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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

12
Nov13

Da calçada portuguesa

Nuno Oliveira

Face à notícia da intenção de substituição de uma parte da calçada portuguesa em Lisboa custa um pouco entender esta reacção negativa, expressa com maior densidade neste artigo de opinião. Não cedo à tentação de transformar aquilo que é facialmente a intenção de preservação de uma determinada herança cultural numa manifestação de conservadorismo. Faço até um esforço para entender algumas das sugestões avançadas pela associação.

 

Mas não pode deixar de causar estranheza que a associação não tenha em consideração a dimensão do fenómeno. A calçada portuguesa é, combinada com o envelhecimento da população e a orografia de algumas zonas da cidade, um problema quotidiano para muitos dos que circulam em Lisboa. Não há pontos negros na calçada portuguesa no que diz respeito à mobilidade: há extensas áreas negras.

Falamos de casos não esporádicos de quedas como falamos de uma genérica perda de mobilidade. Transformada muita vezes numa limitação real de efectuar determinados percursos. Isto tudo numa calçada em perfeitas condições. Podia acrescentar-se um sem número de casos resultantes de uma por vezes rápida degradação do pavimento em calçada.

 

Sabemos que há soluções de revestimento ou soluções que alternem dois tipos de pedra, mas também sabemos que essas soluções têm de ser devidamente avaliadas na sua relação custo-benefício. Poderão ser soluções para alguns casos mas é duvidoso - muito duvidoso - que possam ser encaradas como soluções para áreas extensas. Como noutros casos poderá ser solução a preservação da calçada tal qual ela se encontra neste momento. Mas aquela que parece ser a solução mais sensata é uma progressiva substituição do pavimento em zonas críticas da cidade salvaguardando naturalmente as envolventes das zonas de maior interesse histórico e/ou turístico.

 

Não se pode, de forma nenhuma, ser insensível a uma limitação real e quotidiana da mobilidade de uma parte da população. Quando Paulo Ferrero diz que o tema não foi discutido na campanha percebo o que diz. Creio que pretenderá dizer que não foi alvo de um confronto mediatizado entre candidatos. Mas não se julgue que esteve ausente da campanha. Quem fez campanha diariamente nas ruas sabe que foi um tema recorrente nas interpelações dos cidadãos mas possivelmente em sentido oposto ao que Paulo Ferrero gostaria. Os cidadãos exigem soluções que garantam uma mobilidade segura. Como lho garantirá qualquer candidato nas últimas eleições.

 

12
Nov13

A Zona Euro tem pés de chumbo

Rui Cerdeira Branco

"A União Bancária (ou melhor, o tímido esboço de União Bancária que se desenhava) afinal não vai entregar poderes decisórios sobre a resolução (falência apoiada) de bancos à Comissão Europeia mas deverá ser "internalizada" no conselho de ministros europeus das finanças ou num órgão similar mas formalmente diferente para não ferir os tratados. Em qualquer dos casos uma instância  há vários anos dominada diretamente, sem oposição relevante, pelo governo alemão. Estas alterações, além de ameaçarem atrasar todo o processo de constituição (por razões diversas, inclusive financeiras) chutando qualquer expectativa de operacionalização deste embrião de pilar da União Bancária para um tempo onde, provavelmente, já teremos outro episódio de crise em mãos, a "internalização" mata qualquer perspetiva de credibilização da eficácia de tal mecanismo e, a ser correta esta leitura, clarifica a incapacidade europeia em desenhar em tempo útil os pilares há muito identificados como indispensáveis para a sustentabilidade da zona monetária comum.

Esta decisão, ainda em afinamentos, terá sido acordada entre  a CDU/CDU e o SPD, resultando de um dos pontos de acordo que se desenha para a formação de um governo de coligação na Alemanha. Em conjunto garante-se que não haverá qualquer forma de mutualização da dívida ainda que se desenhe, paradoxalmente, uma qualquer forma de salário mínimo europeu - um instrumento cuja operacionalização é difícil de imaginar.
Com episódios destes é difícil ignorar o que parece cada vez mais óbvio. O desígnio nacional para gente de barba rija é cada vez mais concentrar neurónios a desenhar como sair do €uro (de preferência acompanhados) com o menor dano possível.
O resto é cada vez mais uma miragem ou a memória do que podia ter sido mas que não irá ser. É cada vez mais difícil manter a esperança de um qualquer tipo de volte-face decisivo. Não deixa de ser caricato que a melhoria relativa da situação de emergência financeira nos países da periferia seja apontada como razão para que não se tomem medidas mais substanciais. Sempre a eterna perspetiva de curtíssimo prazo a dominar o processo de decisão.

O risco maior será deixar apodrecer e deixar arrastar a situação de destruição das economias e das democracias até a um ponto de não retorno onde, perante a evidência da acumulação dos erros, já não haverá clarividência, discernimento e condições objetivas para se reagir da forma mais adequada.

Tudo pode ficar muito pior do que está e, neste momento, passando por cima da espuma dos indicadores económicos de curto prazo, tudo parece ir ficar muito pior do que está, sem qualquer tipo de almofada  institucional, económica ou política para acomodar qualquer futura gota de água que transborde o copo.
Nesta perspetiva macro, o que o nosso governo faz ou deixa de fazer na gestão de tesouraria local é pouco mais do que um grão de pó no universo daquilo que realmente importa.
Tudo o que possamos fazer poderá ser necessário mas nunca será suficiente para assegurar o bom governo e a sobrevivência a prazo do projeto europeu. E se ninguém percebe a música certa que é preciso dançar, todo o mundo vai dançar, mas na perpectiva brasileira do provérbio. É melhor cuidar de sair desta modinha desesperante em que estamos metidos. Como o fazer como o menor dano possível?"

Publicado originalmente no Economia & Finanças.

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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