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24
Mai

Em 11 de maio de 1812, John Bellingham, depois de passar a manhã a escrever cartas e de tarde ter acompanhado a sua senhoria e o seu filho numa visita ao museu europeu em Londres, dirigiu-se a Westminster e aí sentou-se num banco no lobby. Quinze minutos depois chegava ao Parlamento o Primeiro-Ministro inglês, Spencer Perceval. Este foi confrontado no lobby por Bellingham que, com a sua pistola, disparou um tiro contra o peito de Perceval. Enquanto o Primeiro-Ministro morria, Bellingham sentou-se no mesmo banco à espera, explicando calmamente que apenas rectificou uma injustiça do governo.

 

Até àquela altura, não existia um verdadeiro serviço policial em Inglaterra. O assassinato do Primeiro-Ministro inglês levou, entre outras razões, a que fosse criada uma comissão parlamentar para analisar o sistema de segurança pública. Dessa comissão surgiu a Metropolitan Police, erigida sob o modelo de "policing by consent". Neste modelo, os policias são considerados cidadãos em uniforme. Estes exercem o seu poder com o consentimento implícito dos seus co-cidadãos: o seu primeiro dever é com os cidadãos e não com o Estado. Uma das consequências deste modelo é a ausência de policias armados. Numa situação de crise os ingleses souberam reagir com moderação, não trocando os seus princípios por uma falsa sensação de segurança.

 

Pensei neste pedaço de história depois de ler alguns ingleses a defender que deve ser decretado o estado de emergência como ocorre em França. 

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03
Mar

“Illusion, Michael. A trick is something a whore does for money."

G. O. B

 

Este carnaval foi marcado por uma discussão no twitter entre @ostruques e Ricardo Costa, director do Expresso. 

 

Eu não sigo @ostruques. Do que li, não gostei do seu tom conspirativo e acusatório. Ao contrário do que afirma o camarada Arnaldo Matos "isto não é tudo um putedo" e os jornalistas - quase todos - não fazem truques por dinheiro. Na sua maior parte, as noticias que vi destacadas são fruto de lapsos, incompetência ou, ainda mais interessante, viéses cognitivos. Estes resultam, em parte, da cultura dominante - das respectivas normas, valores e preconceitos - caracteristicos de um determinado período e transparecem no uso de determinadas palavras, no tom ou mesmo na construção da notícia (por exemplo: a forma como é noticiada uma estatística pode resultar em diferentes interpretações). Deste modo, os principais prejudicados ao longo da história são sempre os que normalmente não têm voz: as classes desfavorecidas, as populações das regiões mais remotas, as minorias, etc. Em Portugal, os media centrados nos grandes centros urbanos, em especial na capital, com jornalistas de classe média, habituados a conviver com as elites, acabam, como é natural, por exacerbar esta tendência. No entanto, não é por não gostar dos Truques que considero que estes devam ser proibidos ou que o seu anonimato deve ser impeditivo de apresentaram críticas, desde que dentro dos limites legais.  

 

Ora, a resposta do director do Expresso aos Truques e a quem, devidamente identificado (enfim), criticou o seu jornal e colunistas, foi inadequada, desproporcional e insultuosa. Os Truques não são os KKK. Quem critica jornalistas ou colunistas não é fascistas ou reencarnação de Marcello Caetano, nem pretende acabar com a liberdade de imprensa. O simples facto de ter que explicar algo tão óbvio demonstra como a reacção de Ricardo Costa foi longe demais. E este não ficou por aqui, disse ainda mais duas coisas interessantes.

 

A primeira: os jornalistas lêem os Truques de cócoras. Se uma página no facebook e uma conta no twitter de anónimos conseguem amedrontar uma redacção, receio que o estado do jornalismo está bastante pior do que se imaginava. Como vão noticiar entidades com verdadeiro poder como um grupo financeiro, um empresa ou políticos?

 

A segunda: quem não lê jornais acaba a votar em Trump. Apenas posso falar por mim, mas, com ou sem jornais, nunca votaria em Trump. O que sei é se apenas lesse o Expresso e visse a SIC, teria acreditado que receberia a devolução da sobretaxa do IRS e que o BES era sólido, entre outras manchetes que depois não se vieram a confirmar. Todos se enganam, jornais incluídos. A soberba dos jornalistas como detentores da única verdade é o que, em parte, permitiu a propagação das FakeNews. Estas são difundidas e construídas como noticias por uma razão: durante anos foi criada uma audiência acrítica dos media – “eu li no jornal" era sinónimo de verdade.

