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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

20
Out15

Da tolerância ilimitada ao intolerável

David Crisóstomo

 

Vergonhosa maneira de administrar o "serviço público de televisão", vergonhosa maneira de tacitamente permitir a discriminação. Ide ler, ide ler: a rtp, o provedor, o gonçalo e o sentido de humor (ena, fez verso)

 

 

[ainda estou para saber por que motivo os deputados do Bloco de Esquerda decidiram em Junho do ano passado deixar cair as propostas do Projeto de Lei 661/XII - Cria o tipo legal de assédio sexual no Código Penal. Bem sei que na votação realizada em sede de comissão, mais precisamente no Grupo de Trabalho sobre a Convenção de Istambul, do texto do projeto de lei de substituição subscrito por todos os grupos parlamentares presentes, a proposta de inclusão da criminalização do assédio sexual foi rejeitada com a abstenção da deputada Rita Rato (PCP) e os votos contra das deputadas Carla Rodrigues (PSD), Teresa Anjinho (CDS-PP) e Isabel Moreira (PS - que referiu dúvidas sobre a constitucionalidade da iniciativa, sem todavia as precisar). E também estou ciente que na declaração de voto assinada pela maioria da bancada do Bloco de Esquerda aquando da votação no plenário desse mesmo projeto de lei comum pode-se ler que "se bem que o assédio sexual não seja um crime autónomo no Código Penal, conforme nossa pretensão e do movimento social, a formulação encontrada poderá contribuir para o fim do silêncio e da impunidade".

Todavia, como podemos constatar, não contribuiu o suficiente].

 

17
Jun14

Envergonhar o partido

David Crisóstomo

Mas que brilhante naco de pensamento político:

 

"Espero que os deputados não utilizem o seu cargo para fazer política partidária. Foi isso que 45 deputados fizeram. Não respeitaram o seu mandato, afrontaram o secretário-geral e o partido, utilizando o seu cargo de deputado para fazer política partidária. E isso envergonha o partido."

 

Ora, umas dúvidas rápidas, que daqui pouco tenho que ir ali a um restaurante lisboeta conspirar contra a província:

  • Óbvia contradição: os deputados não devem fazer "politica partidária" mas devem preocupar-se em não afrontar o partido e o secretário-geral e não "envergonhar o partido"?
  • O que é "utilizar o cargo para fazer politica partidária"? Os deputados intervieram em plenário ou nas comissões parlamentares para falar da vida interna do partido? Estavam numa missão parlamentar em Bruxelas e foram para a praça do Luxemburgo gritar "Tozé, marca o Congresso!"?
  • Desde quando é que os deputados do PS estão impedidos ou limitados na sua liberdade de expressão devido ao cargo para o qual foram eleitos? É este o modelo de deputado defendido pela actual direcção do Partido Socialista? Os deputados do PS não representam os valores do PS na Assembleia da República? Não são todos militantes do PS? Com que autoridade determina o Eurico Brilhante Dias o que devem eles ou não comentar?
  • Assim de repente, o António José Seguro não é deputado? É, não é? E esteve recentemente numa cena no Porto onde estiveram 2000 1000 800 476 bué pessoas a fazer o quê?
  • Se assinar um documento a apelar à presidente do partido (também deputada) para marcar um congresso extraordinário é "desrespeitar o mandato" de deputado, faltar propositadamente ao debate no plenário de uma moção de censura ao governo é o quê?
  • A eurodeputada Ana Gomes ou o deputado João Soares, que têm aparecido nos órgãos de comunicação social a apoiar António José Seguro, não estão a "desrespeitar o seu mandato"?
  • O Eurico Brilhante Dias quando vai a conferências ou à comunicação social falar de assuntos da Assembleia da República está a "desrespeitar o seu mandato" de membro do Secretariado Nacional do Partido Socialista?
  • Os deputados ao pedirem um congresso extraordinário à presidente do partido estão a afrontar o partido? Porquê? Deviam antes ter ido à TVI24, era?
  • Como é que querer um congresso extraordinário é afrontar o partido? O partido é António José Seguro? E não se pode afrontar António José Seguro?
  • Haver deputados militantes do PS a dirigirem-se à presidente do partido "envergonha o partido"? A sério?
  • E ter um Secretário-Geral a ir para o Facebook culpar um presidente de câmara pelas sondagens que indicam a derrota do PS numas próximas legislativas não "envergonha o partido"?
  • O Eurico Brilhante Dias defende que os deputados eleitos para representar todos os cidadãos portugueses no parlamento nacional não devem ter qualquer iniciativa que não seja controlada ou aprovada pela direcção do partido? Voltámos a 2012? É esta a "nova forma de fazer política"?

