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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

22
Abr14

Ana Catarina Mendes e Adolfo Mesquita Nunes

David Crisóstomo

 

(num momento de consenso abrilino, fui ali ao O Insurgente roubar esta entrevista que já tinha lido em Fevereiro passado no Jornal de Negócios. E recomenda-se, pois claro)

 

São a geração de 70, nascida aquando da democracia. Não se envergonham de ser políticos porque tudo é política, como dizia Bertold Brecht. Isto num tempo em que ser político parece uma nódoa, e se vive a descrença nos agentes políticos e nas instituições. Como se chegou aqui? Quais foram os passos, quem foram os protagonistas?
O verso do dramaturgo alemão é trazido por Adolfo Mesquita Nunes, Ana Catarina Mendes concorda. Ele é secretário de Estado do Turismo, ela é deputada do PS. Não acham que os seus pais, a geração dos seus pais, tenha feito tudo fazendo a democracia. Abrindo a sua história, entram também na História do país, e do que é ser de esquerda e de direita nos 40 anos do 25 de Abril.

 

19
Abr14

Neste aniversário, o PS aceita com orgulho os parabéns endereçados por Moreira da Silva

Nuno Oliveira

Moreira da Silva dedicou o dia de ontem à mobilidade eléctrica. Teve a honestidade-simpatia de falar no crescimento do cluster da mobilidade eléctrica que a ignorância da jornalista ou editores do Público transformaram em "criação".


E ao lermos a declaração de Moreira da Silva podemos lá encontrar implicitamente os maiores elogios que um partido pode desejar. Porque na capacidade que Moreira da Silva identifica de «“recursos, talentos e infra-estruturas” para se constituir “como fornecedor e exportador de tecnologia” na mobilidade eléctrica» está o elogio das políticas públicas dos governos anteriores do PS que o permitiram.


E que melhor elogio pode um partido político ambicionar que um seu adversário afirmar a capacidade económica que as suas políticas públicas potenciaram? Uma capacidade económica assente num sector de pendor tecnológico e que tem como alvo um dos maiores problemas (sobretudo) dos países mais desenvolvidos: a sustentabilidade ambiental.


Outro elogio de Moreira da Silva podemos ainda encontrar na forma como reconhece a importância das políticas públicas que impulsionem uma procura que dinamizaria uma indústria nacional com potencialidade exportadora de elevado valor acrescentado e incorporação nacional e que se complementava com a promoção de energias renováveis para uma sociedade ambientalmente sustentável. 


Falta a  Moreira da Silva complementar o elogio com uma acção política que dê seguimento às políticas iniciadas nos anteriores Governo. Veja-se também a confissão do erro na remoção dos incentivos fiscais à compra de carro eléctrico. O ministro fala em reforma verde na fiscalidade mas nós vemos que é apenas mais um acesso de timidez do ministro. Neste caso concreto tratar-se-ia de uma reposição dos incentivos presentes até primeiro orçamento do Governo de Passos. Mais vale tarde do que nunca.

17
Abr14

Nuno Melo não sabe, não leu. Nuno Melo não estudou Schopenhauer

Nuno Oliveira

É uma evidência. Caso contrário saberia que na sátira/manual "a arte de ter sempre razão" de Arthur Schopenhauer o estratagema com que Nuno Melo iniciou o debate, sobre o BPN na TVI no passado dia 3, é considerado o último. Uma espécie de último reduto. Mas Nuno Melo começou pela desqualificação, pelo insulto pessoal dirigidos ao seu interlocutor. 

 

Como explica Schopenhauer, para o comum dos observadores a razoabilidade da desqualificação pessoal é absolutamente irrelevante para o efeito prático. Basta muitas vezes apenas ter lata. Podemos imaginar, por exemplo, alguém sentar-se com um interlocutor soltando de forma aleatória risos, meneares e cabeça e expressões desqualificadoras: "Não estuda, não está preparado". Para uma audiência crédula é apenas necessário que tal seja feito com confiança. Ou em português corrente, lata. Muita lata.

 

Outra demonstração da falta de consistência foi a forma aleatória como usou os estratagemas. Fosse mais capaz e teria usado outros antes de usar o estratagema 30, apesar de uma interessante mistura com o estratagema 28. Neste estratagema, escudado sobre um nicho de autoridade que lhe seja reconhecido no debate, usa-se uma informação não válida que ainda assim o interlocutor não está em posição de desmentir. Esse nicho de autoridade encontrado pelo Nuno Melo era a elaboração do projecto de união bancária para a qual, e manifestamente a despropósito, Nuno Melo alegava ter tido a iniciativa de uma emenda que defendia o interesse dos contribuintes. Nuno Melo usou a sua autoridade mas usou sobretudo a autoridade de Elisa Ferreira e que João Galamba reconhece aproveitando-se naturalmente do facto de a visada não estar presente para o desmentir.  Sensatamente, João Galamba não ousou desmentir. Desmentiu-o Elisa Ferreira no dia seguinte mas no debate Nuno Melo já tinha conseguido produzir o efeito.

