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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

05
Mai15

Austeridade, o eufemismo oportunista

Sérgio Lavos

Os anos de governação PSD/CDS foram marcados pelo uso eufemístico de algumas palavras: o newspeak criado por George Orwell em 1984, que se pode descrever como a reapropriação e recreação da linguagem comum para uso político e propagandístico. Exemplos comuns são a “requalificação”, o “ajustamento” ou a “recalibragem”.

O eufemismo mais avassalador tem sido a “austeridade”. Tomou conta da política e das nossas vidas, e a carga semântica que foi acumulando tornou-o um vocábulo tão polissémico quanto concreto, cada um de nós sabendo exactamente o que significa, o lastro que arrasta.

A “austeridade” nada pode ter de errado. Quem é austero é controlado, racional, pragmático. Historicamente, a austeridade tanto é luterana (uma vida de excessos não se coaduna com as virtudes que um deus espera dos seus crentes) como bem portuguesa. Recorda-nos Salazar e o seu “pobres, mas honrados”. Regrados, controlados. Salazar, o homem que, apesar de ter os cofres cheios de ouro, sempre viveu de forma humilde.

O eufemismo tem servido na perfeição as intenções do Governo. A austeridade precisa de culpa para ser aceite. A mensagem é clara: os portugueses que andaram a “viver acima das possibilidades” teriam de sofrer pelos pecados cometidos. E assim tem sido.

Mas o que é afinal a “austeridade”? Nada mais que uma transferência de rendimento do factor trabalho para o factor capital. O enfraquecimento do Estado Social tem avançado lado a lado com o aumento da desigualdade. Na Saúde, cortou-se até ao osso, e o caos que neste momento se vive nos hospitais públicos anda a par com o florescimento da oferta na Saúde privada e com um aumento exponencial das vendas dos seguros de saúde. Na Educação, o início de cada ano escolar tem sido marcado pela confusão, e é por isso natural que muitos pais optem por inscrever os seus filhos em escolas privadas, muitas das quais já são financiadas pelo Estado, através de contractos de associação fraudulentos. O próprio papel redistribuidor e de protecção da Segurança Social foi desvirtuado, e, ao mesmo tempo que são cortados subsídios e pensões, aumentam as transferências para as instituições particulares de solidariedade social (IPSS), herdeiras da “caridadezinha” de outros tempos. Além disso, cerca de 1000 milhões de euros do orçamento da Segurança Social são gastos em programas de inserção no emprego que não passam de subsídios directos às empresas. Neste momento, os impostos dos trabalhadores portugueses (o IRS subiu de forma imparável) estão a pagar salários no privado e a financiar a descida do IRC, contribuindo deste modo para o lucro das empresas. Transfere-se rendimento das mãos dos trabalhadores para as mãos dos patrões e dos accionistas, numa pornográfica inversão da redistribuição de riqueza que o Estado Social pressupõe.

A austeridade tem servido assim não para controlar as contas do Estado (a dívida pública dilatou-se a um ritmo acelerado), mas para desequilibrar a balança a favor de quem mais tem. É por isso normal que estes anos de austeridade tenham sido também os anos em que o fosso entre ricos e pobres mais cresceu. Sob a capa do virtuosismo cristão e abnegado, esconde-se uma história antiga. Aceitar a austeridade é aceitar que a mobilidade social e a igualdade nunca serão possíveis e que estamos condenados a não esperar mais do que aquilo que temos. A agenda da direita sempre foi essa. E os eufemismos ornamentam e fortalecem este discurso de ocultação e de propaganda.

 

(Texto publicado inicialmente no site do Livre/Tempo de Avançar.)

18
Jul14

Os intelectuais de direita também têm direito a existir

Sérgio Lavos

Lembrei-me da recente polémica sobre o coming out de uma certa direita intelectual ao ver esta vídeo-instalação de Ana Vidigal, que ensaia uma espécie de resposta a esta crónica de Maria de Fátima Bonifácio.

