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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

29
Mar13

E ainda: o inenarrável José Gomes Ferreira

mariana pessoa

José Gomes Ferreira, em mais uma das suas piadolas, tenta responder ao que considera serem os embustes de Sócrates.

 

Detenhamo-nos neste: "O Ministro das Finanças dele não lhe disse que ao final de um mês não havia dinheiro para salários? Esqueceu-se dessa parte? E os jornalistas esqueceram-se de lhe perguntar? Esse é o primeiro embuste, não havia dinheiro para salários. Portanto não é verdade que a situação fosse como a Espanha e a Itália. É ao contrário. Estávamos à beira de os cofres do Estado não terem dinheiro para pagar salários. Está dito, está escrito, está documentado

 

Pois está. Está documentado no livro de Emanuel dos Santos, “Sem Crescimento não há Consolidação Orçamental – Finanças Públicas, Crise e Programa de Ajustamento”. Foi Secretário de Estado do Orçamento entre 2005 e 2011. É capaz de saber umas coisitas, quiçá mais do que o vendedor de farturas que ulula na SIC.


E o que diz Emanuel dos Santos? 


"Demonstramos como o argumento da falta de dinheiro para salários não tinha fundamento. Aliás, desde que a economia seja capaz de gerar receitas fiscais e a respetiva administração tenha capacidade para as cobrar, o dinheiro para financiar as funções do Estado só falta se não houver rigor na gestão dos serviços públicos ou se for utilizado para satisfazer amortizações da dívida pública que os mercados não refinanciem em condições razoáveis”


“No primeiro semestre de 2011 as receitas cobradas de impostos sobre o rendimento (IRS e IRC) ascenderam a 5,643 mil milhões de euros e os salários pagos aos trabalhadores do Estado e dos Fundos de Serviços Autónomos somaram 5,099 mil milhões de euros, ou seja, o valor da cobrança de apenas dois impostos foi suficiente para pagar todas as remunerações certas e permanentes da responsabilidade da Administração Central. Note-se que a soma daqueles dois impostos é inferior à receita arrecadada no mesmo período respeitante ao IVA (6,644 mil milhões de euros). Ora, numa situação em que a confiança no país estava a ser abalada, a atitude mais correcta não era contribuir para esse processo de descredibilização, mas antes pelo contrário, destacar as nossas capacidades e virtualidades, como era, no caso, a boa execução orçamental


Bem sei que José Gomes Ferreira é um pin up das alminhas que vêem em Sócrates a personificação dos males do mundo. E todos vemos como isso o tem alavancado nas redes sociais, onde a cada 3 horas morre um panda bebé e se partilha um vídeo de José Gomes Ferreira com títulos do tipo "Eis o homem que fala a verdade toda, todinha, até não restar nem mais uma gota". 


Mas talvez se passasse menos tempo a processar bilis de verme e mais tempo a estudar, talvez não partilhasse estes dichotes populistas da propagação de embustes narrativas falsidades convenientes a quem está sempre pronto a afagá-lo pela sua lealdade enternecedora.

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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