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01
Jul

Planos para o fim de semana

por João Martins

Nos próximos dias, vou tentar perceber a lógica argumentativa dos que defendem que o atual governo é o responsável pelo défice de 2015, ao mesmo tempo que insistem em dizer que com ele só tem continuado a austeridade.

Desejem-me sorte.

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19
Jun

Dezenas e dezenas de pessoas

por João Martins

... sem contarmos com os vários milhares que estiveram na Manifestação de ontem:

 

 

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"Não é a cultura do partido de Mário Soares". Foi esta uma das frases que marcou o dia de ontem no Congresso do PS. Uma das frases que foram utilizadas para criticar mais uma vez o acordo que o partido e António Costa conseguiram com os partidos à sua esquerda.

Contudo, a asserção não é recente. Foi já até bastante utilizada quando as negociações entre os partidos se iniciaram e enquanto decorriam, inclusivamente por figuras da direita portuguesa que, ironia das ironias, vieram em defesa daquela que achavam ser o propósito que Soares tinha para o seu partido. Ora, apesar da repetição ao longos destes meses, não quer dizer que o soundbyte se tenha tornado verdadeiro e, por isso, merece ter resposta.

Não tendo eu arcabouço, nem militância, nem antiguidade suficientes para dar lições de História seja a quem for, nem sobre o partido nem sobre o pensamento dos seus fundadores, gostaria apenas de recordar algumas ideias que talvez demonstrem, a meu ver, que os acordos à esquerda que resultaram na famosa Geringonça fazem parte da cultura que Mário Soares tem querido para o seu partido.

Recuemos então até 2009, altura em que o próprio aconselhou o PS a “ouvir mais os partidos de esquerda - o Bloco de Esquerda e a CDU […] para compreender como veem o futuro próximo, que é bem possível, se houvesse uma nova derrota do PS, ficasse bem mais negro do que está”. É verdade que Soares dizia que ainda “não era tempo” de “fazer acordos, antes ou pós-eleitorais”, mas já defendia que se fossem estabelecendo “os entendimentos possíveis”. Seria o "começo de qualquer coisa", como acabaria por dizer mais tarde.

Avancemos agora mais um pouco. Há muito tempo que venho pensando que é necessário que os partidos da esquerda se entendam, para triunfarem. Se não se entendem, nenhum triunfa. Cheguei a conclusão que podia tentar, com limitações, promover um ato público”, disse Mário Soares em 2013. Nesse ano, não promoveu um, mas sim duas conferências públicas nas quais juntou, na Aula Magna, independentes, militantes, simpatizantes e apoiantes dos vários partidos da esquerda portuguesa.

"Libertar Portugal da austeridade" e "Em defesa da Constituição, da Democracia e do Estado Social" foram os eventos por si promovidos. Foram mesmo essas as plataformas que serviram, como se confirmou mais tarde, para a criação da pluraridade dos consensos – e não a unanimidade do seguidismo que no anterior governo se defendia – que originaram o atual executivo, apoiado pela maioria parlamentar.

E sobre a direita, não terá o histórico fundador deixado alguma palavra num passado recente? A resposta poderá ser óbvia. Também em 2013, aquando da famosa crise irrevogável, Soares foi perentório quando defendeu que o PS não podia “fazer acordo nenhum” com a coligação que estava no governo – iniciativa apadrinhada por Cavaco Silva e que a direção do partido da altura demorou a recusar –, e que isso só fragilizaria o PS como partido de esquerda e criaria cisões.

Demonstrado acima pelas suas próprias palavras, a cultura do partido de Mário Soares está a respeitar a cultura que Mário Soares quer para o seu partido. Como bem respondeu o militante nº1 do PS quando lhe perguntaram se as feridas do PREC, à esquerda, já estavam saradas: "por mim, estão". Talvez todos devêssemos seguir-lhe o exemplo.

 

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11
Fev

Vai trabalhar, João Miguel!

por João Martins

No Público de hoje, o cronista João Miguel Tavares vem mais uma vez queixar-se de que não existe em Portugal um partido liberal no qual ele possa votar convictamente. Como as primeiras 349 vezes em que o fez no Governo Sombra não foram suficientes, aparentemente decidiu escrever mais um texto sobre isso.

JMT não é o primeiro que o faz na comunicação social, e muito menos o primeiro na blogosfera. Os apelos e vagas de fundo que exigem um (novo) partido liberal no panorama político português têm sido muitos, principalmente com o governo de Passos, quando não apetecia muito defender o governo que não era de "direita a sério". Aliás, muitos dos queixosos votaram na coligação de direita com a má vontade de quem ainda não encontrou a verdadeira essência da direita em Portugal.

"Este país precisa cada vez mais de um partido liberal, que não peça desculpa pelo que é e que assuma orgulhosamente aquilo que deseja", diz o JMT. A verdade é que até hoje, mesmo depois de tantos belos motes, ainda não se vislumbrou qualquer espírito empreendedor por parte dos liberais portugueses para se darem ao trabalho de formar um partido de que gostem mesmo. Muitas queixas, mas pouquíssima ação. O que vai contra aquilo que eles próprios sugerem para o resto do mundo, como se sabe.

Das duas, uma: ou são os preguiçosos que sempre acusaram os outros de ser e ficam-se pelo voto naquilo em que não acreditam, ou afinal o país não precisa assim tanto de um "partido liberal que peça desculpa" e da "verdadeira direita". Se o país precisasse mesmo, como patriotas que são, de certeza que já teriam posto mãos à obra. Até porque o Observador não conta.