 

23
Mai14

O triunfo da decadência

David Crisóstomo

Não aprendemos nada. Ninguém quis saber. Nunca como nos últimos cinco anos sentimos na pele como as grandes decisões que afectam o nosso dia-a-dia, a evolução da nossa sociedade, a nossa situação económica e financeira são tomadas em Bruxelas. Em Bruxelas, Luxemburgo, Frankfurt e Estrasburgo. Não quisemos saber. Andámos as últimas semanas como se estivéssemos em 1992. A Europa é gira e tal, há umas cenas que importam, mas eu quero é falar sobre o que fazer cá no burgo. Parlamento Europeu? Who cares. Não importa para nada. É para tachos, é abolir aquela merda. Eleger gente para quê? Para nos representar? Políticos, ainda por cima longe do meu olho? Ca nodja. É fechar aquilo e é já. Preferimos todos não eleger ninguém e deixar o nosso futuro na mão de um bando de sábios que nos últimos anos apenas demonstraram serem sabichões. Presidente da Comissão Europeia? Querolásaber. Até parece que me aquece ou arrefece. A troika sim, fora daqui, fez um bom trabalho, foi um horror, e o Sócrates, o Sócrates! A troika era o FMI, e outras duas cousas que agora não me recordo. Mas tenho lá tempo para perder com candidatos a presidentes da Comissão Europeia. Também era de abolir isso, que isto era um terra de gente honrada e de bons costumes antes da CEE. Estávamos perto daquele tempo onde não havia défices, tempos dourados onde a regra d'ouro era cumprida à força toda, isso sim, isto da CEE, UE, ou que é, só dá chatices. E agora ainda tenho que perder tempo a ouvir propostas para o continente? Mas e a minha rua? Ah, sim, surf nas escolas, fale-me mais disso. E o Sócrates, esse malandro, como é que ainda não está preso ou apedrejado? Conte-me mais doutor Nuno Melo, conte-me tudo. Fale-me da besta do Sócras, do vírus do PS, do despesismo, fale-me disso tudo, que eu de Europa não quero saber, não serve para nenhum. Bora sair daquilo assim à bruta e prontus, como defende o camarada João Ferreira, bora lá pessoal, siga, é rasgar os tratados, viva a independência do condado portucalense, viva viva, que venha o escudo, que venha, que eu não quero saber de consequências disso nem eles estão para explicar. Eu quero é saber de selfies, ah tão giro que ficou o doutor Seguro, que já apresentou o programa de Governo enquanto apresentava o Assis, que isto assim poupa-se tempo, só faltou apresentar o candidato ao Palácio de Belém e às municipais. É a despachar, que o povo não quer saber de Europa, quer é ver os gatunos punidos, força Gil, força senhor-da-Madeira, força ex-bastonário Marinho, que vai defender bué o interesse da população, apesar de muito provavelmente não ir ter grupo parlamentar em Estrasburgo e, como tal, ficar lá sem fazer nenhum. Mas isso agora não interessa nada, ele diz que vai lutar contra o lobby gay e contra quem andou a meter dinheiro nos bolsos e eu gosto disso, cheira-me bem, que se foda a Europa. 

 

Não aprendemos nada. Fora excepções, ninguém quis saber e ninguém quis comunicar. Eu sei onde voto no domingo e não é em gente que despreza o acto eleitoral que nesse dia acontecerá. Que vergonha, caramba.

 

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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