duro com o gregos e que o bom-senso prevaleça.

 

*fenómeno que se manifesta quando se verifica uma insistência numa decisão com base no investimento acumulado anterior, apesar de evidências sugerindo que esta decisão encontra-se errada, levando inclusivamente a uma "escalada de compromisso", sendo que um dos requisitos fundamentais para a ocorrência desta falácia é a responsabilidade pessoal, ou seja, incorrem nesta falácia os que se sentem responsáveis pelos investimentos errados. E, impede que estes voluntariamente procedam a qualquer mudança.

22
Fev15

Responsabilização Parlamentar (VIII)

David Crisóstomo

Foi votada e aprovada na sexta-feira a versão final, votada e emendada em sede de comissão parlamentar, da Proposta de Lei 246/XII, a chamada proposta de lei da Cópia Privada, que actualiza a "tabela de compensação equitativa" dos autores pela realização das cópias de obras para usufruto particular, propondo assim uma taxa entre 0,05 € e 20 €, a aplicar em equipamentos como tablets, mp3, discos rígidos externos, telemóveis e CDs. Esta proposta de lei, que já tinha sido apresentada em moldes semelhantes por deputados do PS em 2011 e depois retirada no ano seguinte, foi ainda objecto de uma petição com 5196 assinaturas com o propósito de impedir a aprovação da referida proposta de lei - a petição pode ser aqui lida e o respectivo relatório parlamentar pode aqui ser consultado (é de referir que existem perguntas dos representantes dos peticionários a que os deputados se comprometeram a responder por escrito e que ainda hoje aguardam resposta).

 

Antes da votação deste diploma, foi apresentado um requerimento oral pelo deputado Pedro Delgado Alves para adiamento da votação do texto final da proposta de lei, com a justificação de que esta não deveria ocorrer enquanto a petição que tem como propósito impedir a aprovação do diploma não fosse também votada. O requerimento foi chumbado pelos deputados das bancadas do PSD e do CDS-PP, tendo merecido a aprovação dos grupos parlamentares do BE, PCP, PEV e PS. O debate (interessante e revelador, a meu ver) em volta deste procedimento parlamentar contou com a participação dos deputados Pedro Delgado Alves, Catarina Martins, João Oliveira, Hugo Soares, Inês de Medeiros, José Luís Ferreira e Telmo Correia, assim como da própria presidente da Assembleia da República:   

  

 

Votaram a favor os seguintes deputados:

 

A maioria da bancada do Partido Socialista optou pela abstenção.Todavia, na rejeição do diploma juntaram-se aos parlamentares das bancadas do BE, PCP (com declaração de voto oral) e PEV, 13 deputados do PS e 2 deputados do CDS-PP, nomeadamente:

 

Faltaram à votação os seguintes deputados:

 

21
Fev15

A vitória (da) política grega

Frederico Francisco

Um dia após o pré-acordo atingido no Eurogrupo sobre a situação grega, já muitos dos habituais se apressaram a argumentar que o acordo que a Grécia conseguiu é uma cedência desta em toda linha e que ficou demonstrado que, independentemente dos governos, as regras europeias têm que ser cumpridas. Era, sem dúvida, interessante discutir a quase satisfação com que muitos no nosso espaço público fazem esta apologia da inutilidade das escolhas democráticas face às inevitabilidades ditadas por Bruxelas (ou Berlim), mas isso ficará para outra altura.

Neste momento interessa focar o que a Grécia já conseguiu de importante. A extinção da Troika, mesmo podendo ser apenas simbólica, representa a recuperação do papel de membro de pleno direito da Zona Euro. A partir de agora, as negociações fazem-se ao nível político de igual para igual. É verdade que as três instituições continuam a ter um papel, mas não haverá mais negociações de ministros com funcionários. Se for só por isto já valeu a pena.

Em simultâneo, o governo grego aumenta o seu nível de responsabilização pelo que se irá passar de seguida. Ao assumir publicamente a co-autoria das reformas que vão ser efectuadas, não terá mais a possibilidade de se desculpar com imposições da Troika (faz lembrar alguém?). Neste aspecto, é também uma vitória da política e uma vitória da democracia.

21
Fev15

Royal Rumble presidencial

João Martins

Por estes dias em que despontam potenciais candidaturas à presidência da República como cogumelos, semana sim semana sim, a tática que todos utilizam do Se me quiserem, eu avanço fez-me lembrar o Royal Rumble.

