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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

14
Ago13

Todos ao Marquês! E salta Governo, olé, olé

Cláudio Carvalho

Os mesmos que desvalorizaram o aumento trimestral (i.e. em 2013-Q1) do défice para 11% (arredondamento às unidades), são os mesmos que agora rejubilam com o aumento trimestral, em cadeia, do produto. Ouve-se o claquismo político no seu esplendor máximo: são urras, vivas, olés, avés a este Governo. Todos ao Marquês e aos Aliados, que produzimos mais riqueza que no trimestre anterior. Esqueça-se o nível de desemprego, os níveis de pobreza, a emigração sem precedentes na Era democrática, esqueça-se a degradação das políticas públicas e as condições de vida da classe média, a desconfiança na classe política e na democracia, esqueça-se que anualmente vamos produzir menos que em qualquer outro ano dos últimos dez (vd. PIB em volume). 

10
Ago13

Seguro e o PS: o plano A e os planos B

Rui Cerdeira Branco

O plano A é conhecido. Partindo do pressuposto (correto) de que Portugal (e outros países com economias fragilizadas) não conseguem sair da atual crise de forma honrada sem outro tipo de disposição e auxílio dos seus parceiros europeus, o atual secretário geral do PS já enumerou um conjunto de metas que irá perseguir tanto na oposição como no governo e que passam por alterar significativamente as restrições externas e omissões de intervenção face à nossa economia.

Não vou discutir detalhadamente as medidas, concordo com muitas delas e considero algumas claramente tentativas, pontos de partida e  nunca pontos de chegada que exigirão concertação europeia e cedências importantes se compararmos as metas aos resultados finais a obter. Tenho em mente quanto a isto, em particular, a ideia da mutualização da dívida pública acima dos 60% do PIB de cada país. Parece-me impossível de implementar do ponto de vista político ainda que desejável no contexto de quem acredita e defende uma integração europeia muito mais expressiva (confesso que já fui mais adepto desse voluntarismo do que hoje).

Em todo o caso, o sinal dado pelas propostas do PS em matéria de gestão orçamental partilhada na zona euro parecem-me clarificadoras e estimulantes para dinamizar a discussão política que está largamente por fazer (acreditam alguns que em banho-maria, a aguardar os resultados das eleições alemãs).

Entretanto, a acrescer a estas propostas já conhecidas, o PS vai pontuando algumas decisões do governo, comprometendo-se com a sua reversão. Já o foi declarado quanto à reforma administrativa que gerou a fusão de freguesias e hoje foi-o outra vez em relação ao corte das pensões. Não retive com rigor se a reversão prometida abrange apenas os efeitos retroativos dos cortes das pensões já em pagamento ou se seria generalizado a todos os cortes agora preconizados.

O PS tem-se oposto terminantemente ao reforço da austeridade por este ser manifestamente contraproducente no atual contexto económico local e internacional. Nesse sentido, esta proposta é coerente.

Contudo...

10
Ago13

E se 2013 terminasse amanhã?

Cláudio Carvalho

"o que torna geral a vontade pública não é o número de votantes, mas o interesse comum que os une"

(Jean-Jacques Rousseau)

 

Se 2013 findasse amanhã, os grandes ensinamentos que retiraríamos do ano político são: que certas opções coletivas do passado têm, mais do que nunca, consequências penosas no futuro (vd. Presidenciais 2006 e 2011); vergando o direito, o populismo e a demagogia voltam a reinar, acentuando-se na política autárquica e nos antros de certo comentarismo político; que é sempre possível reforçar a ilusão da inevitabilidade; que, mesmo perante a evidência empírica, a mentira enraíza-se tanto que se criam mitos que suportam políticas catastróficas; que a incompetência frutifica; que a nova utopia já não é mais a igualdade entre os Homens, mas o que deveria ser o pressuposto da praxis política: a primazia do interesse comum face aos interesses particulares. Restam 143 dias, para que se evite que 2013 seja retratado historicamente desta forma.

07
Ago13

Prendam-no!

David Crisóstomo

 

 

Tradução: a culpa disto tudo é do Sócrates por não ter atirado o senhor Secretário de Estado demissionário para as masmorras. Pois o senhor secretário de Estado do Tesouro, que não fez nada de criticável e é vitima duma campanha caluniosa caracterizada por uma ultrajante baixeza, é um criminoso. E o Sócrates não chamou a policia. Concluímos deste modo que o anterior governo pode estar por de trás deste escândalo nacional, no qual o nosso imaculado Secretário de Estado é o principal bandido. Aguardaremos. 

