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09
Mar

Agradecer a Cavaco

por Nuno Pires

loureiro_costa_cavaco

 

Cavaco Silva deixou de ser Presidente da República e têm-se lido, nas redes sociais e em alguns meios de comunicação social, várias críticas ao antigo inquilino do Palácio de Belém.
Salvo algumas declarações de membros dos partidos de direita, não se tem visto o merecido e necessário reconhecimento ao papel de Cavaco Silva para a política e para o país, nos últimos 30 anos.
Não é por Cavaco ser o Presidente com a mais baixa taxa de popularidade da nossa história que não devemos realçar o contributo que a sua intervenção política nos deixa. Vai daí, aqui fica uma pequena lista, não exaustiva, de agradecimentos que quero deixar a Cavaco.

Um agradecimento a Cavaco pela destruição da frota pesqueira nos anos 80, e pela demonstração de coerência ao eleger o mar como o grande desígnio da sua presidência.
Agradecer a Cavaco a atribuição de pensões a dois inspetores da extinta PIDE/DGS, recusando-a a Salgueiro Maia.
Um sentido agradecimento pela forma hábil de lidar com contestação social, de que as cargas policiais na praça da portagem da Ponte 25 de Abril são, talvez, o melhor exemplo.
Agradecer a Cavaco pela genialidade nos negócios, tendo conseguido lucrar milhares de euros com ações da SLN, detentora do BPN, que hoje pagamos todos.
Agradecer, também, pela hipocrisia demonstrada aquando das cerimónias fúnebres de José Saramago, ocasião em que resolveu demitir-se das suas funções e dedicar-se a brincar com os netos.
Há ainda que agradecer a Cavaco pela gentil oferta do Pavilhão Atlântico ao genro, a um custo incrivelmente baixo. Um negócio que nos deve inspirar e motivar a todos.
Portugal deve um enorme agradecimento a Cavaco também pela insólita "inventona de Belém", em que se instrumentalizou, de forma mesquinha, a Presidência da República para fins eleitoralistas, num dos episódios mais vergonhosos da história democrática do país.
Um agradecimento pelo seu lastimável discurso de tomada de posse em 2011, que incluiu um apelo a sobressaltos cívicos, e onde revelou uma peculiar noção do "limite dos sacrifícios", cuja peculiariedade reside no facto deste limite ter desaparecido assim que a direita assumiu a governação do país.
Um último agradecimento, ainda, por ter oferecido à política e ao país figuras como Dias Loureiro ou Oliveira e Costa. Estou certo que estes também lhe estão muito agradecidos.

A lista poderia continuar, mas isto é aquilo que me ocorre no imediato. 

O homem que disse que foi à Figueira da Foz fazer a rodagem a um carro, mas que curiosamente levava consigo discursos preparados, ofereceu-nos a todos inúmeras lições sobre como não estar na política. Cavaco é um exemplo vivo de uma má e lesiva intervenção na vida pública, e este texto é apenas uma pequena amostra daquilo que nos deixa e merece ser recordado.

Obrigado.

 

(na fotografia, Dias Loureiro aponta o caminho, Oliveira e Costa identifica uma nova oportunidade de negócio e Cavaco olha para o lado; desconheço o autor)

 

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Portas apoia Marcelo.

 

 

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Mercados assustados

 

O MCF já referiu o bonito papel a que, nos últimos dias, se tem prestado alguma da nossa imprensa, aqui e também aqui.

 

Mas as coisas são como são e parece que as evidências não revelam qualquer sobressalto dos mercados com o facto de haver conversações entre partidos na sequência de um ato eleitoral, muito menos com o facto de estas conversações abrangerem todos os partidos com assento parlamentar.

No fundo, o que as evidências nos permitem concluir é que os mercados não temem o normal funcionamento de uma democracia representativa, ao contrário do que alguns, num exercício que já roça o patético, têm tentado fazer crer.

 

Se, de facto, quisermos encontrar políticos capazes de e dispostos a fazer o país perder credibilidade junto dos mercados, com custos para todos nós, não é para a esquerda que devemos olhar - basta recordar o verão de 2013.

 

 

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28
Set

Pedro e Paulo

 

«[...] alguém que não conhecesse o país suporia que foi o PS que esteve no Governo nos últimos quatro anos. Da direita à esquerda só se discute o PS, o programa do PS, as promessas do PS, os cortes na segurança social do PS, o acordo da troika que o PS assinou, o plano secreto que o PS tem para se aliar à CDU e ao BE para não deixar o centro-direita governar. A coligação Portugal à Frente acusa o PS de criar instabilidade e insegurança, a CDU e o BE acusam o PS de subscrever as políticas da direita.

E ninguém debate os últimos quatro anos, os 485 mil emigrantes que vão de engenheiros, economistas e médicos a investigadores, enfermeiros e bombeiros, os cortes nos salários da Função Pública e nas pensões dos reformados, a desmotivação completa dos funcionários públicos, o desemprego, o emprego que está a ser criado (90% é precário), os 50% de portugueses que ganham menos de 8000 euros por ano, o facto de estarmos a trabalhar mais 200 horas por ano e a ganhar em média menos 300 euros, o descalabro na educação (com o silêncio ensurdecedor de Mário Nogueira e da FESAP, ao contrário do que aconteceu quando Maria de Lurdes Rodrigues era ministra da Educação), a miséria que se vive no Serviço Nacional de Saúde (onde muitos profissionais são obrigados a comprar luvas ou a fazer garrotes com material improvisado), os medicamentos que faltam nas farmácias e só estão disponíveis daí a dois dias, a machadada que levou a ciência e investigação, os problemas que se continuam a verificar na justiça, a inexistência de respostas ao envelhecimento da população (em 2014 já havia mais de 4000 pessoas acima dos 100 anos em Portugal e há 595 mil portugueses com mais de 80 anos), a irrelevância do ministro dos Negócios Estrangeiros, a fragilidade da ministra da Administração Interna, as múltiplas garantias de Passos Coelho que foram sempre desmentidas por decisões do próprio Passos Coelho, o programa da coligação que não se discute porque não existe, etc, etc.