Lembrei-me enquanto sujava a cara e a boca com a gordura de um belo leitão e sentia nos lábios o sabor de um tinto carrascão comprado na Bairrada em homenagem aos congressistas do CDS-PP que há uns meses se queixaram de ter sido roubados por um empresário mal-intencionado.

(Isto veio a revelar-se mentira, o que por um lado lamento e por outro confirma que do partido irrevogável é sempre de esperar a mais torpe das mentiras. No caso em questão, acusar alguém de roubo.)

Lembrei-me enquanto arrotava, assim evocando esse grande vulto da intelectualidade de direita, Henrique Raposo, que tanto sabe escrever sobre a mais recente flutuação dos mercados como sobre a flatulência das mulheres de seios grandes, discorrendo diariamente fazendo uso das ferramentas que Deus lhes deu, a saber: a alarvidade sem dó e a mais abjecta ignorância sobre todos os assuntos. Raposo é portanto um homem com todas as qualidades, como aliás confirma a resposta dada ao jornalista na tal reportagem sobre o coming out, quando questionado sobre as razões de ter espaço na imprensa que em tempos era considerada de referência: "se estou no Expresso, é porque sou bom." Não reparando, coitado, que a folha dele no jornal de referência assemelha-se um pouco a um acidente na estrada em que todos param para ver ou à presença do Telmo do Big Brother nos ecrãs da TVI24. Gera audiência, shares no Facebook etc. e tal. Mérito suficiente para ser considerado um intelectual de direita.

Ora, Maria de Fátima Bonifácio tem outra estaleca, outra pátina. Sem querer escarafunchar excessivamente em tal existência (não resisto muito tempo em apneia), sei que Fátima pertence a uma das mais ruins estirpes do nosso país: a dos burgueses que durante o PREC namoraram com a extrema-esquerda mas com o passar do tempo regressaram à sua zona de conforto, reajustando-se à crisálida que tinham abandonado durante os conturbados anos de juventude. São os calores juvenis, a alegre loucura revolucionária, os fervores maoístas, as febres mais tarde domadas pelo berço, que lá do fundo da infância não cessa de chamar à razão esta burguesia perdida na sua própria transigência revolucionária. De volta para o aconchego dos braços familiares, esta estirpe passa a sofrer de uma culpa interiorizada. O conservadorismo que abraçam tem uma raiva latente, dirigida exteriormente - em crónicas de jornal - à esquerda em geral, mas na realidade interiormente direccionada a eles próprios, como se fosse cuspo atirado contra o vento batendo com força nas fuças. Tal regurgitação de ódio anti-esquerdista (sempre aliado a um desprezo a tudo quanto soa a progresso e modernidade, seja na política, seja na estética) tem na realidade um reverso de auto-desprezo (self-loathing, como a língua inglesa melhor explica), e mascara a impotência, tão irremediavelmente humana, de não conseguirem mudar o seu passado. Esta raiva auto e heterodireccionada põe esta gente num patamar diferente dos conservadores que nunca viraram costas ao berço e preferiram exilar-se no Brasil ou na redacção do Independente durante os anos 80. Sabem que por se terem tresmalhado da via justa, dos saraus de poesia na Lapa e das orgias badalhocas na Quinta da Marinha, por terem durante breves momentos (e eles querem tanto que tivessem sido breves) flirtado com um destino revolucionário, nunca serão plenamente aceites de volta. E por isso redobram esforços no ódio e no fanatismo ideológico, chegando a surpreender os verdadeiros conservadores (de modo geral bastante tolerantes com as escolhas políticas dos outros).

