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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

23
Jul14

Para Isilda, com amor (ou como é fácil ser desonesto)

mariana pessoa

Manchete do Washington Post: "Children of same-sex couples are happier and healthier than peers, research shows"

 

Título do artigo científico que serviu de base ao artigo no Washington Post: "Parent-reported measures of child health and wellbeing in same-sex parent families: a cross-sectional survey".

 

Veja-se a diferença de tom (shame on you, Washington Post).

 

Conclusão do artigo em causa: "Australian children with same-sex attracted parents score higher than population samples on a number of parent-reported measures of child health. Perceived stigma is negatively associated with mental health. Through improved awareness of stigma these findings play an important role in health policy, improving child health outcomes."

 

Ainda assim, era fácil ser desonesto e dizer que não só os filhos de casais do mesmo sexo não são prejudicados na sua educação por não serem educados por uma mãe e por um pai, como aparentemente têm vantagens.

 

Há que ter honestidade e perceber que, mesmo chegando à conclusão que as crianças com pais do mesmo sexo desta amostra apresentam valores mais elevados de comportamento geral, saúde e coesão familiar, há que ter em consideração que as mesmas são, neste estudo em particular, caracterizadas por um elevado nível de educação e de rendimento económico. Ora este pequeno senão pode levar a implicações interpretativas: o rendimento económico interfere, naturalmente, na saúde e igualmente no comportamento e na coesão familiar. Afinal o que está a criar o impacto?

 

No entanto, aposto singelo contra dobrado que, se um estudo destes desse umas parangonas jeitosas à team Isilda, o salssifré a que já não teríamos assistido...

 

21
Jul14

Verdades inconvenientes

mariana pessoa

Ensino superior português em 8.º lugar a nível mundial

A publicação do U21 Rankings of National Higher Education Systems 2014 qualifica Portugal como tendo o 24.º melhor sistema de ensino superior do mundo em termos absolutos e 8.º melhor quando considerado o grau de desenvolvimento económico de cada país.

 

Resta saber o que terá acontecido ao Ensino Superior, quando Crato e o seu estilo de "destruição criativa" (nas palavras de Sobrinho Simões) deixarem o seu gabinete no Ministério. O napalm polvilhado, em iguais proporções de ignorância, preconceito ideólogico e arrivismo, já deixaram um lastro destrutivo que, infelizmente, demorará mais do que uma década a recuperar.

21
Jul14

Você escolhe em quem vota

David Crisóstomo

 

07/06 - "Leio, indignado, as sondagens do Expresso e do jornal i que dão uma queda brutal ao PS. Este é o resultado da irresponsabilidade do António Costa. Os danos provocados ao PS devido à sua ambição pessoal! Um PS em queda, depois de termos ganho as eleições europeias e do Governo ter chumbado pela terceira vez no Tribunal Constitucional. Lamentável. O PS não merece isto!"

 

28/06 - "Uma coisa é viver no interior outra é olhar para ele a partir das alcatifas vermelhas de Lisboa."

 

06/07 - "Eu sempre assumi o passado do PS, mas não trouxe o passado de volta."

 

07/07 - "(...) precisamos de um Primeiro-Ministro que conheça o país real e não apenas através dos dossiers que chegam aos gabinetes."

 

07/07 - "Há que separar a política dos negócios. E isto não vale só para os outros partidos. Tem também de se aplicar ao PS. A política não pode ser uma porta giratória para o mundo dos negócios."

 

17/07 - "Não estamos aqui por minha responsabilidade. Mas a nossa responsabilidade é encontrar soluções para os problemas que os outros criam, seja no interior do Partido Socialista, seja pelo Governo. Estamos aqui, à altura dos acontecimentos."

 

19/07 - "Não estamos aqui por minha causa. Estamos aqui por Portugal. Precisamos de vós para combater aquilo que certas cortes de Lisboa acham melhor para o País."

 

19/07 - "Esta campanha tem a ver connosco e com o nosso projecto: derrotar a velha política e afirmar a nova política que defendemos."

 

19/07 - "Algo me diz que esta crise interna não é por termos ganho as eleições europeias, mas sim porque poderemos ganhar as legislativas e o poder tornou-se apetecível."