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26
Jan

O CDS e o preconceito

por João Martins

O CDS-PP questionou esta segunda-feira o Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre a posição do Governo e da embaixada em Paris acerca da condecoração do cantor Tony Carreira, assim como do teor de declarações do próprio ministro Augusto Santos Silva.

(...)

"Não considera V.Exa. que as declarações reproduzidas sobre este assunto podem ser entendidas como um juízo pessoal, depreciativo ou preconceituoso em relação à cultura popular portuguesa?", questionam 11 deputados do CDS-PP.

Uma coisa é ter um discurso preconceituoso e discriminatório contra milhares de crianças e as suas famílias. Aí a intolerância é completamente justificada. Mas preconceito contra o Tony Carreira? Contra os fãs do Tony Carreira?? Isso já é uma vergonha que tem de ser combatida com unhas, dentes e questões ao governo sobre o seu posicionamento relativamente ao artista em questão.

Haja pachorra. E vergonha, já agora.

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22
Dez

Humorista sem punch line

por João Martins

O David partilhou no twitter que a primeira atividade parlamentar de Passos Coelho foi fazer perguntas sobre os quadros de Vieira da Silva. Juntamente com outros deputados, o ex-primeiro-ministro da ex-PAF deixou a melhor pergunta para o fim. Pergunta Passos se o Ministério da Cultura - aquele que com ele deixou de existir - garante que o trabalho feito pelos l governos que liderou não será "desperdiçado por falta de sensibilidade artística".

Há piadas que não precisam de punch line.

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10
Nov

Apelo

por João Martins

Se acham que este foi "um golpe de secretaria", um "golpe de Estado", um "assalto ao poder" sem "legitimidade democrática e constitucional", e que a Assembleia está "refém de uma minoria" e da "sede de poder" e "ambição pessoal" de António Costa... Se acham e defendem isto tudo, espero sinceramente, e sem um pingo de ironia, que o manifestem. Que tirem as devidas consequências de todas essas acusações e frustrações legítimas e que saiam à rua demonstrar o vosso descontentamento e revolta. A indignação não é monopólio de ninguém. Todos merecem (e devem) ter o direito de se mobilizar e sair à rua, ir para a frente das escadarias da Assembleia da República e lutar com a força que têm por aquilo que defendem ser razoável, justo e legítimo. Foi assim durante os últimos quatro anos quando centenas de milhares de pessoas fizeram mais que escrever nas redes sociais e saíram à rua para protestar muitas e muitas vezes contra os ministros, os medidas, as inconstitucionalidades e as injustiças que sentiam que estavam a ser cometidas. Se de facto as acusações têm sido sinceras e sem cinismos, é esse o passo a dar. 

A luta continua, sempre.

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28
Set

Mestificações

por João Martins

 

Em 2008, Passos Coelho profetizou que não seria difícil “aparecer um demagogo que prometa o céu à grande maioria do eleitorado, para o levar para um abismo ainda maior do que o que existe". Passos avisou ainda que se estava a “cavar uma injustiça muito grande entre a maioria e uma meia dúzia de pessoas que vivem cada vez melhor" e que a emigração era “um sinal de que estávamos a recuar 40 anos”.

Em 2011, já sabemos o que aconteceu: Passos prometeu que no governo não ia aumentar impostos; prometeu que não ia mexer nos subsídios; que não ia privatizar “ao desbarato” para arranjar dinheiro; que não ia cortar nos subsídios. Ao mesmo tempo, criticou os governos “sem orientação estratégica”, “sem capacidade de vender um sonho ou uma esperança para o futuro do país”, e que em vez disso deveriam “servir para ajudar o cidadão na busca da felicidade a que temos todos direito”, assumindo que não iriam "sacrificar sempre os mais desprotegidos".

Em 2015, o líder da coligação PSD/CDS já afirmava que não ia oferecer “aos portugueses um caminho de promessas fáceis, de ilusões nem de facilidades”. Contudo, uns meses depois, já veio dizer que lhe "parece de justiça e de equilíbrio que aqueles que mais sofreram sejam aqueles que também possam beneficiar do arranque da nossa economia e do crescimento do nosso país", ou seja, os mais sacrificados nestes últimos anos.

Quando o PS diz que “É Tempo de Confiança”, não é por acaso. Depois destes quatro anos, os portugueses já estão fartos de não poder confiar em quem os governa, de não poder acreditar em quem lhes prometeu facilidades e compromissos que depois não se vieram a concretizar, e que agora voltam a tentar a mesma receita para estas eleições. 

No dia 4 de outubro, já só cai no abismo das promessas do "demagogo" quem quiser. O Luís Vargas ajuda a relembrá-las.

 

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27
Set

Deixa ver se percebi

por João Martins

O PS foi tomado de assalto por um grupo ultra-liberal, cujo líder é um radical de esquerda pior que o Jerónimo de Sousa e a Catarina Martins. Tudo isto enquanto se tornou o irresponsável Syriza português, partido esse liderado pelo "colega" grego Tsipras que já é um exemplo a seguir.

É isto, não é?

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14
Set

Passos diz que encara portugueses com "as costas direitas e cabeça levantada". Já com a Merkel é outra conversa.

 

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