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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

23
Set13

Do Cataventismo

André Fernandes Nobre

Primeiro, retira-se às escolas do 1.º Ciclo a obrigatoriedade de leccionarem Inglês, ainda que fora do currículo obrigatório.

 

Como a coisa falha (desastrosamente) e a opinião pública reage, é o próprio Ministro da Educação (o mesmo que acabou com a obrigatoriedade da oferta de Inglês) que vem defender que “Temos de introduzir o Inglês no curriculo do ensino básico”.

 

Atendendo ao grau de dificuldade da manobra contorcionista acima relatada, apresentada como truque de prestidigitação, creio poder dizer-vos com propriedade:

 

Meus amigos, isto não é um Governo, é um circo. E dos maus.

22
Set13

Incorrecção Factual

David Crisóstomo

Ministro responde em comunicado ao BE:

'Ah escrevi SNL? Foi? Não me diga! Ora bolas, que chatice, eu queria ter escrito BPN, 'tá a ver? Epa, desculpe, mea culpa, troquei uma troika de consoantes por outra, acontece, a idade não perdoa, 'tava distraído, estávamos em 2008 e havia um abalozinho da crise internacional que nos abanou a todos e eu, abanado, abandalhei na carta que enviei a pedir que não me aborrecessem muito. Que aborrecimento. Mil perdões. Agora, pelo amor da santa, não é preciso exagerar, sim? Pedir a minha demissão?! Oh por favor, que dramáticos, tanta e tamanha podridão vai nessas mentes. Sois tão desproporcionaidos e despropositados. Foi só uma incorrecção factual, até parece que menti, enganei ou ludibriei a Assembleia da República. Tudo não passou dum simples lapso de memória, nada de mais, acontece muito no Ministério das Finanças. Estão chateados, eu percebo, também estaria, mas não dramatizemos. Em todo aquele papelito só cometi uma incorrecção factual, só uma, vejam lá. Isto de ser factualmente incorrecto acontece aos melhores, ok? E não sejam caluniosos. Aliás, já pedi ao Luís Montenegro para elaborar umas queixas para todos aqueles que me apelidarem de mentiroso, que eu não admito isso pá. Bom, concluindo, era do BPN que eu me estava a referir, nunca tive acções daquilo, nada, niente, zero, nunca toquei nessas, jamais, que nodja, eram tóxicas, tipo os swaps, aqueles que a Maria Luís também nunca tocou e/ou deu pareceres. Nunca fui accionista do BPN, era isso que eu queria dizer aos senhores mui prezados deputados da comissão parlamentar. Aliás, nem poderia, que o BPN tinha um só accionista. Uma tal de SNL. Bom, moving on, do BPN não tive acções, apenas tive umas da SNL, no biggie. Vá, não me chateiem mais que se faz tarde. Zacatraz!' 

 

22
Set13

Os portugueses sabem isso

David Crisóstomo

"Aqueles que pensavam que o CDS-PP e o PSD não seriam capazes de levar até ao fim este mandato de Governo, que é um mandato do interesse nacional, hoje sabem que não existe nenhuma maneira de estes dois partidos não cumprirem o seu mandato e não levarem o Governo até ao fim. Os portugueses sabem isso", afirmou Pedro Passos Coelho.


Faço parte duma geração que nasceu e confortavelmente cresceu sempre em democracia. Sempre usufruí da escola pública e do serviço nacional de saúde, sempre fui e me senti europeu, sempre olhei para a ausência de um Estado de Direito como algo para sempre ultrapassado. Sempre foi assim. E, talvez inocentemente, muitos de nós sempre assim pensámos. Que tudo isso era normal. O país e o seu regime politico tinham as suas falhas, mas estas, com o tempo, iam sendo corrigidas e colmatadas. Para sempre assim seria. Era o curso natural. 

 

Hoje li que o Primeiro-Ministro da República Portuguesa, o mesmo que já produziu inúmeras declarações dignas do mais básico populista, afirmou que era impossível que o seu governo caísse. Afirmou que não existiria nenhuma maneira de o seu governo, que classifica como sendo de 'interesse nacional', não cumprir o seu mandato, de não ir "até ao fim".  Li e espantei-me. Podemos achar que, dada a proveniência da alarvidade, tais palavras já não deviam surpreender ninguém, deviam ser encaradas como 'expectáveis'. Discordo. Ao contrário do que certas eruditas figuras têm vindo a declarar, os tempos que vivemos não são assim tão excepcionais. Não são tão excepcionais para que um Primeiro-Ministro eleito da República Portuguesa diga, do alto duma tribuna, que o seu governo é imparável e inabalável. Para que um Primeiro-Ministro eleito da República Portuguesa passe um atestado de impotência à Presidência da República e à Assembleia da República, declarando que estas não possuem a capacidade de demitir o seu governo. Para que um Primeiro-Ministro eleito da República Portuguesa faça proclamações totalitárias. Em democracia, um governo pode sempre ser demitido. Sempre. Passos Coelho acha que está acima disso, que por o seu governo ser de 'interesse nacional', o regime nacional pode ser atropelado. Eu conheço regimes nos quais não existe nenhuma maneira de um governo cair. Mas não são democracias. E assusta-me que o Primeiro-Ministro do meu país não saiba, aparentemente, como é que tais regimes foram criados e justificados. Ou pior, que saiba. 