Perdidos nas suas próprias contradições, presos a um passado que não deixa de estar lá, ao fundo da memória, que os envergonha profundamente, estes novos intelectuais inorgânicos passam por outro verdadeiro martírio: sabem que os líderes que defendem agora são de outra linhagem, de outra educação, gente da província portuguesa ou ultramarina. E por isso ainda estrebucham mais, e defendem com mais energia os gurus que a vida lhes trouxe, consolando-se na raiva e no ressentimento a que uma existência cravejada de frustrações obriga.

Devemos mimar desta gente, porque sofrem de um sofrimento sem fim. O charco de ódio em que medram serve-lhes de tudo ao mesmo tempo: prato, copo e latrina. Que andem muitos anos por aí, sempre em paz.

04
Jun14

O cansaço das coisas previstas

Sérgio Lavos

Viver é uma canseira, sabemos. Mas aturar o bando de irrevogáveis que transitoriamente ocupa o palácio de São Bento ainda cansa mais. Brindam-nos com três anos de escolhas que destruíram a economia e quebraram os laços entre gerações, pessoas, classes, persistindo para além de qualquer dignidade pessoal ou honra política, e não páram. Não páram enquanto não levarem por diante o programa de desmantelamento do Estado Social, pedra sobre pedra.

Claro que temos sempre o estado de direito, personificado pelo Tribunal Constitucional. Garante que a lei fundamental é cumprida e substitui o presidente da República que se demitiu da sua função de último garante da Constituição e provedor do regular funcionamento das instituições. E sobretudo permite que, de tantos em tantos meses, as pessoas decentes respirem um pouco e o país aparente ter um ar de normalidade, ainda que provisória.

Mas esta gente porfia. Porfia porque, além de qualquer dignidade, espreita a pura criminalidade. Se o Tribunal Constitucional lhes bloqueia as intenções, eles esperneiam, ameaçam, choramingam, protelam. Não entendem como há ainda alguém no rectângulo que lhes faça frente. Queixam-se pelas televisões, ventriloquam através dos comentadores televisivos e dos jornalistas económicos, preparam pela porta do cavalo mais iniquidade em forma de aumento de impostos. Insistem, recusando fazer o que qualquer político com sentido de Estado e honra, na mesma situação, faria: a demissão. Irão até ao fim, não se importando com a pesada herança que irão deixar: a descrença generalizada dos portugueses nas instituições. 

Poderiam aproveitar mais um chumbo para finalmente aplicarem algumas medidas do memorando que nunca saíram do papel: cortar nas rendas da energia; cortar nas PPP's; regular o mercado de telecomunicações; garantir a livre concorrência e o fim dos quase-monopólios neste sector, no da energia e nos combustíveis; acabar com fundações e institutos desnecessários; reduzir cargos de chefia na administração pública; cortar nos consumos na administração central, começando por exemplo pela frota automóvel do próprio Governo; aplicar taxas mais pesadas sobre transações financeiras. Mas não, nunca, jamais. Atacar clientelas, ir às verdadeiras gorduras do Estado e largar o sofrido osso do zé povinho: impossível. 

Por isso a repetição das coisas cansa. O mesmo ritual, a mesma falta de novidade, uma vontade de aprofundar o fosso entre ricos e pobres (que alguns confundem com incompetência). Será um dia maravilhoso, inesquecível, quando esta gente partir. Até lá, paciência.

02
Jun14

Medo

Sérgio Lavos

Estive fora o dia todo, fazendo pela vida, chego ao serão aqui às coisas sociais e é uma animação. Não só já começou uma campanha contra António Costa (mais uma afinidade entre Seguro e Passos Coelho) como a direita animadamente desanca o putativo candidato à liderança do PS (ou a primeiro-ministro, não sei bem), embarcando no mesmo tipo de manobras que levaram à queda de Sócrates. A minha passagem pelo Twitter valeu-me um block (e uma espécie de ameaça velada) do administrador da CGD nomeado pelo Governo (aquele que ameaçou emigrar por causa da carga fiscal) e uma admoestação da virgem José Manuel Fernandes (a propósito da palavra "escutas", imagine-se se eu tivesse escrito "inventona de Belém") que se indignava com um blogue de apoio ao ainda presidente da Câmara de Lisboa. Concluindo: a direita está mesmo transtornada com a mera possibilidade do PS vir a tornar-se verdadeira oposição ao Governo. Se no PS não vêem isto, não vêem que apenas com Costa a direita sentirá medo, enfim, que dizer? Que os socialistas façam bom proveito dos anos de pousio que se avizinham.

