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365 forte

Sem antídoto conhecido.

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03
Fev14

Vítor Bento e os salários na Administração Pública

Nuno Oliveira
Nada tenho contra o facto de as conferências que antecedem a convenção Novo Rumo procurarem para as suas intervenções um conjunto variado de pessoas dos mais diversos quadrantes. Faz sentido até, se quisermos, que possam ser contraditórias no que motiva o debate e espicaça o partido para uma boa síntese da qual saia uma proposta eleitoral.

 

Visto ter acompanhado pela comunicação social, por indisponibilidade, fica-me a curiosidade sobre alguém confrontou a sugestão de Vítor Bento de se ter salários "mais competitivos" na Administração Pública. Vamos simplificar a linguagem: apesar de não ter ouvido a intervenção de Vítor Bento na íntegra ela enquandra-se numa lógica defendida por alguns à direita e pelo esquerdista Vital Moreira. Quando falamos de salários mais competitivos não falamos do salário médio. Falamos dos salário de topo, falamos dos salários dos altos quadros.

 

O que Vítor Bento propõe é que o Estado, por via dos salários na Administração Pública, contribua para o agravamento das desigualdades salariais que são já das maiores da Europa. Ou seja, em vez de o Estado cumprir também na política salarial o seu papel de regulador pelo exemplo, estaria pelo contrário, a contribuir para pressionar em alta os salários de topo e em baixa os salários da base mimetizando o comportamento dos agentes privados. E acresce que Vítor Bento faz em nome de um mero fetiche intuitivo. Não parece haver sustentação para a proposta de Vítor Bento.

 

Mas a própria bondade da medida é questionável. Não se percebe a ideia de os elevados ou muito elevados salários serem um obstáculo para captar talento. Nem se percebe como mede VB o talento. Há já alguns tempos alguém, não me recordo quem, dizia com propriedade Quem nos dera que os salários fossem condição necessária e suficiente para atrair gestores de talento pois ao que parece os gestores alemães recebem menos e apresentam melhores resultados.

 

E foi o tema que me fez recordar um vídeo que teve alguma projecção há três anos e que muitos já terão visto. Tem particular propriedade à luz da sugestão de Vítor Bento. A quem não viu, fica a sugestão de perderem 10 minutos a ver esta deliciosa apresentação.

 


Mas adicionalmente, pode ser também interessante reflectir sobre o que é o "talento". Sobre esse assunto, deixa-se como sugestão o livro de Malcolm Gladwell onde se disserta sobre uma maior contribuição do contexto, mais que as qualidades intrínsecas, para a afirmação de um indivíduo.  Sendo por vezes alvo de algumas críticas e de quando em vez de críticas justas nem por isso deixam os escritos de Gladwell de ser estimulantes. Fica a sugestão: Outliers.

 


E apesar de não ser o maior entusiasta da generalização de casos pontuais, há um caso que pode bem servir para ilustrar toda a questão. Não há nada no trabalho de Azevedo Pereira que fique a dever ao trabalho que foi desenvolvido por Paulo Macedo na Direcção-Geral dos Impostos.

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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