 

 

07
Ago13

Celebrar a emigração e a mentira

Cláudio Carvalho

A coligação governamental e os partidos a ela afetos estão a celebrar a redução da taxa de desemprego em cadeia. Hoje, um ex-líder de uma juventude partidária festeja a redução do desemprego jovem (em cadeia) de 42,1% para 37,1%. Numa altura, em que o PSD pede ao PS para comentar estes resultados, importa refletir e ser sério. Não pretendo desperdiçar demasiado "latim" e cansar o leitor com literatura barata, portanto, atente-se:

- A variação homóloga do desemprego é de +1,4 p.p.. 

- Se criarmos uma "árvore do emprego", recorrendo aos dados fornecidos pelo INE, constatamos uma variação negativa (em cadeia, ou seja relativamente ao trimestre anterior) de 16 mil pessoas em Portugal.
- Constatamos, ainda, que temos menos 30,6 milhares de jovens (faixas etárias "dos 15 aos 24 anos" e "dos 25 aos 34 anos") ativos no nosso país, quanto ao trimestre passado. Mais 8,6 milhares de jovens inativos. Uma variação na população total de jovens de menos 22 milhares.

 

Em jeito de término, dava jeito que os paladinos deste governo, lessem a última página do boletim do INE. Lê-se na nota técnica:

"Taxa de variação trimestral
A variação trimestral compara o nível da variável em dois trimestres consecutivos. Embora seja um indicador que permite um acompanhamento corrente do andamento da variável, o cálculo desta taxa de variação é particularmente influenciado por efeitos de natureza sazonal e outros mais específicos localizados num (ou em ambos) dos trimestres comparados."


Os sublinhados anteriores são meus, o descaramento é de outros.

07
Ago13

A forja

David Crisóstomo

 

Eu ainda me lembro como era. Grande parte do país tem uma memória com a capacidade do senhor Secretário de Estado do Tesouro, mas eu ainda me lembro de 2006, de 2007, 2008 ou 2009. Ainda me lembro da 'asfixia democrática'. Ainda me lembro do 'temos um governo que quer controlar a comunicação social'. Ainda me lembro da coitadinha da Manela, a da TVI, mártir da causa dos asfixiados, que às Sextas-feiras Santas atacava a besta. Ainda me lembro da outra Manela, a do 'a crise do subprime não passa dum abalozinho', a reclamar que aqui a pátria necessitava urgentemente duma "Politica de Verdade". Ainda me lembro das petições dos escritores amordaçados, dos manifestos indignados com a manipulação governamental, das manifestações pela liberdade de expressão, e de associação, e de pensamento, e do Correio da Manhã. Ainda me lembro do Paulo Rangel aos berros em Bruxelas contra os atentados ao Estado de Direito que se faziam em Lisboa. Ainda me lembro de Miguel Relvas como porta-voz da oposição.

Foram anos disto. Anos deste espectáculo, onde o alegado pior governo do século XXI da democracia da República de sempre era acusado de nos atirar dados manipulados e falseados sobre a sua administração. Que tinha que haver mudança, que isto não era uma sociedade moderna, que não havia transparência alguma, que vivíamos pior que na Serra Leoa. Enfim, que estávamos perante um grandessíssimo lamaçal. Que era necessária 'gente séria'. Era urgente que a 'gente séria' entrasse em acção. Era necessário que a 'gente séria' tomasse as rédeas da nação.

 

 


07
Ago13

Meios aéreos incapazes de controlar o fogo. Habitações em risco. A mentira alastra!

Rui Cerdeira Branco

Resumindo: O senhor que não se lembrava se tinha andado a tentar "agarrar" um governo a uma droga aditiva de maquilhamento oneroso de contas públicas (muito à semelhança do que o governo grego aceitou fazer), este senhor que não se lembrava de ter ido às reuniões de venda junto dos assessores do anterior governo, hoje confessou que esteve presente sim senhor.

Horas depois vem o governo dizer que uma das páginas dos documentos sobre as reuniões entregues pelos ex-assessores aos jornalistas não corresponde à cópia autêntica a que o atual governo terá tido acesso. A suposta página adicional altera o fulcro da questão? O jornalista diz que não e o governo reconhece que não, segundo o jornalista (SIC). Mas "prova" que o documento foi forjado e como tal... E como tal... o senhor que diz que não se lembrava se tinha andado a tentar "agarrar" um governo a uma droga aditiva de maquilhamento oneroso de contas públicas e que confessou ter ido tentar vender a coisa continua a ser secretário de estado do TESOURO.


Esta gente tem de ser internada. 


Já não é demitida, é internada. 


Não estão bem de saúde.


P.S.: acrescento um detalhe sobre o documento forjado... Quis um alinhamento dos astro que, apesar de não ter visto o documento, ter ouvido falar dele e das reuniões há meses largos, nos termos atuais, muito antes deste senhor ir para Secretário de Estado. 
Isto é simples do lado do atual governo: mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir, mentir.

04
Ago13

O que é que o PS tem a ver com o PS?