 

Acima de tudo, o público merece ser tratado com respeito, como cidadãos inteligentes capazes de pensar por si, com sentido crítico. Estes também estão descontentes com a degradação dos media e com as FakeNews. E de forma a responder a estas preocupações poder-se-ia, por exemplo, criar um sistema de fact-checking dos colunistas, obrigando a que estes documentem perante o jornal todos os factos que alegam, e que um editor confirme essa documentação, como acontece no NY Times*. Infelizmente é mais fácil e barato recorrer ao argumento " ad fascinium".

 

 

*Now, I don’t expect a publication that responds to daily or weekly news to do New Yorker-style fact checking. But it should demand that anyone who writes for it document all of his or her factual assertions – and an editor should check that documentation to see that it actually matches what the writer says.

That’s how it works at the Times, or at least how it works for me. I supply a list of sources with each column submission; for yesterday’s piece it looked like this:

$4.3 trillion: http://www.taxpolicycenter.org/numbers/displayatab.cfm?Docid=3301&DocTypeID=5 lines 2, 3 and 5

Ryan cuts: http://www.cbpp.org/cms/index.cfm?fa=view&id=3723 (I count his Medicaid cuts relative to current policy, not policy including Obamacare)

Disproportionate benefits at top: http://www.taxpolicycenter.org/numbers/displayatab.cfm?Docid=3337&DocTypeID=2

Ryan award: http://www.thefiscys.com/content/sen-kent-conrad-rep-paul-ryan-and-gov-mitch-daniels-named-2011-fiscy-award-recipients

Baseline: http://www.latimes.com/news/nationworld/nation/la-na-ryan-20120817,0,1246452.story

Each time I send in a column draft, the copy editor runs quickly through the citations, making sure that they match what I assert. Sometimes the editor feels that I go further than the source material actually justifies; in that case we either negotiate a rewording, or drop the assertion altogether. Oh, and weasel-wording isn’t acceptable – implying something the facts don’t support is no more OK than stating it outright.

And despite all this, sometimes an error slips through. In that case, the response is a print correction.

Paul Krugman

 

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"The pyramid of junk, one level eating the level below (it is no accident that junk higher-ups are always fat and the addict in the street is always thin) right up to the top or tops as there are many junk pyramids feeding on peoples of the world and all built on the basic principles of monopoly:

1 - Never give anything away for nothing.

2 - Never give more than you have to give

3 - Always take everything back if you possibily can"

William S. Burroughs

 

O ano começou com um post optimista sobre o combate à desigualdade. Chegado ao fim de 2016, depois do Brexit e da eleição de Trump, é apropriado voltar ao tema que, a par do aquecimento global, irá marcar a nossa geração.  

 

De acordo com um recente estudo efectuado pelo conceituado economista Raj Chetty, o aumento da desigualdade tem provocado nos EUA uma quebra acentuada na mobilidade social (para esta quebra também tem contribuído, mas em muito menor grau, o reduzido crescimento económico). A mobilidade social é um dos pilares essenciais do capitalismo – sem ela não há "sonho americano". 

 

 

Os sistemas económico, social e político baseados nesta premissa acabam, assim, por correr sério risco de se desagregarem. E a culpa é do próprio capitalismo que levado ao extremo possui a semente da sua própria destruição - Always take everything back if you possibily can.

 

Bismarck e, após a 2ª Guerra Mundial, a direita cristã perceberam isso e consequentemente criaram o Estado Social. Com efeito, voltando ao estudo de Chetty, as cidades que apresentam maiores níveis de mobilidade social têm normalmente cinco características: reduzidos níveis de segregação residencial, uma classe média alargada, laços familiares coesos, capital social mais elevado e escolas públicas de qualidade superior. 

 

Sucede que, ao contrário de outros tempos conturbados, não se assiste a um puro extremar do panorama político. Os partidos da direita tradicional têm dado cobertura (Partido Conservador com o Brexit ou o Partido Republicano apoiando Trump) ao emularem, conforme se vê em França, as políticas da extrema direita populista.

 

Esta direita populista procura capitalizar o sentimento de impotência, de já não conseguir controlar o próprio destino, que se intensifica nestes tempos de crise económica e social. De forma a recuperar esse controlo - ainda que tenha sido em grande medida ilusório -, a tendência natural passa por reduzir "o mundo", fecharmos sobre o que é mais próximo e familiar.

 

Por sua vez, a esquerda tem igualmente responsabilidades ao se ter deixado levar pelo fim da história, numa terceira via, julgando que agora ia ser diferente, que o capitalismo já havia aprendido a lição, não apresentando, portanto, uma alternativa clara.

 

Neste contexto, a menos que a esquerda e a direita democrática apontem o combate à desigualdade como o problema central iremos assistir a tempos interessantes.

