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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

05
Mar14

Peticionemos

David Crisóstomo

"É muito importante melhorar a qualidade da democracia em Portugal. Assim, no sentido de informar as eleitoras e eleitores acerca do modo como os mandatos por si atribuídos são utilizados, os peticionários pedem, à Assembleia da República, que tome as devidas diligências no sentido de fornecer publicamente um registo electrónico, gratuito, em formato aberto, apropriado em termos de acessibilidade, e claro no seu conteúdo, do sentido de voto de cada deputado e deputada sobre cada decisão tomada."

 

É espreitar e assinar.

 

04
Mar14

A cultura de direita

Sérgio Lavos

Aqui há umas semanas, o conselheiro de Cavaco Silva, António Araújo, publicou no seu blogue um texto - de resto, bastante partilhado nas redes sociais - sobre a cultura de direita em Portugal. Aqui fica uma espécie de complemento a esse texto, publicado no Ipsilon de sexta-feira passada, por António Guerreiro: 

 

"A CULTURA DE DIREITA
Há algumas semanas, o jurista e historiador António Araújo publicou no seu blog, chamado Malomil, um ensaio sobre “A cultura de direita em Portugal”. O “corpus” da “cultura de direita” aí seleccionado e analisado situa-se exclusivamente no pós-25 de Abril e faz parte, inteiramente, da cultura popular urbana, jornalística e, de um modo geral, frívola. Mesmo um Agostinho da Silva – referido de passagem – surge enquanto fenómeno mediático. Devemos concluir que o autor do ensaio não encontrou exemplos da “cultura de direita” na nossa cultura erudita. E não é fácil encontrá-los. Mas talvez haja alguns vestígios: veja-se, por exemplo, uma recente edição da Mensagem, de Fernando Pessoa, comentada por Paulo Borges, e sigamos-lhe o rasto e a constelação de que faz parte. Mas o autor deste interessante ensaio não define à partida o que é uma “cultura de direita”, fazendo-a coincidir de maneira um pouco automática com a direita política. Uma tal definição talvez tornasse mais difícil a inclusão da revista Kapa (fundada em 1990 e que teve como director Miguel Esteves Cardoso) nessa cultura de direita; e talvez permitisse encontrar elementos da cultura de direita em criações artísticas e intelectuais vindas de sectores da esquerda (dou apenas um exemplo: um poeta como Manuel Alegre, que é de esquerda, tem uma concepção da poesia e da figura do poeta nitidamente de direita). O que é uma cultura de direita? Furio Jesi, germanista italiano e um dos maiores mitólogos do século XX, autor de um livro intitulado Cultura di destra (1979) definiu a cultura de direita como aquela que tem como modelo uma “máquina mitológica”, um dispositivo que fabrica mitologemas, narrativas sobre o passado, fazendo dele “uma amálgama que se pode modelar”. É – diz Jesi recorrendo a Oswald Spengler – a linguagem das ideias sem palavras (Spengler: “A única coisa que permite a solidez do futuro é aquela herança dos nossos pais que temos no sangue: ideias sem palavras”). Jesi analisou sobretudo uma tradição alemã e italiana. Se quisermos procurar uma tradição portuguesa da cultura de direita não encontramos um Bachofen, nem um Ludwig Klages, nem um Julius Evola, nem um D’Annunzio. Nem sequer a concepção do poeta como vate de Manuel Alegre é comparável ao Dichter de Stefan George. E quanto mais nos aproximamos do nosso tempo, mais difícil é definir uma cultura de direita porque ela tende a ser, como a de esquerda, um realismo, e a sua doutrina fundamental consiste numa adesão ao individualismo liberal. A cultura de direita converteu-se ao pragmatismo económico e, no essencial, fala uma linguagem que, aliás, a esquerda não consegue ultrapassar, nem se esforça por isso. Em suma, abandonou completamente os livros e as bibliotecas e instalou-se nas televisões, nos jornais, nos ministérios e nos escritórios. Por isso, quando lemos uma entrevista como a que Anabela Mota Ribeiro fez a um jovem casal de “católicos de direita”, como são apresentados Eduardo Nogueira Pinto e Helena Nogueira Pinto (na Revista 2, do “Público”, no passado domingo), tendemos a procurar nela as manifestações intelectuais de uma “cultura de direita”. E o que encontramos? Exactamente a persistência das “ideias sem palavras”: o louvor da ordem e da moral familiar; o romantismo político. O que, sem mais, se reduz a uma pobre manifestação da cultura de direita. Mas devemos compreender que a tradição portuguesa não lhes deu grandes figuras de invocação. Em Portugal, mais do que uma cultura de direita, o que temos são famílias de direita. Isto é: muito sangue e pouca cultura."
02
Mar14

