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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

06
Dez13

Resolúvel

David Crisóstomo

Desde a morte de Nelson Mandela que há para aí um grande aparato por tudo quanto é sítio sobre uma alegada posição portuguesa nas Nações Unidas durante o governo de Cavaco Silva e uma consequente grande confusão sobre as votações de então. Pois bem, a 20 de Novembro de 1987 foram apresentados 8 projectos de resolução na Assembleia Geral das Nações Unidas relativos à situação da África do Sul. Contudo, só 7 é que foram votados, tendo a resolução A/RES/42/23H, que apelava a um aumento das contribuições para o Fundo das Nações Unidas para a África do Sul, sido adoptada sem votação. Nas restantes, Portugal aprovou uma, a A/RES/42/23G, absteve-se em 3 e votou contra outras 3: a A/RES/42/23A, a A/RES/42/23D e a A/RES/42/23C. Esta última era relativa a imposição de sanções ao regime sul-africano e foi aprovada com 126 votos a favor, 17 abstenções e 11 votos contra. A A/RES/42/23D, referente às relações entre Israel e a África do Sul, obteve 103 votos a favor, 23 abstenções e 29 votos contra. Já a A/RES/42/23A, "Solidariedade internacional com a luta pela libertação na África do Sul", referenciava de facto o caso de Nelson Mandela:

 

 "Gravely concerned at the escalating repression of and State terror against opponents of apartheid and the increasing intransigence of the racist regime of South Africa, demonstrated by the extension of the state of emergency, the vast number of arbitrary detentions, trials, torture and killing, including of women and children, the increased use of vigilante groups and the muzzling of the press, 


(...) 4. Demands again that the racist regime end repression against the oppressed people of South Africa; lift the state of emergency; release unconditionally Nelson Mandela, Zephania Mothopeng, all other political prisoners, trade union leaders, detainees and restrictees and, in particular, detained children; lift the ban on the African National Congress of South Africa, the Pan Africanist Congress of Azania and other political parties and organizations; allow free political association and activity of the South African people and the return of all political exiles; put an end to the policy of bantustanization and forced population removals; eliminate apartheid laws and end military and paramilitary activities aimed at the neighbouring States; (...)" [bolds meus]

 

Esta resolução foi então aprovada com 129 votos a favor, 22 abstenções e 3 votos contra - Estados Unidos, Reino Unido e Portugal.

Todavia, como referi acima, Portugal votou a favor da resolução A/RES/42/23G, "Acção internacional concertada para a eliminação do apartheid", aprovada com 149 votos a favor, 4 abstenções e 2 votos contra (Estados Unidos e Reino Unido), e onde se pode ler que:

 

"Alarmed by the critical situation in South Africa caused by the policy of apartheid and in particular by the extension of the nation-wide state of emergency, 

(...) 4. Demands that the authorities of South Africa:

(a) Release immediately, unconditionally and effectively Nelson Mandela and all other political prisoners, detainees and restrictees;

(b) Immediately lift the state of emergency;

(c) Abrogate discriminatory laws and lift bans on all organizations and individuals, as well as end restrictions on and censorship of news media;

(d) Cease all political trials and political executions;

(e) Grant freedom of association and full trade union rights to all workers of South Africa;

(f) Initiate a political dialogue with genuine leaders of the majority population with a view to eradicating apartheid without delay and establishing a representative government; (...)" [bolds outra vez meus]

 

Ou seja, é verdade que Portugal votou contra a libertação de Nelson Mandela durante o governo de Aníbal Cavaco Silva. E também é verdade que Portugal votou a favor da libertação de Nelson Mandela durante o governo de Aníbal Cavaco Silva. E tudo no mesmo dia.

 

28
Ago13

Martin Luther King meets Syria 2013

mariana pessoa

Hoje tudo o que mexa em teclado vai falar no discurso de Martin Luther King, "I have a dream".

Para mim, esse nunca foi o discurso mais inspirador. Foi outro, um outro que me fez olhar para a América de forma diferente. Foi proferido em 1967, na Riverside Church em Nova Iorque, quando após anos de silêncio, King se afirma contra a guerra no Vietname:

 

 

O discurso tem cerca de 23 minutos, mas vale cada segundo. Retiro alguns excertos:

 

"And who are we supporting in Vietnam today? It's a man by the name of General Ky [Nguyen Cao Ky], who fought with the french against his own people. And who said on one occasion that the greatest heroe of his life is Hitler."

 

 

"The world now demands a maturity of America that we may not be able to achieve. It demands that we admit that we have been wrong from the beginning of our adventure in Vietnam, that we have been detrimental to the life of the Vietnamese people."

 

"A nation that continues year after year to spend more money on military defense than on programs of social uplift is approaching spiritual death."

 

"Increasingly, by choice or by accident, this is the role our nation has taken, the role of those who make peaceful revolution impossible by refusing to give up the privileges and the pleasures that come from the immense profits of overseas investments."

 

Na altura, King falava sobre a guerra do Vietname e sobre como aquela não era a forma de combater o comunismo, a grande ameaça da época e desculpa 'one size fits all' para intervenção dos Estados Unidos da América desde o Sudoeste Asiático, passando pela América do Sul.

 

Substitua-se Vietname pela Síria (ou Egipto, ou Iarque, ou Afeganistão, ou Paquistão, ou-ou-ou) e Comunismo (travestidos por terroristas na época) por Islamismo. You do the math. Especulando, claro. Nunca saberemos se Martin Luther King, o que tinha um sonho, não virararia, com o tempo, alma gémea de Kissinger e a sua real politik.

 

PS: Para quem quiser, a timeline da guerra do Vietname aqui.

20
Abr13

O caminho certo

David Crisóstomo

 

Há cerca de um mês foi divulgado o Relatório do Desenvolvimento Humano de 2013, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, no qual são revelados os dados do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) para o ano de 2012. Nesse mesmo relatório (que desgraçadamente não contou com a colaboração do Artur Baptista da Silva) é feita uma comparação da evolução de todos os estados-membros relativamente ao valor do IDH e à posição no ranking mundial, tendo por base os dados de 2010. No diagrama de Venn acima apresentado estão expostos dois grupos de países da União Europeia: no circulo cinzento estão os estados que desceram de posição no ranking; no círculo vermelho estão os países cujo valor do IDH em 2012 foi inferior ao registado em 2010. E sim, de todos os países da União Europeia, Portugal foi único cujo valor e posição internacional no campo do Desenvolvimento Humano variaram negativamente. A nível mundial, o desempenho da nossa nação só é acompanhado em tamanha honra pela Líbia e por Antígua e Barbuda.

 

Mas está tudo a correr bem, não é?

 

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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