21
Set13

Deus nos livre e guarde de eleições

Pedro Figueiredo

É curioso que no dia em que Nouriel Roubini afirma que Portugal dificilmente escapará a um segundo resgate, algo que já vem a ser alertado há já algum tempo a esta parte, o Primeiro-ministro venha dizer que o país não pode passar por uma crise política que conduza a eleições antecipadas. Precisamente o cenário que se colocou para a queda do anterior governo, antes do final da legislatura então em curso, e eleição do actual executivo. Aliás, leviana tentativa de passar por cima de uma (das várias) crise política que a própria coligação criou após a demissão de Vítor Gaspar e que proporcinou ao país um dos mais lamentáveis episódios da democracia portuguesa, com o beneplácito presidencial.

 

É já tão indisfarçável o medo de uma nova ida a votos - que inevitavelmente marcará o fim já tardio desta frívola coligação e dos seus volúveis protagonistas -, que as declarações de Poiares Maduro a garantir que o país não vai precisar de um novo empréstimo vestem-se de forma ainda mais ridícula que os trajes de cerimónia da Joana Vasconcelos.

 

Vende-se, a todo o custo, a imagem que eleições antecipadas seriam uma desgraça para o país, verdadeiro papão de um crescimento fantasma que ninguém vê ou sente, quando ainda não se conhecem as novas medidas de austeridade, reveladas apenas depois das eleições autárquicas, não vá o anúncio estragar a já difícil tarefa de conseguir um bom resultado eleitoral. Seja lá o que considerarem ser um 'bom resultado', que nisto das avaliações pós-eleitorais é raro o partido que declara derrota. Basta lembrar que o único líder que não se mostrou satisfeito com os resultados nas legislativas de 2009 foi precisamente quem as venceu.

 

Compreende-se e exige-se que o país ganhe estabilidade, mas convenhamos que a actual situação pode ser adjectivada de tudo menos de estável. Se até os magistrados da nação, da sua superioridade intelectual, considera que o povo não sabe votar, Deus nos livre e guarde das eleições. Antecipadas ou outra qualquer.

17
Set13

E recordar é viver: remember Gaspar

mariana pessoa
17
Set13

Swaps: quem mente, fica

Nuno Pires

 

Já toda a gente percebeu que Maria Luís Albuquerque não só estava devidamente informada sobre os contratos swap, como teve um papel ativo na contratualização de alguns destes instrumentos, ao contrário do que alegou no Parlamento.

 

No entanto, o primeiro-ministro que em tempos idos garantia que "Quem mente, sai [do Governo]", bem como várias pessoas próximas deste Governo ou dos partidos que o apoiam, continuam a achar que não se passa nada e que a ministra tem todas as condições para se manter em funções.

 

Se isto é que é a tal "política de verdade" com que há uns anos nos encheram os ouvidos, julgo que seria preferível o tempo em que estas mesmas pessoas brindavam outros líderes políticos com o apodo de mentirosos (entre variadíssimas outras coisas).

 

(Imagem: recorte da capa de hoje do jornal i)

 

16
Set13

There is a moment

mariana pessoa
There is a moment, a holed-in moment, that I know particularly well.
I’ve always complained about, struggled against, chewed in and out my aimless ability to die in the arms of people, some of them I barely knew.

One would say it’s a matter of instinct.
I beg to differ.
Instinct is a matter of survival, awkwardly enough, what I presumably do is to put my survival at risk when I leave my own life is someone else’s hands.
Therefore, it is not instinct.

One would say it’s an existential luxury I allow myself to.
I beg to differ.
The costs of this kind of luxury are enough to shatter all the credit life has given me.
Therefore, it is not an existential luxury.

I say I will not complain, struggle against or chew in and out about this ability anymore.

For I know that there’s a lethal dose in those traps for me. And it is the edge, the rushing race to see how soon before I can fall I can capture the moment, the holed-in moment, where everything is worthwhile, no rules or exceptions, for the sake of this soulful exchange.

