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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

04
Nov14

O Sol é o nosso carvão

CRG

"...the main force in favor of greater equality has been the diffusion of knowledge and skills"

Thomas Piketty - "Capital in the Twenty-First Century"

 

Merkel afirmou que Espanha e Portugal têm demasiados licenciados. O que são "demasiados"? 30%, 70%, 90% não disse, nem lhe interessa fundamentar tal diatribe. A questão não é o número de licenciados, mas sim como imagina que deve ser a estrutura produtiva da península ibérica; e como olha para o ensino: mera fonte de mão-de-obra.

 

Tal como Cobden no século XIX, Merkel considera normal que a Alemanha seja a "fábrica" da Europa e que os outros países fiquem com o papel de consumidores de produtos alemães e de produtores de bens de menor valor acrescentado - o que levaria a uma maior desigualdade entre a periferia e o centro da Europa.

 

Claro que sempre se poderá dizer que a chanceler alemã estava legitimamente a defender os interesses germânicos, só é pena que muitos ainda duvidem deste simples facto nem percebam que não são coincidentes com os portugueses.

10
Nov13

Grande coligação, pequenas expectativas?

Nuno Oliveira

Não são muitas as notícias sobre o processo negocial entre o SPD e a CDU/CSU. Talvez por isso vão sendo escassas, para não dizer inexistentes, as referências ao processo na imprensa portuguesa. Vale a pena, no entanto, tentar acompanhar as negociações ainda que o que se vai sabendo esteja repleto de rumores, meias histórias e sinais subtis. A Teresa de Sousa faz hoje no Público um ponto de situação:

 

(...) Os sociais-democratas já conseguiram o salário mínimo, abdicando de grandes aumentos nos impostos dos mais ricos. Preparam-se para abdicar do Ministério das Finanças, que deverá manter-se nas mãos de Wolfgang Schäuble, mas ainda não se sabe ao certo com que pastas ficarão. Provavelmente e como da praxe Frank-Walter Steinmeire voltará aos Negócios Estrangeiros, onde já esteve na primeira grande coligação com a CDU, em 2005.

 

O problema é que hoje as grandes decisões passaram para o controlo dos chefes de Governo e dos ministros das Finanças, relegando os chefes da diplomacia para um papel mais recuado. Sigmar Gabriel, o líder do SPD, quererá ficar com a Economia. O problema maior é o da discussão do programa de governo e as informações que vêm de Bruxelas e de Berlim são poucas e pouco animadoras. As negociações estão divididas por 20 grupos de trabalho e a Europa está a ser discutida no grupo que trata das finanças.

 

Não é propriamente um bom indício para que a política europeia de Berlim possa mudar nem que seja alguma coisa, no curto e no médio prazo. Wolfgang Schäuble continua a ser a figura central desta negociação. Nas duas questões fundamentais que estão à espera do novo governo alemão, União Bancária e a União Orçamental, a chanceler e o seu ministro das Finanças continuam irredutíveis. (...)

 

A segunda questão a que os sociais-democratas deram alguma importância passa por medidas que vão no sentido da mutualização mais ou menos parcial da dívida dos países do euro. Os países do Sul em maiores dificuldades estão asfixiados pelo peso da dívida. O SPD já foi a favor de um "fundo de redenção" para a dívida superior aos 60 por cento fixados no Tratado, que foi uma sugestão dos economistas que aconselham o Governo alemão. Mas o que vai chegando de Berlim e de Bruxelas é que, também aqui, os sociais-democratas se preparam para recuar.

 

O único cenário que resta e que a Alemanha poderia aceitar, é o chamado "reprofiling" (uma coisa parecida com reescalonamento) que garanta mais tempo e menos juros aos países com programas de ajustamento. Alguma coisa terá de ser feita. Paul de Grauwe, o conhecido economista belga que é um dos grande teóricos da união monetária, disse recentemente em Lisboa sobre a situação portuguesa que mais um ano de dura austeridade como aquele que está previsto para 2014 mataria qualquer hipótese de crescimento e levaria, de uma ou outra maneira, à reestruturação da divida portuguesa. A ideia de que é preciso compensar os países que sejam afectados por choques assimétricos aos quais não podem responder porque perderam os instrumentos de desvalorização da moeda e de aumentar o Orçamento está a fazer o seu curso. Pode ser uma espécie de orçamento da zona euro (que já veio referido nas conclusões da penúltima cimeira europeia). Mas é apenas uma hipótese. (...)

13
Nov12

Uma questão de tempos

sara marques

"Nunca lastimarei o preço que tiver de pagar para que Portugal saia da crise"

Pedro Passos Coelho, 12 de Novembro de 2012

 

É tão perigoso viver o presente sem pensar no futuro como garantir um futuro sem assegurar o presente. Os fins não justificam os meios quando é da vida de pessoas que se trata.

"Um dia, as pessoas verão o resultado das reformas", disse Angela Merkel. E até esse dia, como faremos? Pergunto eu.

