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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

23
Out14

Exigências

David Crisóstomo

Sobre uma nova, maravilhosa e nada populista proposta da senhora deputada Teresa Leal Coelho, deixo aqui um post do João Pina, com umas sugestões de exigências que o grupo parlamentar do PSD pode também propôr à Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdade e Garantias.

 

"Esta gente é mesmo muito perigosa. Continuam a ameaçar espezinhar a Constituição, sem pudor nenhum.

Mas se estamos nessa, tenho algumas propostas para acompanhar a do PSD. Os políticos deviam ser todos obrigados a declarar:
- A sua condição sexual
- Se são vegetarianos
- Os animais de estimação, descriminado por género e raça
- Se possuem alguma peça de roupa que não seja original
- A filiação clubística
- O(s) tipo(s) de vegetais preferidos
- Se fumam ou não
- Se já realizaram alguma operação estética
- O local onde cortam o cabelo
- Os testes de ADN para comprovar que os filhos são seus
- Entregar uma cópia do Boletim de Vacinas, sendo impedidos de exercer funções se a vacina do tétano não estiver em dia
- Se fizeram parte de alguma Comissão de Praxe enquanto estudaram
- Número de calorias ingeridas semanalmente
- A sua religião, especificando o credo
- Tipo de bebida preferida, especificando o teor alcoólico
- Tamanho do perímetro abdominal
- Tipo de graduação nos óculos e condição, se aplicável
- Atestado emitido pelo IMTT, a comprovar que sabem mudar um pneu
- Se possuem alguma Bimby no seu agregado familiar
- Atestado, emitido pela FCT, a comprovar que sabem demonstrar o Binómio de Newton
- Lista de todos os filmes em que choraram
- Se possuem calos
- A idade da primeira relação sexual
- Se alguma usaram aparelho nos dentes
- Se usam lenços de papel ou de pano
- Com que periodicidade cortam as unhas
- O número de folhas do papel higiénico que usam em casa
- Se arrotam depois de beber Coca-Cola
- Com que idade começaram a gatinhar
- Onde estavam no dia que mataram o Bin Laden
- Se já leram o livro e viram o filme "Os Maias" e qual acharam melhor
- Se a calvície é hereditária na família
- De que forma usam os cotonetes
- Outros que tenham reflexo nas OUTRAS DESPESAS do Orçamento de Estado

Garanto-vos que não me sinto seguro em ser representado por pessoas que mantenham estas informações secretas, pois, no meu entender, estas informações privadas, só fazem sentido se forem do domínio público. É a melhoria da democracia que está em causa."

 

19
Jan14

Mensagens para parlamentares

David Crisóstomo

Aos deputados do PS António Braga e João Portugal – Queiram por favor ter a amabilidade de reflectir sobre a bancada parlamentar em que se sentam; reflectir sobre o partido em que militam; reflectir sobre os seus valores e a sua história; reflectir sobre as causas defendidas, sobre as metas alcançadas. Queiram ter amabilidade de reflectir e de reconsiderar se se estão a sentar no lugar certo. Se não se enganaram no primeiro dia, se não se sentiriam mais “em casa”, mais em consonância com seus pensamentos e filosofias, se não estariam mais confortáveis ali daquele lado, ali, mais ao lado do Ribeiro e Castro & Cª, se não achais que estejais a mais aí, nesses lugares tão à esquerda ou ao centro, mesmo por baixo da clarabóia por onde entra tanta luz, onde haverá luminosidade a mais para as suas cabeças. Queiram ter amabilidade de considerar se, depois dos votos contra na generalidade e as abstenções de anteontem (ui, deve ter-vos custado), não preferíreis situar-vos num canto mais obscuro da Assembleia da República. E uma pessoa só pode imaginar a eloquência que deve vir compartimentada nesta última vossa declaração de voto. Depois da vergonha que foram aquelas vossas tomadas de posição, queiram ter a amabilidade de reflectir sobre isto, sim?