RoyalRumble é uma das variáveis da luta livre em que são escolhidos cerca de vinte atletas e que cada um deles entra no ringue de 60 a 60 segundos, havendo alturas em que o ringue estará bem cheio. Ora, o objetivo é enviar os adversários para fora do ringue, desclassificando-os, até ficarem dois, ganhando o que se sobrepuser ao outro. 

Teoricamente, os atletas que mais tarde chegarem ao ringue terão mais hipóteses de vencer porque já só se baterão com os que estão lá há mais tempo e cuja forma física já não será a melhor comparativamente com quem acaba de entrar, mais fresco. Apesar disso, alguns acharão que quanto mais cedo entrarem na luta mais depressa mostram as suas valências de luta e resistência, na esperança que o público lhes reconheça o esforço e lhes dê mais ímpeto para continuar.

Desde já as minhas desculpas pela analogia não ser a mais refinada mas, do que se tem visto, nenhum potencial candidato sabe qual é a melhor altura para avançar para o ringue, admitindo de uma vez por todas - coisa que parece tabu - que quer ser candidato.

A disponibilidade de avançar de cada potencial candidato parece estar dependente do avanço ou recuo de outro potencial candidato. E o potencial candidato que é comentador no dia X vê com bons olhos o avanço do potencial candidato que por acaso também é comentador no dia Y, e este último até acha que o outro vai dizer que avança nas próximas semanas. Entretanto outro potencial candidato dá uma entrevista ao jornal A para que não se esqueçam que ele está preparado para avançar, mas só se quiserem muito que ele o faça.

Desses potenciais todos, o que tem sido mais interessante de observar é Marcelo Rebelo de Sousa. O político que já leva 15 anos de campanha televisiva praticamente ininterrupta tem dificuldade em assumir que se quer candidatar ao cargo ao qual se faz há tanto tempo. Marcelo sabe que é popularíssimo entre as pessoas e que todos os domingos tem ali um público fiel que se poderia transpor para as urnas com alguma facilidade, mas não quer avançar já. Se avança já, o Z avança logo, e o Y na semana a seguir vai pelo mesmo caminho e depois a luta começa mais cedo do que é habitual e ele cansa-se sem necessidade. Principalmente se a sombra que não deixa de o atormentar nos últimos tempos resolve aparecer.

E se Guterres não avança agora e avança mais tarde? Pois é. É que Marcelo, apesar de se saber muito popular, também sabe que muito provavelmente perderá contra Guterres, e as sondagens aí estão para o comprovar. 

Guterres terá percebido que até 2016 esta luta pré-eleitoral se tornou no tal Royal Rumble, e talvez por isso não avance já, esperando que os múltiplos candidatos da direita se digladiem primeiro entre si e provoquem mais uma divisão nos partidos que atualmente suportam o governo e se firam mais entre si. Até lá, como fez até agora, não confirma nem nega que está a ponderar candidatar-se.

Sejamos francos: goste-se ou não de Guterres, seja por que razão for, muito provavelmente será o único candidato do centro-esquerda - e o único apoiado pelo PS - que conseguirá ganhar as eleições ao candidato da direita que, também muito provavelmente, será Marcelo. Eu percebo que dê jeito a algumas pessoas - de direita e de esquerda - dizer que o PS está com um problema com as presidenciais, e até concedo que por agora o partido não tem grandes perspetivas sobre quem apoiar, mas tudo parece indicar que isto possa ser estratégia - lá está - para chegar mais tarde a uma luta que se adivinha bem pejada.

Por alguma razão vemos sugestões como a de Pedro Adão e Silva para a lista de potenciais como foi o nome de Manuela Ferreira Leite. É verdade que a comentadora (são quase todos, é engraçado) está bem cotada como opositora ao atual governo, mas parece que estas sugestões servem acima de tudo para dividir ainda mais o eleitorado que votará num candidato mais à direita que o do PS. É que, no fim do dia, os que agora são ferozes opositores, continuarão a ser do PSD e do CDS e lutarão para ter o apoio do seu partido quando decidirem avançar.

Há que encher o ringue para ver quem vai ao tapete primeiro. Quanto mais populada a luta no ringue estiver agora, mais fácil será ganhar para quem chegar em último. E o combate ainda nem começou.

 

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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