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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

21
Nov13

1ª aula de explicações (virtual) a Henrique Monteiro

Cláudio Carvalho

O Henrique Monteiro insere-se na categoria de jornalistas do Camilo Lourenço e afins: não fazem o trabalho de casa, lançam uns bitaites e acham-se incrivelmente astutos e intelectualmente superiores, mesmo dizendo bacoradas que fariam corar qualquer estudante do ensino secundário. Por conseguinte, decidi dar uma aula de explicações virtual e gratuita ao Henrique Monteiro e em tópicos que é para que este não "queime" muito os "fusíveis".

 

«Logo no preâmbulo afirma que Portugal quer "abrir caminho para uma sociedade socialista". Isso exclui um sem número de portugueses que não querem abrir caminho para ismo nenhum.»


Henriquinho, queira o menino perceber que o preâmbulo nunca foi evocado pelo Tribunal Constitucional para declarar qualquer norma inconstitucional. Não tem força legal, ainda que tenha um sentido simbólico e sirva para efeito de contextualização histórica.

 

«Acham que é ao Estado que cabe (artº 58) "promover políticas de pleno emprego"?»


Então o Henriquinho ao contrário de um qualquer defensor com conhecimento de causa de um Estado mais reduzido, por exemplo monetaristas, considera que o Estado não tem um papel ao nível das políticas estruturais, ao nível das políticas do lado da oferta (agregada) no sentido de promover o pleno emprego? Este governo pode ser radical, mas o Henrique quer ir mais além. 


«Mais, será que aquelas personalidades - e mesmo outras - concordam com apanágios ao dirigismo como o que está plasmado no artº 67 em que se afirma que o Estado deve "cooperar com os pais na educação dos filhos"? Ou "Estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino" (artº 74) - recordo que o sistema de Bolonha, implantado há meia dúzia de anos, veio fazer com que os dois últimos anos do Ensino Superior (ou segundo ciclo) fosse pago e bem pago mesmo nas universidades públicas.»


Henriquinho, Bolonha é uma coisa, a lei de financiamento do ensino superior é outra. Desde quando é que «Bolonha (...) veio fazer com que os dois últimos anos do Ensino Superior (ou segundo ciclo) fosse pago e bem pago mesmo nas universidades públicas»? O novo modelo de propinas está consubstanciado na lei que define as bases do financiamento do ensino superior, isto é a Lei n.º 37/2003, de 22 de agosto com alterações introduzidas pela Lei n.º 49/2005, de 30 de agosto, sendo que a lei de 2005 não altera substancialmente a matéria relativa às propinas. Bolonha começa a tomar contornos em Portugal, com o Decreto-Lei n.º 42/2005, de 22 de fevereiro que estabelece os princípios reguladores de instrumentos para a criação do espaço europeu de ensino superior. Depois surge o Decreto-Lei n.º 74/2006, de 24 de março, relativo ao regime jurídico dos graus académicos e diplomas do ensino superior. Se pela primeira vez consultar esta legislação, verá que Bolonha nada teve a ver com a subida de propinas. Eu sei que dá trabalho estudar antes de disparatar, mas esforce-se mais um pouco.

 

Quanto a isto é mais um mau exemplo da sua má-fé, Henriquinho. Aconselho-o, portanto, a analisar relatórios como o "Report to the Nations on Occupational Fraud and Abuse" da ACFE.

 

Henriquinho, nunca tive grande consideração por pessoas que usam o seu estatuto de jornalistas (?!), de diretores de órgãos de comunicação social e áreas afins para despejar toda a demagogia e populismo que podem sobre a vulnerável e frágil opinião pública e para fazer política de "p pequeno", em vez de fazerem jornalismo e de se pautarem pela ética, pela moral, pela verdade. Usam e abusam de um poder desproporcionado em relação à sociedade, nomeadamente em relação à classe baixa e média, que não tem qualquer forma de expressar - de forma fiel e transversal - as suas posições senão através das instituições democráticas. Este poder tanto pode dar para o bem como para o mal. No caso do Henrique Monteiro, raras vezes dá-lhe para o bem. Não sei se é implicância, falta de conhecimento ou se escreve os artigos numa qualquer tasca da esquina, de qualquer das formas é pena, Henrique, é pena.