Mas que presidente impressionante

David Crisóstomo

Cavaco Silva não cede a pressões. Não cede em 2014, tal como não cedia em 2013, tal como não cedia em 2012etcæteraetcætera... Não cede, ponto final. Não é pressionável. "Ninguém me pressionará sobre essa matéria, é uma questão de grande relevância nacional e eu atuarei de acordo com o interesse nacional, não vou reger-me, não tenham dúvidas, por qualquer palpite, venha daqui ou de acolá" declarava o senhor Presidente desta república à beira-mar plantada aquando do Orçamento de Estado para 2013. Era um assunto mui relevante e atuou de acordo com o interesse nacional. Daí ter promulgado um orçamento que mais tarde se veio a concluir que era ilegal. Mas adiante, que há novos orçamentos e cenas orçamentais para aprovar. Há dias, o douto Aníbal voltou a repetir a sua máxima: "Decido sem ter em mínima conta a pressões vindas da Esquerda, da Direita ou do Centro. É assim que decido sempre em relação a estas matérias e continuarei a decidir no futuro". Tipo, seus manhosos da Esquerda, da Direita ou do Centro (Capucho?), baixem lá a bolinha, que os vossos apelos não passam os portões do Palácio de Belém. Vozes de burro não chegam ao céu & tal. Cavaco tem os seus pareceres secretos e com os pareceres secretos tomará decisões. E os seus pareceres secretos dizem a sua excelência para não quebrar a tradição e para deixar passar a nova Contribuição Especial de Solidariedade. É preciso ser solidário com aqueles que mais sofrem, como o XIX Governo Constitucional. Bom, para fiscalização preventiva não foi, ou seja, promulgada será. E à Rua do Século irá parar, quer o Aníbal e os seus pareces estejam para aí virados ou não. Mas o que importa é que o presidente não é pressionável. Não cede a pressões, é um tipo de ferro, ultra-resistente, dono da razão, nunca se engana e raramente tem dúvidas. Não é influenciável, não aceita pressões, venham elas donde vierem. Não o pressionam os partidos, os deputados, os sindicatos, os autarcas, as universidades, as associações, os constitucionalistas e outros juristas. Não toma em consideração a opinião de outrém. O povo da República não o pressiona. Não há grito, berro, declaração, palavra d'ordem, manifesto, protesto, greve ou manifestação que o pressione. Não importa que o façamos, o impressionável Cavaco sempre decidirá como acha que tem que decidir, sem dar cavaco a ninguém. 

 

Face a isto, a pergunta impõe-se: para que raio nos serve um presidente que nunca é pressionável? Isto é, por que motivo elegemos como Presidente da República alguém que aparentemente nunca ouviu, ouve ou ouvirá a população do seu país quando toma uma decisão?

 

 

02
Mar14

E tudo começou assim...

Nuno Oliveira

A notícia data de 29 de Novembro. A leitura na íntegra é altamente recomendada. O bold é da minha responsabilidade. E é um post naturalmente da série União Europeia, Prémio Nobel da Paz. 

 

VILNIUS, Lithuania (AP) — EU leaders Friday revived Cold War rhetoric Friday, accusing Russia of bullying Ukraine into ditching a landmark deal so the former Soviet republic would stay locked in Moscow's orbit.

 

Ukraine President Viktor Yanukovych refused to sign the deal at the last minute, acknowledging that Moscow had him cornered.

 

"I have been one-on-one with Russia for three and a half years under very unequal conditions," Yanukovych told German Chancellor Angela Merkel during the two-day summit.

 

The agreement sought to improve bilateral trade, streamline industry rules and bring about key democratic reforms in Ukraine.

 

Yanukovych complained that the EU hadn't offered enough in financial incentives to secure his signature. French President Francois Hollande ruled out more EU funds to sweeten the deal.

 

Russia had worked aggressively to derail the deal by imposing painful trade sanctions and threatening Ukraine with giant gas bills.

 

And Ukraine knows what Russian pressure feels like.

 

Moscow had previously cut off gas supplies during bitter pricing disputes to leave Ukrainians freezing in the depth of winter. Now, it is offering Ukraine much-needed discounts for its natural gas in exchange for joining a Moscow-led Customs Union.

 

Although the European Union extended its geopolitical reach eastward by initialing agreements with Georgia and Moldova during the two-day summit, Ukraine was a blow.

 

"We may not give in to external pressure, not the least from Russia," said EU President Herman Van Rompuy in unusually blunt terms after Yanukovych refused to put ink to paper.

 

Yanukovych's move sparked mass protests in the Ukranian capital on Friday.

 

Such large demonstrations haven't been seen since 2004 during what has become known as the Orange Revolution, which led to the overturn of Yanukovych's fraud-marred election victory and brought his pro-Western opponent to power. Yanukovych is wary of a repeat.

 

"Millions of Ukrainians don't want to return to the Soviet past," said Olga Shukshina, a 46-year-old doctor from the Western city of Lviv, close to the border with Poland.

 

World boxing champion and opposition leader, Vitaly Klitshcko, called for more protests.

 

"I am sure we will lead Ukraine into Europe even without Yanukovych," Klitshcko said in Vilnius. "This is our task, the task of the opposition forces, and the task of every Ukrainian."

 

In Moscow, Sergei Naryshkin, the speaker of the Kremlin-controlled lower house of Russian parliament, harshly criticized the EU for sending special envoys to Ukraine as its parliament pondered closer ties with the West.

 

"We have witnessed an unprecedented pressure on Ukraine from Western nations," Naryshkin said.

 

EU Commission President Jose Manuel Barroso complained about Russia's trade threats and said "the times for limited sovereignty are over in Europe," alleging Russia still seemed to consider Ukraine as a subservient neighbor.

 

Such talk was rife in the decades after World War II when the West and the Soviet Union faced off and carved up central Europe in their own spheres of influence, robbing many east European nations of their full independence.

 

Ukraine looms especially large in Moscow's eyes, much more so than Georgia or Moldova. President Vladimir Putin has spoken of Ukraine as the cradle of the Russian state, and of the two countries as "one nation."

 

Yanukovych is now seeking a trilateral deal which would also include Russia, a notion the EU immediately dismissed. "When we make a bilateral deal, we don't need a trilateral agreement," said Barroso.

 

German Chancellor Angela Merkel lauded Georgia and Moldova for withstanding similar pressure and still moving westward.

 

After seeing Ukraine bow out of the deal, Georgian President Giorgi Margvelashvili told The Associated Press in an interview that he is preparing to resist Russian pressure as the deal moves from Friday's technical approval to full signature in the months ahead.

 

"We acknowledge that we have to be very mobilized and very organized for possible complications on our path," Margvelashvili said.

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«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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