Maybe someday I’ll get trapped.

Maybe one day someone, somewhere, somehow will take away the fine thread that separates this type of control from the never ending fall.

Until then, I’ll just laugh it off and entertain myself with random thoughts of how it would be if I’d only allow myself to let go into the arms of someone I only barely know. So I can, hopefully, really let go of this unfaithful pose and all the ridiculous trains of thought that legitimize the way that I am today, the today after you.
15
Set13

Subiram pensões mais baixas?

Rui Cerdeira Branco

Está ali um ministro a gabar-se de ter aumentado as pensões mínimas. Um ministro do mesmo governo que cortou o complemento solidário para o idoso que, ao contrário das pensões mínimas, foi definido de forma a ser sensível à situação de carência dos visados. Ou seja, um governo que preferiu cortar no apoio a quem é sem sombra de dúvida pobre para aumentar pensões que abrangem quem é pobre e que não é.

Isto é motivo de orgulho e argumento político de valor? Eu tinha vergonha...

13
Set13

Vamos fazer de conta que vamos votar numas legislativas?

Rui Cerdeira Branco

Ando há uns tempo a demandar por maior vigor, clareza, acutilância e abrangência nos temas e causas que o PS vem patrocinando pelo país na luta contra o atual governo mas não me alegro particularmente com isto que escreveu hoje Carlos Zorrinho no Correio da Manhã:

"(...) Imagine que o PSD e o PP têm um bom resultado. Passos ligará afirmando ... a malta aguenta! Ai aguenta, aguenta! Como diria Ulrich! Se, pelo contrário, o resultado for mau para o PSD e o PP, Passos será tentado a referir que o povo já não se deixa enganar. É preciso mais espaço para a economia respirar sob pena da instabilidade política e social se tornarem incontroláveis. E se ele não o disser, dirá Paulo Portas por ele. Dia 29 de setembro todos os portugueses vão ajudar a escrever a carta que Passos mandará à Troika no dia seguinte. É uma enorme responsabilidade. Estejamos conscientes disso ao exercer o nosso direito cívico."

 

13
Set13

Pelo fim das campanhas pró-voto...

Cláudio Carvalho

«Political correctness is tyranny with manners.»
Charlton Heston

 

Entranhou-se no âmago nacional que os elevados - note-se a natureza relativa do conceito - níveis de abstenção são motivados por uma marcada preguicite lusitana que está bem marcada no nosso código genético. [O conceito ainda mais relativo se torna, se atentarmos, por exemplo, à elevada abstenção técnica em Portugal, comparativamente às democracias ocidentais, mas esqueçamos este pormenor.]

Só assim, se pode compreender as inúmeras campanhas (e opiniões) que pululam em períodos que antecedem as eleições, particularmente nas autárquicas, legislativas e presidenciais. Estas campanhas, ao invés de procurarem promover a discussão plural em torno das causas que levam a elevados níveis de abstenção, apresentando possíveis soluções advindas dessas tais discussões, cingem-se em promover uma certa infantilização do eleitorado e em lançar um bafiento pretensiosismo, imputando-se maniqueistamente ao eleitor um qualquer dever moral de exercer o voto. O conceito não é original e já foi partilhado por Cavaco Silva da forma mais néscia possível. A título de exemplo: (i) "votar é um dever" e (ii) "quem não votar perde legitimidade para depois criticar as políticas do Governo". Em suma, uma espécie de campanha dos cidadãos impolutos contra os cidadãos sem escrúpulos, os sociopatas ou, na melhor das hipóteses, contra uns randianos da Ocidental Praia Lusitana.

O (in)sucesso [das campanhas] está à vista, mas ainda se continua a insistir na mesma (infrutífera e banal) receita, ao invés de se optar pela discussão - que tem que passar das portas de certas Universidades - sobre as causas concretas da insatisfação do eleitorado para com o sistema eleitoral e para com o sistema político-institucional nacional e europeu, sobre o papel dos órgãos de comunicação social enquanto "lubrificadores" da democracia e sobre a dissonância entre o Estado que se tem – se vai tendo?! - e o Estado que a maioria dos cidadãos eleitores pretende e como confrontar essas vontades da maioria com determinados constrangimentos externos, como cedências de soberania a outras instituições.

Daqui decorre a necessidade de lançar um apelo pelo fim das campanhas pró-voto. Tal não se justifica somente pela sua ineficácia histórica, pelo esporádico âmbito temporal, pelo maniqueísmo implícito da sua mensagem e pela sua tentativa de modelação social, mas sobretudo pelo seu caráter contraproducente.

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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