 

20/07 - "Nós não devíamos estar aqui. Nós devíamos estar concentrados a fazer apenas duas coisas: oposição a este governo e prepararmo-nos para governar o país. O PS não merecia isto."

 

ou

 

20/07 - "Eu não direi nada sobre o actual secretário-geral do PS que o diminua se ele no futuro vier a ganhar. Como tenho a esperança que ele tenha sentido de partido para perceber que não deve prosseguir a campanha de ataque pessoal que tem vindo a fazer. Estou aqui para afirmar uma alternativa ao Governo do PSD e CDS. E afirmar qual é a alternativa política que acho mais relevante, que melhor serve os interesses do país e melhor serve o futuro dos portugueses. Quanto à diferenciação entre os dois, confio suficientemente nos eleitores militantes do PS e simpatizantes do PS para destrinçarem as propostas, as pessoas, as opções."

 

 

19
Jul14

Sophia, oh Sophia

Sérgio Lavos

Como foi bonita a recente homenagem a um dos nossos maiores poetas, Sophia. Sophia, um nome só, entoado com a mesma sonora empáfia com que se diz Homero pela presidente da Assembleia da República. Como foi bonito, o corpo morto transportado em direcção ao teu segundo repouso eterno, um corpo guardado por cavalos, pompa e circunstância, cavaleiros de pluma na cabeça, elmos brandindo dourado ao sol. Como foi bonito, os discursos, eivados de poesia, metáforas e grandiloquência escorrendo das frases como mel sobre o doce âmbar da literatura. Como foi bonita, a presença no cortejo das figuras fátuas do regime, do primeiro-mininstro à reformada Assunção, todos muito compostos e sérios (é gente muito séria, esta, sabemos). O país, este país com novecentos anos de História e nove séculos de poesia, levou ao prometido Panteão a nossa maior poetisa, Sophia, apenas um nome, um apenas, a "justa homenagem" a uma figura que transcenderá gerações.

Como também é bonito o facto da poesia de Sophia não estar nos currículos escolares, a poesia tão emotivamente homenageada nos discursos e nas televisões. A poesia de Sophia, pompa e vazio, flor na lapela do casaco dos políticos que a decidiram retirar dos currículos escolares. Como Sophia, oh Sophia, iria gostar da honra, e da glória, em desfavor do desaparecimento, do desconhecimento da geração que se seguirá. A reformada Assunção e o Grande Líder Coelho serão certamente as pessoas certas para levar Sophia (oh Sophia) ao merecido panteão, o sepulcro onde apodrecem os poetas.

Como será bonito também vermos o ministro, Crato de seu nome, responsável por Sophia ter desaparecido dos currículos do Secundário, a homenagear Sophia, e a acabar agora com os dois únicos centros de investigação de Estudos Clássicos do país. Os dois únicos, o de Coimbra tendo como associados a maior helenista do país, Maria Helena da Rocha Pereira, e Frederico Lourenço, seu herdeiro e tradutor da Ilíada e da Odisseia. Sophia (oh, o teu nome é mar) adoraria saber que a sua amada Grécia, o seu amado Homero, são agora considerados obsoletos, redundantes, e indignos de receberem fundos do Estado português. A Antiguidade Clássica certamente não é rentável, já sabemos. Não interessa às empresas, como Coelho e Crato já disseram que deveria ser a investigação financiada pelo Estado. Que pode uma fábrica de enchidos fazer com uma Ode de Píndaro? Que uso uma empreendedora fabricante de um aplicador de Nutella poderá dar a uma tradução de Aristóteles? Nenhum, claro. No novo país que Coelho pacientemente está a construir, não há lugar para o passado, apenas para um radioso futuro.

Sophia, oh Sophia, tu, que do Panteão onde foste posta olhas o país que carregou o teu corpo morto até ao túmulo onde se celebra o vazio, que acharás do apagamento dos teus poemas, que acharás do esquecimento da tua amada Grécia? Sophia, na boca desta escória que agora domina Portugal, o teu nome apaga-se. O pior que te poderiam fazer, fizeram-no. E tudo continua.

18
Jul14

Os intelectuais de direita também têm direito a existir

Sérgio Lavos

Lembrei-me da recente polémica sobre o coming out de uma certa direita intelectual ao ver esta vídeo-instalação de Ana Vidigal, que ensaia uma espécie de resposta a esta crónica de Maria de Fátima Bonifácio.

