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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

16
Out17

MAI

CRG

"Para mim, pessoalmente, seria o caminho mais fácil. Eu ia-me embora, ia ter as férias que não tive. Isso resolvia o problema? Não, não ia resolver o problema"

Constança Urbano de Sousa.

 

A minha vasta ignorância sobre o tema de incêndios e protecção civil não me permite fazer juízos de valor sobre a actuação da Ministra de Administração Interna. No entanto, a MAI, com aquela frase, deixou de ter condições políticas para se manter no cargo finda a época de incêndios (uma eventual demissão antes poderia ser prejudicial, uma vez que traria confusão e instabilidade).  

 

Numa tragédia nacional uma das funções dos responsáveis políticos é transmitir compaixão e conforto às vítimas. Falar da ausência de férias parece equiparar, mesmo que não intencionalmente, o seu "sacrifício" ao sacrifício de quem perdeu familiares e amigos, de quem ficou sem nada. Isto é inaceitável. 

 

Como se não fosse suficiente, esta declaração ainda tem laivos da tese salazarenta, segundo a qual estão no cargo com grande sacrifício pessoal e que quem critica é um mal agradecido. Ora, esta tese serve apenas para desprestigiar a política e desresponsabilizar os respectivos titulares. Felizmente, em democracia espera-se muito mais.

14
Ago17

Alt-PSD

CRG

"We are what we pretend to be, so we must be careful about what we pretend to be."

Kurt Vonnegut

 

No seu discurso no Pontal, Passos Coelho disse que não queria "qualquer um" a viver em Portugal. Nestes tempos mediáticos, por uma questão de precaução e de sanidade mental, sempre que ouço uma afirmação polémica como esta, desconfio. Infelizmente, a declaração de líder do PSD consegue ser ainda pior em contexto.

 

Em primeiro lugar, o seu timing. Este discurso foi proferido num fim de semana marcado por uma sangrenta manifestação nazi nos Estados Unidos. Antes destes acontecimentos, o PSD havia reiterado o seu apoio a um candidato autárquico que proferiu declarações racistas, recebendo o apoio do PNR e o repúdio do CDS.

 

Em segundo lugar, a afirmação completa consegue ainda ser pior. Passos não diz apenas que não quer qualquer um a viver em Portugal, mas que caso isso aconteça o país deixará de ser seguro. Segundo Passos, os estrangeiros, qualquer um deles, são assim uma fonte de insegurança e violência, ao contrário dos portugueses, que são todos cumpridores da lei.

 

Em terceiro lugar, revela um complexo de classe. O primeiro governo liderado por Passos criou o "visto gold", que permitia a entrada no país a qualquer um que tivesse determinado dinheiro para gastar. Presumo que na visão de Passos criminalidade seja incompatível com riqueza.

 

Por outro lado, este discurso xenófobo e nacionalista parece incompatível com os seus discursos anteriores, segundo os quais os portugueses eram uns piegas que viviam acima das suas possibilidades, ao contrário dos exemplares povos do norte da Europa.

 

Passos Coelho nunca teve uma consistência de pensamento ou de ideologia, foi sempre modificando segundo as tendências mais recentes. Ele é uma espécie de Spinal Tap da política, mas pelo menos devia seguir o conselho de Vonnegut e ser mais cuidadoso com o que finge ser.

24
Mai17

The Peelian principles

CRG

Em 11 de maio de 1812, John Bellingham, depois de passar a manhã a escrever cartas e de tarde ter acompanhado a sua senhoria e o seu filho numa visita ao museu europeu em Londres, dirigiu-se a Westminster e aí sentou-se num banco no lobby. Quinze minutos depois chegava ao Parlamento o Primeiro-Ministro inglês, Spencer Perceval. Este foi confrontado no lobby por Bellingham que, com a sua pistola, disparou um tiro contra o peito de Perceval. Enquanto o Primeiro-Ministro morria, Bellingham sentou-se no mesmo banco à espera, explicando calmamente que apenas rectificou uma injustiça do governo.

 

Até àquela altura, não existia um verdadeiro serviço policial em Inglaterra. O assassinato do Primeiro-Ministro inglês levou, entre outras razões, a que fosse criada uma comissão parlamentar para analisar o sistema de segurança pública. Dessa comissão surgiu a Metropolitan Police, erigida sob o modelo de "policing by consent". Neste modelo, os policias são considerados cidadãos em uniforme. Estes exercem o seu poder com o consentimento implícito dos seus co-cidadãos: o seu primeiro dever é com os cidadãos e não com o Estado. Uma das consequências deste modelo é a ausência de policias armados. Numa situação de crise os ingleses souberam reagir com moderação, não trocando os seus princípios por uma falsa sensação de segurança.