Rui Cerdeira Branco

Multiplicam-se as candidaturas com base em militantes do PS em dezenas de concelhos do país. Chega a haver três num mesmo concelho. Naturalmente em cada concelho haverá só uma oficial, as restantes serão formalmente independentes, organizadas por ex-militantes ou por militantes a caminho de processos disciplinares e de provável expulsão. Expulsões que o futuro dirá em que medida se concretizarão. Uma medida que, a avaliar pelo passado, tem uma amplitude de juízos muito diversificada.


Vem daqui algum mal ao mundo? Não necessariamente. Fragilizará quem defende a vantagem dos partidos centrada na responsabilização perdurável, não dependente da figura, mas imputável à marca. Mas até isso é vantagem debatível.


É isto anti-democrático?  Não vejo como. Deve a lei interferir nesta realidade? Se sim para quê? Para resolver problemas internos aos partidos, relativos à legitimação? Não consigo ver como tal possa ser minimamente defensável. As candidaturas independentes são tão legítimas se nascidas dentro ou fora de partidos incumbentes e, pela parte que me toca, por muito incomodo que tudo isto represente para alguns que se sentirão injustiçados, melhoraram a nossa democracia e não o contrário. Será contudo uma experiência em processo de amadurecimento e também por isso me mobilizei para estas linhas.


Os resultados nas próximas eleições serão relevantes para a análise? Obviamente! Doa a quem doer, sinalizarão até que ponto os procedimentos internos de seleção de candidatura encontram ou não apoio junto de quem detém a decisão soberana. E mesmo que o resultado seja a dispersão de votos com vantagem para outros partidos ou movimentos que conservem maior capacidade agregadora, o convite à reflexão estatutária é desejável senão mesmo inevitável.

 

Para já, há a suspeita de que algo poderá estar a correr muito mal nas estruturas locais do PS, onde o poder de escolher candidatos não joga com a autoridade real para o fazer, provocando cisões que, em número, são importantes. Porquê? Esse é um trabalho que deve gerar curiosidade entre cientistas exógenos ao partido, mas também e particularmente às estruturas locais, regionais e nacionais dos partidos e seus militantes (sim, o fenómeno afeta também pelo menos o PSD e o PCP). E acredito que é um trabalho que está já em curso, pelo menos por uma parte dos militantes do PS e cidadãos não filiados atentos ao fenómeno partidário e à democracia representativa.

 

Antes que o ruído de campanha cresça de intensidade chego a esta pergunta retórica: quererá o PS repetir daqui a 4 anos a mesma experiência que me parece desde já inquestionavelmente perturbadora da própria imagem e perceção efetiva do que é o PS nas suas várias estruturas de organização existentes no país?

Se não, que caminho pretenderá palmilhar? O da “purificação” interna ou o do reforço dos mecanismos de legitimação junto do eleitorado potencial no ato de escolha dos candidatos?


Perturbam-me dúvidas que creio sairem reforçadas com este fenómeno que agora se revela com magnitude numérica inusitada. Dúvidas como saber até que ponto o militante de base é hoje reflexo fiel do eleitor do PS em cada concelho? Até que ponto consegue interpretar os seus anseios?


A opção entre um caminho e outro terá consequências dramáticas naquilo que será o PS futuro a todos os níveis, do local ao nacional. Convém ter isso bem presente. Para já, a legitimidade da pergunta do título e a dificuldade de resposta a um eleitor que a coloque é evidente: o que é que o PS tem a ver com o PS?

 

Tenho para mim que o eleitor português será um pouco mais inteligente e competente do que alguns dos políticos que conheço consideram ser. Se falo do PS é tão somente porque é o meu partido e era nele que gostava de ver nascer os exemplos fundadores de uma forma diferente de estar e de fazer política no futuro. A batalha está em curso e o dia 30 de setembro deverá ser momento para um reforço dessa reflexão e, muito provavelmente, para um impulso reformador.

04
Ago13

Passos Coelho já não liga aos amigos

Pedro Figueiredo

Pedro Passos Coelho já não liga aos amigos. Pelo menos no Facebook. Deixou de comunicar com os 119.583 utilizadores que se deram ao trabalho de colocar um "gosto" na sua página. Não deve ter nada a dizer ao país na rede social mais adorada pelo Presidente da República. As actualizações acabaram a 26 de Dezembro de 2012 com a famosa mensagem:


Amigos,
Este não foi o Natal que merecíamos. Muitas famílias não tiveram na Consoada os pratos que se habituaram. Muitos não conseguiram ter a família toda à mesma mesa. E muitos não puderam dar aos filhos um simples presente. (...)


Amigos, imagine-se. Já não há amizades para ninguém. Já nem tempo há para redes sociais, quanto mais para amigos. Os 28.357 comentários que estão nessa mensagem não devem ter nada que ver com isso. Passou o Carnaval, a Páscoa, entrou-se no período de férias e nada. Nem uma palavra. Longe vão os tempos em que até vontade de cantar havia...



«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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