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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

03
Dez13

O fim de um serviço público

David Crisóstomo

Para um puto lisboeta que não pesca nada do que se diz ou escreve para lá do Luxemburgo, esta coisa era uma bênção. O site noticioso Presseurop.eu (/pt para as gentes camonianas) realizou nestes últimos anos um verdadeiro serviço público europeu de informação. Traduzindo artigos numa dezena de línguas europeias, esta plataforma não é apenas um meio através do qual um luso podia ler análises de Roma, Riga ou Reiquiavique, mas também uma forma de outros cidadãos europeus se pôrem a par do que cá se passa.

Todavia, por decisão da Comissão Europeia, mais precisamente da sua vice-presidente Viviane Reding, esta plataforma europeia de informação multi-linguística será encerrada a 20 de Dezembro deste ano. Devido a questões orçamentais, alegadamente. Cinco meses antes das mais importantes eleições europeias de sempre. Esta carta explica melhor. Contra isto, há certas coisas que se podem fazer: chatear a comissária, seja com e-mails (viviane.reding@ec.europa.eu) ou tuites (@VivianeRedingEU), ou simplesmente assinar esta petição:

 

Daqui a três semanas, o Presseurop deverá acabar. O nosso contrato com a Comissão Europeia, que financia o nosso sítio, acaba a 22 de dezembro e a direção-geral de Comunicação, que depende da vice-presidente Viviane Reding, fez-nos saber que não dará continuidade ao projeto. Invoca razões orçamentais. O Parlamento Europeu, no entanto, votou um aumento do orçamento da UE para 2014 para atribuir recursos financeiros suplementares à Comissão para os projetos de “media”, dos quais faz parte o Presseurop. A Comissão parece preferir consagrá-los a outras iniciativas. Privados desse financiamento, seremos obrigados a cessar o nosso trabalho. Desde o seu lançamento, em 2009, por iniciativa da Comissão, o Presseurop impôs-se como um dos principais sítios de informação independentes sobre a União Europeia. Todos os dias, os seus leitores podem ler o melhor da imprensa europeia e internacional, traduzido em dez línguas, partilhar e comentar os seus conteúdos. Criou-se assim uma comunidade, verdadeiro embrião de cidadania europeia, que tornou vivo o debate de opiniões sobre a Europa graças à sua plataforma de discussão multilíngue única. Para os títulos da imprensa, jornalistas, intelectuais e especialistas – mais de 1700 até hoje – cujos artigos publicámos, o Presseurop representou um meio de alargar a sua audiência para além das fronteiras linguísticas. Lamentamos que a Comissão Europeia, a escassos meses das próximas eleições europeias, que se anunciam cruciais para o futuro da UE, queira acabar com esta experiência, apesar de ser muito apreciada tanto pelos leitores como pelos especialistas em assuntos europeus e os jornalistas. Além do mais, uma avaliação independente encorajou a Comissão a dar-lhe continuidade. Mas aquela preferiu outro caminho, privando os cidadãos europeus de um precioso instrumento de participação na vida democrática da União. Este espaço comum não pode desaparecer. Vocês, sem os quais não teríamos conseguido fazer o nosso trabalho, podem apoiar-nos divulgando este apelo, para que a Comissão Europeia continue a apoiar o Presseurop em 2014.



(a tradução veio do último editorial publicado)


01
Dez13

Vou contribuir para o consenso

David Crisóstomo

Ora tomem, umas citações do discurso do deputado do CDS-PP José Ribeiro e Castro, ali na Praça dos Restauradores, nesta manhã de domingo não-feriado:


"O 1º de Dezembro é o dia da nossa liberdade: não da liberdade individual, da liberdade de cada um; mas da nossa liberdade colectiva nacional, da liberdade de todos. Sem este dia, não seríamos. Não é demais repetir o grito do Presidente da Sociedade Histórica há dois anos, confrontado com a lamentável intenção do Governo de acabar com este feriado: o 1º de Dezembro é a data sine qua non, a data sem a qual Portugal livre, independente e soberano teria terminado. Não deixaremos que seja assim. Nem que nos tirem a liberdade, nem que nos tirem a data oficial para a afirmarmos e celebrarmos. Começa-se sempre a deixar-se de ser livre no dia em que se perde a consciência disso – e do muito que custou. 

