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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

18
Abr13

Investimento em educação: desmistificando (de uma vez) o discurso de Nilza de Sena

Cláudio Carvalho

Nilza de Sena pertence a um determinado conjunto de personalidades do PSD que não me merecem grande consideração pelos sucessivos erros factuais que usa e abusa nos seus  argumentários que subjazem as suas opções e opiniões políticas. Ainda, assim, percamos algum tempo para clarificar, espero que de vez, o mito de que gastamos mais do que os nossos parceiros em educação. Atentemos, então às palavras, da Vice-Presidente da Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República, no programa da TVI24 "Política Mesmo" de ontem: «Portugal investiu sempre muito acima da média europeia. Estes são dados, quer da OCDE, quer até da comparação com países da Europa a 27. Nós temos um investimento que, de facto, tem vindo a cair ao longo dos últimos anos, mas que, mesmo com a queda que está prevista inclusive neste ano que estamos a viver e que é difícil, ainda assim é um investimento superior acima àquele que existe na média europeia. (...) Nós tínhamos um investimento em cerca de 2% do PIB superior aos dos outros países: estávamos na ordem dos 7% do PIB e os outros países tinham um investimento de 5% do PIB. Portanto, não há essa diferenciação de um modo negativo como estava a assinalar». Mais à frente no programa, adiantou que a fonte era o Eurostat quanto a dados de 2010, dizendo que o investimento em Portugal era de 7,1% e na UE27 de 5,5% do PIB.

Antes de mais, convém realçar que o Eurostat não divulgou oficialmente dados referentes a 2010, relativamente ao nosso país. De seguida, segundo os parâmetros, quer do Eurostat, quer da OCDE (vd. “Education at a Glance 2012”), Portugal nunca teve um investimento público superior a 7% do PIB nem de 2 pontos percentuais acima dos seus parceiros europeus ou da OCDE. Por conseguinte, é, no mínimo, ridícula, a afirmação de que "investiu sempre muito acima da média europeia". Se tomarmos, como base comparativa uma estimativa de valores quanto aos anos de 2010, 2011, 2012 ou de 2013 ou o recém-difundido estudo do Conselho Nacional de Educação (vd. "Estado da Educação 2012"), o panorama comparativo agrava-se claramente, não obstante a ressalva de que houve uma clara aposta na educação entre 2005 e 2009.

Importa ressalvar que o panorama comparativo mantém-se igualmente desfavorável para Portugal, na comparação da despesa por estudante (em paridade de poder de compra).

De qualquer das formas, mesmo esta análise é redutora, dado que podemos aludir que necessitamos de um esforço orçamental superior aos parceiros europeus dado o nosso atraso estrutural económico-financeiro, (meramente) educativo ou no domínio cultural, científico e tecnológico.

14
Mar13

Refresco de memória

Pedro Figueiredo

É fácil, até de mais, perceber que a actual acção governativa nada tem a ver com a linha proposta pelo, então, candidato a Primeiro-ministro em campanha eleitoral. Basta ir à sua conta no Twitter e lá se encontram as frases mais fortes do seu discurso da altura, as ideias com que planeava tirar o país dos hábitos e caminhos que vinham a ser seguidos. Ia ser duro, mas nunca foi dito abertamente - nem podia ser, pois havia eleições a ganhar - que ia piorar. E muito.

 

Durante algum tempo, depois das legislativas de 5 de Junho de 2011, ainda houve o fôlego das exportações que tinham vindo a aumentar, mas o brutal aumento nos impostos - que fez cair a procura interna - combinado com o congelamento do QREN e com o resgate de parte do sector bancário, acabou por pulverizar tudo o resto. A economia nem sequer estagnou. Retraiu. E muito.

 

No entanto, e voltando ao discurso de Passos Coelho enquanto líder da oposição e candidato a Primeiro-ministro, há uma ideia que foi referida a 6 de Novembro de 2010, em Viana do Castelo, num jantar para militantes do partido, que nunca chegou a ser veiculada como punch line do candidato.


Se dissermos que a despesa irá ser 100 e ela for 300, aqueles que são culpados pelo resvalar dessa despesa têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos e suas acções.


A ideia não voltou a ser defendida por Passos Coelho talvez por ter sido alertado (ou ter descoberto por mote próprio) do perigoso populismo que encerravam as suas palavras, como até pelo facto de tal se poder virar contra si. A história tem destas coisas. As conjunturas externas dão muito jeito... É que, na altura, o líder do PSD incluiu no lote dos 'potenciais' arguidos aqueles que, mesmo inconscientemente, seguiam condutas de má gestão.

 

Imagino que para o actual Primeiro-ministro, o Governo, nem de longe nem de perto, esteja a seguir por caminhos de má gestão. Os números podem desmenti-lo, mas a boa fé, essa é que conta. Quantas vezes deve Passos Coelho lembrar-se do que disse em Viana do Castelo, em 2010? Assim de repente, nenhuma.

31
Out12

Emanuel dos Santos: "A minha despesa é a receita de alguém"

Nuno Pires

Emanuel dos Santos, antigo Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento, deu ontem uma entrevista à TSF.

 

A evolução da nossa economia, algumas falácias que vão preenchendo o espaço mediático, o contexto do pedido de resgate de 2011 e o contributo que o OE2013 representa para a necessidade de um novo, são apenas alguns dos vários temas abordados ao longo de cerca de 30 minutos de entrevista.

 

A não perder.

30
Out12

Afinal era uma enorme comissão de inquérito?

sara marques

Seis horas! Seis !! Um dia de debate sobre o Orçamento do Estado de 2013 em que pouco se falou na Assembleia da República sobre o documento, as medidas aplicadas, as que não podem ser aplicadas e as consequências que virão. Estive atenta, como tantos portugueses, mas o que mais ouvi foram tricas, politiquices, o famoso jogo do passa-culpas.

 

O PSD e o Primeiro-Ministro disseram que o país está assim por causa da herança do PS, a tal que tinha dito que não iria usar como desculpa quando fosse líder do Governo. O PS, com uma amnésia parcial, isentou-se de todas as culpas passadas e apontou o dedo ao Governo atual. O PCP e o BE apontaram o dedo a todos os outros partidos e o CDS tentou, como já é habitual, passar por entre os pingos da chuva.

 

Cá em casa, como em tantas casas por este país fora, neste momento, pouco importa de quem foi a culpa. O PS estava no Governo e o país considerou que não devia continuar, que a governação que estava a fazer não era a melhor para Portugal, e escolheu outro partido, outro Governo... mas foi para governar, não para fazer uma comissão de inquérito às culpas passadas. Queremos soluções, queremos medidas, queremos que se discutam os temas concretos, que se ouçam as propostas de todos sem este constante apontar de dedo, as inevitáveis chalaças e os risinhos. Não queremos ver-vos a rir uns com os outros ou uns dos outros, a tentar encontrar a mais rebuscada das piadas para passar como soundbyte dos media. É da nossa vida que se trata e, garanto-vos, que na maior parte das vezes não nos dá vontade de rir.

 

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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