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06
Jan

Tudo menos economia, de facto

por David Crisóstomo

(uma oferta que nos chegou por e-mail)

 

Ricardo Cabral escreveu recentemente dois posts (1) (2) sobre o processo de resolução do Banif no Tudo Menos Economia, blogue do Público que partilha com Francisco Louçã e Bagão Félix. Não consigo esconder algum espanto por este tipo de exercícios em que, pondo completamente de lado a realidade em que o objeto analisado se insere, se investe imenso em cálculos – o que confere sempre a ilusão de credibilidade – para chegar a resultados próximos de teorias da conspiração.

O autor afirma, em ambos os posts, que “o Banif cumpria os rácios de capital mínimo legalmente exigíveis” quando foi intervencionado. Aparentemente,crê que existe algum interesse em aplicar medidas de resolução com enormes custos sociais, económicos e políticos a bancos que não necessitam destas. Conviria, no entanto, lembrar alguns detalhes da tal instituição financeira que respirava saúde. Por exemplo:

- existia um processo de averiguação da legalidade do auxílio estatal concedido ao Banif em janeiro de 2013;

- este processo de averiguação arrastou-se durante praticamente três anos, sem que o Banif conseguisse demonstrar que era, pós ajuda pública inicial, uma instituição bancária viável;

- a consequência imediata de o auxílio estatal ser considerado ilegal era a devolução da ajuda pública;

- estamos, portanto, a falar de um montante de 825 milhões de euros. Dado que o capital do Banif a 30 de setembro era de 675 milhões de euros… enfim, é fazer as contas sobre o Banif cumprir ou não cumprir os rácios de capital mínimo.

Ricardo Cabral toma ainda como hipótese razoável, para chegar à extraordinária conclusão que a operação do Banif terá sido vendida com um rácio de solvabilidade quase a chegar aos 40% e que tal apenas foi feito para beneficiar os malandros dos espanhóis, “que as contas do Banif estavam “limpinhas e direitinhas” como afirma o seu antigo presidente”. Poderá ser interessante considerar, no entanto, que Jorge Tomé está em excelente companhia neste tipo de afirmações. Creio, aliás, ser impossível de encontrar, por mais que nos esforcemos, um antigo presidente de um banco que tenha ido à falência ou tenha enfrentado sérias dificuldades e que não tenha dito exatamente o mesmo tipo de frase. De facto, Ricardo Salgado, Oliveira e Costa, João Rendeiro ou até mesmo Jardim Gonçalves continuam a ser pródigos na defesa das respetivas damas. Caramba, tanto banco que escusava de ter ido à falência, não é?

 

De facto, tomando como boas as premissas do post de Ricardo Cabral qualquer pessoa se vê forçada a concordar com este, até porque as contas das tabelas que apresenta são irrelevantes face às hipóteses assumidas. Afinal, qualquer aluno de economia aprende muito rapidamente que todos os resultados são alcançáveis num modelo, dependendo apenas das hipóteses que nos forem úteis para a história que queremos contar. Agora vou só ali partir do princípio que tenho asas e saltar da janela. Desejem-me sorte.

 

 

António Marques

 

 

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6 comentários

De Carlos a 07.01.2016 às 09:20

Entramos no domínio das hipóteses razoáveis para fazer acusações e justificar decisões. A consequência imediata do levantamento em massa de depósitos, 1000 ME em dois dias , levaria qualquer dos bancos nacionais ao mesmo destino.Há tempos li muitas críticas e acusações de negociatas sobre as ajudas ilegais do estado aos ENVC que tinham de ser devolvidas ,e não sendo este o caso do BANIF já são enquadradas nas hipóteses justificativas razoáveis.Como as opiniões mudam rapidamente por aqui. Continuem a andar à volta da rotunda que estão bem, quatro anos passam num instante.

De Joe Strummer a 07.01.2016 às 13:22

Estas rotundamente enganado.
A inversão não funciona com o Código da Estrada.

De Carlos a 08.01.2016 às 09:37

Há pouco tempo falavam de submissão vergonhosa a Bruxelas e roubo aos contribuintes portugueses.

“Quem comprou o Banif levou um banco que não só está limpo, como ainda tem dinheiro de sobra para recapitalizar o seu novo dono”, acusou na quarta-feira a deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua.
“E foi assim que, sempre em nome dos interesses dos contribuintes portugueses, as autoridades europeias impuseram a Portugal uma ajuda de Estado ao Santander, o segundo maior banco privado europeu”, acrescentou na sua intervenção no Parlamento.

Haja saúde e cambalhotas.

De não acredito... a 08.01.2016 às 14:23

oooooooooooooooohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Carlotas!!!

Agora que não tens o tacho de onde foste corrido andas aqui a chatear ?
Vai pró Blasfémias páh !

De Joe Strummer a 08.01.2016 às 16:00

Get up, get up, get up
Wake up, wake up, wake up...

https://m.youtube.com/watch?v=rjlSiASsUIs

De V. Teodoro Francisco a 14.01.2016 às 14:01

O Carlos é a prova de que o PSD ainda tem dinheiro para propaganda apesar de estar na oposição. É que (talvez porque se fartaram de roubar) ainda há pilim para o pessoal andar a dizer asneiras em blogues.

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