Depois de terem apagado este dia, eliminando a solenidade nacional, é curioso ver alguns precipitarem-se, agora, para equiparar a situação actual do país à de 1640; e quem aprecie repetir, dia sim, dia sim, que estaríamos até num quadro de “protectorado”.


(...)


O perigo desses paralelismos ligeiros, quando levados além do estímulo saudável ao nosso brio e à nossa vontade nacional livre, é apagarem a nossa própria responsabilidade. E, nessa medida, não ajudarem a libertar-nos, mas arrastarem a nossa decadência.


(...)


Não é boa política denunciarmos um falso “protectorado” para, de facto, agirmos como um “acocorado”. Na União Europeia, nós somos um Estado igual, um Estado igual a todos os outros, um parceiro de todos os demais, um pilar de uma construção comum. Não há protectorados na União Europeia: não há Estados directores e Estados vassalos. O discurso lamuriento do “protectorado” impede e bloqueia aquela política europeia assertiva de que precisamos há tanto tempo: uma política para a Europa, uma política para Portugal. O 1º de Dezembro é o dia certo para o lembrarmos. Este dia em que reafirmamos, briosos, a Nação livre e independente dos portugueses é também o dia em que podemos afirmar, sem embaraço, nem contradição, a vontade de construirmos e defender a União Europeia como União de Estados-Nação, efectivamente iguais entre si, livres e independentes, solidários e coesos."

 

01
Dez13

É uma dor d'alma

David Crisóstomo

Estava ali, estava em lágrimas:

"Por isso nos dói tanto que, entre aqueles que hoje são mais desenvolvidos e evoluídos do ponto de vista do conhecimento que adquiriram em termos académicos, muitos deles tenham de escolher outras paragens para poderem aceder ou aos seus estágios ou à sua realização profissional"."

 

Oh, tanta dor:

31 de Outubro de 2011, sôtor Alexandre Miguel Mestre, secretário de Estado do Desporto e da Juventude: 

"Se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras", disse o governante, que falava para uma plateia de representantes da comunidade portuguesa em São Paulo e jovens luso-brasileiros. Segundo o mesmo responsável, o país não pode olhar a emigração apenas com a visão negativista da "fuga de cérebros". Para Alexandre Miguel Mestre, se o jovem optar por permanecer no país que escolheu para emigrar, poderá "dignificar o nome de Portugal e levar know how daquilo que Portugal sabe fazer bem".

 

16 de Novembro de 2011, sôtor Miguel Relvas, ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares: 

"Quem entende que tem condições para encontrar [oportunidades] fora do seu país, num prazo mais ou menos curto, sempre com a perspectiva de poder voltar, mas que pode fortalecer a sua formação, pode conhecer outras realidades culturais, [isso] é extraordinariamente positivo", afirmou. "Nós temos hoje uma geração extraordinariamente bem preparada, na qual Portugal investiu muito. A nossa economia e a situação em que estamos não permitem a esses activos fantásticos terem em Portugal hoje solução para a sua vida activa. Procurar e desafiar a ambição é sempre extraordinariamente importante".

 

16 de Dezembro de 2011, sôtor Pedro Passos Coelho, Primeiro-ministro:

(em resposta à pergunta: "Nos professores excedentários, o senhor primeiro-ministro aconselhá-los-ia a abandonar a sua zona de conforto e procurarem emprego noutros sítios?")

"Angola, mas não só Angola, o Brasil também, tem uma grande necessidade ao nível do ensino básico e do ensino secundário de mão de obra qualificada e de professores. Sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm nesta altura ocupação e o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos. Nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou querendo-se manter, sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado de língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa".



(o trabalhinho das citações não é meu, é do Jornal de Negócios)


Pág. 6/6

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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