04
Mar14

A cultura de direita

Sérgio Lavos

Aqui há umas semanas, o conselheiro de Cavaco Silva, António Araújo, publicou no seu blogue um texto - de resto, bastante partilhado nas redes sociais - sobre a cultura de direita em Portugal. Aqui fica uma espécie de complemento a esse texto, publicado no Ipsilon de sexta-feira passada, por António Guerreiro: 

 

"A CULTURA DE DIREITA
Há algumas semanas, o jurista e historiador António Araújo publicou no seu blog, chamado Malomil, um ensaio sobre “A cultura de direita em Portugal”. O “corpus” da “cultura de direita” aí seleccionado e analisado situa-se exclusivamente no pós-25 de Abril e faz parte, inteiramente, da cultura popular urbana, jornalística e, de um modo geral, frívola. Mesmo um Agostinho da Silva – referido de passagem – surge enquanto fenómeno mediático. Devemos concluir que o autor do ensaio não encontrou exemplos da “cultura de direita” na nossa cultura erudita. E não é fácil encontrá-los. Mas talvez haja alguns vestígios: veja-se, por exemplo, uma recente edição da Mensagem, de Fernando Pessoa, comentada por Paulo Borges, e sigamos-lhe o rasto e a constelação de que faz parte. Mas o autor deste interessante ensaio não define à partida o que é uma “cultura de direita”, fazendo-a coincidir de maneira um pouco automática com a direita política. Uma tal definição talvez tornasse mais difícil a inclusão da revista Kapa (fundada em 1990 e que teve como director Miguel Esteves Cardoso) nessa cultura de direita; e talvez permitisse encontrar elementos da cultura de direita em criações artísticas e intelectuais vindas de sectores da esquerda (dou apenas um exemplo: um poeta como Manuel Alegre, que é de esquerda, tem uma concepção da poesia e da figura do poeta nitidamente de direita). O que é uma cultura de direita? Furio Jesi, germanista italiano e um dos maiores mitólogos do século XX, autor de um livro intitulado Cultura di destra (1979) definiu a cultura de direita como aquela que tem como modelo uma “máquina mitológica”, um dispositivo que fabrica mitologemas, narrativas sobre o passado, fazendo dele “uma amálgama que se pode modelar”. É – diz Jesi recorrendo a Oswald Spengler – a linguagem das ideias sem palavras (Spengler: “A única coisa que permite a solidez do futuro é aquela herança dos nossos pais que temos no sangue: ideias sem palavras”). Jesi analisou sobretudo uma tradição alemã e italiana. Se quisermos procurar uma tradição portuguesa da cultura de direita não encontramos um Bachofen, nem um Ludwig Klages, nem um Julius Evola, nem um D’Annunzio. Nem sequer a concepção do poeta como vate de Manuel Alegre é comparável ao Dichter de Stefan George. E quanto mais nos aproximamos do nosso tempo, mais difícil é definir uma cultura de direita porque ela tende a ser, como a de esquerda, um realismo, e a sua doutrina fundamental consiste numa adesão ao individualismo liberal. A cultura de direita converteu-se ao pragmatismo económico e, no essencial, fala uma linguagem que, aliás, a esquerda não consegue ultrapassar, nem se esforça por isso. Em suma, abandonou completamente os livros e as bibliotecas e instalou-se nas televisões, nos jornais, nos ministérios e nos escritórios. Por isso, quando lemos uma entrevista como a que Anabela Mota Ribeiro fez a um jovem casal de “católicos de direita”, como são apresentados Eduardo Nogueira Pinto e Helena Nogueira Pinto (na Revista 2, do “Público”, no passado domingo), tendemos a procurar nela as manifestações intelectuais de uma “cultura de direita”. E o que encontramos? Exactamente a persistência das “ideias sem palavras”: o louvor da ordem e da moral familiar; o romantismo político. O que, sem mais, se reduz a uma pobre manifestação da cultura de direita. Mas devemos compreender que a tradição portuguesa não lhes deu grandes figuras de invocação. Em Portugal, mais do que uma cultura de direita, o que temos são famílias de direita. Isto é: muito sangue e pouca cultura."
21
Dez13