 

Pensei neste pedaço de história depois de ler alguns ingleses a defender que deve ser decretado o estado de emergência como ocorre em França. 

03
Mar17

Truques e Baldrocas

CRG

“Illusion, Michael. A trick is something a whore does for money."

G. O. B

 

Este carnaval foi marcado por uma discussão no twitter entre @ostruques e Ricardo Costa, director do Expresso. 

 

Eu não sigo @ostruques. Do que li, não gostei do seu tom conspirativo e acusatório. Ao contrário do que afirma o camarada Arnaldo Matos "isto não é tudo um putedo" e os jornalistas - quase todos - não fazem truques por dinheiro. Na sua maior parte, as noticias que vi destacadas são fruto de lapsos, incompetência ou, ainda mais interessante, viéses cognitivos. Estes resultam, em parte, da cultura dominante - das respectivas normas, valores e preconceitos - caracteristicos de um determinado período e transparecem no uso de determinadas palavras, no tom ou mesmo na construção da notícia (por exemplo: a forma como é noticiada uma estatística pode resultar em diferentes interpretações). Deste modo, os principais prejudicados ao longo da história são sempre os que normalmente não têm voz: as classes desfavorecidas, as populações das regiões mais remotas, as minorias, etc. Em Portugal, os media centrados nos grandes centros urbanos, em especial na capital, com jornalistas de classe média, habituados a conviver com as elites, acabam, como é natural, por exacerbar esta tendência. No entanto, não é por não gostar dos Truques que considero que estes devam ser proibidos ou que o seu anonimato deve ser impeditivo de apresentaram críticas, desde que dentro dos limites legais.  

 

Ora, a resposta do director do Expresso aos Truques e a quem, devidamente identificado (enfim), criticou o seu jornal e colunistas, foi inadequada, desproporcional e insultuosa. Os Truques não são os KKK. Quem critica jornalistas ou colunistas não é fascistas ou reencarnação de Marcello Caetano, nem pretende acabar com a liberdade de imprensa. O simples facto de ter que explicar algo tão óbvio demonstra como a reacção de Ricardo Costa foi longe demais. E este não ficou por aqui, disse ainda mais duas coisas interessantes.

 

A primeira: os jornalistas lêem os Truques de cócoras. Se uma página no facebook e uma conta no twitter de anónimos conseguem amedrontar uma redacção, receio que o estado do jornalismo está bastante pior do que se imaginava. Como vão noticiar entidades com verdadeiro poder como um grupo financeiro, um empresa ou políticos?

 

A segunda: quem não lê jornais acaba a votar em Trump. Apenas posso falar por mim, mas, com ou sem jornais, nunca votaria em Trump. O que sei é se apenas lesse o Expresso e visse a SIC, teria acreditado que receberia a devolução da sobretaxa do IRS e que o BES era sólido, entre outras manchetes que depois não se vieram a confirmar. Todos se enganam, jornais incluídos. A soberba dos jornalistas como detentores da única verdade é o que, em parte, permitiu a propagação das FakeNews. Estas são difundidas e construídas como noticias por uma razão: durante anos foi criada uma audiência acrítica dos media – “eu li no jornal" era sinónimo de verdade.

 

Acima de tudo, o público merece ser tratado com respeito, como cidadãos inteligentes capazes de pensar por si, com sentido crítico. Estes também estão descontentes com a degradação dos media e com as FakeNews. E de forma a responder a estas preocupações poder-se-ia, por exemplo, criar um sistema de fact-checking dos colunistas, obrigando a que estes documentem perante o jornal todos os factos que alegam, e que um editor confirme essa documentação, como acontece no NY Times*. Infelizmente é mais fácil e barato recorrer ao argumento " ad fascinium".

 

 

*Now, I don’t expect a publication that responds to daily or weekly news to do New Yorker-style fact checking. But it should demand that anyone who writes for it document all of his or her factual assertions – and an editor should check that documentation to see that it actually matches what the writer says.

That’s how it works at the Times, or at least how it works for me. I supply a list of sources with each column submission; for yesterday’s piece it looked like this:

$4.3 trillion: http://www.taxpolicycenter.org/numbers/displayatab.cfm?Docid=3301&DocTypeID=5 lines 2, 3 and 5

Ryan cuts: http://www.cbpp.org/cms/index.cfm?fa=view&id=3723 (I count his Medicaid cuts relative to current policy, not policy including Obamacare)

Disproportionate benefits at top: http://www.taxpolicycenter.org/numbers/displayatab.cfm?Docid=3337&DocTypeID=2

Ryan award: http://www.thefiscys.com/content/sen-kent-conrad-rep-paul-ryan-and-gov-mitch-daniels-named-2011-fiscy-award-recipients

Baseline: http://www.latimes.com/news/nationworld/nation/la-na-ryan-20120817,0,1246452.story

Each time I send in a column draft, the copy editor runs quickly through the citations, making sure that they match what I assert. Sometimes the editor feels that I go further than the source material actually justifies; in that case we either negotiate a rewording, or drop the assertion altogether. Oh, and weasel-wording isn’t acceptable – implying something the facts don’t support is no more OK than stating it outright.