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You gentlemen who think you have a mission
To purge us of the seven deadly sins
Should first sort out the basic food position
Then start your preaching, that's where it begins

You lot, who preach restraint and watch your waist as well
Should learn, for once, the way the world is run
However much you twist, or whatever lies that you tell
Food is the first thing, morals follow on

So first make sure that those who are now starving
get proper helpings, when we all start carving
What keeps mankind alive?

What keeps mankind alive? The fact that millions
are daily tortured, stifled, punished, silenced and oppressed
Mankind can keep alive thanks to its brilliance
in keeping its humanity repressed
And for once you must try not to shirk the facts
Mankind is kept alive
by bestial acts!

 

Bertolt Brecht e Kurt Weill 

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I will come to a time in my backwards trip when November eleventh, accidentally my birthday, was a sacred day called Armistice Day. When I was a boy, and when Dwayne Hoover was a boy, all the people of all the nations which had fought in the First World War were silent during the eleventh minute of the eleventh hour of Armistice Day, which was the eleventh day of the eleventh month.

It was during that minute in nineteen hundred and eighteen, that millions upon millions of human beings stopped butchering one another. I have talked to old men who were on battlefields during that minute. They have told me in one way or another that the sudden silence was the Voice of God. So we still have among us some men who can remember when God spoke clearly to mankind.

Armistice Day has become Veterans' Day. Armistice Day was sacred. Veterans' Day is not.

So I will throw Veterans' Day over my shoulder. Armistice Day I will keep. I don't want to throw away any sacred things.

What else is sacred? Oh, Romeo and Juliet, for instance.

And all music is.

 

- Kurt Vonnegut

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10
Nov

Por altura das primárias republicanas escrevi este post:

"Na comparação entre "1984" e o "Admirável Mundo Novo" Neil Postman refere que enquanto Orwell temia a censura, Huxley temia que nos fosse dada tanta informação que seriamos reduzidos à passividade e egoísmo, que a verdade fosse afogada num mar de irrelevância.

 

Passados 75 anos da publicação da obra de Huxley, David Foster Wallace, com a sua habitual genialidade, cunhou o termo "Ruído Total" (Total Noise) para descrever o tsunami de informação, spin, retórica e contexto que nos invade diariamente - que não só dispersa a nossa atenção, mas também torna impossível distinguir o que é relevante e de valor.

 

No meio desta avalanche as únicas noticias/opiniões capazes de se elevar do mar de irrelevância são as mais chocantes e esdrúxulas."

 

Trump parece ser o culminar deste fenómeno descrito por DFW. Com efeito, ele é o candidato que através da sua capacidade de chocar, de criar polémica e de entreter domina a atenção dos media sedentos de audiências.

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Esta atenção desproporcional face aos restantes candidatos reforça o poder da candidatura de Trump, que por sua vez lhe confere mais cobertura noticiosa - um ciclo vicioso. Este poder da imagem assente em discursos simples reduzidos à formula "eu sou o melhor" nas suas mais diversas variantes apela a eleitores cansados de tanto ruído, de tantos anos de falsas promessas (...).

 

Acrescido a estas simples mensagens veio um apelo emocional à nostalgia (ou o que passa por nostalgia num tempo de distúrbio do déficit de atenção generalizado, como diria Pynchon). Não foi uma campanha virada para o futuro, mas para o passado - make america great again. Ora, como escreveu DeLillo: "Nostalgia is a product of dissatisfaction and rage. It´s a settling of grievances between the present and the past. The more powerful the nostalgia, the closer you come to violence." 

 

A campanha da Clinton não conseguiu dar resposta a esta dessatisfação e raiva, a uma parte do eleitorado perdido entre o passado e o presente. Julgavam, com alguma razão, que o comportamento desastrado de Trump e a manutenção da política do Presidente com uma taxa de aprovação superior a 50% seria suficiente. Falharam por 2%. 

 

NB: Still, it is clear that the places that voted for Trump are under greater economic stress, and the places that swung most toward Trump are those where jobs are most under threat. Importantly, Trump’s appeal was strongest in places where people are most concerned about what the future will mean for their jobs, even if those aren’t the places where economic conditions are worst today.

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04
Nov

"Depois de o ouvir, não tenho dúvida nenhum de que a geração a que o senhor pertence está de cabeça perdida"

– Berta Cabral, 4 de novembro de 2016

 

“The young people of today think of nothing but themselves. They have no reverence for their parents or old age. They are impatient of all restraint; They talk as if they alone know everything and what passes for wisdom in us foolishness in them. As for the girls, they are foolish and immodest and unwomanly in speech, behaviour and dress”.

– Peter the Hermit, Eleventh century AD.