12
Nov12

O queridinho da senhora professora

Pedro Figueiredo

 

Na escola primária havia, invariavelmente, um menino querido da senhora professora. Nunca saía da sala de aula sem apagar o quadro, apresentava-se sempre como voluntário para ir fazer os recados aos contínuos e, no limite, deixava de brincar com os restantes meninos no intervalo para ficar na sala com a professora a comer o lanche.
Foram as primeira vítimas do que agora se denomina de bullying. Mas eram, também, um exemplo aos olhos da professora. Podiam não ser alunos brilhantes, mas por serem bem comportados e cumpridores eram apresentados como exemplo. O que não significava que essa espécie de lambebotismo infantil fosse o melhor caminho para o sucesso. Na verdade, o elogio dessa prática dependia sempre da personalidade da professora.
A história de Portugal como bom aluno conhece hoje um novo capítulo. A senhora professora vem elogiar o cumpridor miúdo, que apesar de levar calduços dos companheiros, continua a apagar o quadro e a fazer os recados. Mesmo sob o coro de protestos da restante sala de aula.
Que a chanceler alemã diga que Portugal não tem necessidade de renegociar com a Troika, não me surpreende. Do ponto de vista do credor, quando a dívida está a ser paga a tempo e horas, os custos que tais cumprimentos possam estar a ter no próprio país não lhe interessam minimamente. Aguentam e isso é que importa.
O que me deixa admirado é que o queridinho da senhora professora não perceba o que está a acontecer. À turma e a ele próprio. Inebriado pelos elogios do "bom aluno", continua a achar que um dia todos os outros meninos irão perceber que é a sua atitude e comportamento que estão certos. Acredita que o tempo assim o vai provar. Esteja ou não a professora a ensinar bem.
09
Nov12

Suserania política

Pedro Figueiredo

O tema que abriu a Quadratura do Círculo desta semana foi a próxima vinda de Angela Merkel a Portugal.

Lobo Xavier abriu o debate e a sua intervenção andou à volta de considerar um disparate a elevação da chanceler alemã à condição de persona non grata no nosso país.

 

Pacheco Pereira falou a seguir. Começou por dizer que primeiro era preciso saber o que vinha a Sra. Merkel cá fazer. E assim como perguntou, respondeu: vem apoiar o Governo. As explicações ficam aqui transcritas:

 

«Fica a ideia de suserania política sobre Portugal e isso não me agrada. É uma realidade dos factos e também não acho que seja tão ostensiva para ser a principal razão para justificar as reacções, mas está implícita a ideia que quando um importante agente estrangeiro, com poder de veto na Europa, ou seja não se faz nada que não tenha o apoio da Alemanha, venha a um país como Portugal, intervencionado para apoiar o seu governo e portanto implicitamente a política desse governo, ela está a dizer que tem uma suserania política qualquer sobre esse governo. Isso incomoda-me noutro sentido. É que é errado concentrar as atenções na Senhora Merkel. Uma das coisas que a oposição está a fazer é que o mal está a visitar-nos na segunda-feira. E isso tem um efeito desresponsabilizador sobre o governo e as políticas do governo».

 

Continuou a explicar que há políticas seguidas de acordo com o que foi acordado com a Troika, mas as medidas tomadas para a implementação dessas mesmas políticas já se provaram estarem erradas. Pergunto-me até quando é que a incompetência continuará a ser ignorada. E nem sequer me estou a lembrar (ou esperasse) que de Belém viesse algum sinal de vida. Vamos, com certeza, ver sua excelência sorridente a apertar a mão à chanceler para as fotografias. Aliás, no caso do actual inquilino presidencial, o maior legado que deixará aos portugueses será o de os ter realmente colocado a pensar: «Assim, para que é que é preciso um Presidente da República?»

07
Nov12

Epifania à vista?

Nuno Pires

 

O Jornal de Negócios noticiou que as novas encomendas às fábricas alemãs tiveram em setembro a maior queda deste ano.

 

Como a notícia descreve, entre outros motivos para esta redução, verificou-se uma diminuição nas exportações da Alemanha. Sabendo-se que boa parte destas exportações têm como destino países europeus, rapidamente se estabelece uma ligação que para muito boa gente já não é novidade.

 

A verdade é que a Alemanha começa a ser atingida pelas consequências diretas das políticas de austeridade que orgulhosamente defende e que, infelizmente, continuam a infligir danos em várias economias europeias e a ferir a coesão e a solidez da União. Mesmo a maior economia europeia começa a revelar sinais de fadiga, como consequência da teimosia de pessoas como Angela Merkel ou Wolfgang Schäuble em impor aos seus parceiros europeus (parceiros – não súbditos ou subordinados), políticas de austeridade que se revelam contraproducentes.

 

Pode ser que a constatação desta queda nas encomendas à indústria alemã funcione como uma espécie de epifania para alguns dos que ainda conseguem conjeturar sobre a existência de benefícios resultantes de políticas de austeridade cega e aplaudir quando alguém diz algo tão patético como ser necessária austeridade para “convencer o mundo de que vale a pena investir na Europa”.

 

É que, por este caminho, um dia poderá não haver “Europa” para investir.

 

(Imagem)

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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