And despite all this, sometimes an error slips through. In that case, the response is a print correction.

Paul Krugman

 

27
Dez16

O sonho americano está nu

CRG

"The pyramid of junk, one level eating the level below (it is no accident that junk higher-ups are always fat and the addict in the street is always thin) right up to the top or tops as there are many junk pyramids feeding on peoples of the world and all built on the basic principles of monopoly:

1 - Never give anything away for nothing.

2 - Never give more than you have to give

3 - Always take everything back if you possibily can"

William S. Burroughs

 

O ano começou com um post optimista sobre o combate à desigualdade. Chegado ao fim de 2016, depois do Brexit e da eleição de Trump, é apropriado voltar ao tema que, a par do aquecimento global, irá marcar a nossa geração.  

 

De acordo com um recente estudo efectuado pelo conceituado economista Raj Chetty, o aumento da desigualdade tem provocado nos EUA uma quebra acentuada na mobilidade social (para esta quebra também tem contribuído, mas em muito menor grau, o reduzido crescimento económico). A mobilidade social é um dos pilares essenciais do capitalismo – sem ela não há "sonho americano". 

 

 

Os sistemas económico, social e político baseados nesta premissa acabam, assim, por correr sério risco de se desagregarem. E a culpa é do próprio capitalismo que levado ao extremo possui a semente da sua própria destruição - Always take everything back if you possibily can.

 

Bismarck e, após a 2ª Guerra Mundial, a direita cristã perceberam isso e consequentemente criaram o Estado Social. Com efeito, voltando ao estudo de Chetty, as cidades que apresentam maiores níveis de mobilidade social têm normalmente cinco características: reduzidos níveis de segregação residencial, uma classe média alargada, laços familiares coesos, capital social mais elevado e escolas públicas de qualidade superior. 

 

Sucede que, ao contrário de outros tempos conturbados, não se assiste a um puro extremar do panorama político. Os partidos da direita tradicional têm dado cobertura (Partido Conservador com o Brexit ou o Partido Republicano apoiando Trump) ao emularem, conforme se vê em França, as políticas da extrema direita populista.

 

Esta direita populista procura capitalizar o sentimento de impotência, de já não conseguir controlar o próprio destino, que se intensifica nestes tempos de crise económica e social. De forma a recuperar esse controlo - ainda que tenha sido em grande medida ilusório -, a tendência natural passa por reduzir "o mundo", fecharmos sobre o que é mais próximo e familiar.

 

Por sua vez, a esquerda tem igualmente responsabilidades ao se ter deixado levar pelo fim da história, numa terceira via, julgando que agora ia ser diferente, que o capitalismo já havia aprendido a lição, não apresentando, portanto, uma alternativa clara.

 

Neste contexto, a menos que a esquerda e a direita democrática apontem o combate à desigualdade como o problema central iremos assistir a tempos interessantes.

14
Nov16

A ópera de um vintém é um vintém

CRG

You gentlemen who think you have a mission
To purge us of the seven deadly sins
Should first sort out the basic food position
Then start your preaching, that's where it begins

You lot, who preach restraint and watch your waist as well
Should learn, for once, the way the world is run
However much you twist, or whatever lies that you tell
Food is the first thing, morals follow on

So first make sure that those who are now starving
get proper helpings, when we all start carving
What keeps mankind alive?

What keeps mankind alive? The fact that millions
are daily tortured, stifled, punished, silenced and oppressed
Mankind can keep alive thanks to its brilliance
in keeping its humanity repressed
And for once you must try not to shirk the facts
Mankind is kept alive
by bestial acts!

 

Bertolt Brecht e Kurt Weill 

11
Nov16

11º Minuto da 11ª Hora do 11º Dia do 11º Mês

CRG

I will come to a time in my backwards trip when November eleventh, accidentally my birthday, was a sacred day called Armistice Day. When I was a boy, and when Dwayne Hoover was a boy, all the people of all the nations which had fought in the First World War were silent during the eleventh minute of the eleventh hour of Armistice Day, which was the eleventh day of the eleventh month.

It was during that minute in nineteen hundred and eighteen, that millions upon millions of human beings stopped butchering one another. I have talked to old men who were on battlefields during that minute. They have told me in one way or another that the sudden silence was the Voice of God. So we still have among us some men who can remember when God spoke clearly to mankind.