Ora, é tudo passado. Como disse Passos Coelho, «felizmente conseguimos ultrapassar a situação de emergência financeira que trouxe uma crise que nós resolvemos. Fizemos muito para poder chegar a este momento e os sacrifícios que fizemos valeram a pena. Já não temos necessidade de vos pedir um contributo adicional. Já não temos nenhuma medida restritiva nas pensões». Pronto, a crise está resolvida e agora é sempre a alargar o cinto. [...]»

 

Nicolau Santos, no Expresso Curto de hoje.

 

 

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23
Set

Valeu a pena?

por Nuno Pires

 défice2011-2014

 

Talvez um "boneco" ajude.

É que eu ainda me recordo da promessa de salvação do país pela via da "austeridade expansionista", do corte nas "gorduras do Estado", que seria o suficiente para o país se transformar num oásis livre de dívida e de défice.

Sabíamo-lo ontem, confirmamo-lo hoje: era tudo mentira.

Após 4 anos de sacrifícios e de medidas recessivas, temos um país mais endividado, um PIB mais pequeno e, soube-se hoje, um défice praticamente idêntico àquele que tínhamos em 2011.

Há quem diga que agora Portugal pode mais.
É enviar-lhes o boneco acima e pedir-lhes para fundamentar. Sem se rirem.

 

 

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27
Ago

Malabarices orçamentais

por Nuno Pires

José Sena Goulão, Lusa

 

Não será por falta de aviso: a execução orçamental não está a correr bem e nem é preciso a oposição recordá-lo - basta olhar para os dados oficiais ou para as notícias que vão saindo.

Apesar dos reembolsos de IRC e IVA às empresas, estarem a ser indevidamente retidos para maquilhar as contas públicas e servir propósitos eleitorais (uma bizarra forma de financiamento compulsivo de campanhas), a meta do défice para 2015 está em risco (como, aliás, o PS tem vindo a alertar desde que o Governo achou boa ideia dizer que iríamos ter um défice abaixo de 3% em 2015).

"Os principais agregados orçamentais de despesa e de receita do conjunto das administrações públicas (receita e despesa totais, correntes, despesa primária, com pessoal, receita fiscal, de capital) estão todos com um comportamento aquém do previsto no Orçamento do Estado de 2015. Ou seja, a receita cresce menos do que o previsto e a despesa aumenta mais do que o planeado.
[...]
Com o actual ritmo de execução da receita e da despesa, o défice ficaria mais de dois mil milhões de euros acima do orçamentado."

Por agora, segue a festa "pré-eleições": uma ministra das finanças a prometer tudo e mais um par de botas, incluindo a devolução da sobretaxa de IRS, um grupo de apoiantes a secundar a mentira. Enquanto isto acontece, os dados oficiais da execução orçamental ardem em pano de fundo.

Malabarismos, contas mal feitas, mentiras descaradas e descalabro orçamental.
É assim, a "gente séria", das "contas certas" e do "rigor".

 

(Fotografia: José Sena Goulão, Lusa)

 

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25
Ago

Portugal não pode mais

por Nuno Pires

 

Autor: Vargas

 

 

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Autor convidado: Vargas

 

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Autor convidado: Vargas

 

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06
Ago

Brincar com as pessoas

por Nuno Pires

Nas últimas semanas, os malabarismos do nosso XIX Governo com os números do desemprego têm preenchido o espaço mediático.

O atual Governo manifesta-se muito satisfeito com o seu esforço de "cozinhar estatísticas" e verificar, consequentemente, que os números do desemprego oficial estão a diminuir, insultando assim milhares de pessoas que não conseguem encontrar emprego, bem como cerca de meio milhão de pessoas que se viram forçadas a aceitar o convite deste Governo e deixar o país, ao longo desta legislatura, para conseguir viver com um mínimo de dignidade.

Na verdade, e a título meramente exemplificativo, se todos os desempregados forem incluídos em programas ocupacionais, em formações que em nada promovem a sua empregabilidade, ou se todos os desempregados emigrarem, o seu número descerá a zero. É um cenário limite, é uma hipótese ridícula, mas, face ao comportamento revelado nos últimos tempos, seria uma situação que o nosso XIX Governo celebraria com um enorme entusiasmo (possivelmente levando ao êxtase um imberbe Bruno Maçães, caricatura fiel deste Governo e sempre disposto a envergonhar todo um país com tentativas disparatadas de mascarar uma realidade indisfarçável).

Talvez um pequeno desenho, com base nos números oficiais, ajude a perceber o drama social que o XIX Governo teima em tentar ocultar e para o qual nunca se inibiu de contribuir.

 

infografia_desemprego

 

O brutal aumento do desemprego é a marca distintiva do XIX Governo. É o maior problema que o próximo Governo terá que enfrentar.

Está na altura de parar de brincar com os números e começar a respeitar os portugueses.

 

 

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