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11
Mai

"...mas esta opinião, eivada de intenções ocultas, carecia daquele cunho de sinceridade que todos gostamos de achar nos conceitos humanos."

Machado de Assis

 

Como bem relembrou o David no post anterior, as posições dos partidos com assento parlamentar não faziam prever a actual polémica em torno dos contratos de associação.

 

Num primeiro momento julguei que tal visava unicamente fragilizar o governo com mais um ataque ao Ministro da Educação, visto desde o início pela oposição - também muito por culpa da sua inexperiência - como o mais frágil politicamente.

 

No entanto, a insistência neste tema e os níveis de crispação revelam que para a direita os contratos de associação são instrumentais para o seu verdadeiro objectivo: a implementação do sistema cheque ensino. Esta estratégia segue a "técnica do pé-na-porta" que é baseada no princípio da consistência: se existe apoio para uma ideia ou conceito mais pequeno é mais fácil e provável que se aceite posteriormente uma ideia similar de maior alcance (ex: propinas no ensino superior). Por esse motivo Passos, na defesa destes contratos, fala em liberdade de escolha dos alunos, apesar da ausência de escolha ser o requisito principal para a existência de contratos de associação. 

 

A utilização desta técnica (que não é exclusiva de nenhum partido) empobrece o debate. Ao ler argumentos como "liberdade de escolha", "o fim do ensino privado" ou "ataque soviético" recordo o aviso de Orwell "Quando há um hiato entre os nossos verdadeiros objectivos e os objectivos declarados, voltamo-nos como que instintivamente para as palavras longas e para as expressões gastas, como um choco a largar tinta." Ora, um discurso político mais claro e com objectivos transparentes seria não só mais rico, mas também teria uma maior legitimidade. 

 

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