Lembrei-me enquanto sujava a cara e a boca com a gordura de um belo leitão e sentia nos lábios o sabor de um tinto carrascão comprado na Bairrada em homenagem aos congressistas do CDS-PP que há uns meses se queixaram de ter sido roubados por um empresário mal-intencionado.

(Isto veio a revelar-se mentira, o que por um lado lamento e por outro confirma que do partido irrevogável é sempre de esperar a mais torpe das mentiras. No caso em questão, acusar alguém de roubo.)

Lembrei-me enquanto arrotava, assim evocando esse grande vulto da intelectualidade de direita, Henrique Raposo, que tanto sabe escrever sobre a mais recente flutuação dos mercados como sobre a flatulência das mulheres de seios grandes, discorrendo diariamente fazendo uso das ferramentas que Deus lhes deu, a saber: a alarvidade sem dó e a mais abjecta ignorância sobre todos os assuntos. Raposo é portanto um homem com todas as qualidades, como aliás confirma a resposta dada ao jornalista na tal reportagem sobre o coming out, quando questionado sobre as razões de ter espaço na imprensa que em tempos era considerada de referência: "se estou no Expresso, é porque sou bom." Não reparando, coitado, que a folha dele no jornal de referência assemelha-se um pouco a um acidente na estrada em que todos param para ver ou à presença do Telmo do Big Brother nos ecrãs da TVI24. Gera audiência, shares no Facebook etc. e tal. Mérito suficiente para ser considerado um intelectual de direita.

Ora, Maria de Fátima Bonifácio tem outra estaleca, outra pátina. Sem querer escarafunchar excessivamente em tal existência (não resisto muito tempo em apneia), sei que Fátima pertence a uma das mais ruins estirpes do nosso país: a dos burgueses que durante o PREC namoraram com a extrema-esquerda mas com o passar do tempo regressaram à sua zona de conforto, reajustando-se à crisálida que tinham abandonado durante os conturbados anos de juventude. São os calores juvenis, a alegre loucura revolucionária, os fervores maoístas, as febres mais tarde domadas pelo berço, que lá do fundo da infância não cessa de chamar à razão esta burguesia perdida na sua própria transigência revolucionária. De volta para o aconchego dos braços familiares, esta estirpe passa a sofrer de uma culpa interiorizada. O conservadorismo que abraçam tem uma raiva latente, dirigida exteriormente - em crónicas de jornal - à esquerda em geral, mas na realidade interiormente direccionada a eles próprios, como se fosse cuspo atirado contra o vento batendo com força nas fuças. Tal regurgitação de ódio anti-esquerdista (sempre aliado a um desprezo a tudo quanto soa a progresso e modernidade, seja na política, seja na estética) tem na realidade um reverso de auto-desprezo (self-loathing, como a língua inglesa melhor explica), e mascara a impotência, tão irremediavelmente humana, de não conseguirem mudar o seu passado. Esta raiva auto e heterodireccionada põe esta gente num patamar diferente dos conservadores que nunca viraram costas ao berço e preferiram exilar-se no Brasil ou na redacção do Independente durante os anos 80. Sabem que por se terem tresmalhado da via justa, dos saraus de poesia na Lapa e das orgias badalhocas na Quinta da Marinha, por terem durante breves momentos (e eles querem tanto que tivessem sido breves) flirtado com um destino revolucionário, nunca serão plenamente aceites de volta. E por isso redobram esforços no ódio e no fanatismo ideológico, chegando a surpreender os verdadeiros conservadores (de modo geral bastante tolerantes com as escolhas políticas dos outros).

Perdidos nas suas próprias contradições, presos a um passado que não deixa de estar lá, ao fundo da memória, que os envergonha profundamente, estes novos intelectuais inorgânicos passam por outro verdadeiro martírio: sabem que os líderes que defendem agora são de outra linhagem, de outra educação, gente da província portuguesa ou ultramarina. E por isso ainda estrebucham mais, e defendem com mais energia os gurus que a vida lhes trouxe, consolando-se na raiva e no ressentimento a que uma existência cravejada de frustrações obriga.