16
Nov13

Há quem diga que é mau perder, há quem diga que é mau carácter

Nuno Oliveira

Este segmento do Expresso serve justamente para cochichos e recados. Não vou por isso dissertar sobre a qualidade jornalística de uma secção que não é certamente feita a pensar na qualidade de um jornalismo de referência.

 

O que espanta neste caso em particular é ser absolutamente arbitrário e gratuito. Seria como alguém escrever "há quem diga que quem escreve o comendador não é o Henrique Monteiro, é o Johnnie Walker." Seria parvo e seria gratuito.

 

Este comentário publicado hoje no rescaldo da troca de cartas revela um "mau perder" muito muito grosseiro. 

 

20
Jul13

Under Pressure

David Crisóstomo

Ai que ele cedeu à pressão. Ai que o Seguro cedeu às pressões dos socráticos, dos costistas, dos soaristas, dos alegristas, dos arnauistas, dos galambistas - cedeu aos pressionários que pressionavam o pressionável. Ai que ele ele cedeu àquela corja. Ai que ele o mundo está perdido, a sociedade vilipendiada, os valores destruídos, a democracia condenada. Ai que horror, pois sabemos que quando um líder eleito age conforme a vontade da maioria, a democracia terá os dias contados. Ai que temos organizações partidárias ao 'estilo leninista', como dizia ontem o impressionável Henrique Monteiro na nunca-pressionável SIC Noticias. Ai que houveram pressões, expressas em desejos e manifestações de preocupação por parte de militantes do Partido Socialista, e o seu secretário-geral, cobardolas, ouviu-as. Ai que isto parece a Bucareste de Ceausescu, a Pyongyang de Kim Jong-il, a Pequim de Mao Tse Tung, a Havana de Fidel Castro, a Minsk de Lukashenko, a Caracas de Chavez, o Funchal de Alberto João Jardim. Ai que isto é um terror, que já não há salvação nacional devido a estas demoníacas pressões, como relata o doutor das Anti-Pressões, Ribeiro e Castro, que defende que um líder não faz follow a ninguém. Ai que isto tem que ser denunciado, um líder a ceder à maioria, é uma ditadura, ou o prenúncio de uma, acudam, o Paulo Rangel que se ponha aos berros lá no plenário do Parlamento Europeu, o mundo tem que saber que em Portugal há líderes de partidos que representam a vontade dos seus militantes. Ai que o líder é fraco, 'mostra a falta de coragem que ja se lhe conhecia para enfrentar o o seu partido' como diz bravo deputado da nação Luís Menezes, membro daquele partido onde o presidente se está, aparentemente, a lixar não só para as eleições, como para a vontade dos seus militantes, pois é assim que um líder deve ser, que se foda a vontade da maioria, o líder é que sabe. Ai que o PS tem um líder que não vai salvar nacionalmente o país, que se recusou a fazer um acordo onde se comprometia com gente lunática e incompetente a desmantelar ainda mais o Estado Social português, que temos que ser todos salvos nacionalmente desse sacana que aumentou a qualidade de vida da população portuguesa como nunca na sua história. Ai que o Seguro é pressionável, ao contrário das gentes mui sérias e verdadeiras da direita cá do burgo, que nunca cedem a pressões, nunca ligam a opiniões, estão ali convictas, empossadas pelo Espírito Santo na sua missão messiânica de salvar a pátria, de fazer consensos em seu redor, de nos liderar para o abismo. Ai que o líder do PS mandou a imbecil ideia do 'compromisso de salvação nacional' de volta para o colo do nosso inepto Presidente da República, como dizia a decerto deveras pressionável The Economist. Ai que o anilhador de cagarras, representado pelo justo Justino nesta monumental trapalhada, vai ter que usar os seus poderes constitucionais, vai ter que decidir, ser responsabilizado, presidir. Ai que já o pressionam para ter o mínimo de sanidade e convocar eleições antecipadas. Ai que a democracia não aguenta tanta pressão. Ai que não aguentamos, os agentes políticos não podem ser pressionados pelo povo, nem ter medo do povo, já dizia Assunção Esteves enfadada. Ai que o Seguro cedeu a pressões. Ai que ele cedeu à pressão. Isto era muito melhor no tempo em que ninguém pressionava os governadores da nação, tipo aí há uns 40 anos atrás. Ai.