Armistice Day has become Veterans' Day. Armistice Day was sacred. Veterans' Day is not.

So I will throw Veterans' Day over my shoulder. Armistice Day I will keep. I don't want to throw away any sacred things.

What else is sacred? Oh, Romeo and Juliet, for instance.

And all music is.

 

- Kurt Vonnegut

10
Nov16

Presidente Donald

CRG

Por altura das primárias republicanas escrevi este post:

"Na comparação entre "1984" e o "Admirável Mundo Novo" Neil Postman refere que enquanto Orwell temia a censura, Huxley temia que nos fosse dada tanta informação que seriamos reduzidos à passividade e egoísmo, que a verdade fosse afogada num mar de irrelevância.

 

Passados 75 anos da publicação da obra de Huxley, David Foster Wallace, com a sua habitual genialidade, cunhou o termo "Ruído Total" (Total Noise) para descrever o tsunami de informação, spin, retórica e contexto que nos invade diariamente - que não só dispersa a nossa atenção, mas também torna impossível distinguir o que é relevante e de valor.

 

No meio desta avalanche as únicas noticias/opiniões capazes de se elevar do mar de irrelevância são as mais chocantes e esdrúxulas."

 

Trump parece ser o culminar deste fenómeno descrito por DFW. Com efeito, ele é o candidato que através da sua capacidade de chocar, de criar polémica e de entreter domina a atenção dos media sedentos de audiências.

chart-2.jpeg

Esta atenção desproporcional face aos restantes candidatos reforça o poder da candidatura de Trump, que por sua vez lhe confere mais cobertura noticiosa - um ciclo vicioso. Este poder da imagem assente em discursos simples reduzidos à formula "eu sou o melhor" nas suas mais diversas variantes apela a eleitores cansados de tanto ruído, de tantos anos de falsas promessas (...).

 

Acrescido a estas simples mensagens veio um apelo emocional à nostalgia (ou o que passa por nostalgia num tempo de distúrbio do déficit de atenção generalizado, como diria Pynchon). Não foi uma campanha virada para o futuro, mas para o passado - make america great again. Ora, como escreveu DeLillo: "Nostalgia is a product of dissatisfaction and rage. It´s a settling of grievances between the present and the past. The more powerful the nostalgia, the closer you come to violence." 

 

A campanha da Clinton não conseguiu dar resposta a esta dessatisfação e raiva, a uma parte do eleitorado perdido entre o passado e o presente. Julgavam, com alguma razão, que o comportamento desastrado de Trump e a manutenção da política do Presidente com uma taxa de aprovação superior a 50% seria suficiente. Falharam por 2%. 

 

NB: Still, it is clear that the places that voted for Trump are under greater economic stress, and the places that swung most toward Trump are those where jobs are most under threat. Importantly, Trump’s appeal was strongest in places where people are most concerned about what the future will mean for their jobs, even if those aren’t the places where economic conditions are worst today.

04
Nov16

A Berta Discussão

CRG

"Depois de o ouvir, não tenho dúvida nenhum de que a geração a que o senhor pertence está de cabeça perdida"

– Berta Cabral, 4 de novembro de 2016

 

“The young people of today think of nothing but themselves. They have no reverence for their parents or old age. They are impatient of all restraint; They talk as if they alone know everything and what passes for wisdom in us foolishness in them. As for the girls, they are foolish and immodest and unwomanly in speech, behaviour and dress”.

– Peter the Hermit, Eleventh century AD.

 

“Our young men have grown slothful. There is not a single honourable occupation for which they will toil night and day. They sing and dance and grow effeminate and curl their hair and learn womanish tricks of speech; They are as languid as women and deck themselves out with unbecoming ornaments. Without strength, without energy, they add nothing during life to the gifts with which they were born – then they complain of their lot”.

– Seneca, First century AD

 

“The children now love luxury; they show disrespect for elders and love chatter in places of exercise. Children are tyrants, not the servants of their households. They no longer rise when their elders enter the room. They contradict their parents, chatter before company, gobble up dainties at the table, cross their legs and tyrannise their teachers”.

– Socrates, Fourth century BC

 

“What is happening to our young people? They disrespect their elders, they disobey their parents. They ignore the law. They riot in the streets inflamed with wild notions. Their morals are decaying. What is to become of them?”

– Plato, 4th Century BC

 

“I see no hope for the future of our people if they are dependent on frivolous youth of today, for certainly all youth are reckless beyond words… When I was young, we were taught to be discreet and respectful of elders, but the present youth are exceedingly wise [disrespectful] and impatient of restraint”.

– Hesiod, Eighth century BC

 

“We live in a decaying age. Young people no longer respect their parents. They are rude and impatient. They frequently inhabit taverns and have no self control.”

– Inscription, 6000 year-old Egyptian tomb

 

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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