Direita: o «algodão» não engana

Cláudio Carvalho
17
Nov13

César das Neves 2016: ei-lo o candidato da direita às próximas Presidenciais.

Cláudio Carvalho

César das Neves, em estilo senador da república (?!), depois desta entrevista «subir salário mínimo é estragar a vida aos pobres», "arrisca-se" mesmo a ser o candidato da direita às próximas eleições presidenciais de 2016. Para já demonstra reunir, com distinção, os atributos todos.

29
Out13

O atrevimento, o autoritarismo, a incapacidade e a falta de vergonha...

Cláudio Carvalho

A direita portuguesa, essencialmente por duas motivações distintas que convergem apenas na sua finalidade, tem vindo a criticar a Constituição da República Portuguesa (CRP), exigindo a sua urgente alteração.

O primeiro motivo deve-se à óbvia incapacidade governativa em fazerem cumprir os propósitos do memorando de entendimento, sem concretizarem politicamente a retórica oca pró-reformista do Estado e das suas «gorduras», aquando do «quente período eleitoral de 2011». Sinteticamente, em fazer cumprir a maior burla política de sempre. Ora, a CRP que serviu de arma de arremesso político, no passado, contra outros governos, agora tem que ser mudada a todo o custo.

O segundo motivo, nem sempre associado ao primeiro, prende-se com um hediondo ajuste de contas histórico, com o intuito de rasgar o contrato social construído ao longo de quatro décadas. Os argumentos que suportam as motivações não fogem à regra: a CRP é (supostamente) rígida, (supostamente) coletivista e (supostamente) não serve o princípio da sustentabilidade das finanças públicas.
O discurso vazio e sevandija dos liberais do «burgo» procura fazer esquecer que o princípio da sustentabilidade das finanças públicas foi, por exemplo, reforçado - bem ou mal, não interessa para o caso - recentemente com a introdução do objetivo orçamental de médio prazo, vulgo «a regra de ouro», no enquadramento jurídico-legal nacional (inclusivamente, com o voto do grupo parlamentar do Partido Socialista). Mais, a União tem reforçado os princípios de coesão macroeconómica e orçamental. Mais importante do que este pormenor, importa reforçar esta característica peculiar de certa direita nacional que considera que um contrato social tem que estar dissociado de quem o legitima e que eventuais alterações a esse contrato social não têm que ter a concordância ou apoio popular. Um novo contrato social, para eles, tem primariamente que garantir o cumprimento de responsabilidades para com os credores. Para certa direita, uma Constituição é um despacho ministerial, em que o soberano exerce a autoridade discricionária sobre os cidadãos. Para certa direita, uma revisão constitucional deve ser dar-lhes um «cheque em branco», para efetivarem as suas crenças ideológicas contra a vontade popular. Para certa direita, um contrato social é um contrato para com os credores financeiros e não para com os seus cidadãos. Para certa direita, voltar ao século XVII e XVIII é a única solução para garantir a sustentabilidade das finanças públicas e garantir que as «contas da mercearia» são pagas a horas. Quanto atrevimento, quanto autoritarismo, quanta incapacidade política, quanta falta de vergonha...

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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