 

À deputada do CDS-PP Teresa Caeiro  À excelentíssima, que caracterizou tudo aquilo como “algo que não acredito e que considero uma iniciativa lamentável”, que estava ali indignada com o sucedido, com o que se tinha passado, mas, oh abismal vontade celestial, foi se abster na votação, venho aqui deixar uma palmadinha nas costas. A sôtora achou que aquilo era tudo inadmissível e estava ali que não podia mas, quando foi a altura de mostrar o seu descontentamento, decidiu que, olhem, "nhan", era-lhe indiferente, don’t care, tanto se dá como se lhe dê. Diz que não quis ser acusada de “deslealdade parlamentar”, qu'isso é uma fama horrível, mas que bem, que fofinha, assim é que tem que ser, solidária com os companheiros de carteira, que se lixem as famílias e as crianças, a bancada da Teddy tem prioridade, desculpem lá, pois se houve indicação – e não disciplina de voto, como relata este camarada de bancada da Teresa – é para acatar e prontus, se lhe indicaram que assim é que era aconselhável, que autoridade tinha ela, a vice-presidente do partido, para votar pela sua cabecinha, hein?

 

À deputada do PSD Teresa Leal Coelho  Um obrigado.

 

05
Abr13

Vilafrancada

David Crisóstomo

 

É por estes dias que se vê a juventude e imaturidade da nossa democracia. Ou, mais precisamente, duma certa classe politica que diz ser de 'direita'. Como sempre tive respeito por todas as ideologias políticas, fossem elas mais à esquerda ou mais à direita do meu pensamento, prefiro não identificar estes fulanos como 'de direita'. São um outro tipo, um outro género, algo assim mais básico e primário, idiota vá, que não percebe o que diz, não entende a capacidade dos seus actos, não compreende a dimensão dos seus pensamentos. São a inconsequência personificada.

Desde a ascensão ao poder do grupo de ineptos que actualmente nos governa que, devido ao 'ar do tempo', se lançou uma nova cruzada ideológica e libertadora. O alvo dessa campanha desonesta e odiosa? A Constituição da República Portuguesa.

 

A Constituição é, de repente, a fonte de todo o mal. É ela a culpada da crise, da austeridade, do estado da economia, do descalabro financeiro, do caos social, da alegada ingovernabilidade deste povinho. A CRP é, aos olhos destes cegos, um pedaço de folhas insensatas e tiranas que, de modo a entrarmos nessa nova fase em que a economia vai crescer feita doida assim do nada, tem que ser rasgada, queimada, apedrejada. É devido à lei fundamental do país que isto 'está como está', clamam estes libertadores. Temos que nos livrar dela, concluem. 

 

E não nos faltam exemplos dessas declarações de amor ao 'anti-constitucional'. Henrique Raposo, essa ínclita promessa nacional no ramo da sabujice, essa amalgama potencial dos genes de Miguel Relvas com os de Manuel Maria Carrilho, esmerou-se na terça-feira passada e, (citando Duarte Marques) 'mais um vez em grande', vomitou esta trova (e levou uma boa resposta do Domingos Farinho). Eduardo Catroga, grão-mestre da ordem dos pelos púbicos, declarou que o texto constitucional português era um 'entrave à governação'. Na imagem acima vemos Michael Seufert, o deputado do CDS dos jotinhas populares na Assembleia da República, a anunciar o seu 'desprezo' pela CRP. And we could go & on...

Há uns mais comedidos, é certo. Luis Montenegro não se importava se simplesmente se extinguisse o Tribunal Constitucional, para ver se não dava mais chatices. Teresa Leal Coelho relembra mesmo que o tribunal também está vinculado ao memorando da troika (ou seja, por corolário lógico, que o memorando de entendimento tem supremacia sobre a letra e o espírito da Constituição). O abominável César das Neves acusa o Tribunal Constitucional de ter desgraçado o país (e de que Portugal necessita dum regime não-democrático para controlar a despesa...). Por sua vez, múltiplas vozes clamam por uma revisão constitucional (a sétima), desde aquela academia de intelectualidade benjamim brejeira que é a JSD (que inculpa a Constituição de ter 'falhado' por não ter garantido o Estado Social ou o desenvolvimento económico do país ou lá o que raio), ao bastião dos valores democráticos que é o PSD-Madeira (cujo líder diz que a 'Constituição criou uma teia no regime político') - a maioria de dois terços necessária para aprovar tal revisão no parlamento é algo que escolhem, aparentemente, ignorar.

 

É por estes dias que se vê a juventude e imaturidade da nossa democracia. A Vilafrancada foi uma revolta levada a cabo em 1823 pelos partidários do absolutismo, patrocinados pelo infante D. Miguel, pela rainha consorte D. Carlota Joaquina e pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, cujo objectivo era o de derrubar o recém-criado regime liberal e revogar a primeira Constituição portuguesa. O rei D. João VI, que um ano antes tinha jurado cumprir e proteger a Constituição, nada fez e acabou no final por aceitar a revolta. Mas a história não se repete, não é?

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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