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21
Nov

Subreal

por CRG

Se há profissões que eu era incapaz de ter a de político e de árbitro de futebol estão bem no topo. Ambas estão sujeitas a uma forte pressão mediática, repleta de decisões complicadas e conscientes que por muito bem que actuem vão deixar sempre alguém descontente; e a percepção de que os nacionais são sempre muito piores (nada que jogos nas competições europeias ou atenção à política internacional não desmintam).

 

Deste modo, tenho um profundo respeito pelos que têm a audácia de seguir tais profissões e procuro defender os mesmos de generalizações injustas.

 

No entanto, há dias que dá vontade de desistir. Ontem foi um deles - parece que querem personificar todas as críticas que lhe são apontadas.

 

Primeiro, foi o caso das subvenções.

 

 

É incompreensível que no mesmo ano em que se mantém a austeridade e em que o Executivo propõe um mínimo para as prestações sociais não contributivas porque querem "assegurar que os beneficiários (...) não recebem mais do Estado do que receberiam se auferissem rendimentos de trabalho" sejam repostas as subvenções ou mesmo sido pensado que isso seria nesta altura justo.

 

Na verdade, mesmo com a posterior retirada da proposta, conseguiu dar argumentos aos que consideram que os políticos auferem demasiadas regalias e que deviam entrar na vida pública apenas por espírito de missão.

 

Ora, um dos pressupostos da democracia e uma das seis exigências do Cartismo, movimento social inglês da década de 30 do Século XIX, consiste na remuneração dos parlamentares, uma vez que só assim permitia que os que tivessem como fonte de rendimento o seu trabalho pudessem servir os interesses do seu país. 

 

 

Segundo, foi a frase do Paulo Portas "Quem é que cria mais postos de trabalho? A Remax ou o Bloco de Esquerda?"

 

Um Vice-Primeiro-Ministro no Parlamento a denegrir a importância de partidos políticos - só não digo que já vi de tudo porque tenho medo do futuro.

 

A figura do Portas parece saída de um brainstorming do grupo de André Breton: de gravitas só na pose; depois de uma longa carreira de surrealismo em que a sua demissão irrevogável e simulacro de reforma do estado são apenas os pontos altos, esforça-se em cada intervenção para causar choque - a única coisa que lhe resta.

 

Esperam-se melhores dias.

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1 comentário

De Joe Strummer a 21.11.2014 às 15:27


Discordo.
Acho até que as contextualizações estão trocadas. No caso das subvenções não deve existir contextualização é um caso de igualdade e justiça, por mais contra-intuitivo que seja.

No caso Portas deve haver contextualização, estava sob pressão num assunto incomodo e reagiu como habitualmente, como um clown e com desrespeito pela Assembleia. Vide o secret. estado com o Augusto Cabrita e o jack taxinhas. Alias nada de novo.

O que eu mais estranho é que as pessoas pedem para serem enganadas e não resta quase nenhuma hipotese senão a mentira para ganhar eleições, tirando ocasiões muito especiais.
Lie to me.

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