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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

23
Mar13

Amado, o ex-Ministro, ou Luís Amado, presidente do BANIF?

mariana pessoa
"Substituir Vítor Gaspar seria um erro", diz Luís Amado: http://expresso.sapo.pt/substituir-vitor-gaspar-seria-um-erro-diz-luis-amado=f795728#ixzz2OMaR0I3S

É só para saber quem ouvimos nestas declarações: Amado, o ex-Ministro, ou Luís Amado, presidente do BANIF, o banco em que o Estado Português, decisão deste governo e deste ministro das finanças, injectará até Junho deste ano 1.1 milhões de euros?
03
Nov12

O tamanho de um rastilho

Pedro Figueiredo
Não se andará muito longe da verdade se se considerar Portugal um país à beira de uma manifestação pública com consequências bem mais gravosas do que aquelas a que se tem assistido. Os níveis de desemprego e os cortes nas prestações sociais anunciadas e já confirmadas (na generalidade) pelo Orçamento de Estado para 2013 - e outras situações que não vale a pena aqui elencar -, transformam a sociedade num autêntico barril de pólvora.
Pode até haver quem considere que o país aguenta (ai se aguenta!) mais austeridade, mas ao dizê-lo não sabe verdadeiramente que consequências isso trará na forma como pode, inclusive, imaginar o seu próprio dia a dia. Diz pela simples razão de que se é preciso, é preciso. Not so fast.
Como em qualquer barril de pólvora pronto a explodir, há sempre um rastilho. Mais ou menos curto. Ninguém sabe precisar o tamanho. Há índices de contabilização para a paciência e limite de austeridade de um país? O FMI também também tem um multiplicador para isso?

Quem garante que, por sugestão, os números de levantamentos de poupanças não aumentam ainda mais? Ou até uma corrida aos balcões para levantamentos em massa (último cenário, mais catastrófico)... Apesar dos depoimentos das pessoas apontarem para necessidades financeiras imediatas, parece (números não confirmados) que a grande maioria foi para reinvestir em produtos mais rendíveis. Mesmo assim, as razões podem bem ser as piores: receio e incerteza no futuro.
Nem é preciso recuar muito no tempo, salvaguardando as devidas diferenças de regime. Mubarak caiu com o espancamento até à morte de um jovem de Alexandria por um polícia num mercado. E não foi só o Egipto que mudou.
O estado a que chegou o país (manifestações e intolerância de variadíssimos sectores da economia às soluções apresentadas pelo governo), não promete um desfecho propriamente saudável à democracia. Seja para que lado cair "a razão". Ser flexível também é perceber o momento certo em que a corda não tem mais elasticidade e perceber que vai partir.
01
Nov12

Os deuses dos outros

boomerangomics
Na Islândia ninguém sabe ao certo quando os vulcões vão entrar em erupção. A relação de amor-ódio entre as placas tectónicas continentais alimenta os sonhos dos ultra-isolacionistas de ambos os lados. A anulação da dívida hipotecária superior a 110% da reavaliação é um desastre à espera de acontecer, a bolha imobiliária resultante do controlo de capitais imposto aquando do colapso da banca islandesa é um tubarão preso num aquário sem manutenção adequada, ursos polares náufragos dão à costa da Islândia, ainda com vestígios de icebergues agarrados às unhas. E depois?

As industrias da criatividade explodiram na sequência da implosão do sector financeiro. A música islandesa, o cinema e a literatura namoram com os mercados. O peixe e outros recursos marinhos são o petróleo islandês. Os sectores das pescas e da energia geotérmica foram nacionalizados após décadas concessionadas a 20 barões do mar, quando a Islândia ainda era o exemplo do sucesso neoliberal.

A ideia é que a riqueza da nação seja a riqueza dos cidadãos, como os fundos do petróleo norueguês, ou timorense. Ah e tal... «É uma rocha gelada ao pé do Círculo Polar Árctico e até a melhor banda islandesa, os FM Belfast, ganha a vida a escrever canções sobre férias à beira-mar em praias das caraíbas, não me lixes.» É um argumento muito frequente e bem fundamentado. É aqui que o islandismo pisca o olho ao realismo mágico. 

O Presidente da Islândia sentiu-se na obrigação moral de convocar um referendo antes hipotecar o futuro do país por várias gerações. A Irlanda e a Espanha também tinham bolhas imobiliárias e sectores financeiros expostos a riscos múltiplos, no entanto, os seus governantes não hesitaram em carregar sobre o exército de contribuíntes, uma responsabilidade para a qual em nada tinham contribuído. Foram pressionados, como a Grécia, sabe-se agora, foi pressionada pela França para anular o referendo em 2011 sob chantagem de revelação da "lista Lagarde" então Ministra das Finanças francesa.
A Islândia tem um longo cadastro de resiliência, primeiro ao Reino da Noruega e mais tarde ao da Dinamarca. A Islândia não constrói estradas ou sequer ciclo-vias em zonas habitadas por elfos e acredita nos seus próprios deuses, mesmo quando finge acreditar nos dos outros. Ser islandista é não deixar que seja o FMI a calcular o multiplicador recessivo do nosso país e depois dizer: Oopss desculpem, enganei-me. Sem indemnizar o empobrecimento da nação, as falências, os postos de trabalho perdidos e vantagem dada à concorrência estrangeira? Fazer sangue para saldar dívidas não era coisa das máfias? Ou foi noutro planeta? 

O Presidente do Município de Reykjavik, Jón Gnarr, humorista, ganhou as eleições depois de fundar o Best Party. O Best Party é o melhor partido, claro, porque defende as cenas cool e opõe-se a tudo o que seja uncool. E para além disso, e da troika, prometeu não cumprir nenhuma das suas promessas eleitorais. A Islândia é o laboratório político com que jamais ousámos sonhar. E foi então que resolvi redigir o Manifesto do Partido Islandista: Artigo 1º (e último) Em nenhumas circunstâncias o dinheiro do contribuinte será usado para resgatar bancos ou outros interesses privados.
Há quem diga que o islandismo é para preguiçosos e caloteiros. Não concordo. Pôr as pessoas antes dos bancos é para humanistas. Ser islandista não é vida fácil. O islandismo está cheio de obstáculos e dos piores: os desconhecidos.  A crescer mais de 3% e com o desemprego a rondar os 5%, pedir a cidadania é uma boa opção. Mais arriscado é confiar nestes austeristas com nomes alemães, que "ai aguentam, aguentam!" que encerremos as nossas contas no BPI. E no entanto, a Islândia é na Terra, não é na Lua.
«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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