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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

03
Jun14

Gravitas

CRG

A palavra não é um mero instrumento discursivo, uma ferramenta cujos respectivos sinónimos são equivalentes. Cada palavra transporta em si mesmo uma carga emocional, ideológica, histórica que transcendem o seu significado literal.

 

Van Morrison fazia questão de desconstruir: cantava em loop gloves loves loves gloves gloves loves gloves, triturava, mastigava como o Bexiguinha, as palavras até perderem todo o seu sentido, todo o seu poder, restando o som, a fonética, um simples mantra.

 

O mesmo acontece com personagens históricas. Em 2012, a Mercedes-Benz usou a imagem de "Che" Guevara para tentar vender carros de luxo. Por cá a Câmara Municipal de Santa Comba Dão procurou rentabilizar a marca "Salazar". E numa discussão é quase impossível não se encontrar comparações a Hitler.

 

O uso excessivo destes "símbolos" vai pouco a pouco erodindo a sua importância (porventura este terá sido o fundamento para a blasfémia), tornando-se simples caricatura, sem peso, sem gravitas.

 

02
Jun14

Medo

Sérgio Lavos

Estive fora o dia todo, fazendo pela vida, chego ao serão aqui às coisas sociais e é uma animação. Não só já começou uma campanha contra António Costa (mais uma afinidade entre Seguro e Passos Coelho) como a direita animadamente desanca o putativo candidato à liderança do PS (ou a primeiro-ministro, não sei bem), embarcando no mesmo tipo de manobras que levaram à queda de Sócrates. A minha passagem pelo Twitter valeu-me um block (e uma espécie de ameaça velada) do administrador da CGD nomeado pelo Governo (aquele que ameaçou emigrar por causa da carga fiscal) e uma admoestação da virgem José Manuel Fernandes (a propósito da palavra "escutas", imagine-se se eu tivesse escrito "inventona de Belém") que se indignava com um blogue de apoio ao ainda presidente da Câmara de Lisboa. Concluindo: a direita está mesmo transtornada com a mera possibilidade do PS vir a tornar-se verdadeira oposição ao Governo. Se no PS não vêem isto, não vêem que apenas com Costa a direita sentirá medo, enfim, que dizer? Que os socialistas façam bom proveito dos anos de pousio que se avizinham.

02
Jun14

Da defesa

David Crisóstomo

António José Seguro, na entrevista que deu à Judite ali na TVI, revelou-se manifestamente incomodado por as perguntas da jornalista serem sobre o Partido Socialista e não, entre outros tópicos, sobre "a defesa que o Partido Socialista fez junto do Tribunal Constitucional dos funcionários públicos e dos pensionistas".

 

Ora bem, como nem todos somos o Álvaro Beleza e temos uma cena chamada memória, recordo que dos 12 acórdãos com declarações de inconstitucionalidade emitidos pelo Tribunal Constitucional para diplomas aprovados pela maioria parlamentar PSD/CDS-PP, houve 3 em que a maioria da bancada parlamentar do PS, devido à imposição da disciplina de voto, nada fez para travar a sua aprovação no plenário da Assembleia da República: o primeiro diploma que criava o Tribunal Arbitral do Desporto, as alterações ao Código do Trabalho e o Orçamento de Estado para 2012. Recordemos mais pormenorizadamente como reagiu a direcção à possibilidade de deputados do PS virem a requerer a fiscalização sucessiva da constitucionalidade do Orçamento de Estado para 2012:


"Confrontado com a posição deste grupo de deputados socialistas, José Junqueiro, vice-presidente da bancada do PS, afirmou que "discorda" dessa iniciativa.

"Temos a dizer uma coisa clara [a esses deputados]: A nossa prioridade é a fiscalização política permanente deste Orçamento do Estado. Este Orçamento do Estado é do PSD e do CDS, da maioria de direita", começou por referir o dirigente da bancada socialista.

Segundo José Junqueiro, o "serviço do PS ao país é a fiscalização política permanente, porque essa é a chave da questão, a questão que é útil a todos os portugueses".

"Essa intenção [de recorrer à fiscalização da constitucionalidade do Orçamento] é uma intenção de que discordamos de forma muito clara, porque a prioridade do PS e da bancada do PS será a fiscalização política permanente deste Orçamento", reiterou o vice-presidente do Grupo Parlamentar socialista."


E para que não restem dúvidas:

 

"Carlos Zorrinho foi claro: “O PS demarca-se totalmente desta iniciativa”."

 

Já em 2012, a direcção da bancada parlamentar chegou mesmo a ameaçar com sanções Isabel Moreira, a deputada independente eleita pelo PS, pelos seus votos contra a proposta de Orçamento de Estado de 2012 e contra as propostas de alteração ao Código do Trabalho.


António José Seguro reagiu à última decisão dos juízes do Tribunal Constitucional afirmando que a mesma era "uma boa noticia para todos os democratas que respeitam uma Constituição da República Portuguesa e um Estado de Direito", que é “indesculpável que o país tenha um Governo que viola a lei fundamental do país" e que "o PS cumpriu o seu dever na defesa dos portugueses". Com certeza, concordo, muito bem. O que não invalida o seguinte: no final de 2011 e em princípios de 2012, a direcção do Partido Socialista estava aparentemente pronta a marimbar-se na defesa da Constituição da República Portuguesa. Felizmente, mudou radicalmente de atitude. Mas nunca explicou o discurso que teve outrora nem a razão da sua alteração, o que nos leva a concluir que caso não tivessem existido pressões por parte de deputados na Assembleia da República, o PS poderia hoje continuar indiferente às sucessivas ilegalidades aprovadas pela actual maioria parlamentar.

Prefiro pensar que não seria assim, que o que se passou nos primeiros meses do mandato do atual Secretário-Geral do PS foi uma falha ocasional e que os dirigentes teriam eventualmente chegado sozinhos à conclusão de que cabe, coube e sempre caberá ao Partido Socialista a defesa do nosso Estado Social e de Direito Democrático.

 

Todavia, e ainda no campo da memória, é de relembrar que houve quem fosse sempre coerente nesta defesa.

 

01
Jun14

Feito histórico no PS

Diogo Moreira
António José Seguro, Maria de Belém Roseira e seus apaniguados, conseguiram um feito verdadeiramente histórico no PS: transpor o funcionamento mais rasteiro, e as golpadas mais miseráveis, da Jota, para os orgãos nacionais do partido, para serem ridicularizados pelos possíveis eleitores do PS.

É obra.

Pág. 5/5

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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