 

“Our young men have grown slothful. There is not a single honourable occupation for which they will toil night and day. They sing and dance and grow effeminate and curl their hair and learn womanish tricks of speech; They are as languid as women and deck themselves out with unbecoming ornaments. Without strength, without energy, they add nothing during life to the gifts with which they were born – then they complain of their lot”.

– Seneca, First century AD

 

“The children now love luxury; they show disrespect for elders and love chatter in places of exercise. Children are tyrants, not the servants of their households. They no longer rise when their elders enter the room. They contradict their parents, chatter before company, gobble up dainties at the table, cross their legs and tyrannise their teachers”.

– Socrates, Fourth century BC

 

“What is happening to our young people? They disrespect their elders, they disobey their parents. They ignore the law. They riot in the streets inflamed with wild notions. Their morals are decaying. What is to become of them?”

– Plato, 4th Century BC

 

“I see no hope for the future of our people if they are dependent on frivolous youth of today, for certainly all youth are reckless beyond words… When I was young, we were taught to be discreet and respectful of elders, but the present youth are exceedingly wise [disrespectful] and impatient of restraint”.

– Hesiod, Eighth century BC

 

“We live in a decaying age. Young people no longer respect their parents. They are rude and impatient. They frequently inhabit taverns and have no self control.”

– Inscription, 6000 year-old Egyptian tomb

 

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Num país em que a classe média é proprietária de imóveis de valor patrimonial superior a 500 mil euros, o salário anual do novo presidente da CGD (423 mil euros) não deveria geral polémica. Infelizmente não vivemos nesse país. E como tal é natural que surjam críticas, que sobem de tom atendendo aos resultados recentes da gestão de topo e bem paga da banca portuguesa.

 

No entanto, ao contrário do que se tem ouvido, designadamente do PR, esta questão não deverá ser reduzida a público versus privado. A CGD é uma sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos e rege-se pelas mesmas normas das empresas privadas do sector. Este caso deveria servir para se discutir por que razão nos últimos 40 anos disparou a diferença entre os salários dos CEOs e dos trabalhadores médios. Será legítimo que os CEOs das principais empresas americanas ganhem 331 vezes mais do que os trabalhadores médios e 774 vezes mais do que os trabalhadores que auferem o salário mínimo? Em Portugal a diferença é menor, mas ainda assim considerável: o salário dos CEO é 30 vezes o salário do trabalhador médio (superior à diferença que havia nos EUA até 1980). 

 

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Neste tipo de situações costuma surgir o argumento de que a remuneração corresponde à elevada competência e especialização e que, caso não sejam pagos tais montantes, não será possível contratar os melhores gestores.

 

Ora, não se pretende, nem seria desejável, que a competência não se reflita em termos salariais. É natural que os gestores de topo de uma empresa tenham uma remuneração superior ao respectivo trabalhador médio. O problema é saber qual a diferença aceitável, sobretudo nos casos em que os gestores não são empreendedores que colocaram o seu próprio capital em risco. E caso se considere que deverá haver um tecto máximo, será que o Estado poderá ou deverá fazer algo nesse sentido? 

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o Conselho de Ministros aprovou um programa excepcional segundo o qual os particulares e as empresas com dívidas ao fisco podem até ao dia 20 de Dezembro optar por duas formas de pagamento das dívidas: o pagamento imediato e integral, mas sem pagar os juros e custas associados; ou o pagamento a prestações mensais, num máximo de 150, “com uma redução dos juros que será maior quanto maior for o prazo das prestações”. O Governo defende esta medida alegando que a crise levou a que inúmeras famílias e empresas contraíssem dívidas fiscais pelo que deve ser dada oportunidade para que seja efectuado o seu pagamento. 

 

Na verdade, quase todos os governos da república portuguesa já lançaram programas excepcionais semelhantes a este - consequência de um país em crise constante.  

 

No entanto, este tipo de medidas são nefastas por duas ordens de razão. Por um lado, podem originar um “amolecimento ósseo” das obrigações fiscais. Os incumpridores sabem que, mais dia menos dia, irá surgir um programa que lhes irá permitir proceder ao pagamento das suas dívidas em condições mais vantajosas do que no regime normal. Por outro lado, são fontes de flagrante injustiça relativa, sobretudo considerando a intransigência da máquina fiscal perante um pequeno lapso ou atraso. Assim, alguns cumpridores podem ter feito um esforço considerável em manter a sua situação fiscal regularizada em detrimento de outras opções financeiras, ou, os que entrando em incumprimento foram de imediato regularizar a sua dívida, procedendo ao pagamento da respectiva coima e juros, dos quais agora estariam isentos. 

 

De forma a evitar estas consequências e conciliar o interesse público da regularização das dívidas fiscais porque não tornar definitiva esta medida, porventura com a imposição de limites de utilização para evitar potenciais abusos?

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