Devemos mimar desta gente, porque sofrem de um sofrimento sem fim. O charco de ódio em que medram serve-lhes de tudo ao mesmo tempo: prato, copo e latrina. Que andem muitos anos por aí, sempre em paz.

15
Jul14

Ricardo Salgado já foi preso?

Sérgio Lavos

Ando há uns dias a fazer esta pergunta no Twitter e, até agora, nada. Nada, no sentido em que ninguém me tem a dizer aquilo que quero ler: "sim, Ricardo Salgado já foi preso". E nada, porque sim, Ricardo Salgado ainda não foi preso. Nem se espera que o seja. Aliás, se há coisa que se tornou normal no país é a impunidade de que gozam os grandes crimes de colarinho branco. Até há relativamente pouco tempo, havia quem ainda se incomodasse com este tipo de crimes, e havia suspeitos, indiciados e presos. Mas como a experiência tentada com o gangue do BPN redundou em nada (nada, quer dizer, nada mesmo: Dias Loureiro, Oliveira e Costa, até o suspeito homicida Duarte Lima, todos continuam por aí, gozando os frutos dos nossos impostos, os que foram enterrados no buraco laranja), a polícia e os magistrados parecem ter desistido de investigar o que quer que seja.

Parece-me sensato. Investigar possíveis crimes da família Espírito Santo é inútil. Inútil e um gasto de dinheiro que o país, em tempo de crise, bem pode dispensar. Há muito por investigar, muito por julgar, tanto ladrão de supermercado ou pequeno empresário fugindo aos impostos à solta, à mão de semear. Investigar fraudes bancárias, off-shores, crimes que lesam o país em milhares de milhão de euros: uma chatice, redundante, estéril e vazia. 

Claro que há quem recorde o exemplo de outros países. Há quem se atreva a lembrar os cento e cinquenta anos de prisão a que foi condenado Bernard Madoff ou os outros banqueiros e especuladores norte-americanos presos, julgados e condenados. Minudências. Pormenores. Toda a gente sabe que os EUA são uma tenebrosa ditadura que persegue os empreendedores e castiga a livre iniciativa. Um país que queira realmente progredir, que queira premiar a inovação e a criatividade empresarial, não deve incomodar quem cria riqueza e empregos.

Ricardo Salgado, o homem que em tempos disse que os desempregados preferem receber subsídios a trabalhar, tem razão de muitas maneiras, todas novas e absolutamente brilhantes. E ainda bem que o país desistiu de o perseguir, e que o grande Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, (ao contrário do malandro do Constâncio) está a fazer tudo para que a família continue imune à infâmia que por aí é publicada nos jornais (como alguém já disse, não há qualquer problema no BES, é tudo uma questão de comunicação). 

No que me diz respeito, não me importo de pagar ainda mais impostos se me garantirem que grandes homens como Oliveira e Costa, Dias Loureiro, João Rendeiro, Jardim Gonçalves, não voltarão a ser incomodados. Com Salgado, esta nova via de progresso parece estar a ser seguida. Deve ser a isto que se refere o nosso primeiro-ministro quando fala do novo país que está a nascer. 

15
Jul14

Constitucionalismo vs Democracia

CRG

Nas minhas deambulações pelo Século XVIII/XIX descobri que "em geral a burguesia liberal de 1789 não era democrata, acreditava no constitucionalismo". Pese embora estes conceitos terem hodiernamente um sentido próximo, não se confundem, podendo mesmo ser antagónicos (por exemplo: Constituição de 1933).

 

Com efeito, esta defesa do constitucionalismo ainda se manifesta numa parte da actual direita portuguesa (porventura a mais ligada aos defensores da "ordem salazarista"), o que poderá parecer paradoxal quando se repetem declarações contra a CRP e as decisões do Tribunal Constitucional (vd o magnífico texto do David). 

 

No entanto, estas declarações partem do pressuposto que a CRP já não é a "lei fundamental" e como tal deve submeter-se aos ditames dos compromissos internacionais, como o Memorando da Troika ou Tratado Orçamental, que seriam assim supra-constitucionais. 

 

Neste contexto, a CRP, verdadeiro receptáculo da soberania popular, seria substituída por estes acordos, debatidos e aprovados longe da denominada "pressão democrática", e cujo corolário é a austeridade permanente - que num regime democrático não seria possível, torna-se exequível sob um constitucionalismo.

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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