 

25
Mar13

A Real Mesa Censória dos Comentadores

David Crisóstomo

 

Sócrates provocou tamanho ódio. Resmas de rancor e de cólera. É de facto impressionante. Como escreveu o Sérgio Sousa Pinto, "A política de Sócrates deve ter tido forte impacto negativo no sector da pedra lascada, atendendo à impressionante mobilização de trogloditas contra o homem."

 

Mas o que aqui me traz não é o ex-primeiro-ministro. Na sequência da patética guerra de petições e de todo o movimento de espanto e assombro houve certos comentadores que aproveitaram a maré para exprimir um novo manifesto libertador: fora com os políticos comentadores!

 

 

31
Dez12

Ana Sá Lopes responde a Henrique Monteiro - o enviesamento de esquerda dos media

mariana pessoa

No seu editorial de hoje (os negritos são meus):

 

A história do senhor Baptista da Silva serviu para algumas pessoas avançarem com um conjunto interessante de teorias de conspiração sobre os média em geral – cuja falta de adesão à realidade é tão grosseira como o currículo do senhor Baptista da Silva. A primeira dessas teorias surgiu pela primeira vez, curiosamente, dentro do próprio grupo Impresa. Henrique Monteiro, que foi director do “Expresso” e hoje desempenha o cargo de director editorial para as novas plataformas, afirmou no seu blogue alojado no site do “Expresso” que a Baptista da Silva tinha sido dado todo aquele relevo (nomeadamente, no próprio “Expresso”) devido a um alegado “enviesamento para a esquerda” da imprensa. Escreveu Henrique, pela manhãzinha da véspera de Natal: “Caso o burlão fosse a favor de Passos Coelho e de Gaspar não teria o mesmo eco. Isso deve-se, a meu ver, a duas causas distintas. A primeira, é porque a imprensa tem, no geral, um enviesamento para a esquerda”. O “Expresso” rejeitou a crítica do seu antigo director. Na nota publicada na edição de sábado a direcção escreve que “há um ponto que o “Expresso” se vê obrigado a refutar e que tem a ver com as leituras políticas que, inevitavelmente e de forma primária, surgiram. Em momento algum o “Expresso” deu mais importância a algum tipo de opinião sobre a situação económica do país em qualquer dos seus cadernos ou no “Expresso da Meia Noite”. Era natural que a direcção do “Expresso” se procurasse defender do ataque do seu antigo director (replicado por outros também), mas não precisava. Em 40 anos, a instituição nunca teve qualquer “desvio para a esquerda” – nomeadamente no tempo da direcção de Henrique Monteiro. Mas o “Expresso” sente a obrigação de se justificar: “O ‘Expresso’ sempre teve por tradição ter colunistas com opiniões diversas, incluindo na direcção do jornal”. Ao contrário do “enviesamento de esquerda” da imprensa, o que vivemos é um tempo em que até um semanário de meia-idade se tem de justificar de ter alguém que é objectivamente contra as políticas do governo dentro da sua direcção.


O que podemos - e devemos - é interrogarmo-nos sobre o que levou Henrique Monteiro a ter a expectativa de que o Expresso não desse eco a um agente (seja lá ele quem for) que tem um discurso contra as políticas seguidas por este Governo. Mas não surpreende ninguém, pois não?

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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