 

Eficaz naquele instante, por certo. Mas também desqualificante das capacidades(?) de Nuno Melo. De inúmeros estrategemas, Nuno Melo usa os de fim de linha. Podem ajudá-lo naquele aperto de quem tem de dizer alguma coisa naquele momento, ter a ilusão de uma eficácia fugaz. Mas é certo que há algo que os estratagemas nunca farão de Nuno Melo. Não darão a Nuno Melo o que ele precisa para cumprir a sua atabalhoada ambição de ser líder do CDS: um mínimo de consistência intelectual para ser levado a sério como político.

 

Uma versão resumida dA arte de ter sempre razão pode ser lida aqui, uma versão mais completa pode ser encontrada aqui mas o que se recomenda mesmo é a compra do pequeno livro disponível em tradução portuguesa:
17
Abr14

Para que não se criem ideias que não são corretas

Nuno Pires

  

"Muitas vezes diz-se ‘mas só agora é que estão a prestar atenção aos consumos intermédios? O que andaram a fazer nestes três anos?’ Em 2010 gastávamos 8,9 mil milhões de euros em consumos intermédios. Essa fatura baixou em cerca de 1,6 mil milhões de euros."
(Pedro Passos Coelho, numa "entrevista" à SIC esta semana)

 

Sobre a alegada "entrevista", não vale a pena pronunciar-me. A Mariana, recorrendo a uma imagem, explicou tudo.

 

Mas há certas "incoerências" (e aqui estou a ser muito simpático) que não devem passar incólumes, sob pena de, como disse Passos Coelho, deixarmos que se criem ideias que não são corretas. "As pessoas repetem e depois pensa-se que é verdade", disse ele.

 

Pois. Mas a verdade, que pode ser repetida livremente, é que, como escreve hoje o Jornal de Negócios, nos últimos três anos os consumos intermédios tiveram "uma contracção de 1.634 milhões de euros. A maior variação anual ocorre em 2011, com uma quebra de mais de mil milhões de euros. Grande parte dessa correcção deveu-se ao registo em contabilidade nacional dos submarinos "Arpão" e "Tridente".

 

Como? É que a compra dos submarinos foi contabilizada em 2010, engordando em 880 milhões de euros a factura com consumos intermédios. No ano seguinte, como se tratou de uma despesa irrepetível, esses 880 milhões desapareceram automaticamente, dando uma ajuda preciosa ao número apresentado por Passos.

 

Excluindo essa operação extraordinária, o Governo cortou até agora 754 milhões de euros em consumos intermédios."

 

A um Primeiro-Ministro exige-se mais do que apenas um penteado arranjado e uma voz de barítono.
De um Primeiro-Ministro espera-se que seja capaz de construir frases percetíveis e gramaticalmente corretas.
Um Primeiro-Ministro, em particular nos tempos desafiantes que atravessamos, não pode ter o escandaloso nível de confusão mental que foi revelado, uma vez mais, esta semana, na referida "entrevista".

 

Mas infelizmente para todos nós, Pedro Passos Coelho não só revela lacunas que são inadmissíveis a qualquer pessoa que ocupe um cargo de responsabilidade, como faz questão de somar a estas falhas um conjunto de mentiras, cuja perceção é óbvia, sempre que se dirige ao país.

 

(também aqui, pelo Rui Cerdeira Branco, no Facebook)

 

 

15
Abr14

Há jornalistas trapalhões a escreverem sobre as europeias, o mesmo de sempre

David Crisóstomo

Caramba Público, isto já começa a enjoar, não é a 1ª vez que leio artigos vossos sobre as eleições europeias todos atabalhoados. E o de hoje vem com erros ridiculamente óbvios, como uma infografia onde se lê que há "16 partidos", quando são na verdade "16 candidaturas", com 18 partidos, como vem indicado no próprio titulo da peça; outro imbróligo: a noticia refere que o próximo presidente da Comissão Europeia "terá de ser votado pelo PE com maioria absoluta (pelo menos 356 deputados, metade mais um do total dos eleitos)" - dado que o Parlamento Europeu vai passar a ter 751 eurodeputados a partir das próximas eleições, "metade mais um do total dos eleitos" dá, na minha terra, 376 deputados; outra tosquice: "Todos os partidos já com assento no PE recandidatam actuais eurodeputados, à excepção dos socialistas, que deixaram ‘cair’ Vital Moreira" - é, a Alda Sousa, o Diogo Feio, a Regina Bastos, a Maria Graça de Carvalho, a Maria Patrão Neves, o Nuno Teixeira e o Mário David foram eleitos pelo PS, lá está (e a Edite Estrela, o Luís Paulo Alves, o Correia de Campos e o Capoulas Santos são o quê? Vêm em que lista?).
Vá lá, a ver se nos esforçamos um pouco mais, senão aquele vídeo da Bárbara Reis a explicar que os artigos do Público online vão passar a ser pagos porque a vossa preocupação é continuarem "a fazer o jornalismo que importa, o jornalismo que faz a diferença, o jornalismo profundo e independente" vai começar a ser considerado como sarcástico.

 

 

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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